Manuel Banet, ele próprio

Reflexão pessoal, com ênfase na criação e crítica

Quanto menos dívida tivermos e quanto mais possuírmos e controlarmos e baixarmos nossos custos fixos e exposição aos riscos que não podemos controlar, tanto maior será a nossa autonomia. (Charles Hugh Smith)
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O «INSTANTÂNEO» NAS RELAÇÕES HUMANAS CONTEMPORÂNEAS



Sabemos que - em termos físicos - não existe o instantâneo, pois a luz tem uma determinada velocidade no vácuo e nenhuma partícula, fotónica ou outra, pode ultrapassar esse limite. Sim, mas há uma incapacidade de distinguir o que teoricamente é realmente instantâneo, daquilo que aparenta sê-lo, se confiarmos nos nossos  sentidos,  apenas. O mundo em que nos movemos é um mundo cheio de ilusões. Temos a ilusão - em particular - do instantâneo e esta está ancorada profundamente no psiquismo. Decorre daí que a nossa  percepção, nos dá a sensação de instantâneo, que afinal nós próprios, ao refletirmos, chegamos à conclusão de que é uma sensação ilusória, na esmagadora maioria dos casos.

Não devíamos ficar surpreendidos com esta ilusão sobre o "instante" num mundo em que a mediação eletrónica e digital está omnipresente. Porém, mesmo as pessoas cultas e sofisticadas se deixam iludir ou se auto-iludem. Praticamente todas as pessoas, cultas ou incultas, com formação científica ou sem ela, no dia-a-dia prestam «culto religioso», à instantaneidade,  como se isso fosse algo positivo, em si mesmo. Espelhando perfeitamente a mentalidade que prevalece no grande público, a publicidade referente à enorme quantidade de mercadorias e serviços, usa o argumento do «instantâneo», como se fosse o superlativo de muito rápido. Ao fazerem isso, estão a reforçar naturalmente o preconceito do público. 

Este culto da extrema rapidez, ao ponto dela ser assimilada ao «intantâneo», tem como corolário que as pessoas cometem muitos mais erros, evitáveis, porque não se dão um tempo mínimo, necessário para avaliar uma situação. Não vejo solução instrumental para corrigir esta ilusão persistente. Apenas a consciência do indivíduo, compreendendo que estar imbuído do preconceito de que algo é «instantâneo», não apenas é falso na imensa maioria concreta das ocorrências da vida diária. Também representa um handicap sério, pois retira ao cérebro aquele tempo mínimo, necessário para avaliar uma situação e decidir o que fazer. 

Observando os animais - selvagens ou domésticos - verifico que se costuma projetar «intenções humanas» aos seus comportamentos. A nossa ignorância sobre o comportamento animal faz com que - frequentemente- se atribua tudo «ao instinto», coisa que afinal, não explica nada (creio até que não pode ser definido como conceito científico, por ser demasiado vago). 

Ora, é muito frequente, em observação de animais, observar neles um tempo de «avaliação», que pode ir de uma fração de segundo, até vários segundos. Por exemplo, antes de dar um salto para capturar a presa. Pelo contrário, muitas presas têm o comportamento bem definido, de ficar totalmente imóveis e apenas pular ou voar, caso o predador se mova em sua direção. 

Não quero reduzir os comportamentos humanos, complexos e muito variáveis, aos comportamentos de animais, quer sejam presas ou predadores. Com esta referência, apenas quero chamar a atenção para o forte valor evolutivo de se avaliar uma situação previamente, para dar a resposta que convém. Se a rapidez ou resposta «instantânea» fosse a mais vantajosa do ponto de vista evolutivo, o padrão comportamental acima mencionado, quer para as presas, quer para os predadores, não seria bem sucedido; haveria unviversalmente, tal resposta «instantânea» no Reino Animal.

O «culto» do instante é vantajoso para uma sociedade que viva do sobreconsumo, do consumo hedónico. Compreende-se que numa sociedade como a nossa, desde há várias dezenas de anos, a publicidade esteja apontada para suscitar os desejos do público e não em enumerar as vantagens da mercadoria. Com efeito, toda a construção do reclamo publicitário está baseada no efeito psicológico exercido na nossa mente, não na «performance» do objeto ou serviço em si, que se pretende vender. 

Os serviços de notícias, nas suas formas de rádio, televisão ou Internet... são desenhados para passarem o mais rapidamente possível, pelos órgãos dos sentidos e cérebros dos receptores. São catadupas de notícias, quer «em contínuo» quer em condensados (em geral, a determinadas horas), cuja trivialidade, natureza fragmentária, ou adjetivação, são típicas. O mesmo acontece com as imagens, que vão conduzir, no inconsciente das pessoas, ao efeito de «saber ilusório». 

Por exemplo, o encontro entre dois chefes de Estado, é «noticiado» com imagens protocolares, apertos de mãos, passagem em revista da guarda de honra, entrada para os carros oficiais, breves discursos de boas-vindas... Tudo, coisas que aconteceram, mas que não possuem valor informativo. O dispêndio de preciosos minutos com aspectos protocolares, porém, dá-nos a ilusão de termos «presenciado» o acontecimento, de estarmos «informados». 

