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domingo, 1 de março de 2026

Crónica da IIIª Guerra Mundial [ nº56]: SERÁ ESTA A ÚLTIMA?

 Quando rebentou a 1ª Guerra Mundial, numerosos jovens recrutas estavam contentes: « Esta guerra será a última!» clamavam eles. Os propagandistas da guerra, de todas as nações e facções, reforçavam este mito. A guerra mais cruel e destruídora que a humanidade tinha visto, até então, acabou num «armistício». Mas, este «armistício» não deu azo a que se construísse uma verdadeira paz. Na verdade, o período de 20 anos entre as duas Guerras Mundiais, foi um longo «falso armistício», entrecortado por guerras e pela subida de forças totalitárias apoiadas em ideologias e em sentimentos de raiva, de «desforra», de nacionalismos e ódios étnicos. 

Mas, tudo isso era insuflado, discretamente, pelos grandes potentados industriais das nações maiores, os quais tinham consolidado os seus impérios graças à Iª Guerra e estavam desejosos por ver de novo as diversas nações escoar o sangue dos seus jóvens em amplos rios tingidos de vermelho. 

Eles- os industriais - sabiam que seriam eles os vencedores, quer fossem  alemães, britânicos ou americanos... Não esqueçamos que o grande capital já estava muito internacionalizado, nas décadas de 1920 e de 1930. As empresas industriais do aço podiam fornecer aço para fabricar blindados alemães, americanos, ou franceses. 

Os produtos das indústrias químicas eram produzidos numa nação, ou em várias, mas revertendo sempre o lucro para um número pequeno de grandes empresas e seus proprietários, que detinham as patentes destes produtos. 

A banca também lucrava, de várias maneiras, com a guerra: Receptadora de contas bancárias, intermediária em negócios multimilionários, emprestando (com juros) aos Estados endividados, etc.

Desta vez (como tenho escrito repetidamente), na «IIIª Guerra Mundial» não existe uma declaração de guerra, nem, por vezes, atos de hostilidade, continua a haver comércio, as embaixadas continuam abertas, em muitos casos. Mas, existe uma sucessão de guerras, cada uma delas trágica para os que nela estiveram envolvidos, desde a re-balcanização da ex-Jugoslávia, às guerras em África, ora no Norte de África, ora no Sul, no Leste ou Oeste. Nestas, os campos opostos estavam a ser armados por potências, das quais os países africanos foram ex-colónias, ou regimes neo-coloniais. Um cenário semelhante tem existido nas guerras da Ásia Ocidental e Central. Enquanto uma zona estava em pleno furor, noutra abrandavam os atos bélicos, sem garantia de não voltarem a reacender-se amanhã. 

- E os grandes poderes? Os que acumulam riqueza à custa dos outros povos, principalmente e que se serviram dos seus conhecimentos do estado interno daquelas nações, para colocar uns contra os outros, atiçando guerras civis, apoiando ou derrubando um ditador, mas para exclusivo proveito do seu domínio?

- As potências tecnológicas? Estarão elas «inocentemente» a desenvolver maravilhas microinformáticas, que depois são desviadas para fins bélicos? Ou são parte integrante do complexo militar-industrial dos países mais poderosos? São «unha com carne» com as indústrias armamentistas, que usam seus «chips» (processadores) e sua tecnologia informática, desde a espionagem, até aos mais sofisticados drones e mísseis ?

- E os bancos, que estão eles a fazer? Não creio que fiquem «de mãos cruzadas». Eles se posicionaram, desde há longo tempo, para dominar a cena internacional. Têm sido eles, os vencedores reais, quaisquer que sejam os vencedores nominais! Amshel Rotschild dizia: «não me interessa quem governa uma nação, desde que seja eu quem controla o seu banco central». Com efeito, através dos empréstimos, a grande banca tem as nações presas pelo mecanismo da dívida pública, sendo esta um tipo de empréstimo especial, cujos contratos são assinados pelos poderes políticos do momento; mas o pagamento recai sobre o povo desse país e mesmo, sobre seus descendentes. As pessoas e seus descendentes são  ignorantes e não-participantes em tais negócios. Mas, são sempre eles que pagam (com juros) os empréstimos para as guerras.

E por falar em pagar... Já viram que os povos estão a contribuir para acções militares para as quais nunca foram consultados? Quem diria que a questão da guerra e da paz, certamente  questão da maior relevância política, nunca é discutida publicamente, seriamente, com candidatos que têm uma clara visão sobre o assunto e com posições afirmadas nos órgãos legislativos? É como se o povo... não fosse chamado para o assunto. 

A «questão da guerra», dizem os dirigentes entre si, «não deve nunca ser discutida pelo povo, especialmente quando as nações se preparam para a fazer»!

Enquanto as pessoas viverem numa infância prolongada, pela irresponsabilidade e mantida pelo circo eleitoral e «democrático», continuará a haver guerras...

