domingo, 13 de maio de 2018

A LOUCURA DE ACUMULAR MAIS DÍVIDA PARA RESOLVER UM PROBLEMA DE DÍVIDA

Os bancos centrais do mundo Ocidental apenas sabem uma coisa: produzir dinheiro, inflacionando a quantidade em circulação das suas respectivas moedas. Não importa que o referido dinheiro não corresponda a uma expansão dos negócios, da riqueza produzida. Apenas querem que as pessoas tenham a ilusão de receber «mais» de salário ou de pensão, por forma a induzir um comportamento gastador e fazendo arrancar uma economia exausta.
Porém, o «remédio» apenas agrava a doença, não cura nada! Os índices de crescimento económico do mundo ocidental indicam que, em termos reais, ou seja, com criação verdadeira de riqueza através de bens e de serviços, esta «recuperação» desde o grande abalo de 2007/2008, apenas se pode caracterizar como um crescimento anémico.
O crescimento vigoroso deu-se apenas em sectores onde impera a especulação: o imobiliário e a bolsa. O que significa que a injecção contínua de somas astronómicas nos sistemas bancários pelos bancos centrais tem apenas perpetuado uma inflação nesses sectores, mas não em sectores chave da economia, os sectores de bens e serviços. Caso a inflação de fizesse sentir nestes últimos, isso seria acompanhado por aumento de salários e pensões, um aumento que não tem existido, antes pelo contrário. 
A economia do mundo Ocidental está em estagnação nos sectores produtivos e  em inflação nos sectores financeiros; a «estagflação» que reúne «o pior dos dois mundos».

Com o andar das coisas, o que vai acontecer inevitavelmente é um «crach», porque os juros tendem a subir: já as obrigações do Tesouro, as «treasuries» a 10 anos dos EUA atingiram um valor de 3% e muitos especialistas calculam que os aumentos da taxa de juro de referência da FED - programados para este ano - vão impulsionar os juros para níveis de 4% ou mais. 
Nesta situação, os que pediram emprestado para comprar acções perderão dinheiro. Vai deixar de existir «combustível» para sustentar a subida das bolsas. As bolsas subiram muito nestes últimos tempos devido aos «buy-backs», efectuados pelas grandes companhias cotadas em bolsa, comprando acções delas próprias, usando empréstimos a juro barato.
O estado da economia real não é famoso, mas o efeito «euforizante» das subidas das bolsas tem mascarado, até agora, o panorama verdadeiro. Quando as bolsas começarem a sofrer grandes quebras, o estado real das economias, em particular nos EUA e Europa, vai tornar-se totalmente patente, mesmo aos olhos das pessoas anestesiadas pela media, ela própria possuída pelos grandes grupos económicos. 

                                 

A possibilidade de uma hiper-inflação aumenta, à medida que o tempo passa; muitos analistas pensam que as elites globalistas estão a tentar provocar uma quebra controlada, para poderem impor a reestruturação do sistema financeiro mundial e de cada economia nacional, de acordo com os seus interesses. 
Penso que esta fase é particularmente perigosa, pois não hesitarão, como no passado, em desencadear (ou reactivar) guerras para distrair a atenção das massas. Poderão culpar o inimigo pelos males da economia, não ficando vistas - elas, as oligarquias - como as verdadeiras causadoras (e aproveitadoras) de toda esta instabilidade económica...
Ao nível individual é necessário as pessoas terem algum dinheiro em notas fora do banco (um mínimo de duas vezes as despesas mensais habituais); reforçar a dispensa com diversos tipos de mantimentos não perecíveis (legumes secos, arroz, conservas diversas) , que permitam aguentar uma fase de grande escassez por desorganização dos mercados; moedas de prata e ouro para preservar a riqueza em períodos de inflação e que permitem efectuar transacções, mesmo quando a confiança na moeda-papel desaparece por completo... 

