A afirmação do título, fundamenta-se com numerosos factos, dos quais muitos se podem documentar simplesmente com consultas à Internet em relação aos termos e expressões que eu utilizei. Mas, atenção: a Internet e o Youtube, em particular, estão saturados com falsificações da História. O método é dizer «coisas verdadeiras», mas não dizer a Verdade. A História oficialmente apresentada e ensinada é sempre «lavada e engomada», para retirar-lhe as nódoas e saliências, reveladoras dos factos contraditórios da narrativa dominante.
1ª Os nazis e aparentados foram «salvos» do exército soviético triunfante, através de múltiplas vias de fuga, algumas organizadas pelo Vaticano e muitas pelos aliados Ocidentais, promovendo a «recuperação» de milhares de alemães através da operação organizada pelos serviços americanos e intitulada «Paperclip». No meio havia não poucos torturadores da Gestapo e das SS. Também havia médicos que faziam pseudo-experimentação científica nos campos de concentração (ao estilo do dr. Mengele). Se uns tantos foram para a Argentina e outros países da América do Sul, a maioria dos «resgatados» foi parar aos centros da CIA (chamava-se OSS na época), ou aos serviços de «inteligência» canadenses (em cooperação com o MI6 britânico). Muitos desses nazis obtiveram identidades falsas, com dados de identidade fabricados, quer na América do Sul, quer do Norte.
2ª Na Espanha de Franco e no Portugal de Salazar, houve torcionários da Gestapo que foram acolhidos e que ensinaram métodos de tortura à polícias políticas, em ambos países.
3º Portugal, estava entre os países fundadores da OTAN em 1949. Uma organização que - não apenas estava dirigida contra o bloco soviético - como tinha fachada «democrática». Ora, na verdade, Portugal regia-se por um sistema autoritário, semelhante o fascismo de Mussolini, o «corporativismo». Nenhum dos governos dos outros países da OTAN, nessa altura, tinha dúvidas sobre isso, nem classificava o regime de Salazar como uma «democracia», embora a OTAN tivesse como princípio ser uma aliança defensora da democracia contra o «comunismo».
4º Em nome da defesa das «democracias» contra a «ameaça soviética», foram organizados grupos formando a «Rede Gládio», que tinham como função a resistência e sabotagens, na hipótese duma invasão soviética a países da OTAN.
Em Itália, nomeadamente, a rede Gládio levou a cabo atentados terroristas «de falsa bandeira», cuja autoria foi - falsamente - atribuída a grupos esquerdistas. A sua interferência em assuntos internos do Estado italiano foi múltipla e constante. Contribuiu para a desestabilização de governos de centro-direita ou centro-esquerda.
5º Mas não foi só em Itália que houve interferências ilegítimas. Na Grécia, a OTAN organizou a guerra contra as forças comunistas e de esquerda, que tinham lutado contra o invasor nazi. A monarquia conservadora instalada foi sucedida pelo «golpe dos coronéis», início duma cruel ditadura fascista (sempre com apoio da OTAN).
6º A OTAN, temendo uma vitória eleitoral comunista na Itália, forneceu armas, dinheiro e cobertura a grupos terroristas de extrema-direita (fascistas), com ramificações na loja maçónica P2, nas forças armadas italianas, etc. Estas forças de extrema-direita e as chefias da OTAN, estavam preparados para pôr em prática a desestabilização da Península Itálica, indo até ao golpe militar, caso os comunistas de Berlinguer obtivessem a maioria dos deputados, capazes de formar governo.
7º Fugitivos originários dos países do bloco soviético, URSS e os outros países do Pacto de Varsóvia eram acolhidos e integrados nos serviços de espionagem e propaganda do Ocidente, principalmente da CIA (EUA) e do MI6 (Reino Unido) e doutros países da OTAN. Os papéis que lhes eram atribuídos eram diversos: participaram em emissões rádiofónicas dirigida aos países de Leste (Radio Free Europa e outros) e noutras ações de propaganda diversa, sempre de cunho «anti-comunista». Porém, muitos desses dissidentes do Leste tinham cadastro e bem pesado: Tinham protagonizado chacinas de civis e de prisioneiros de guerra, de judeus, de comunistas e de resistentes... A CIA e o MI6 sabiam, mas encobriam. Para os governos do Ocidente, isso não era grave; o importante era que fossem utilizáveis para múltiplas operações, incluindo sabotagens, contra países do Bloco do Leste. (Descrição mais pormenorizada, veja link: https://www.kitklarenberg.com/p/how-the-cia-conjured-ukrainian-nationalism)
8º No Ocidente, a desnazificação, depois de 1945, foi praticamente nula. Promoveram ex-oficiais nazis de alta patente, em postos-chave da OTAN ( ver AQUI a história incrível, mas verdadeira, do General nazi Heuzinger). Na função pública e noutros corpos do Estado da Alemanha Federal, praticamente não houve desnazificação. Pelo contrário, esta foi levada a cabo, na Alemanha de Leste, com um governo socialista-comunista e debaixo da ocupação de tropas soviéticas. No «Ocidente», luta anti-comunista, anti-forças de esquerda tornou-se muito depressa a prioridade.