Como dizia Einstein, «Não sei, ao certo, como será combatida a IIIª Guerra Mundial, mas a IVª sei: Será combatida com pedras e paus». 


Haverá ou não mais guerras?

- A questão desdobra-se em duas alternativas: Consoante o futuro se assemelhe mais a uma ou a outra, assim teremos, ou não, guerras.

A) A cidadania dos diversos países toma controlo dos assuntos políticos, tendo poder de decisão democrática em tudo o que respeita às nações respectivas. 

A guerra torna-se impossível porque, naturalmente, as contendas serão resolvidas diplomaticamente, à mesa de negociações, nunca no terreno de batalha, pois os povos sabem perfeitamente que esta última hipótese nunca traz resolução justa verdadeira.


B) A cidadania dos diversos países continuará a seguir os líderes do momento, os quais serão, na verdade, os paus-mandados das grandes fortunas (industriais, financeiras, tecnológicas...). Continuará a haver guerras. Porque a lógica do poder fará com que a guerra continue sendo um negócio muito lucrativo para esse mesmo poder.

Vemos que o futuro está nas nossas mãos. Além disso, somos todos/as responsáveis pelo que se está a passar. Quer tenhamos apoiado ou não os atuais dirigentes políticos, a nossa responsabilidade é de não permitir que as nações continuem a recorerr à violência maior de todas, ao crime mais hediondo, para resolver suas contradições. A nossa abstenção - não no voto, mas na ação - é, afinal de contas, conivência com o que se está a passar. Independentemente de apoiarmos, ou não, um dos lados em contenda. 

Porquê? Porque os cobardes que nos (des)governam só conseguem chegar aos seus fins, se houver nossa anuência, nossa tolerância, nosso «deixar fazer». Reparem que, em situações passadas, relativamente próximas de nós: Vários governos foram obrigados a negociar acordos de paz com o outro lado, por pressão da opinião pública do seu país, mesmo quando a situação militar, só por si, não tinha chegado ao colapso.


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PS1: Tenho lido críticas sobre a «fraca resposta» da Rússia e da China em defesa da Venezuela ou, agora, do Irão:

As grandes potências que são a Rússia e  a China, não iriam cometer o erro de confrontar diretamente os EUA e a OTAN, para salvar um regime, por mais que - em termos geoestratégicos - seja importante. 

Com efeito, nem Irão, nem Coreia do Norte, nos seus acordos bilaterais com a Rússia, têm cláusulas que obriguem esta última a ir combater em defesa das primeiras, quando agredidas. O contrário acontece com o tratado da OTAN: Segundo o artigo 5º, quando atacada, uma nação da OTAN recebe automaticamente apoio militar das outras.
Os BRICS são um conjunto de nações que se reúnem para decidir sobre estratégias económicas, sobretudo. Não existe componente militar nos BRICS. A Organização de Cooperação de Xangai, tem como objeto explícito combater ameaças terroristas. Tem sido mobilizada para combater infiltrações de organizações terroristas no interior dos territórios dos seus membros. 
Na verdade, pode-se argumentar que Israel e os EUA são estados terroristas. Mas, a guerra total entre blocos é desejada pelos neocons. Os dirigentes da Rússia e da China, pelo contrário, estão a ajudar o Irão (na frente diplomática, isolando os EUA e Israel, fornecendo armas poderosas, etc.) sem se envolverem diretamente. Eles sabem que isso implicaria um confronto direto com os EUA. 
Os que controlam a agressão ao Irão, serão os EUA ou Israel? Penso que -de novo - Trump fez a vontade a Netanyahu: Receio que este último disponha de poderosos meios de chantagem, em relação a Trump e a outros membros da Administração. Só isso pode explicar a fuga para a frente, que corresponde a este ataque, não motivado, contra o Irão.
Nas muito recentes* conversações de Genebra, o ministro dos Estrangeiros iraniano tinha proposto ao lado americano um mecanismo para não haver acumulação de material radioativo no Irão, o que implicava a impossibilidade de possuir as quantidades necessárias para fazer uma bomba. Esta proposta ia mais além das garantias dadas nas conversações de 2015, que desembocaram no acordo designado por JCPOA, do Irão com os EUA, Alemanha, França e Reino Unido. Este acordo foi denunciado unilateralmente aquando da 1ª presidência Trump, em 2018.

PS2: 



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*Iniciadas a 6 de Fevereiro de 2026 e terminadas (interrompidas) a 26 de Fevereiro do mesmo ano. Na altura, Israel estava já ameaçando com ações «punitivas» o Irão. Os israelitas desencadearam o primeiro ataque com mísseis pouco tempo depois, a 28 de Fevereiro, seguidos imediata e coordenadamente, por ataque dos EUA.




sexta-feira, 11 de março de 2022

IDENTIDADE DIGITAL: Banqueiros querem controlar nossas vidas através de IDs digitais



A transformação do passaporte vacinal em requesito permanente, enquanto parte da ID digital e essencial para se poder atravessar fronteiras, é um dos objectivos a curto prazo de Ursula Von Der Leyen (Comissão Europeia), Justin Trudeau (primeiro ministro do Canadá) e doutros dirigentes ocidentais cooptados por Klaus Schwab. Se as pessoas comuns e os membros dos diversos corpos que não se deixaram corromper compreenderem este perigo, com certeza, farão tudo para evitar isto. Pois, a generalização da ID digital será um passo importante para a ditadura totalitária.