A «instantaneidade» no campo da informação é realmente muito enganadora, pois se podemos apreciar em direto um concerto ou uma competição desportiva, o «instantâneo» que nos colocam à frente, em relação a acontecimentos políticos, sociais, militares, etc., não é geralmente composto por filmagens contínuas: É sempre resultado de imagens seleccionadas e retransmitidas. 

A manipulação provoca a nossa ilusão de que estamos a «presenciar» um acontecimento. Esta ilusão decorre ao nível inconsciente, na psique profunda. Não podemos fazer um distanciamento objectivo das imagens que nos são «servidas». O nosso grau de instrução, de inteligência, etc, é de pouco ou nenhum socorro para isso, ou então teríamos que analisar em detalhe cada imagem, fotograma, frase, som... Com certeza que quase ninguém tem tempo para fazer isso. O resultado é que todos somos condicionados, talvez uns mais que outros, porque a nossa mente consciente é «fintada» pela informação subliminar dirigida ao e analizada por nosso cérebro «emocional».

Se nós tivessemos selectividade no que «ingerimos» em termos de informação, num grau parecido com a nossa selectividade em como nos alimentamos, talvez o trabalho fosse mais complicado para os manipuladores profissionais.  São pessoas das profissões da PR ou propaganda, o que inclui o sub-sector político. São quem assegura a «nobre» tarefa de nos manter iludidos, fascinados pelo instante, convencidos de «tudo» saber, pelo menos, sobre os assuntos que nos interessam mais. Isto chama-se «lavagem ao cérebro» em portugês corrente, mas o termo está mal atribuído (a não ser que seja por ironia) pois se trata de atafulhar o cérebro com coisas, desde as mais relevantes às mais inúteis. Existem pessoas cuja casa está sempre cheia de objectos, tudo desarrumado, sendo perigoso fazer um passo ou um gesto, sem perigo de colidir com algo. Estas pessoas são doentes mentais; e, para nós, isso é óbvio. Mas se pudessemos passear dentro do psiquismo de alguém contemporâneo, teríamos - estou certo - uma experiência análoga.

Posted by Manuel Baptista at 5.1.26 Sem comentários:
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Labels: instantâneo, manipulação, mente, propaganda, Psicologia, sociologia

sábado, 22 de novembro de 2025

CRAIG MURRAY: SOBRE NAVIOS RUSSOS PERTO DE ÁGUAS TERRITORIAIS BRITÂNICAS



Leia aqui o artigo de Craig Murray: THE BEAT OF THE WAR DRUMS


Craig Murray, embaixador reformado do Reino Unido, esclarece-nos sobre o Direito do Mar, o que realmente é muito útil para sabermos ao certo o que se passa quando vemos notícias (alarmistas, em geral) sobre navios russos ao largo das costas de um país da OTAN. Neste caso é o Reino Unido, mas o mesmo se tem passado com outros, incluindo Portugal. É uma técnica clássica de manipulação, fazer passar uma atividade perfeitamente legal, prevista no Direito do Mar, como sendo um ato de «violação da soberania» dum país. Acresce que estas passagens, próximo das águas costeiras, mas ainda no Mar Alto, são rotineiramente efetuadas pelos navios de guerra da OTAN, em especial, ao largo das costas da Rússia. Claro que não nos dizem nada sobre isso, dando a entender (mentindo por omissão) que são os russos os culpados de violações da soberania dos Estados. Temos aqui um exemplo de manipulação - consciente - pois os profissionais de informação têm de verificar se o que se diz e escreve corresponde a factos reais. Mas, não, eles nunca fariam isso, pois são eles os autores, ou veículadores conscientes, da desinformação.



A Royal Navy enviou navios, incluindo o RFA Proteus (à direita em segundo plano) para monitorizar o «navio-espião» russo Yantar (primeiro plano) ao largo das costas da Cornualha, em Novembro 2024. Foto da Royal Navy


 Craig Murray: «In armed forces media the UK boasted it was an assertion of freedom of navigation. Yet we harass the Russian vessel equally on the High Seas for exercising its freedom of navigation. That was also perfectly legal. The idea that the same activity is worthy when we do it, but a pretext for war if the Russians do it, is so childish as to be beyond ridicule. But there is not one single mainstream journalist willing to call it out.»

(tradução: Nos media militares, o Reino Unido gaba-se de que é um exercício de liberdade de navegação. Porém, nós perseguimos um navio russo, que estava igualmente no Mar Alto, exercendo a sua liberdade de navegação. Isto era perfeitamente legal. A ideia de que a mesma actividade é válida quando nós a fazemos, mas torna-se um pretexto para a guerra, quando os russos a fazem, vai para além do ridículo, é infantil. Mas não existe um único jornalista mainstream que faça notar tal situação.)

Posted by Manuel Baptista at 22.11.25 Sem comentários:
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Labels: Craig Murray, manipulação, media, navios russos, Royal Navy

domingo, 23 de março de 2025

PROPAGANDA 21 (Nº26): DUAS GUERRAS, UM CÉREBRO, ZERO CONSISTÊNCIA

 


Análise de como a propaganda profunda age ao nível do sentimento das pessoas; o lado racional não é posto em causa; por isso as pessoas pensam que estão em controlo do que pensam e que não se deixam influenciar pela propaganda mas estão completamente erradas. Veja no vídeo acima a demonstração.


