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domingo, 25 de outubro de 2026

O LIVRO DE ANN DAWSON [Segundas-f. musicais nº81]




Enquanto fonte manuscrita, este livro é considerado das mais importantes fontes na musicologia britânica, juntamente com o Fitzwilliam Virginal Book e o «My Lady Nevells Book». 

No livro de Ann Dawson (datado de 1716) está u artisticamente encadernado e as notas de música estão perfeitamente desenhadas. Provavelmente, ele serviu para Ann Dawson receber lições de seu mestre de música (do qual se ignora tudo).

Quanto ao seu conteúdo: 

Muitos concertos para orquestra de cordas com instrumentos solistas foram transcritos para o cravo. Os autores incluem Vivaldi e outros italianos, Domenico Alberti e Francesco Manferdini. 

Transcripções doutro tipo de obras. Foram transcritas:

- Abertura duma ópera de Bononcini, popular na época, 

- Sonatas de Arcangelo Corelli e de Johan Christoph Pepusch; este último estava ativo em Londres nessa altura. 

- De Jean Baptiste Lully, o «Choeur des Cybèles» da ópera Atys. 

- Quanto às toccatas para cravo, vários autores estão presentes: William  Babell,  Haendel e um autor alemão do Norte da Escola de D. Buxtehude. 

- John Weldon, com uma suite, é o único compositor britânico representado (ou, pelo menos, nomeado explicitamente).

- O livro transcreve, igualmentre, árias italianas para soprano ou para tenor, extraídas de óperas que tinham sido representadas em Londres, antes de 1716. 

As transcripções incluem a realização anotada do baixo contínuo*. Segundo o musicólogo que analisou o Livro de Ann Dawson, é verosímil que a recolha tivesse sido efetuada com o intuito de ensinar a realização do baixo contínuo.

Sobressaem,  pela qualidade e  cuidadosa adaptação ao cravo, as transcripções de concertos de António Vivaldi**. Reproduzi abaixo os três andamentos separados do concerto para violino e orquestra RV230, transcrito para cravo.  O intérprete  é Enrico Baiano.


I .  Allegro 


II . Andante 


III . Allegro 



Pelo mesmo intérprete, Enrico Baiano, as outras transcripções de obras de Vivaldi, incluídas no Livro de Ann Dawson:

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* A linha do baixo sustenta a melodia. Sobre esta linha, o cravista devia realizar o baixo contínuo, executando uma sucessão de acordes, para acompanhar a voz solista. Esta execução obedecia a regras estrictas. Os músicos profissionais podiam - no entanto - realizá-lo de improviso.


**Vários dos concertos de Vivaldi, acima citados, foram igualmente transcritos por J. S. Bach, durante a sua estadia em Cöthen, ao serviço do príncipe. Este pequeno Estado alemão adoptara o calvinismo, o que, em termos de música litúrgica, significava a maior austeridade: Eram proíbidas peças instrumentais no culto;  apenas peças vocais eram autorizadas, com textos extraídos da Bíblia, como os Salmos. Pelo contrário, na corte do Príncipe Leopoldo a música profana era muito favorecida. Ele possuía uma pequena orquestra, à qual se juntava frequentemente. Terá trazido da Holanda muitos livros de música impressa para a sua biblioteca, incluindo os concertos de Vivaldi. Estes concertos de Vivaldi e doutros compositores italianos (Alessandro e Benedetto Marcello, T. Albinoni, etc.) inspiraram Bach a transcrevê-los para cravo ou órgão. Bach, não só os transcreveu, como os interpretou, mostrando assim seu virtuosismo nos instrumentos de tecla. 


sexta-feira, 15 de março de 2024

PÁSCOA 2024: UM REGALO DE VIVALDI

Um triplo presente, um triplo prazer, que decidi Vos oferecer. 
É que Vivaldi nunca deve estar ausente das grandes ocasiões, sejam elas quais forem. É ele que nos pode dar confiança na vida, dar energia ao espírito, com seu o otimismo sensato, refletido, que tanta falta nos faz, hoje em dia.
Vivaldi nunca é banal ou repetitivo. A ideia de que as «grandes obras» de Vivaldi se resumem ao reportório de concertos para violino e orquestra e pouco mais, é apenas uma afirmação ignorante, petulante e que não merece o mínimo crédito da nossa parte.
Vivaldi escreveu notáveis concertos para instrumentos diversos, como solistas, ou como «concertino»,  dialogando com o resto da orquestra de cordas. 