                                                            THE JIMMY DORE SHOW
  

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

MISSIVA Nº1 À CONFEDERAÇÃO INTERGALÁCTICA



À CONFEDERAÇÃO INTERGALÁCTICA.


05 de Novembro de 2021

(no calendário deste planeta) 


Neste comunicado, irei dar-vos conta de algumas peculiaridades do planeta Terra, onde tenho estagiado, assim como sobre os seus habitantes. 

Irei começar por esclarecer sua organização social e económica, a que chamam de «capitalismo» ou «sociedade de mercado livre». 

Estou apenas nas etapas preliminares do meu estudo; noutras missivas, irei aprofundar e desenvolver melhor os pontos aqui abordados.

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1) O capitalismo e seus críticos


Há essencialmente dois tipos de críticos do capitalismo: 

A) Os que o detestam visceralmente, mas não compreendem como é que funciona: Pelo que a sua análise se fica por mostrar como o capitalismo é «horrível», «injusto», «cruel», «desumano», etc. Estes, não compreendem, que até uma criança sabe isso intuitivamente, que não são precisos calhamaços cheios de sábias elucubrações e eruditas citações.

B) O outro tipo de crítico, é formado por personagens completamente diferentes, no seu temperamento. São pessoas que examinam o capitalismo como um médico examinaria o seu paciente no hospital. Eles «tomam o pulso, medem a tensão, auscultam» e fazem todas as análises necessárias para detetar a «doença essencial» de que enferma o capitalismo. Eles consideram que o capitalismo está doente, muito doente, mas que tem de ser salvo, custe o que custar. Para estes, não existe realmente horizonte para além do capitalismoTêm, portanto, todo um arsenal de remédios. Cada um inclina-se mais para uma ou outra terapêutica.


2) Os agentes do capitalismo

Ora, os que estão numa ou noutra posição crítica (A ou B), estão muito longe da realidade. Mais próximos estão os que «têm as mãos na massa», literalmente. Estes, que eu designarei por C, são agentes diretos do capitalismo, banqueiros, especuladores, comerciantes, capitães de indústria. Todos estes não ligam demasiado a teorias. Estão muito mais interessados em «fazer dinheiro». 

Tendo eu descido de um planeta longínquo, a bordo de uma nave intergaláctica, sondei os três grupos. Mas dei preferência ao terceiro (C). Porque, para quem vem da galáxia Tau, ou Andrómeda, ou outra, estes humanos têm um sistema muito curioso, muito estranho, na verdade. Ele serve para fazerem guerras, espalhar miséria, mas também erguer obras de arquitetura notáveis, desenvolver as artes e as ciências. Até - por vezes - com ele melhoram a condição dos que estão em baixo, na escala hierárquica.

Sem dúvida, eu tenho dedicado mais tempo junto do terceiro grupo, a aprender o que é o capitalismo. Interessa-me a verdade, a realidade, a coisa em si. Não as teorias retorcidas, ou «brilhantes», mas que passam completamente ao lado dos problemas. 

Estou interessado em aprender com os capitães de indústria, os banqueiros, os especuladores. Estes, estão constantemente a navegar dentro do sistema. Aproveitam-se dos grandes ou pequenos movimentos de matéria e de energia, a que chamam «capital», para aumentar o seu património, para possuir múltiplas vezes mais que os pobres, que trabalham para eles, direta ou indiretamente.

Como visitante doutra galáxia, já percebi que o que chamam economia está sempre a alternar momentos de euforia e outros de depressão (em inglês: «boom and bust»). Estes ciclos repetem-se, arrastando todas as atividades, não apenas do domínio financeiro, também produção industrial, agrícola, comércio, etc. 

Verifiquei que usam uma espécie de objetos em papel (antigamente - há mais de 300 anos - eram objetos metálicos, sobretudo ou apenas), pelos quais têm uma veneração especial, «o dinheiro»: 

Este, em vez de ser somente um meio de troca e contabilidade, é-lhe dado um estatuto próprio de «valor». É pensamento mágico! Estão convencidos que tais pedaços de papel têm «valor intrínseco» ou, mesmo, que só eles têm valor! Pode dizer-se que se trata de «culto do dinheiro». Sim, muitos transformaram-se em adoradores desses objetos curiosos, mesmo quando passam o dia a olhar para o écran dum computador ou telemóvel, com números, signos, gráficos, tabelas, esquemas. Supostamente, é para rastrearem o  dinheiro, ou seus equivalentes digitalizados. 