PS: Depois de ver o vídeo acima, não ficará surpreendido por uma notícia como a seguinte ...

Israel’s Hellish Attack on the Palestinians

The Genocide Continues 


... ser completamente obliterada dos noticiários mainstream!
Posted by Manuel Baptista at 23.3.25 3 comentários:
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Labels: Guerra, guerra cognitiva, manipulação, Media corporativa, propaganda, Psicologia, sentimentos

domingo, 24 de março de 2024

THIERRY MEYSSAN - UMA ENTREVISTA EXCEPCIONAL


 https://www.voltairenet.org/ : A rede Voltaire tem como principal organizador Thierry Meyssan e conta com várias colaborações. Indispensável para se saber aquilo que os poderes e a média corporativa nos escondem. Os artigos são traduzidos em várias línguas, uma das quais é o português.

Posted by Manuel Baptista at 24.3.24 4 comentários:
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Labels: manipulação, Media corporativa, propaganda, relações internacionais, Thierry Meyssan

domingo, 1 de outubro de 2023

PROPAGANDA 21 (Nº19) : O GORILA INVISÍVEL


 Vídeo de uma experiência em psicologia social: Para melhor compreensão do que é falado, pode ligar as legendas (em inglês) [CC]. O prof. Dan Simons explora o fenómeno da inatenção não-intencional.



Comentário:

Na sequência da visualização do pequeno vídeo acima, julgo que o leitor concederá que esta experiência - que tem sido repetida muitas vezes, em várias circunstâncias - significa que grande número de pessoas, embora atentas, não conseguem aperceber-se do gorila que aparece no meio do jogo. Se viram com atenção o vídeo acima, uma das coisas que se pede aos sujeitos da experiência, que visualizam a curta sequência filmada, é que eles foquem a atenção no número de vezes que os jogadores passam a bola uns aos outros. A elevada percentagem, cerca de metade, das pessoas que «não veem» o gorila, não é constituída por pessoas desatentas, pelo contrário. São as que têm sua atenção intensamente focalizada no que lhes foi pedido, na contagem do número de passes da bola que efetuam os jogadores.

Esta experiência, ou conhecimento de psicologia daí decorrente, está na base de muita da manipulação de massas no universo mediatizado. Não estou a dizer que ela seja aplicada diretamente pelos psicólogos sociais ao serviço dos diversos poderes. Quero antes chamar a atenção para situações reais, análogas da experiência com o gorila. São ocorrências banais na realidade político-mediática. Trata-se duma fórmula, ou truque de «magia», quotidianamente usada. Refiro-me à fabricação de «notícias», ao empolamento ou multiplicação de notícias verdadeiras, mas irrelevantes. Elas saturam os espaços mediáticos (Internet, TVs, jornais, rádio), especialmente quando se passa algo desagradável para os poderes, como um fracasso, ou o desvendar dum escândalo. Para as massas ficarem iludidas, é preciso que a «realidade» fabricada seja constantemente reforçada; não pode aparecer algo (como o gorila), contradizendo a narrativa única.

Outra técnica análoga, é hipertrofiar um dado aspeto - secundário - duma notícia importante, cujo significado negativo para os poderes, não sendo possível ocultar, tem de se minorar. Nem sempre é possível passar sob silêncio factos importantes e que põem em causa, ou desmascaram, a «aristocracia» globalista. Podem os factos ser de tal modo, que seja positivamente impossível negar, ignorar, como se eles nunca tivessem ocorrido. O «plano B» será, então, a focalização do público nos aspetos irrelevantes ou secundários («quantas vezes os jogadores passam a bola?»). A insistência nesses pormenores, tem a função de desviar a atenção do público. Assim, muitas pessoas acabam por passar ao lado do que é objetivamente importante numa dada notícia. NÃO haverá reflexão crítica, numa parte do público recetor dessa notícia.
Posted by Manuel Baptista at 1.10.23 1 comentário:
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Labels: aristocracia globalista, Gorila, manipulação, média, poder, PROPAGANDA 21, público