O fagote é um instrumento muito rico em possibilidades expressivas. Ele foi relegado para um papel de «baixo» do naipe das «madeiras» nas obras sinfónicas, principalmente a partir da segunda metade do século XVIII. Mas, o instrumento é muito apropriado como solista. A sua voz profunda e a riqueza do seu timbre, resultante dos harmónicos que produz, permitem grande variedade expressiva, tal como o violoncelo. 

Eu não sei - destes três concertos - qual o melhor, o mais bem construído, ou o que tem maior verve. São - para mim - três concertos do melhor Vivaldi, que conheço. Talvez seja ocasião para uma descoberta dos meus leitores.

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Bassoon Concerto In A Minor, Rv 497





        Interpreti Veneziani  (Andrea Bressan fagotto)




 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

FRAGONARD: ADORAÇÃO DOS PASTORES

                             Fragonard. L'Adoration des Bergers, 1775

FRAGONARD FOI UM DOS EXPOENTES DA PINTURA FRANCESA NO SÉCULO XVIII

O seu estilo caracteriza-se por uma grande leveza, como se pode ver pelas obras abaixo:

                                                    Fragonard. Inspiration, Autoportrait, 1769 
                                                   1-     Auto-retrato, 1769      


                                       Image result for portrait de Mme Fragonard
                                       2 - Cena mitológica


                                                Image result for Fragonard oeuvre 
 
                                                3- A leitora    


                                                Image result for Fragonard oeuvre
                                               4- Dama com ramo de flores e cãozinho

É um artista tipicamente rococó que, no final da vida, evoluiu para um estilo neoclássico. 
Aprecio a leveza do seu traço, a subtileza dos rostos, a variedade cromática dos tecidos. 
Normalmente, é associado a cenas galantes ou eróticas, porém é também um pintor da intimidade, do quotidiano.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

GREUZE: RETRATO DE JOVEM MULHER E OUTRAS OBRAS

The Athenaeum - The Polish Girl (Jean-Baptiste Greuze - )
https://www.pinterest.pt/pin/490188740674825501/
retrato de jovem mulher polaca

Encontrei numa coletânea on line este magnífico retrato de uma jovem polaca, por Jean-Baptiste Greuze  [1725 – 1805], cuja vida e obra mereciam ser melhor divulgadas. 

Além de ter retratado célebres personagens, como Mozart em criança, Benjamin Franklin e Napoleão Bonaparte, ele é o mais conhecido cultor de pintura de cunho moralista, que tinha como objectivo a elevação do senso moral, o aperfeiçoamento dos que contemplavam tais pinturas, sendo estas de cenas colhidas no quotidiano, nos meios de camponeses ou de pequenos artesãos. 
Tais escolhas, claramente influenciadas pela escola holandesa, foram incentivadas e objecto de preferência estético-ideológica do enciclopedista Denis Diderot.

                      
                                                         quadro moralizante (os ovos partidos)

Para Diderot, as telas de Greuze eram o modelo a seguir na arte, pois inspiravam o bem através do belo... Penso que esta parte da obra, justamente, envelheceu bastante, embora ela seja interessante para se compreender o «espírito da época». 

Pessoalmente, maravilha-me a qualidade de muitos dos seus retratos. O retrato de jovem polaca, da qual não se sabe sequer o nome, tem uma beleza intemporal pela expressão do rosto e do olhar, não somente pelas feições [ver imagem a encimar este artigo]. 

Greuze, como artista, tinha de ganhar o sustento a retratar aristocratas ou alta burguesia. 

                                       Greuze, Jean-Baptiste: Marquis de Saint Paul. 1765.
                                           O jovem marquês de Saint-Paul

Estas encomendas parecem-me menos cheias de vida, que os estudos com vista aos tais quadros moralizantes, ou os retratos de pessoas amigas. 

Image result for Jean-Baptiste GreuzeHead of a Young Woman  Jean Baptiste Greuze                                                    
 estudo de camponesa                                                                retrato de Sohie Arnould                                               

Não sou crítico de arte, mas parece-me que Greuze desempenha o papel de elo importante na escola realista francesa ... 
Ele liga o retratista Quentin de La Tour (1704 – 1788) a Camille Corot (1796 -1875), o qual, embora conhecido como paisagista, também produziu excelentes retratos.