Porém, a quantidade de dinheiro não é constante. Não está correlacionada com o trabalho, contrariamente ao que defendia um senhor barbudo (que se chamava Marx). Esses papéis são postos a circular, fisicamente ou virtualmente, pelos bancos centrais dos diversos países. 

Os bancos centrais são «autónomos», ou seja não dependem - pelo menos no chamado «Ocidente» - do governo, não estão sujeitos a aceitar as diretivas dos políticos. Os que dirigem os bancos centrais podem aumentar ou reduzir a «massa monetária» (a quantidade de dinheiro existente) e até manipularem para aumentar ou diminuir a quantidade do dinheiro circulante. Eles criam dinheiro a partir de nada. 

Mas não são os únicos. Com eles, os bancos ditos «comerciais», fazem empréstimos com dinheiro que eles próprios criaram a partir de nada, a chamada prerrogativa de reserva fracionada, como eles dizem. 

As pessoas, instruídas na «religião do dinheiro» apressam-se a  pedir empréstimos para as suas necessidades vitais ou para os seus extras, tornando-se assim escravas das dívidas contraídas. «Se tudo se passar bem», estarão livres dentro de 30 ou mais anos, depois de terem contraído o empréstimo, numa altura em que já não têm vitalidade, estão demasiado esgotadas. Elas perdem boa parte da vida para «ganhar dinheiro», para pagar as dívidas! 

É assim que este estranho mundo vive. 

Mais lógica tem o mundo das formigas no formigueiro, ou das térmitas na termiteira. Ao menos, tais insetos sociais estão perfeitamente adaptados às suas condições climáticas e outras, ao seu ambiente particular. A seleção natural operou maravilhas: Estas sociedades, de milhões de indivíduos, comportam-se dum modo aparentemente «racional», ao olhar do observador atento. 

Enfim, o modelo das sociedades humanas é como se um bando de símios tentasse imitar uma espécie de insetos sociais (Hymenoptera). Tentariam construir os edifícios e adotar um modo de vida semelhante,  porém sem razoabilidade, sem o bom-senso natural - fruto de milhões e milhões de gerações - que lhes permitisse uma inserção harmoniosa no ecossistema. 

Por hoje, não poderei adiantar muito mais, neste relatório. Preciso ainda de sondar muitos dados e de fazer muitos registos.  

Venho pedir, aos meus irmãos/irmãs da confederação intergaláctica, ajuda! 

- Os humanos não param com as suas atividades frenéticas. Devido à falta de juízo de dirigentes e à indiferença espantosa dos subordinados, estão a perturbar gravemente o equilíbrio do planeta em que habitam. 

- Não digo isto em vão: Já constatei que não lhes faltam poderosos instrumentos de destruição nos seus arsenais. Por outro lado, não têm bom-senso nem amor, ao lidarem com grupos e nações rivais. 


MB


quarta-feira, 30 de junho de 2021

[Craig Murray] EXPOSTA A FALSIDADE DA FABRICAÇÃO DO FBI CONTRA ASSANGE

Este meu artigo é essencialmente o resumo da notícia (ver acima) de 29-06-2021 por Craig Murray, ex-diplomata britânico, que tem seguido assiduamente as sessões do julgamento de extradição de Julian Assange e tem feito um ótimo trabalho de informação, que a imprensa não faz

Graças a Murray, ficamos a saber que a fabricação urdida pelo FBI de associar (falsamente) Assange com «hacking» de bancos e das contas de cidadãos particulares, foi desmoronada pela confissão de  Sigi Thordarson, um islandês, personagem muito pouco recomendável: Foi condenado por abuso de rapazes menores, assim como por ter-se imiscuído na rede de Wikileaks e ter-lhe roubado 50 mil dólares. Foi julgado e condenado por estes crimes, na Islândia. Thordarson revelou recentemente, a um órgão de imprensa, que tinha feito um acordo com o FBI para acusar, falsamente, Assange de estar na origem de «hacking» contra contas bancárias de particulares, sem qualquer relação com as atividades de denúncia do complexo militar-industrial, das agências de espionagem, enfim, como se estivesse envolvido em cibercrimes e sem qualquer laivo de altruísmo, ou de querer desmascarar os poderes. 

 O pedido de adição das pseudo-provas, trazidas pelo FBI ao processo, foi aceite pelo tribunal. Mas esta adição extemporânea foi contestada na altura pela defesa, à qual - aliás - não foi concedido tempo mínimo necessário para investigar e construir uma resposta a essas novas alegações. 

O extraordinário, é aquilo que deveria - normalmente - ter ocorrido e não aconteceu. 

Agora, que o pedófilo condenado, Thordarson, veio confessar ao magazine islandês que as acusações tinham sido fabricadas de acordo com o FBI, em troca desta agência não avançar com um processo contra ele, o normal seria o tribunal considerar que o procedimento usado tinha anulado toda a base da acusação, por falsas alegações. Decorreria daí que Assange tinha de ser libertado. 

