NOTA: A expressão «colapso do dólar» para exprimir o fim da sua hegemonia no comércio mundial e também enquanto divisa de reserva nos bancos centrais de todo o mundo, pode ser mal entendida. Se a assimilamos a uma condição humana letal, como um «colapso cardíaco», por exemplo, vai parecer um exagero. De facto, a escala do fenómeno é totalmente diferente de episódios da saúde humana. Deveria ser vista como um processo geológico, muito rápido na escala geológica, mas que pode demorar dezenas de anos e cujos prazos de início e de término, são difíceis de estabalecer. O dólar ficou «a descoberto» a partir da declaração de Nixon, em 15 de Agosto de 1971, segundo a qual o dólar US deixava de estar garantido em ouro. O presidente dos EUA invalidava assim unilateralmente o acordo internacional de Bretton Woods de 1944. Nesta ocasião, transformou o dólar e todas as outras divisas, que estavam explicita ou implicitamente adossadas ao dólar, em divisas «fiat».Desde então, era previsível que esta retirada unilateral fosse fatalmente desembocar numa grande crise, que estamos a viver agora. Ela tem uma componente monetária, financeira, económica e política... Ou seja: é uma «crise sistémica» de primeira grandeza. Mas, já passaram quase 55 anos desde a declaração fatídica de Nixon!
A reciclagem dos petrodólares tem sido o fundamento para a financiarização e instrumentalização do comércio de petróleo. A estratégia imperial tem sido a de isolar países que não aderem à «ordem baseada em regras», que não são reais, mas simplesmente uma imposição arbitrária dos EUA.
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sábado, 28 de março de 2026
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