Mostrar mensagens com a etiqueta Moçambique. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Moçambique. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

HISTÓRIA GENÉTICA DE PORTUGAL


 

 

Ver: «Pátria Reencontrada» inédito de 1984 (Obras de Manuel Banet) (*)

(*) Esta recolha de poemas, escritos por ocasião dos dez anos da revolução do 25 de Abril de 1974, traduz a ideologia humanista, tolerante, abarcando as componentes da formação de Portugal, que incluíram os mouros e os judeus, sendo depois espalhadas pelos marinheiros e soldados que, nas caravelas, atravessaram oceanos e percorreram terras desconhecidas dos europeus, desde antes de 1500. 
Em paralelo, surgiu uma contradição fatal para o próprio devir da nação portuguesa. Alastrou o veneno racista, a «linhagem pura», a não «contaminação do sangue» e tudo isto misturado com intolerância religiosa e cultural. 
O 'grande mistério' de Portugal - muito para além das composições genéticas das suas gentes - é que, afinal, muitos aventureiros-soldados (como Camões) e marinheiros que sulcavam os mares, eram homens que o próprio poder real não queria. Muitos eram «cristãos-novos», convertidos superficialmente ao catolicismo, que - em segredo - continuavam fiéis à tradição do Judeísmo;  outros eram mouros convertidos (à força) ao catolicismo... Alguns eram cientistas, como Garcia  da Orta, cujo pensamento e prática científica eram modernas, embora teorizadas somente cerca de um século mais tarde, na Europa do Norte. A preocupação destas pessoas não residia na «pureza da raça», mas em como escapar das garras da Inquisição, que os queria «purificar» a ferro e fogo. 
Navegar era uma aventura arriscada, nesta época. O importante era a fidelidade ao capitão do navio e a solidariedade entre membros da equipagem. A superestrutura da «religião cristã» era apenas um signo identificador face a outras gentes, às culturas totalmente estranhas aos europeus. 
Foram portugueses os europeus que primeiro chegaram ao Japão e a muitas das ilhas que hoje são parte da Indonésia. 
Foram portugueses que se cruzaram com os povos indígenas, em todos os sítios onde estiveram, de modo mais ou menos permanente, do Extremo-Oriente ao Brasil, passando pelas costas de África. Estes cruzamentos traduzem-se pela presença - hoje - de genes de origem portuguesa nestas populações. 
Também em Portugal continental e insular de hoje, existe uma diversidade genética muito maior que nos povos da Europa Central e de Leste. 
Os povos que estiveram em contacto com os portugueses, conservam ainda a memória cultural desse intercâmbio. Por exemplo, em vários países do Extremo-Oriente, a palavra «pan», ou pão, designa um bolo feito de cereais. Existem muitas outras peculiaridades de culinária, bem vivas em Portugal, como as especiarias utilizadas generosamente... a canela, a pimenta, o cravinho da Índia, o açafrão... 
Durante o salazarismo, o Estado Novo adotou uma posição "paternalista" em relação às etnias que viviam sob o seu jugo colonial, apenas em termos discursivos. As palavras bonitas ocultavam a exploração cruel e a discriminação racial extrema, nas colónias. 
Continua a haver nalguns meios, em Portugal, uma ideologia  de extrema-direita, de «superioridade» da "raça portuguesa", um conceito meramente ideológico, pois a diversidade genética do povo português é uma das suas características mais salientes. É de todo impossível definir uma «raça portuguesa». É somente uma ideologia que se perpetua pela ignorância, tanto da História, como da Biologia.
 Penso que as ideias retrógadas se combatem mais com factos do que com teorias; e ainda menos, com atos violentos.