As pessoas devem entender aquilo que tentam ocultar da sua vista, têm de perceber os jogos dos poderes globalistas. 
Os grandes bancos, grandes corporações e os seus lacaios, quer nos governos, quer em instituições internacionais (na ONU, no FMI, etc.) vão fazer tudo para que as massas fiquem convencidas que o colapso é devido às manigâncias de governos «inimigos» (Rússia, China...) e irão suprimir as mais elementares liberdades e garantias em nome da «segurança», sempre com o argumento de «preservar» o modo de vida ocidental, a democracia, etc.
Cabe às pessoas possuidoras de bom-senso e de coragem desvendar aos outros (familiares, amigos, colegas...) a realidade do que se está passando; creio ser esta a resposta prática mais eficaz; quem fica desmascarado, perde a possibilidade de prosseguir com os seus jogos perversos...eles (os globalistas) têm tido o jogo facilitado pela enorme ignorância do público.

sábado, 12 de maio de 2018

MAIO DE 68... HÁ ALGUMA COISA A COMEMORAR??

Estava eu na minha adolescência quando as imagens e palavras confusas do Maio-Junho de 68 vieram agitar a mente deste jovem burguês imberbe e afrancesado (no Lycée Français de Lisbonne), mas sem ter qualquer perspectiva do que realmente estava em jogo. Tinha esperança que uma revolução europeia varresse o continente, mas temia um endurecimento do regime fascista português, então encetando a transição «pós-cadeira partida de Salazar», ou seja, do salazarismo mais «moderado» de Caetano. Era «moderado» entre aspas, ou seja, para não embaraçar demasiado os seus verdadeiros donos: a grande banca e indústria, as grandes corporações internacionais e os governos da NATO, seus garantes e protectores. 

No plano dos princípios, nada de muito perene restou: basta ver a deriva direitista de cerca de 90% dos protagonistas de então, quer na França, quer noutros países. 
Em Portugal, os mais vocais «herdeiros» de 68 foram os chamados esquerdistas, nomeadamente marxistas-leninistas, tendo os grupos que se reivindicaram do maoismo um protagonismo particular. Porém, apesar de alguns indefectíveis dessa época, a imensa maioria tornou-se o mais reaccionária ou burguesa que se possa imaginar. Digo isto com pesar, pois muitos eram meus conhecidos; muitos, pois foram meus colegas na faculdade (entrei em 1973 em Medicina, para pouco depois me transferir para a Faculdade de Ciências, um «bastião» dos esquerdistas maoistas).

                          Resultado de imagem para gauchisme mai 68

No plano das experiências auto-gestoras das lutas, talvez haja algo a aprender, mas não dos que se auto-proclamavam «revolucionários». 
A classe operária de então, consciente da fraqueza do poder da burguesia, devido às revoltas estudantis, pôs-se em luta nas fábricas, dando origem a muitas greves-ocupação, formas revolucionárias de combate anti-capitalista e que assustaram verdadeiramente o patronato e o governo, na França e noutros países. 
Em Portugal e Espanha, houve movimentações estudantis, acompanhadas de repressão, mas a classe operária de Portugal continuou largamente ignorante de tudo, salvo a que participou directamente nas grandes greves em França, nos meses de Maio-Junho. É dessas pessoas humildes que porventura estiveram envolvidas nos acontecimentos do Maio revolucionário, que valeria a pena ouvir os relatos... Muitos portugueses emigrantes dessa altura, estarão vivos, com cerca de setenta e tal anos...

O Maio de 68 não foi uma revolução, foi uma «válvula de escape», aproveitada pelas forças operárias (verdadeiras, as organizadas nos sindicatos). 
Foi também um grande susto para a burguesia e para os seus suportes políticos/ideológicos, que souberam no imediato  e na época seguinte, disfarçar-se de «revolucionários» para fazerem passar a sociedade de consumo de massas, o hedonismo, o egoísmo, como a «realização» das aspirações revolucionárias do Maio de 68: assim, de uma penada, desviavam e anestesiavam jovens ingénuos e desejosos de um caminho revolucionário «criativo», enquanto impunham discretamente na sociedade contemporânea a sua hegemonia ideológica, a sua ditadura «soft» (sempre convertível em «hard», quando as circunstâncias exigiam). 

