terça-feira, 15 de setembro de 2026
segunda-feira, 3 de junho de 2024
MÚSICA COPIADA, TRANSCRITA, ADAPTADA (segundas-feiras musicais nº3)
Imagem: um retrato de J. S. Bach quando jovem, do período em que terá copiado e adaptado muita música italiana, nomeadamente de Vivaldi
Hoje em dia, com o conceito de «copyright», temos tendência a ver qualquer empréstimo como uma espécie de «roubo». Porém, na era do barroco (e mesmo, depois), era comum uma peça de música dum compositor, ser adaptada por outro.
São célebres as adaptações, feitas para o órgão (ou cravo) pelo jovem Bach, dos concertos para cordas do «Estro Armonico» de Vivaldi*. São adaptações de pleno direito, pois as modificações necessárias para serem executadas no cravo ou no órgão implicavam mudanças substanciais: quer na tessitura das vozes, quer no enchimento harmónico e noutros detalhes, que fazem destas «transcrições» mais propriamente «adaptações».
Muitos músicos fizeram adaptações do mesmo tipo. Franz Liszt, por exemplo, transcreveu peças de Bach (originalmente para órgão solo) em peças para piano. Busoni, mais tarde, também efetuou transcrições para piano doutras obras de Bach. Estas transcrições são conhecidas e frequentemente interpretadas.
Vivaldi: Concerto para 2 violinos e orquestra, RV 522
Versão para órgão solo de Bach: BWV 593:
No estudo abaixo citado, são contabilizadas e explicadas as modificações que Bach fez nas partituras originais de Vivaldi, para tornar as peças plenamente executáveis ao órgão: «Bach the Transcriber: His Organ Concertos after Vivaldi (Vincent C. K. Cheung)»
Alexandre Tharaud (piano) realizou um disco em 2001, com transcrições feitas por Bach de obras de Vivaldi, de Alexandro e Benedetto Marcello e Torelli, além de obras do próprio Bach: «Concerto Italien».
No século XIX continuou a tradição: O tema de «La Campanella» (o sininho) para violino, de Paganini, foi transcrito e usado para variações, em inúmeras peças, sendo a mais célebre a versão de Lizt para o piano.
No século XX, muitos compositores continuaram a usar temas de peças musicais de autores do passado para compor suas próprias peças, de forma mais ou menos livre.
Veja-se, por exemplo, a utilização do «Dies Irae» e dum Capriccio de Paganini, na Rapsódia para piano e orquestra de Rachmaninoff.
A «Rapsódia sobre Tema de Paganini», estreou-se a 7 de Novembro de 1934, pela orquestra de Filadélfia, sob direção de Leopold Stokowski, sendo o próprio Rachmaninoff solista ao piano.
Não nos devemos surpreender que grandes músicos copiem e usem materiais de outros: Pode ser visto como exercício, ou como forma de estudar as técnicas de composição dos mestres. Em tais circunstâncias, não se trata de "plágio", mas antes de homenagem!
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(*) música de Vivaldi e transcrições por Bach, nesta PLAYLIST
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022
George Frederic Haendel: PASSACAGLIA da suite em sol menor HWV 432
Haendel é tão essencial ao barroco, como Bach.
A sua personalidade é totalmente diferente da do Mestre de Leipzig, embora os dois usem -afinal- os mesmos processos de composição e as mesmas técnicas de execução.
Mas, não é justo acentuar o contraste até à caricatura. Se Bach, por vezes, pode parecer pesado ou enfático, isso deve-se ao facto de retomar com frequência certas fórmulas. Mas o processo é muito banal, na época: Os compositores barrocos copiavam-se a si próprios e uns aos outros, profusamente. Não havia «copyright»; era um conceito não existente, sequer, na época. O artista que escrevesse uma passagem inspirada numa peça de outro, estava a homenagear esse mestre ou colega. Não era visto como «roubo», a utilização de certa melodia. Enfim, o «progresso » neste campo não existe. Porque a música, como todas as outras artes, se mercantilizou: E isso, queiram ou não, resulta em empobrecimento.
Em milhares e milhares de páginas musicais, nem sempre a inspiração genial de um Haendel pode estar patente. Ele copiou-se a si próprio e copiou outros, tal como o fizeram Bach e muitos contemporâneos. Ele e seus colegas tinham de satisfazer encomendas para festas nos palácios, para as cerimónias religiosas e para os teatros e óperas. Haverá algo de surpreendente, se uma ária de ópera era adaptada para integrar uma obra de caráter sacro, ou vice-versa?
Há quem -erroneamente - considere a produção de Haendel, fútil ou superficial. Mas, a meu ver, ele corresponde à melhor versão daquilo que chamo o «espírito otimista das Luzes», e que perpassa também em obras doutros músicos do barroco tardio: Telemann, Rameau e Domenico Scarlatti.
Ideologicamente, é a época de Newton e Leibniz, a do triunfo de nova visão do Universo. O homem sente-se confiante perante os mistérios do Cosmos. Note-se que a origem divina do mesmo não está em causa. No entanto, ao contrário de épocas anteriores, não hesita em considerar que o Cosmos é inteligível: Se existem mistérios, é porque o espírito humano é demasiado imperfeito para compreender as leis da Natureza, dadas por Deus na Criação.