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

O «SEGREDO» DA ECONOMIA CAPITALISTA OCIDENTAL


Preço em euros do ouro (quilogramas) durante os últimos 20 anos

Não é por «culpa» de Putin, ou da guerra na Ucrânia, ou da pandemia de COVID. 
Os mercados assinalam, desde há vinte anos, a perda acelerada e constante de valor aquisitivo das diversas divisas. No caso do ouro, metal monetário (significa que é considerado «dinheiro»), a sua subida não é real, pois apenas reflete a descida exponencial das divisas-fiat, sejam elas consideradas «fortes» ou não, em relação ao dólar. O dólar é apenas uma das divisas que está a ser mais intensamente impressa, pelo banco central respetivo (Federal Reserve), sendo também o euro (pelo Banco Central Europeu) e outras divisas ocidentais. A média corporativa é dominada por interesses (capitais) relacionados com a economia financeirizada. Por isso, será muito improvável que possas encontrar este gráfico acima, e estes comentários, em tais órgãos de «informação».
 Assim, a elite do dinheiro vai continuando a fazer os seus jogos. Quem perde são os que veem seu salário, sua pensão de reforma, suas poupanças, «encolherem». A inflação, é simplesmente a excessiva impressão de unidades monetárias, em relação aos bens disponíveis nos mercados. Na linguagem comum diz-se que tal ou tal item, ou o «custo de vida» em geral, está mais caro. 
Na realidade, o que acontece é que a inflação é criada pelos banqueiros, quer os dos bancos comerciais, quer dos bancos centrais. São eles que criam as unidades de valor em brutal excesso em relação ao total de mercadorias disponíveis para venda, nos mercados. A consequência inevitável é o «aumento» do preço dessas mercadorias, medidas em termos de unidades de valor que estão permanentemente encolhendo. 
Como os ricos e seus conselheiros sabem isso, vão jogando de forma a aumentarem o valor REAL das suas posses, obtendo bens que não estejam sujeitos à erosão da inflação (como imobiliário, terrenos agrícolas, matérias-primas, objetos de arte ou de coleção, ouro e prata ), contra ativos cujo poder de compra vai sendo erodido pela inflação (todos os bens financeiros, tais como: o próprio dinheiro, ativos bolsistas, fundos, obrigações estatais ou privadas, derivados, etc.).
Portanto, as pessoas só têm uma maneira de não serem trituradas, das suas posses não serem anuladas, neste período de involução e destruição acelerada do capital, sob todas as formas: É investirem em bens não financeiros. Estes, aconteça o que acontecer, guardarão a sua utilidade, haverá sempre quem queira comprá-los, terão tendência no longo prazo, a conservar o valor real, ou seja, não medido em divisas fiducitárias. É sabido que TODAS as divisas acabam por ter o seu valor descendo até zero. 
          Valores das divisas-fiat (escala logarítmica) em função do ouro, retirado de AQUI

São inúmeros os exemplos que nos dá a História, talvez os mais célebres sejam a depreciação do denário, no final do império romano, dos «assignats», na revolução francesa, ou dos «reichmark», na república  de Weimar. Mas o ouro, por contraste, no longo prazo, mantém o mesmo poder aquisitivo. 
Um dos mais importantes índices, é o preço do petróleo. Pois bem, em termos de gramas ou onças de ouro, o preço do barril de petróleo pouco variou desde 1950 até hoje, como se pode ver pelo gráfico abaixo:


[retirado de] 
https://goldswitzerland.com/as-west-debt-stocks-implode-east-gold-oil-will-explode/

Mas, se vires o mesmo gráfico, em termos de preço em dólares / barril de petróleo, no mesmo intervalo de tempo, verás oscilações brutais e um crescimento geral do preço em dólares.
 
Na figura seguinte, vê-se o preço do petróleo em EUROS (cinza) e onças de OURO:



Como se pode verificar, o preço do petróleo em ouro, permanece quase constante neste intervalo de tempo. 
O petróleo e todos os outros combustíveis, têm uma importância tal, que seu custo vai influenciar todos os outros preços, desde matérias-primas, a transportes, a alimentos, etc. 
Os políticos começaram a modificar os critérios para medição da inflação, no início dos anos 80, para poderem disfarçar a real perda de valor das divisas e continuarem a fazer o mesmo jogo, de gastar muito mais do que a receita dos diversos impostos permitia. Assim, puderam levar a cabo políticas deficitárias, com orçamentos aldrabados, tal como os montantes dos PIB.
Vê a comparação entre os índices oficiais, e índices de inflação calculados pelo método usado ANTES  das ditas alterações metodológicas, nos anos oitenta (a azul, com a metodologia anterior às modificações; a vermelho, as inflação segundo os critérios oficiais):



Retirado de: https://goldswitzerland.com/bonds-die-cpis-lie-gold-rises/ 

Não é nada misterioso, o modo como os ricos conseguem ser mais ricos, com a ajuda da classe política, associada com a classe capitalista, em geral. Se a classe capitalista não consegue corromper um certo político, acaba por destruí-lo, de uma maneira ou de outra. 
É assim que as pessoas humildes, com seu esforçado trabalho alimentam o enriquecimento ilegítimo dos que já são muito ricos. Os jornalistas e outros «fazedores de opinião», também estão comprados, pelo que não se pode esperar que eles nos forneçam as informações que eu delineei acima. 
Se quiseres saber mais e melhor sobre a realidade, aconselho-te a fazer a tua própria pesquisa! 

Posted by Manuel Baptista at 2.2.23 6 comentários:
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Labels: capitalismo, corrupção, divisas-fiat, economia, estatísticas, financeirização, inflação, manipulação, ouro, poder aquisitivo, preços

domingo, 21 de agosto de 2022

A JANELA DE OVERTON E A ILUSÃO DA DEMOCRACIA

 Neste país à beira-mar plantado, todo ele com os pés na areia e o sol a queimar-lhes os miolos, seria milagre que aqui alguém prestasse atenção ao que escrevo. Como não acredito em milagres, tenho realmente pouca convicção de que alguém, neste soporífero país, veja e explore as pistas de reflexão que lhes apresento. Mas, o Mundo é vasto e a Internet também. De facto, mais de meio milhar de seguidores anónimos consultam este blog diariamente, da Austrália ao Canadá,  da Rússia ao Reino Unido.