A má fé da juíza e do tribunal são por demais evidentes, pois recusou reabrir o processo, como tinha sido pedido pela defesa. Há cinco meses que dura a situação de indefinição, continuando Assange preso, apesar de não haver qualquer contestação da parte das autoridades dos EUA. A juíza encarregue do julgamento continua a pretender que ignora as declarações de Thordarson, que toda a gente conhece e que invalidam o processo. 

Todas as peripécias deste processo, o mais torcido, o mais parcial, que se possa imaginar, têm tido o efeito paradoxal de desmascarar a brutalidade, falsidade e hipocrisia dos perseguidores de Assange, assim como a negação dos princípios de respeito pelos Direitos Humanos, de Justiça e de Estado de Direito, pretensamente atributos do Estado e instituições britânicas. 

PS1: Veja a manifestação em solidariedade com Julian Assange, aquando do seu 50º aniversário: 

https://www.youtube.com/watch?v=YuPSUjSvN0E


PS2: Um artigo de opinião por Alex Lo, que todos os políticos, todos os jornalistas, todos os cidadãos, deveriam compreender a fundo: 

https://www.scmp.com/comment/opinion/article/3140962/example-must-be-made-julian-assange


PS3: Uma análise do comportamento do tribunal britânico que não encontrará de certeza na media corporativa: 

https://www.wsws.org/en/articles/2021/07/12/assa-j12.html?pk_campaign=newsletter&pk_kwd=wsws

domingo, 18 de agosto de 2019

A CRISE VIRÁ DO LADO DA DÍVIDA SOBERANA, DOS TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA


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Sabe-se que o grave problema que afecta o sistema económico e financeiro ocidental é a enormidade da dívida. Dívida dos Estados, dívida das empresas e dívida das famílias... tudo somado, a quantidade de dívida é muito maior do que a existente nas vésperas do colapso de Lehman Brothers!

O processo de um Estado se ver livre da dívida pública é somente um, na prática. Embora, em teoria, um governo pudesse decretar insolvência, reconhecendo estar falido e portanto não pagar aos seus credores, isso é demasiado penoso e politicamente suicida. Portanto, os governos irão fazer aquilo que sempre fizeram, ou seja, inflacionam a sua moeda nacional (no caso do Euro, será antes a moeda comum de uma série de Estados da União Europeia).

Um dos casos mais graves de acentuado crescimento da dívida pública, sem fim à vista e com tendência para se agravar, é o dos EUA. Obama conseguiu o «glorioso feito» de duplicar, durante os seus dois mandatos, a dívida pública acumulada antes dele, desde o início da existência dos EUA.
Nada menos fiável do que os EUA. Se decidirem que algum país está com exigências excessivas, podem simplesmente obliterá-lo do mapa... veja-se o caso da Líbia! 
Mesmo os aliados não estão a salvo de serem «esfolados»: como clausula secreta dos acordos que instituíam o sistema do petro-dólar (em 1973), os sauditas foram obrigados a fornecer muitos biliões em treasuries, que provinham do petróleo, para os seus protectores de Washington disporem dessas somas colossais. Não estão nominalmente na posse do Tesouro, mas é como se estivessem: as tais treasuries servem como «fundo de estabilização» do Tesouro. Quando os mercados variam bruscamente ou quando algo vai num sentido desfavorável aos interesses de Washington, esse fundo gigantesco intervém, discretamente. Os especialistas dos mercados conhecem bem as intervenções do referido fundo.    
É basicamente o medo, a impressionante máquina militar, que impõe «respeito» pelo dólar US, com o qual os EUA compram tudo o que precisam, dando em troca... esses papéis verdes impressos! 

A China foi acumulando, em resultado do seu comércio com os EUA e outras partes do mundo, a gigantesca soma de 1,3 triliões de dólares, que estão sob forma de obrigações do Tesouro dos EUA («treasuries»).
Há quem diga que esta constitui uma arma poderosa da China, que poderá despejar no mercado fazendo baixar subitamente o valor dos referidos treasuries. Mas, isso é falso. Não só não é possível eles desfazerem-se de tal soma bruscamente, como teria um efeito oposto ao desejado. Ainda por cima, poderia desencadear uma guerra, por os EUA se sentirem acossados naquilo que é fundamental para eles, a sustentabilidade da sua dívida...

Os russos, há algum tempo, desfizeram-se de quase todas as suas treasuries. Mas eles tinham muito menos, do que a China tem. O que eles fizeram foi genial: Eles deram os treasuries como aval a vários bancos europeus, para garantia de empréstimos aos mesmos bancos. Depois, fizeram default sobre as dívidas a esses bancos e estes tomaram posse das treasuries, dadas como aval. Assim, não colocaram no mercado essas treasuries e obrigaram a outra parte a aceitá-los. Não me parece que se possa repetir isso.