Musicalmente, Bach e Haendel são ambos complexos e multifacetados: em muitas páginas musicais, podemos encontrar um Bach galante e um Haendel místico. O que implica, afinal, não nos deixarmos encerrar em «visões-clichés»!
Sou particularmente sensível às questões de tempo, de andamento. Através da escolha criteriosa do tempo, o interprete pode comunicar de forma adequada o espírito da música. Note-se que, na época de Haendel, a execução direta e ao vivo era a única forma de fazer ouvir uma peça de música.
Gosto particularmente desta Passacaglia, muito bela na sua simplicidade. Pode servir pedagogicamente, para ilustrar a forma «tema com variações».
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
[NO PAÍS DOS SONHOS] VARIAÇÕES GOLDBERG
terça-feira, 27 de junho de 2017
MÚSICA JOYA - CONCERTO PARA ÓRGÃO, J. S. BACH
segunda-feira, 19 de junho de 2017
CANTATA DO CAFÉ - J.S.BACH
"Coffee Cantata" BWV 211 - Ei! wie schmeckt der Coffee süße
Solista: Sumi Jo
quinta-feira, 9 de março de 2017
CONCERTO ITALIANO DE BACH - POR LANG LANG
domingo, 5 de fevereiro de 2017
VIVALDI - MAGNIFICAT RV 611
| Magníficat ánima mea Dóminum. Et exultávit spíritus meus: in Deo salutári meo. Quia respéxit humilitátem ancíllae suae: Ecce enim ex hoc beátam me dicent omnes generatiónes. Quia fécit mihi mágna qui pótens est: et sánctum nómen eius. Et misericórdia eius in progénies et progénies timéntibus eum. Fécit poténtiam in bráchio suo: dispérsit supérbos mente cordis sui. Depósuit poténtes de sede: et exaltávit húmiles. Esuriéntes implévit bonis: et dívites dimísit inánes. Suscépit Ísrael púerum suum: recordátus misericórdiae suae. Sicut locútus est ad patres nostros: Ábraham, et sémini eius in saecula. Glória Patri, et Fílio, et Spirítui Sancto, Sicut erat in princípio, et nunc, et semper, et in sæcula sæculórum. Amen. | My soul doth magnify the Lord. And my spirit hath rejoiced in God my Savior. Because He hath regarded the humility of His slave: For behold from henceforth all generations shall call me blessed. Because He that is mighty hath done great things to me; and holy is His name. And His mercy is from generation unto generations, to them that fear Him. He hath shewed might in His arm: He hath scattered the proud in the conceit of their heart. He hath put down the mighty from their seat, and hath exalted the humble. He hath filled the hungry with good things; and the rich He hath sent empty away. He hath received Israel His servant, being mindful of His mercy: As He spoke to our fathers, to Abraham and to his seed for ever. Glory be the Father, and to the Son, and to the Holy Spirit, As it was in the beginning, is now, and ever shall be, forever and ever, Amen. |
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
VIVALDI, TRANSCRIÇÕES PARA CRAVO
domingo, 20 de novembro de 2016
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
BACH, QUANDO TE OIÇO, MEU ESPÍRITO É TRANSPORTADO PARA JUNTO DE DEUS
- Eis o grande mistério da música: nada mais físico, nada mais espiritual que a música composta e interpretada por pessoas excecionais. A música de grande qualidade convida a uma audição atenta, mobiliza o nosso ser na totalidade e não apenas o sentido auditivo.
Se nós nos sentimos transportados e encantados, no sentido forte destas expressões, isso é por razões totalmente compreensíveis: é que se trata de um veículo para o que há de sagrado no coração de cada um de nós.
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Leitura da «Paixão Segundo São Mateus» de J.S. Bach
A força deste género de obra músical decorre da sua espiritualidade manifesta e da proximidade ao povo de Deus, pois a sua matéria-prima é idêntica à da música corrente na época, dentro e fora da igreja. O povo de Deus reúne-se e participa ativamente, cantando, pois os coros inseridos nas oratórias são corais, que a assembleia reunida para o culto luterano, está acostumada a entoar todos os domingos. A Paixão de Cristo é vivida/sentida por todos: estão a «reatualizar», no sentido de «reviver simbolicamente», a Paixão de Cristo. É portanto um ato religioso, dotado dum aparato musical considerável e de grande beleza estética.
Esta leitura é perfeitamente canónica em termos teológicos.
Não é possível decidir qual a componente que mais relevância teve na sua génese:- de ter sido, obviamente, composta com o objectivo de evangelizar, de edificar e fortificar os crentes;- ou desta música, inspirada na Paixão de Cristo, emergir como ato de piedade da mente profundamente devota de Bach. Pois ambas as motivações são perfeitamente compatíveis e complementares.
O modo como esta peça é recebida pelo auditor, a ênfase que dá a este ou aquele aspeto, dependem da sua sensibilidade:
Mas, para pessoas sensíveis à transcendência, ao lado emocional, despertas para uma espiritualidade, independentemente de terem ou não terem religião, esta composição tem um outro sabor: Ela é um veículo de encontro com o Amor Universal.