Para meu público anónimo, quero apresentar um autor de vídeos de Youtube, que descobri muito recentemente: Não me identifico com algumas opiniões dele, ou com certas formulações nalgumas questões. E depois? O essencial é saber se o sumo do que ele expõe tem conteúdo, tem informação; se o discurso do autor é coerente e nos provoca. Sem nos confrontarmos ao outro, como diz Byung-Chul Han, não existe discursividade; e sem ela, a democracia fica - no mínimo - castrada, torna-se uma farsa, um jogo sem conteúdo. Creio que foi George Orwell (Eric Blair) quem definiu melhor a democracia, como «quando podes dizer aquilo que os outros NÃO gostam de ouvir».

Regalem-se pois, com o vídeo abaixo (podem ativar legendas automáticas, em espanhol):

 Cómo convencer a la masa: La ventana de Overton -- Los engranajes de Occidente 1





Posted by Manuel Baptista at 21.8.22 2 comentários:
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Labels: Byung-Chul Han, democracia, Fabián C. Barrio, George Orwell, manipulação, opinião pública, Overton, política

segunda-feira, 18 de abril de 2022

[PROPAGANDA 21, Nº13] ENTREVISTA COM PIERS ROBINSON


 Tenho escrito séries de artigos sobre propaganda e seu papel na atualidade da pandemia de COVID, assim como na guerra da Ucrânia.

Para os números passados de ambas as séries, clicar nos links:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2022/03/propaganda-21-n12-narrativa-do-poder.html

(NO NÚMERO 12, PODE ENCONTRAR OS LINKS PARA OS ANTERIORES)

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https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2022/04/cronica-da-iiimundial-guerra-biologica.html

(ESTA CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL TEM LINKS PARA AS ANTERIORES)

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Hoje, apresento o nº13 da série PROPAGANDA 21, com a entrevista, de Elze Van Hamelen, a Pier Robinson:

Este investigador da propaganda tem realizado estudos sobre fenómenos recentes, respeitantes ao papel dos Estados, dos governos, da media, na gestão da perceção do público. Ele mostra como a democracia, nos países ocidentais (em especial na Europa), tem sido esvaziada de todo o conteúdo.

Pela nossa parte, na primeira das séries acima mencionadas, temos posto em relevo que os grandes Media, Empresas Tecnológicas, Indústria Bélica e Governo, se têm incestuosamente coligado, para levar a cabo a guerra surda contra os seus próprios povos, aqueles que teoricamente eles «representam». 

A tomada de controlo pela tecnocracia nas sociedades ocidentais não se passa no futuro distante duma «ScFi» («Ficção Científica»): passa-se aqui e agora.

Mas, com a agudização da crise económica em toda a sociedade ocidental, as formas subtis de propaganda que conseguiram persuadir muitas pessoas (a «fabricação do consenso») podem estar nos seus limites. Começa a despontar a consciência nas pessoas de que têm sido manipuladas. Por isso mesmo, as pessoas deveriam perceber que «a crise do COVID» não desapareceu, continua e pode ser «reativada», sempre que convenha aos poderes.

Se esta consciência se alastra, o reflexo dos poderosos é aumentar o nível da repressão, é criar ataques de falsa bandeira para amedrontar os súbditos e justificar um «estado de exceção permanente». Mas, se isso tudo não chega, irão recorrer à guerra, como é o caso presente, em que querem arrastar toda a Europa para um holocausto coletivo, pra satisfazer a agenda delirante da ínfima oligarquia de bilionários, de banqueiros e de proprietários das grandes indústrias bélicas. 

Esta guerra da Ucrânia dá-lhes o pretexto, quer a ganhem ou percam no terreno, para instalarem formas totalitárias de governança nos países da Europa ocidental, tradicionalmente com regimes de «democracia liberal». Os instrumentos necessários para isso já existem: divisas digitais emitidas pelos bancos centrais, obrigatoriedade de passe vacinal para se viajar, ou para ir a múltiplos locais dentro do próprio país, etc. A deriva totalitária é fácil, porque já criaram ou estão a criar as condições para o controlo permanente através de apps, obrigatórias na prática, sem as quais não se poderá fazer nada. 

Mas, o melhor é ouvir a entrevista abaixo (ligar legendagem, em inglês, para seguir o diálogo)



PS1: Em complemento, um resumo de uma conferência muito oportuna sobre a «Guerra de Informação», da Pré-História até à Ucrânia. A guerra da informação é afinal sinónimo de propaganda de guerra. Joe Laurie faz uma panorâmica notável desta forma de guerra.

PS2: A media faz «black-out» sobre importante estudo, incidindo sobre um número elevado de pessoas, que demonstra que a inflação do coração é mais frequente em pessoas vacinadas com o COVID, do que na população não vacinada. Consulte AQUI.