Os Chineses fizeram a Belt and Road: é - além de outras coisas - um processo lento de se desfazerem de treasuries. Com esses dólares, eles financiam grandes obras, portos, aeroportos, caminhos de ferro, etc. nos países mais diversos, com os quais têm acordos. Ficam aliviados do excedente em dólares e tornam-se credores de vários países, sendo possível que recebam em pagamento géneros (matérias-primas), ou notas de crédito denominadas em Yuan.

Segundo uns analistas, os americanos têm de comprar a si próprios (a FED compra ao Tesouro, o qual emite dívida) cerca de 70% da dívida emitida e têm de fazer malabarismos, usando derivados (credit default swaps), para criar a ilusão de procura de treasuries e assim sustentar seu preço. 
Também conseguem procura porque têm uma taxa ligeiramente acima de zero, enquanto muitas das obrigações europeias (como os bunds alemães) estão com juros negativos, ou seja, o emprestador tem - ao fim de x anos - a soma investida, MENOS uma determinada soma y, correspondente ao juro negativo. 

A dívida excessiva a nível mundial não poderá ser aliviada por uma espécie de «jubileu», pois haverá países que ficam a perder imenso com isso por comparação com outros que até incluem os mais ricos, pois estes têm tido um comportamento irresponsável de acumulação de dívida, sem contrapartida em criação de riqueza. Quando uma pessoa ou uma empresa ou um Estado se endividam pode ser uma coisa boa e sensata ou o contrário: se for para investir em algo que por sua vez irá gerar rendimento, irá produzir algo (bens ou serviços), irá traduzir-se por um acréscimo de rendimento (ao nível dos Estados, maior receita de imposto), então é provável que tal investimento seja sensato e produtivo. Mas um empréstimo gasto em despesa não reprodutível, que não vai gerar capital que o pague no médio/longo prazo, é somente um peso suplementar que incide sobre as economias, sobretudo das gerações futuras. 

Num contexto de sobre-endividamento, a inflação é desejada por bancos centrais e por governos, porque vai «comer» parte da dívida acumulada, ou seja, é como um «default» suave, a uma taxa de uns pouco por cento ao ano, que o público não compreende e atribui à ganância dos comerciantes ou às reivindicações excessivas dos assalariados, etc... mas, não aos verdadeiros culpados.

Perante um aumento descontrolado da dívida, a tentação é desvalorização correspondente do dinheiro, o que tem sido feito, de forma sistemática, sem que as pessoas percebam o que se está a passar: se a inflação registada nas estatísticas ao longo de um ano, for de 2%, por hipótese mas - na verdade -  sendo esta de 4 ou 5 %, como se tem verificado, é muito difícil alguém contrariar o discurso oficial. Seria preciso um instrumento independente, de recolha e tratamento estatístico, algo como um Instituto de Estatística alternativo, ou algo parecido, com credibilidade igual ou superior aos institutos do Estado. 

Portanto, a aceleração da impressão monetária, ou seja,  «Quantitive Easing» e as taxas de juro próximas de zero ou negativas  anunciadas pelos bancos centrais ocidentais, irão apenas contribuir para manter durante algum tempo (quanto?) as bolhas das bolsas de acções, das obrigações, do imobiliário... em que se tem vivido. 
Mas, chegará o momento em que as pessoas compreenderão que estão a ser aldrabadas, que números crescentes não representam aumento de valor, não correspondem a nada de sólido. 

A perda de confiança numa divisa, nas divisas «em papel», é um processo muito rápido: compreende-se que os bancos centrais dos países do Oriente se previnam disso, comprando todo o ouro que podem nos mercados. Alguns financeiros, gerindo fundos bilionários, também compreendem o que se está a passar e também estão a aconselhar os seus clientes a fazer o mesmo.

A subida dos metais preciosos, em especial do ouro (e isto é notável) faz-se, apesar da existência confirmada de conluio entre bancos centrais ocidentais e grandes bancos, emissores de contratos de futuros (um tipo de derivado) sobre o ouro e a prata. Eles despejam no mercado, em momentos especiais, quantidades abismais de contratos. É assim que o preço do ouro e da prata têm sido reprimidos, ao ponto de, em paridade do poder de compra, a prata nunca ter estado tão barata! Se estes contratos correspondessem - de facto - a ouro físico, seria necessária várias vezes a produção anual minerada. Evidentemente, trata-se duma fraude, mas fraude consentida pelas entidades ditas supervisoras dos mercados e pelos bancos centrais.
O sistema de emissão de dinheiro ilimitado e controlado pelas entidades globais, é inviável: dentro de um prazo (não determinável exactamente, pois dependerá da duração e profundidade da crise vindoura), terá de haver uma profunda reforma do sistema monetário.  
Mas, entretanto, é bem provável que haja guerras, revoluções, fomes, transferências de riqueza, fenómenos que se verificaram no passado, em associação com as crises económicas mais graves.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

GESTÃO DO SISTEMA FINANCEIRO MUNDIAL & BANCOS CENTRAIS

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O problema central da gestão financeira mundial pode comparar-se à gestão da floresta.  Não vou aqui tentar fazer passar uma teoria esotérica, que ligasse os fogos florestais a aspectos dos mercados financeiros, ou vice-versa. 
Tentarei uma abordagem por analogia, exemplificando através de metáfora, o que ocorre neste momento, no mundo económico e financeiro.

