Quem não conhece a história da transição do maoismo para a abertura de Deng Xiao Ping, não pode compreender o presente.
Aquilo que é agora a China «não é devido a Mao Tsé Tung» e suas políticas nas décadas em que esteve à frente do Partido Comunista da China e da Rép. Popular da China.
- Deng e os herdeiros da facção realista no PCCh, conseguiram o quase impossível:
Começaram por dar confiança à criatividade do povo chinês.
O que Xi Jing Pin chama «socialismo com características chinesas», é um regime misto (capitalismo de Estado /socialismo /capitalismo privado) que permitiu remover esse enorme país da mais negra miséria, para o segundo lugar (alguns dizem, o primeiro) enquanto potência económica mundial.
Ora, foi decisiva a contribuição do povo chinês, para que as políticas do Estado e da sociedade, em geral, fossem implementadas, da maneira como foram.
O vídeo acima pode apresentar uma visão que toma partido a favor de Deng e da sua obra. Isso parece-me evidente mas, o que eu já sabia, coincide com a narração deste vídeo.
As visões mais propagandeadas da Revolução Chinesa da época de Mao Tsé Tung e do que sucedeu após sua morte, são deformadas, num ou noutro sentido:
- Umas, no sentido de colocar Mao como génio político e militar. Uma visão dos que foram seduzidos pelo maoismo nos anos 60 e 70, uma parte dos intelectuais e da juventude estudantil dos países ocidentais.
Outras, baseadas na cartilha anti-comunista de longa data, diabolizam tudo o que existiu e existe na China. Esta narrativa hipertrofia os atropelos aos direitos humanos (que os houve e continua a haver) mas, sem dar conta racionalmente de como - em tão pouco tempo - um país tão atrasado pode ter progredido de modo tão destacado.
Para quem visite a China hoje, é óbvio que a pobreza recuou muitíssimo, que as pessoas têm um bem-estar igual ou superior à população dos países ocidentais.
Continua a ser polémico, no Ocidente, tudo o que se prende com a China. Nesse aspecto, sobressai o muro de silêncio que se abate sobre as condições de vida concretas das centenas de milhões de chineses.
Mas, notem-se os factos: A vertiginosa progressão tecnológica, como provam as publicações de artigos científicos em jornais internacionais, as quantidades de patentes registadas, as realizações concretas nos domínios espacial, nas alternativas energéticas, na biologia e medicina, etc. Todos eles provam que se trata de uma revolução (pacífica), com repercussões positivas no nível de vida das populações chinesas e nas do Sul Global, submetidas durante séculos às depredações do colonialismo e neo-colonialismo.
No Ocidente, o discurso dominante sobre a realidade da China vai no sentido de deturpar, ocultar, meter medo às pessoas, porque o nível de vida destas se tem deteriorado nestes últimos 30 anos. Além disso, nos últimos quinze/vinte anos, as oligarquias norte-americana e europeia têm transformado os Estados (desde as leis, aos dispositivos de vigilância) para conseguir um controlo totalitário dos cidadãos.