Posted by Manuel Baptista at 18.4.22 2 comentários:
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Labels: controlo, COVID, democracia, Guerra, hipnose, ilusão, manipulação, media, Piers Robinson, propaganda, psicose, tecnocracia, Ucrânia

terça-feira, 15 de março de 2022

PROPAGANDA 21 [Nº12] NARRATIVA DO PODER + CENSURA + REPRESSÃO


«PROPAGANDA DO COVID E DA UCRÂNIA, E A TODO O VAPOR»

Neste podcast, Tom Mullen entrevista o Prof. Mark Crispin Miller. Ele refere brevemente sua difícil experiência de ser acusado por estudantes e colegas, ao ponto de ter de colocar um processo em tribunal, que o inocentou de tudo o que o acusavam, mas isso deve ter sido uma experiência muito desagradável. 

Fala também de Julian Assange que, ao mostrar a BRUTALIDADE da invasão do Iraque pelas forças americanas e aliadas, desmontou a narrativa de uma missão humanitária e do heroísmo das tropas ...



Como eu tenho dito, quando a classe dirigente está em apuros - no caso presente, pela monstruosa dívida, que pode destruir tudo - já não se preocupa com disfarces, com «liberdade de opinião», com garantias dos jornalistas, etc. Nestas circunstâncias, a inteligência crítica, a força da verdade, são demasiado perigosas para eles: atuam então, como fascistas e o sistema torna-se muito autoritário, conservando só as aparências da «democracia liberal».(*)

Oiça, o Prof. Mark Crispin Miller, no episódio 49 das conversas de Tom Mullen «Propaganda on Overdrive for Covid and Ukraine with Mark Crispin Miller» (link abaixo)

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Tom Mullen Talks Freedom

Every revolution starts in the minds of the people

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Episode 49 Propaganda on Overdrive for Covid and Ukraine with Mark Crispin Miller

 https://player.fm/series/series-3006169/episode-49-propaganda-on-overdrive-for-covid-and-ukraine-with-mark-crispin-miller



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(*) 
CONSULTE OS NÚMEROS ANTERIORES DA SÉRIE «PROPAGANDA 21»:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/11/propaganda-21-n-11-farsa-da.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/10/propaganda-21-n10-como-desarmar.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/09/propaganda-21-violacao-das-consciencias.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/08/propaganda-21-n8-afeganistao-opio-e.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/08/propaganda-21-n-7-psicose-de-massas.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/08/propaganda-21-n6-como-se-fabrica-uma.html


https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/07/propaganda-21-n5-prof-miller-fomos.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/07/propaganda-21-n4-black-outs.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/07/propaganda-21-n3-tudo-e-propaganda-mas.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/07/propaganda-21-n2-realidade-conveniente.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/07/propaganda-21.html
Posted by Manuel Baptista at 15.3.22 1 comentário:
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Labels: condicionamento, COVID, educação, esquerda, Julian Assange, manipulação, media, narrativa, Prof. Crispin Miller, repressão

segunda-feira, 14 de março de 2022

PSICOPATOLOGIA DO PODER - [ARIANE BILHERAN]




 Ariane Bilheran, filósofa e psicóloga, com impressionante carreira científica e académica, é entrevistada para a cadeia «A Verdade em Marcha» ("La Vérité en Marche") sobre os aspetos mais ocultos do poder nos seus aspetos perversos narcísicos, psicóticos paranóicos e como nos podemos prevenir. A não perder!

[Em francês, para melhor compreensão, pode ser útil accionar as legendas automáticas em francês.]


Posted by Manuel Baptista at 14.3.22 4 comentários:
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Labels: Ariane Bilheran, Carl Jung, Guerra, infância, manipulação, nazismo, poder autoritário, Psicologia, sociologia, totalitarismo

terça-feira, 23 de novembro de 2021

[Ema Krusi , Jean-Dominique Michel] A PERVERSIDADE


« FAUT QU’ON PARLE » com Jean-Dominique Michel. Explicações sobre a crise em 2021 : perversos, manipulação de massa e inversão de valores. Em Março de 2021, Jean-Dominique Michel falava connosco numa conferência «secreta» do sistema perverso atual e como a perversão anula o discernimento da população. Ao inverter os valores e conceitos de bom senso, o perverso consegue perpetuar o seu golpe: a vítima julga-se responsável pelos danos causados por seu carrasco.

Poderá o mundo continuar a sofrer as imposições absurdas atuais? Por que processo as vítimas se tornam porta-vozes dos perversos que as dirigem? Explicações de Jean-Dominique Michel, antropólogo da saúde na Suíça.




Hoje em dia, as «elites» tornaram-se disfuncionais, manipuladoras e perversas. A perversão é arma eficaz, por causa da regressão ao estado infantil das vítimas.

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VER OUTROS VÍDEOS COM Jean-Dominique Michel : 👉LA CONFERENCE SECRETE DE Jean-Dominique Michel (Mars 2021) : https://emakrusi.com/video/les-confer... 👉FAUT QU’ON PARLE (Novembre 2020) : https://emakrusi.com/video/propagande... 👉LA KRUSIERE S’AMUSE (Mars 2021, avec le Dr Broussalian et Slobodan Despot) : https://emakrusi.com/video/la-krusier...