Pode-se dizer que o Maio-Junho de 68 foi uma revolução que ficou a meio... porém, todas as revoluções que ficam a meio... regridem: ou são completamente derrotadas e afogadas no sangue ou, muitas vezes, os regimes supostamente herdeiros do movimento revolucionário tornam-se mais opressores do que o regime pré-revolucionário... 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

AI, QUEM ME DERA...

(Vinicius de Moraes/ Toquinho)  cantado por CLARA NUNES

 

Ai, quem me dera terminasse a espera

Retornasse o canto simples e sem fim
E ouvindo o canto se chorasse tanto
Que do mundo o pranto se estancasse enfim

Ai, quem me dera ver morrer a fera      

Ver nascer o anjo, ver brotar a flor
Ai, quem me dera uma manhã feliz
Ai, quem me dera uma estação de amor


Ah, se as pessoas se tornassem boas
E cantassem loas e tivessem paz
E pelas ruas se abraçassem nuas
E duas a duas fossem casais


Ai, quem me dera ao som de madrigais
Ver todo mundo para sempre afim
E a liberdade nunca ser demais
E não haver mais solidão ruim


Ai, quem me dera ouvir o nunca-mais
Dizer que a vida vai ser sempre assim
E, finda a espera, ouvir na primavera
Alguém chamar por mim

Uma das mais belas poesias/canções da autoria de Vinicius de Moraes, com música de Toquinho.

A aparente espontaneidade da letra, evolui rapidamente para um registo onírico e utópico, muito ao jeito de toda a geração de sessenta, a geração do amor e da revolução. 
Mas a beleza lírica do comentário da flauta envolve a melodia simples numa aura de encantamento. 
Para mim, isto é musica clássica / popular brasileira. 
O lirismo e a energia interior da voz de Clara Nunes, são o modo adequado, e o bom gosto, de cantar este trecho. A alma não se diz, nem se escreve; emana como uma melodia, como uma voz quente e vibrante de quem sente o que está cantando.

REALMENTE, HÁ UMA NAÇÃO DO MÉDIO-ORIENTE QUE POSSUI ARMAS NUCLEARES NÃO DECLARADAS


De novo, os EUA estão à «trela» do governo de Israel e do seu chefe - o ex-contrabandista de armas nucleares, Natanayhu!

quarta-feira, 9 de maio de 2018

A CONSTANTE VIOLAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL TEM UM PREÇO

Falamos do comportamento dos EUA, evidentemente. A sua saída do acordo multi-potências que punha termo a uma hipótese de o Irão se dotar da arma nuclear é simplesmente um passo em falso da sua diplomacia. Aos olhos dos observadores e sobretudo dos diversos governos do médio oriente, surge como apenas uma cedência (mais uma) aos israelitas, um meio para Trump se mostrar «durão» face aos sectores mais conservadores e pró-Israel. 

                             

Com efeito, o acordo «nuclear» com o Irão, nunca foi verdadeiramente o que se proclamou, pois o Irão não podia constituir uma verdadeira ameaça do ponto de vista de uma guerra nuclear ou mesmo convencional, a não ser no caso do Irão ser atacado directamente (por Israel, ou pela Arábia Saudita, ou Estados Unidos, ou uma coligação de seus inimigos). Manter o poder de retaliação no caso de um ataque surpresa pelos israelitas constitui a pedra de toque na estratégia de defesa da República Islâmica. 

                    