Além disso, a existência de grupos abertamente nazis foi «tolerada» (pelo menos, não os perseguiram) em muitos países da OTAN ao longo de todos os anos pós-IIª Guerra Mundial. Além dos grupos que afirmam uma ideologia extrema, nazista ou fascista, existem muitos outros grupos, que se dizem «nacionais» ou «nacionalistas». Estes, que possuem a mesma ideologia, programa e comportamento da extrema-direita, não têm qualquer problema em existir e fazer sua propaganda racista e xenófoba, abertamente. Porém, esta propaganda é explicitamente contrária às leis e constituições de vários países da UE, incluindo as de Portugal.
A sistemática condescendência de forças políticas no poder, ditas «democráticas» e mesmo de certa esquerda historicamente anti-fascista, para com grupos racistas que perseguem os elementos isolados de outras «raças» (os «não-brancos»), dando-lhes pancada, matando-os ou ferindo-os gravemente. Agora, torna-se muito difícil processar e condenar estes grupos criminosos, porque têm cumplicidades na polícia e no governo. É preciso sublinhar que, em vários países, incluindo Portugal, não conheço -atualmente - exemplo de organização de extrema-esquerda que possa ser de grau equivalente, em termos de comportamento, aos acima mencionados grupos violentos de extrema-direita.
9º O golpe sangrento dito da «Praça de Maidan» em Kiev, Ucrânia em 2014, foi dirigido por elementos nazis, disfarçados de patriotas. Esta tática permitiu enganar inicialmente, grande parte da população comum. Não enganou com certeza a OTAN e os governos americano e europeus, diretamente implicados no golpe: Eles sabiam que estavam a colocar no poder, pessoas que idolatravam Stepan Bandera, um colaborador dos nazistas, responsável direto e autor moral da execução de dezenas de milhares de pessoas (incluindo polacos, judeus e pessoas de esquerda...), nos territórios da URSS sob ocupação nazi. Esta ligação nunca foi dada a conhecer - antes foi ocultada - ao grande público ocidental.
10º Uma declaração, passada pelo Parlamento Europeu há poucos anos (2019), fazia uma amálgama totalmente falsificadora as entre ideologias nazista e comunista. Declarava que o nazismo era totalitário, porém punha um sinal de igualdade com o regime soviético sob Estaline. Sobretudo, «exigia» que a Rússia «se desfizesse» dos monumentos, erigidos em memória dos 26 milhões de mortos e dos seus militares, na IIª Guerra Mundial.
A declaração - na verdade - não era dirigida contra os totalitários de extrema-direita, os colaboradores dos fascistas e nazistas, dos países da UE: Isso seria o mesmo que acusarem seus antecessores genéticos ou políticos dos quais eram herdeiros. Este é o background daqueles que votaram a vergonhosa declaração. É um exemplo flagrante de falsificação histórica* (*https://noticias.juridicas.com/actualidad/noticias/14569-memoria-historica:-el-parlamento-europeo-condena-los-crimenes-del-nazismo-y-el-comunismo/«Afirma la resolución aprobada por el Parlamento que Rusia sigue siendo la mayor víctima del totalitarismo comunista y que su evolución hacia un Estado democrático seguirá obstaculizada mientras el Gobierno, la élite política y la propaganda política continúen encubriendo los crímenes comunistas y ensalzando el régimen totalitario soviético y pide a la sociedad rusa que acepte su trágico pasado».)
11º Ao nível da maioria das entidades governamentais e dos partidos parlamentares, em países membros da UE, tem havido um apoio entusiástico e generosas ofertas, à custa do erário público dos países membros da UE e do orçamento da Comunidade, em armas, munições, equipamento dotações financeiras. Este dinheiro tem enchido os bolsos das figuras principais do regime de Kiev. A UE entrega ajudas incondicionais e muito vultuosas ao governo saído do golpe da Maidan, cujos membros se afirmam herdeiros de Stepan Bandera e da OUN. Esta última organização era a facção nacionalista ucraniana que alinhou na IIª Guerra Mundial com as tropas nazistas que invadiram a URSS (a Ucrânia fazia parte da URSS nessa altura). Os banderistas fizeram chacinas e genocídio de cerca 100 mil mortos, só em relação a nacionais da Polónia ! Estes polacos habitavam a região de Lvov. Os membros da OUN foram também responsáveis por inúmeras chacinas contra os judeus e contra comunistas e resistentes.