Posted by Manuel Baptista at 23.11.21 5 comentários:
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Labels: absurdo, Anthony Fauci, calúnia, crise sanitária, Ema Krusi, EUA, França, grandes farmacêuticas, hipnose, Jean.Dominique Michel, manipulação, media, perversão, Psicologia, psicose de medo, Suiça

terça-feira, 14 de setembro de 2021

O COMPLEXO DE «ANJO DA GUARDA»

 Mais misterioso do que o facto de que milhões de pessoas se submetem ao poder, é o facto deste mecanismo estar profundamente ancorado no inconsciente coletivo.

A transposição da necessidade biológica de proteção da criança pequenina em relação aos pais e demais adultos é talvez uma chave para esclarecer este mistério da servidão voluntária. 

Quando se é criança, é de vital importância ter grande confiança nos adultos que rodeiam o ser humano em fase da aprendizagem, é crucial este pequeno ser aceitar que está numa posição de inferioridade não apenas em relação à força, como também às capacidades, à sabedoria. O mundo é um grande mistério, a criança está constantemente a «tropeçar», a enganar-se e ela sabe-o ou percebe-o confusamente. Daí que seja inteiramente natural e de acordo com a necessidade do desenvolvimento ontológico, que exista essa dependência da criança em relação aos adultos. Mas, as coisas não ficam por aqui*, pelos aspetos práticos e concretos da vida, pois nos aspetos mais simbólicos também estão as crianças muito suscetíveis de construírem um modelo de super-mamã, de super-papá. 

Estes super progenitores, transferem-se depois, na aceitação da religião, seja ela mono- ou pluri-deísta, onde os entes individualizados, pessoalizados, são vistos como intercessores, daí as preces, os sacrifícios, as necessidades de ritos para apaziguar etc. Porém, no universo laicizado dos últimos duzentos anos, no chamado «Ocidente», em particular, a figura do herói, do chefe mítico, que também é ancestral e se confundia com os deuses ou semi-deuses da antiguidade, passa a desempenhar o papel de entidade mágica, para a qual se dirigem as preces. 

O que é uma adesão a um partido, uma ideologia, um determinado líder, etc. senão a transposição num universo laico, desdeificado, da necessidade de proteção, de ter um ser acima do vulgar, um herói ou heroína, que serve como objeto de culto, de intercessor/a pelas preces, sejam elas palavras de ordem ritualmente repetidas em comícios ou manifestações, ou em boletins de voto? 

As pessoas que seguem determinado ideário e aderem a uma tendência política não são crianças, nem atrasadas mentais, direis. Tendes razão, de forma nenhuma quero dar a impressão de que as pessoas sejam limitadas na sua inteligência. O meu ponto de vista é que estes mecanismos agem ao nível muito profundo e portanto não são fáceis de serem reconhecidos pelos indivíduos, mesmo pelos mais inteligentes e cultos que se possa imaginar. O inconsciente existe; as pulsões profundas existem; não somos capazes de nos «emancipar» dessa parte da nossa psique, da mesma maneira que não poderíamos viver, propriamente, somente sobreviver, se nos fosse retirado um pedaço substancial e contendo centros importantes do nosso cérebro.

O medo, a angústia, as fobias, tudo o que se traduz por comportamentos aversivos, tem uma origem em camadas muito profundas do psiquismo. Não é portanto fácil extirpar esses medos, em geral, sobretudo se eles entroncam, se fundem de algum modo, com medos e traumas experimentados na infância, os quais estão presentes, mas não são do foro consciente para a quase totalidade dos indivíduos. Os mesmos medos, os traumas, podem ser reavivados, reatualizados na vida adulta. É o papel da propaganda, a que se disfarça em informação objetiva, muitas vezes como sendo «a ciência», o de reativar esses estádios muito profundos e inconscientes, que ocorrem em todos os indivíduos, embora a natureza precisa das fobias, dos traumas seja obviamente muito diversa e varie muito no concreto, de pessoa para pessoa.   

Igualmente, a solução «mágica» de invocar o «anjo da guarda», que pode ser uma pessoa, uma «força ou energia natural», um deus ou uma ideologia, permite pontualmente acalmar a angústia dos indivíduos, que são confrontados com a situação angustiante, da qual não podem sair, ou fugir; contra a qual os meios de luta individuais são irrisórios, mas cuja realidade avassaladora corresponde a condenação sem apelo.

É exatamente o que se está a passar com a transformação duma parte das pessoas em «párias», por não aceitarem a «salvação vacinal». Elas são malevolamente acusadas (sobretudo por media e políticos sem escrúpulos) de serem transmissoras do vírus terrível. A manipulação resulta, porque vai acordar terrores irracionais da morte, da doença misteriosa, epidémica. 

Estão, conscientemente, os que controlam o discurso mediático, a desencadear esta regressão para o estádio infantil, em que a criança, destituída de saber e experiência da vida, confia nos pais. Aqui, serão «cientistas», «dirigentes», «chefes de Estado e de governo» e «gurus» diversos.