Assim como a boa gestão da floresta, implica que se faça o desbaste, se retire a madeira morta e o restolho, que formam um material combustível muito fácil de atear, sobretudo quando a terra está seca, no pino do Verão... assim, uma boa gestão dos efectivos monetários mundiais, deveria apontar idealmente (embora isto seja apenas um número para o qual se tende) para um equilíbrio, para uma constância da massa monetária. Só assim, a economia mundial poderia ser apropriadamente servida pelas políticas financeiras, ou seja, pelas políticas destinadas à gestão do dinheiro. 
Mas, o que tem sido a realidade dos últimos decénios? 
- Desde o abandono, pelos Estados Unidos, do padrão ouro, negando a convertibilidade dos dólares em ouro, em 1971, que a economia mundial tem vivido de crise em crise, cada qual mais grave que a precedente.
Ora, esta sucessão de crises, com a destruição de riqueza que ocorre, tem um grave custo - sobretudo para as economias mais pobres, que não têm excedentes que permitam aguentar os momentos difíceis e retomar o investimento em sectores produtivos, nas épocas de bonança. 
Com efeito, as crises financeiras, ao destruírem imensas quantidades de capital, investido em activos especulativos, sobre-valorizados, são também elas nefastas para a economia «real», a que corresponde - não às bolsas e aos especuladores - mas a obras concretas, a produtos comerciáveis, a serviços necessários à população. 
Durante a fase de acumulação duma bolha especulativa, os capitais disponíveis são canalizados para estes activos inflacionados, quer sejam acções de empresas, propriedades imobiliárias, ou outro tipo de bens... Isto significa que muito investimento produtivo, o que teria capacidade de gerar lucro, mais-valias, vai ficar sub-capitalizado, vai estagnar ou retrair-se, porque não tem o financiamento adequado.
Os bancos centrais e os governos - principalmente do chamado «Ocidente» - são largamente responsáveis, sobretudo desde 2008, mas antes também, do inflacionar de bolhas especulativas, através de vários processos, como irei detalhar abaixo. Note-se que, embora as justificações utilizadas se refiram ritualmente ao «auxílio da economia», há na verdade, um impedimento real da economia funcionar. 
Ao suprimirem-se os mecanismos auto-correctores e portanto optimização do capital e dos esforços investidos, a economia não é auxiliada, mas sim desbaratada. 
Os banqueiros centrais sabem isto perfeitamente, pelo que o discurso deles, tal como o dos políticos, é apenas para manter as aparências e acalmar as pessoas.
- Os bancos centrais criaram um enorme excedente de massa monetária, na sequência da crise de 2008, com o pretexto de salvar o planeta da bancarrota em cascata dos diversos bancos comerciais, incluindo dos países mais centrais no sistema (Estados Unidos e certos países europeus).
Esta massa monetária foi directamente para as reservas dos grandes bancos, não foi para a economia real. Assim, embora os bancos tivessem sido salvos da falência, na economia real observou-se uma recessão brutal, da qual não se terá ainda saído, segundo alguns economistas.
- As constantes compras, pelos bancos centrais, de activos (muitos deles «tóxicos», como os pacotes de crédito hipotecário, recheados de contratos não cobráveis!), vieram fornecer um excesso de liquidez, disponível para a banca e a finança, as quais emprestaram, a juros muito baixos, a grandes corporações - Apple, Microsoft, Facebook, etc, etc. Estas, em vez de se servirem desse capital emprestado para expandir o seu negócio, o diversificar, ou aplicar em investigação e inovação, foram usá-lo para auto-compras das suas acções em bolsa, propulsando assim as cotações a alturas inéditas. As outras empresas cotadas, acabaram também por subir, por arrastamento, independentemente do seu valor real.
Note-se que os especialistas das bolsas e das empresas industriais cotadas, sabem avaliar - com alguma precisão - uma valoração bolsista, em relação à estimativa do valor da empresa (activos próprios, valor que é capaz de gerar no mercado, etc.): Quando existe uma bolha, não apenas as cotações bolsistas chegam a atingir 30 vezes, ou mais, o valor real estimado, há também uma atracção para mais capitais se investirem, o quais serão irremediavelmente perdidos, quando estas bolhas rebentarem. 
É um mito pensar-se que a maior parte dos investidores, pequenos ou grandes, têm a habilidade de se retirar a tempo e salvaguardar o lucro decorrente da subida, vendendo pouco antes do mercado inverter e iniciar uma descida, tanto mais que esta é frequentemente vertiginosa, um «crack».