12º Depois da derrota do nazi-fascismo em 1945, fascistas/ banderistas ucranianos foram recrutados pela CIA e por outros serviços de informação ocidentais. Alguns, trabalhavam em propaganda, dirigida pelos americanos, em Munique e noutros pontos da Europa. Mas, muitos deste ucranianos foram infiltrados na URSS e em países do Pacto de Varsóvia, para recolha direta de informação e actividades subversivas.
13º Em França, o Presidente Miterrand, para se manter no poder, desenhou uma estratégia de erosão da direita francesa «clássica», reconhecendo o direito do «Front National» de Jean-Marie Lepen, concorrer à eleições. Assim, um grupozinho pouco conhecido foi-se tornando mais e mais importante em votos, em activistas e em presença mediática. É preciso lembrar que muitos dos lepenistas tinham um currículo que incluia participação ativa e de apoio ao governo de Vichy (colaborador da Alemanha hitleriana), de participação ativa e apoio aos membros da terrorista OAS, que rejeitavam a independência da Algéria. Os grupos militares da OAS tentaram e quase conseguiram ter sucesso, num golpe de Estado contra o governo legítimo da República francesa.
14º Em muitos países, a extrema-direita escondeu-se, enquanto isso significava um risco real. Assim, muitos elementos de extrema-direita eram membros de partidos de direita ou centro-direita, legais e institucionais; assim, elementos da direita mais extrema (mas disfarçados) foram participantes frequentes em governos e nos grupos parlamentares em países da UE (França, Espanha, Portugal, Alemanha, Itália, etc). Evidentemente, esses elementos de ideologia fascista, não se afirmavam publicamente como tal. Diziam-se nacionalistas, de direita, anti-comunistas, ou monárquicos. Formavam, em paralelo, organizações que funcionavam como máscara e cobertura às suas atividades.
15º Os governos ditos «democráticos» da Europa Ocidental, depois da 2ª Guerra Mundial continuaram a ser donos de impérios coloniais. Estes, não foram transformados em Nações independentes de uma forma negociada, num transição pacífica. Nas colónias do Reino-Unido, Portugal, Espanha, França, e outros...As tropas dos governos reprimiam da forma mais brutal, manifestantes aos milhares. Muitos, da classe política no poder nestes países tiveram uma reação desfavorável à exigência de autodeterminação de partidos e personalidades das colónias. Por exemplo, Salazar negou qualquer abertura negocial, por teimosia, mas sobretudo por arreigado princípio racista de que as colónias «não estavam capazes de se auto-governar» e que «Portugal tinha o dever de impedir que elas caíssem nas mãos do comunismo internacional». Muitos casos de barbárie e de genocídio pelas tropas coloniais, martirizando populações das antigas colónias ocorreram, desde os finais da IIª Guerra Mundial, até hoje. As guerras atuais em África e na Ásia do Sul estão na continuidade histórica do período colonial. Podem considerar-se guerras provocadas pelo domínio neo-colonial, impedindo o desenvolvimento de vastas regiões e numerosas populações. Certamente, não se pode ser democrata «em casa» e colonialista ou neo-colonialista no exterior.
16º O nazi-fascismo tem tido cobertura das correntes mais militaristas na OTAN. Nesta organização, os governos mais poderosos não agem assim por "capricho": A extrema-direita tem sido muito útil, na medida em que aterrotiza os grupos de emigrantes, de sindicalistas e de militantes de esquerda. Ela tem sido um braço repressivo, à disposição de governos que querem manter uma fachada democrática, ao mesmo tempo que se abate o terror contra os opositores, através dessa extrema-direita.
A «incapacidade dos governos em reprimir» essas organizações é totalmente falsa. Os poderes usam as polícias nalguns casos; noutros caso é mais vantajoso o poder dar luz verde, discretamente, a esses grupos, pois os governos não podem ou não querem a recorrer a métodos ilegais. Esta a verdadeira razão porque não destroem os grupos fascistas ou de extrema-direita violentos. Os governos têm meios e a legitimidade para fazê-lo. Eles servem-se dos terroristas fascistas para golpear os opositores de esquerda.
3 comentários:
Texto da Constituição da República Portuguesa (texto em vigor):
https://www.parlamento.pt/Legislacao/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx
Virulência anti-russa em 2021, pelo então secretário-geral da OTAN JENS STOLTENBERG:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/02/manlio-dinucci-nato-esta-moldando-o.html
O discurso do autor de «bullying, como sendo a «vítima»
Alguém que tenha conhecimento dos factos relatados no vídeo abaixo, pode logicamente concluir que o fascismo sofreu transformações «cosméticas» mas está aqui e continua, enquanto componente profundo do capitalismo:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/06/verdadeiras-origens-da-ii-guerra-mundial.html
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