quinta-feira, 2 de julho de 2026
quarta-feira, 1 de julho de 2026
INCRÍVEL MAS VERDADEIRA HISTÓRIA DE DENG XIAO PING
Quem não conhece a história da transição do maoismo para a abertura de Deng Xiao Ping, não pode compreender o presente.
Aquilo que é agora a China «não é devido a Mao Tsé Tung» e suas políticas nas décadas em que esteve à frente do Partido Comunista da China e da Rép. Popular da China.
- Deng e os herdeiros da facção realista no PCCh, conseguiram o quase impossível:
Começaram por dar confiança à criatividade do povo chinês.
O que Xi Jing Pin chama «socialismo com características chinesas», é um regime misto (capitalismo de Estado /socialismo /capitalismo privado) que permitiu remover esse enorme país da mais negra miséria, para o segundo lugar (alguns dizem, o primeiro) enquanto potência económica mundial.
Ora, foi decisiva a contribuição do povo chinês, para que as políticas do Estado e da sociedade, em geral, fossem implementadas, da maneira como foram.
O vídeo acima pode apresentar uma visão que toma partido a favor de Deng e da sua obra. Isso parece-me evidente mas, o que eu já sabia, coincide com a narração deste vídeo.
As visões mais propagandeadas da Revolução Chinesa da época de Mao Tsé Tung e do que sucedeu após sua morte, são deformadas, num ou noutro sentido:
- Umas, no sentido de colocar Mao como génio político e militar. Uma visão dos que foram seduzidos pelo maoismo nos anos 60 e 70, uma parte dos intelectuais e da juventude estudantil dos países ocidentais.
Outras, baseadas na cartilha anti-comunista de longa data, diabolizam tudo o que existiu e existe na China. Esta narrativa hipertrofia os atropelos aos direitos humanos (que os houve e continua a haver) mas, sem dar conta racionalmente de como - em tão pouco tempo - um país tão atrasado pode ter progredido de modo tão destacado.
Para quem visite a China hoje, é óbvio que a pobreza recuou muitíssimo, que as pessoas têm um bem-estar igual ou superior à população dos países ocidentais.
Continua a ser polémico, no Ocidente, tudo o que se prende com a China. Nesse aspecto, sobressai o muro de silêncio que se abate sobre as condições de vida concretas das centenas de milhões de chineses.
Mas, notem-se os factos: A vertiginosa progressão tecnológica, como provam as publicações de artigos científicos em jornais internacionais, as quantidades de patentes registadas, as realizações concretas nos domínios espacial, nas alternativas energéticas, na biologia e medicina, etc. Todos eles provam que se trata de uma revolução (pacífica), com repercussões positivas no nível de vida das populações chinesas e nas do Sul Global, submetidas durante séculos às depredações do colonialismo e neo-colonialismo.
No Ocidente, o discurso dominante sobre a realidade da China vai no sentido de deturpar, ocultar, meter medo às pessoas, porque o nível de vida destas se tem deteriorado nestes últimos 30 anos. Além disso, nos últimos quinze/vinte anos, as oligarquias norte-americana e europeia têm transformado os Estados (desde as leis, aos dispositivos de vigilância) para conseguir um controlo totalitário dos cidadãos.
Leitura da obra de Holbein OS EMBAIXADORES
No renascimento, a síntese do saber, do poder e da espiritualidade, no quadro de Holbein «Os Embaixadores».
terça-feira, 30 de junho de 2026
segunda-feira, 29 de junho de 2026
VOLTO-ME PARA O PASSADO... [OPUS VOL. IV , OBRAS DE MANUEL BANET]
Volto-me para o passado, não por aí encontrar sabedoria,
Não tenho ilusões sobre seus valores e as morais que pregavam
Volto-me para o passado para descobrir, teimosa procura,
Da marcha da sociedade, o que -a certa altura- descarrilou
Sem dúvida que a humanidade, no seu conjunto, não melhorou
Nem uma onça mais de sabedoria, bondade ou prudência
Isso podes constatar, cotejando o presente com o passado
Será em vão, esta procura. Aceito que ela não traz soluções
O único bem que posso extrair, é o convencimento
De que não há nada que justifique demorar-me por aqui.
«PRÉLUDES NON MESURÉS» DE LOUIS COUPERIN [Segundas-f. musicais Nº64]
Françoise Lengellé interpreta 16 prelúdios «non mesurés»* de Louis Couperin.
Uma gravação ao vivo, em Julho de 2023, num cravo francês construído por William Dowd, em 1973.
https://www.youtube.com/watch?v=XNpu5-BGQeI&rlist=PLs9hz35Qywg7DNLUANn9ZtIdscl3yAvmP
Embora tenha bastantes peças para órgão e algumas para viola da gamba, foram as peças para cravo que fizeram passar à posteridade Louis Couperin.
Estas peças para cravo (cerca de 130), não foram editadas em vida do compositor e estão dispersas por vários manuscritos. Os movimentos e as tonalidades indicam que elas se destinavam a ser executadas agrupadas em suites. Porém, a composição das mesmas é - nalguns casos - difícil de determinar. Por outro lado, tem-se indicações de que em França, nessa época a música para cravo** não especificava rigorosamente quais as peças de uma Suite, deixando uma certa margem de escolha ao interprete, para incluir - ou não - determinada dança, encurtar ou alargar o conjunto da Suite, etc.
Quanto ao prelúdio, este era praticamente obrigatório, pois desempenhava uma dupla função: Por um lado, permitia o executante certificar-se que o instrumento estava bem afinado para a tonalidade na qual se iriam desenrolar as sucessivas peças da suite; por outro lado, ajudava a criar o ambiente sonoro adequado para os auditores poderem melhor apreciar as subtilezas das diferentes peças da suite, todas no mesmo tom (ou no tom relativo) do prelúdio.
Em todo o caso, o grau de latitude improvisatória que exprimem estes prelúdios «non-mesurés», não nos deveria surpreender. A música barroca em geral ( quer na França ou noutro país participante no grande movimento estético, que se estendeu, pelo menos, durante um século e meio ) era música com elevado grau de improviso. Improvisar era não só admitido, como encorajado. Mas, o improviso obedecia a regras gerais e específicas aos instrumentos utilizados e ao carácter das peças.
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* Os préludes non-mesurés são peças onde as notas não têm os seus valores relativos (colcheias, semínimas, etc), onde apenas estão registadas as alturas relativas dos sons. Não têm compasso ("non-mesurés"), pelo que nestas incertezas de tempo e de rítmo, a sensibilidade e perícia do intérprete contavam mais ainda do que numa peça «vulgar». Pode dizer-se que é uma particularidade da Escola Francesa de cravo. Não conheço exemplos não-franceses de peças «non-mesurées»
** François Couperin, sobrinho de Luis Couperin, escreveu um célebre livro didático para o cravo «L'Art de Toucher le Clavecin» .
Veja o artigo sobre o mesmo (também com exemplos de prelúdio):
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/02/francois-couperin-l-art-de-toucher-le.html
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