Note-se que é compreensível e que traduz uma necessidade biológica, o comportamento da criança de procurar proteção junto dos «anjos da guarda» dos progenitores, em primeiro lugar, e na ausência deles, quaisquer adultos que aparentem ser confiáveis, como parentes (avós, tios, tias, etc.), ou educadores (professores/as, instrutores/as, etc). É saudável e racional, na criança, esta acreditar naquilo que um progenitor, ou parente, ou pessoa próxima lhe disser. 

A regressão em causa, é desencadeada pelo medo, que tem aliás uma componente social muito forte, pois as pessoas começam a ficar deveras assustadas se, em seu redor, vêm comportamentos que denotam que os outros também têm medo. 

O medo é contagioso. A epidemia atual é sobretudo uma epidemia de medo e de irracionalidade. Vai demorar algum tempo a «curar-se», pois não serve de nada o discurso racional, perante o pânico. É necessário que a situação evolua e que as pessoas deixem de estar como que hipnotizadas, para haver um retorno ao funcionamento normal e racional ao nível social.  

A humanidade, ou parte importante dela, está nesta fase, ativada propositadamente por forças poderosas que, aliás, o fazem abertamente. É em fases assim que as transformações mais profundas ocorrem, mas não no sentido de uma «revolução», mas de uma «contrarrevolução» ou «regressão», da instalação dum poder «neofeudal», uma sociedade onde existe uma enorme diferença entre os poderosos, os que possuem tudo e os servos, os que não possuem nada, objetos  manipuláveis a preceito.

Os «anjos da guarda», para os quais os adultos  dirigem hoje suas preces, não são mais que os seus senhores, os donos dos escravos, disfarçados de anjos. 

-----------

* NB: A este respeito convém notar que um dos «truques» para dominar ou ter ascendente sobre alguém é fazer esse alguém sentir-se «pequenino». É tão comum, no discurso das pessoas autoritárias, dirigir-se a um adolescente ou adulto, como se se tratasse de criança pequenina ...  

Posted by Manuel Baptista at 14.9.21 2 comentários:
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Labels: fobias, manipulação, medo, multidões, Psicologia, regressão

domingo, 15 de agosto de 2021

PROPAGANDA 21 [Nº 7]: PSICOSE DE MASSAS

 


Psicose de Massas:

Como uma População se Torna DOENTE MENTAL

“As massas nunca ansiaram pela verdade. Afastam-se de evidências que não sejam a seu gosto, preferindo deificar o erro, se o erro as seduz. Qualquer um que seja capaz de lhes fornecer ilusões é facilmente seu dono e senhor; qualquer um que tente destruir as suas ilusões, acaba sempre como sua vítima. Um indivíduo dentro da multidão é um grão de areia no meio de outros, que o vento remexe com toda a facilidade."  ― Gustave Le Bon

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Posted by Manuel Baptista at 15.8.21 3 comentários:
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Labels: doença mental, ilusão, irracionalidade, Jung, manipulação, pânico, propaganda, psicose, totalitarismo, video-animação

sábado, 24 de julho de 2021

PROPAGANDA 21 [Nº4] BLACKOUT INFORMATIVO, CENSURA E DISCRIMINAÇÃO

No Sábado 24 de Julho, «dia da liberdade», em centenas de cidades europeias e noutros continentes, ocorreram manifestações muito concorridas, apesar do «blackout» da média corporativa.

Quando se trata de algo significativo e implicando grande determinação por parte dos organizadores e participantes, a média "ignora". Quando não pode ignorar, relata, mas difamando, distorcendo, enfatizando tudo o que possa dar uma má imagem.

Estamos perante auxiliares do poder: É o complexo empresarial-mediático que está basicamente em sintonia com os interesses instalados. Já não existe (salvo raras exceções) independência no jornalismo, mas subserviência.

Esta deriva, em todo espaço das ditas «democracias liberais», já era nítida há alguns anos. Não começou com a «crise do Covid», embora esta crise tenha exacerbado tendências autoritárias, tenha posto a nu muitas coisas.

Abaixo, juntei algumas peças jornalísticas que relataram honestamente as manifestações.

O processo geral de manipulação do público, passa por não filmar, ou não enviar jornalistas. Assim, o consumidor exclusivo de média corporativa, ou ignora totalmente, ou fica erroneamente convencido de que foi "insignificante", que os protagonistas eram "franjas de extremistas de direita ou de esquerda", etc.

Só que, às vezes, o «tiro sai-lhes pela culatra», como nos casos do Brexit e da eleição de Donald Trump: os analistas convenceram-se dos seus próprios falsos argumentos, dos seus sofismas, e não viram chegar as ondas da mudança: "Tomaram o seu próprio Kool-Aid*".

                                                         Manifestação em Paris: 


https://off-guardian.org/2021/07/24/discuss-worldwide-freedom-rally/

Manifestações em Roma, Grécia, Austrália:



Manifestação em Lisboa:

https://www.portugalresident.com/thousands-rally-to-portugals-version-of-world-freedom-day/

-----------------------

 *Drinking the Kool-Aid means to become a firm believer in something, to accept an argument or philosophy wholeheartedly or blindly.
Posted by Manuel Baptista at 24.7.21 4 comentários:
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Labels: blackout, censura, Dia da Liberdade, distorção COVID-19, Lisboa, manifestações contra o passe sanitário, manipulação, media, Paris, Roma
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