A demonização do Irão e do seu regime são apenas passos na escalada mediática, que tem por objectivo calar os protestos das sociedades civis, aquando de uma guerra (de agressão) anunciada. Convém apresentar o inimigo a abater como o mauzão, que se tem de reprimir a bem dos direitos humanos, da democracia, da estabilidade na região.
Só que os ataques do Ocidente, liderado pelos EUA, o seu desprezo ostensivo pelos acordos internacionais, a parcialidade completa, que leva a que feche os olhos perante os crimes de Israel (contra os palestinianos e com a guerra contra a Síria que está travando agora mesmo), têm um preço.
Creio que nenhum país se sente seguro perante tal «liderança» mundial. Os regimes que não agradam a Washington, obviamente. Mas, mesmo os vassalos, os «aliados», podem temer a ira do seu poderoso senhor feudal. 
O preço a pagar é que assim que se torne menos perigoso, muitos países vão desertar o campo «ocidental» e vão acolher-se na grande aliança em construção da China, Rússia, Irão e dezenas de países pequenos ou médios (em todos os continentes). É que a aliança estratégica, com elementos militares, mas também com um banco de investimento, uma «auto-estrada» para grandes investimentos em infraestruturas, uma circulação livre do comércio... correspondem ironicamente, muito mais aos desejos de um capitalismo avançado, liberal, do que a política de sanções, o terrorismo de Estado, a guerra preventiva, a ameaça permanente, o «torcer o braço» inclusive a aliados... do império decadente dos EUA. Ele revela, pelo constante bullying dos seus rivais e parceiros, que já não tem possibilidade de funcionar como entidade estabilizadora, promotora de um equilíbrio e paz entre as diversas nações... portanto, que é nefasto, dispensável e quanto mais depressa for obrigado a retrair-se para dentro das suas fronteiras nacionais, melhor!!

terça-feira, 8 de maio de 2018

«O CISNE» de CAMILLE SAINT-SAËNS, por Yo Yo Ma


Ás vezes, é preciso um interprete como Yo-Yo Ma para extrair todo o «sumo» de uma peça, seja ela arque-conhecida ou não, para exprimir a sua alma.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

UM IMPÉRIO MORIBUNDO

                     
                     Turner: «O declínio do Império Cartaginense»

Um império moribundo é a mais séria ameaça para a Paz que se possa imaginar. Um Império que tem vassalos e não amigos, que pode destruir múltiplas vezes o Planeta com o seu arsenal de armas nucleares (armas de destruição maciça, que são um crime contra a humanidade em si mesmas apenas por existirem). Um Império que arrasta consigo para guerras pelos SEUS interesses, seus vassalos, mantendo um controlo draconiano da política e dos políticos que são simplesmente comprados, mesmo no «velho continente», como, com razão, acusa Paul Craig Roberts.
Um país que está fechado sobre si próprio, onde a generalidade da cidadania não sabe rigorosamente nada sobre a política internacional, já para não falar da cultura, da economia... 
Um país que está nas mãos dos grandes grupos de interesses, que movimentam biliões, que servem os interesses da grande banca de Wall Street, das grandes corporações envolvidas na indústria de armamento, na agro indústria do OGM e na indústria farmacêutica, responsável pela mortífera epidemia dos opioides.  
 Um país hipócrita como não há outro que apoia o terrorismo fundamentalista islâmico num teatro de guerra ao mesmo tempo que diz travar uma guerra contra o terrorismo. 
Penso, contrariamente aos cultores da «vulgata» do marxismo, que as causas morais ou éticas da decadência de uma nação, dum império, são muito mais profundas, do que as causas  meramente económicas, as quais podem ou não sofrer uma reversão, consoante o país se encontre em decadência ou não, do ponto de vista moral.
As pessoas com sentido moral, no Ocidente, quaisquer que sejam os seus pressupostos ideológicos, não podem continuar a ter um comportamento esquizóide, indignando-se com a barbárie quando ela vem de um lado, mas não do outro, com a mentira/fabricação da propaganda quando vinda de regimes tidos como «adversários», mas aceitando o permanente branqueamento dos próprios governos ou dos regimes por estes apoiados. 
Eu considero que será a orgulhosa civilização ocidental - a qual nasceu e floresceu sobretudo nos séculos XV a XIX, antes do continente americano ter a configuração política actual - que está em risco de morte, porque os sinais de decadência moral se acumulam, não havendo no horizonte qualquer perspectiva realista de sobressalto. 
A tal ponto, que temo a vinda duma transformação política, social e cultural, em sentido retrógrado, talvez antecedida por tentativa(s) mal amanhada(s) de revolução socializante. 
O Império está à beira do colapso e temo que arraste consigo tudo o que existe de bom (a herança de uma civilização multissecular) na sua queda.

     Nous autres, civilisations, nous savons maintenant que nous sommes mortelles. Nous se...