- O dinheiro, nas mãos de alguns ricaços, acaba por ir parar a activos «sólidos», em particular, o imobiliário: gera-se então uma bolha «secundária» neste sector, na medida em que ele é propulsionado pelos lucros feitos, inicialmente, no mercado bolsista (acções e obrigações).
As pessoas com rendimentos fracos ou moderados, mesmo em economias que estejam a funcionar razoavelmente, ficam excluídas do acesso à habitação. Em particular, este fenómeno tem ocorrido na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), no Extremo Oriente (Japão, Coreia do Sul, Hong-Kong, Singapura...) e na Europa Ocidental (Paris, Londres, Madrid, Zurique, etc...). 
Com a política continuada de taxas de juro próximas de zero ou negativas, as disfunções multiplicam-se, sendo particularmente grave, o desincentivo da poupança: havendo taxas de juro (decretadas pelos bancos centrais) próximas de zero e inferiores aos índices (oficiais) da inflação, as pessoas têm tendência a gastar todo o excedente, vivendo - muitas vezes - em dívida permanente, através do recurso excessivo aos cartões de crédito.
Se é verdade que o consumo é estimulado pelas baixas taxas de juro, o que teoricamente irá estimular a indústria, também é verdade que as pessoas do «Ocidente» se transformaram em consumidoras vorazes de produtos manufacturados no «Oriente» (China, Indonésia, Tailândia, Vietname, etc). Das poucas indústrias transformadoras que se observam no Ocidente, muitas delas têm graves problemas de solvência; não foram estas que os financeiros e os governos escolheram ajudar....

Hoje, é claro que as taxas de juro a praticamente zero, ou negativas, durante longos períodos, são causadoras de distorções nos diversos mercados, promovem a criação de bolhas, estimulam a especulação imobiliária, estimulam um consumo sumptuário, ou não essencial, arrastam as empresas industriais do Ocidente para a falência, acentuando a desertificação industrial deste.

A estimulação de uma «economia de casino», de actividades especulativas, a injecção constante de capital nas bolsas, pelo mecanismo atrás descrito, acentuam os ciclos de «boom-bust» ou de «pára/arranca». Com efeito, embora estes ciclos sejam intrínsecos ao capitalismo, eles são exacerbados pelos movimentos frenéticos dos capitais, de uma zona geográfica para outra e de um sector industrial para outro, literalmente «à velocidade da luz». 

Por fim, os próprios governos, embora sejam apologistas de políticas ditas de «austeridade» para o povo, continuam a pedir emprestado, através de «bonds» do tesouro, a juros ridiculamente baixos e distorcidos, em vez de fazerem cortes naquilo que efectivamente são despesas inúteis, ou mesmo nefastas, como as despesas com armamentos, e outras. 

- Os juros baixos permitem que os governos mantenham «rolando» as dívidas acumuladas. Hoje, um endividamento superior a 100% do PIB, tornou-se algo de muito «banal», quando há apenas dez anos atrás, constituía um «escândalo». 
De facto, o endividamento excessivo permanece um escândalo, pois os juros - que saem dos orçamentos dos Estados - vão para os bancos e para uma oligarquia já muito rica, enquanto estas somas poderiam servir para programas que desenvolvessem o país. Mas, também é um escândalo, porque esse capital em dívida continuará a ser devido pela população do país em causa, ou seja, vai afectar - à partida - as gerações futuras. 
É como se gastássemos à tripa forra e deixássemos dívidas tais que, apenas a geração dos nossos filhos e netos as pudesse pagar. 
Não estou a dizer que somos nós - cidadãos - que geramos AQUELAS DÍVIDAS, que os Estados fazem quando obtêm empréstimos nos mercados financeiros; estou a dizer que - apesar da sua atribuição em nada nos favorecer - somos NÓS, OU NOSSOS FILHOS, OU NETOS, que as teremos de pagar, mais cedo ou mais tarde...
As quantias existentes nos mercados mundiais de dívida, às quais corresponde um valor fictício, são como a madeira morta, as ervas secas, que formam o combustível para um grande incêndio florestal. Se este restolho estiver presente em pequena quantidade, o incêndio é controlável. Se for o contrário, vastas extensões de floresta, ou seja, inúmeras unidades produtivas, serão devoradas pelas chamas. 
As quantias excedentárias, ou de unidades fictícias (ou «fiat»), são como a madeira morta, o combustível, numa crise global. Elas serão causadoras de ruína, de incontáveis sofrimentos aos povos. Sofrerão aqueles que não têm culpa nenhuma do estado em que se encontram a economia e as finanças mundiais. 
Os responsáveis verdadeiros - temo bem - ficarão impunes, nem sequer serão incomodados, pois a ignorância da plebe é o melhor resguardo dos oligarcas que nos governam.