sexta-feira, 30 de setembro de 2016

DEBATE «25 ANOS DA QUEDA DA URSS» NA FÁBRICA DE ALTERNATIVAS

                  25 Anos da queda da URSS

Pelas 18:30 de Sábado, dia 1 de  Oubruro de 2016. 

Entrada livre. 

Haverá um jantar vegetariano a seguir [inscrição para o jantar até 30-09]

 email: fabrica.de.alternativas@gmail.com 


A Fábrica de Alternativas já é conhecida de muitos pela qualidade de seu trabalho em prol de uma cultura descomprometida com os poderes, feita em autogestão e cooperação entre todos os elementos da comunidade e aberta a todas as boas-vontades, independente - portanto-  de agendas partidárias e políticas. 

Penso que este conjunto de características permitirá um debate sereno e rico sobre assunto da mais vasta consequência na História contemporânea, com repercussões nas vidas de todos nós, até ao presente. 
Podemos debater sem preconceitos, nem desejos de afirmação dos egos, apenas com a vontade de partilhar e escutar. Assim também estaremos todos construindo uma cultura de diálogo e tolerância. Todas as opiniões são livres de se exprimir, desde que se exprimam dentro dos limites da cortesia e do civismo. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

WITH SO MANY REASONS WILD [do album JOAN BAEZ/5]






... E surgiu uma voz que iluminou os palcos, mas sobretudo os espaços livres, os espaços públicos.

Era uma voz aguda, cristalina, sem afetação, com a segurança e expressividade de alguém com perfeita formação vocal. 
Em 1964-65 era simplesmente outra coisa, não era folk, não era clássico, não era blues, nem pop. Era simplesmente Joan Baez. 

Surgiu, como por encanto, na minha vida, como na vida de muitos milhares de jovens dos anos sessenta. Sempre me acompanhou na minha vida, o disco agora reproduzido; pelo menos, na minha memória auditiva. 

[Os ruídos parasitas, que são típicos dos discos de vinyl usados, não anulam a nossa capacidade de avaliar as qualidades quer da voz e acompanhamento, quer da composição musical e letra!]

[Fui buscar à Poetry Foundation a  balada de Lord Byron, parece-me que é uma versão ligeiramente diferente da cantada pela Joan Baez, mas gosto de ambas!]

So We'll Go No More a Roving

Related Poem Content Details

So, we'll go no more a roving 
   So late into the night, 
Though the heart be still as loving, 
   And the moon be still as bright. 

For the sword outwears its sheath, 
   And the soul wears out the breast, 
And the heart must pause to breathe, 
   And love itself have rest. 

Though the night was made for loving, 
   And the day returns too soon, 
Yet we'll go no more a roving 
   By the light of the moon.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

CÂNTICO DO OUTONO

Tchaikovsky autumn song
                                     

Era uma vez no Outono e a erva estava húmida. 

Os pássaros cantavam, mas o canto já se fazia tímido, como que sabendo do invernal frio vindouro.

Quando despertei dentro da toca - enganado pelos odores do bosque - era outono e não primavera...

A luz tamisada pela folhagem oferecia-me poeira d'ouro manchado de ruivo 

E, nas manhãs, serenas e tristes, arrastavam-se nuvens pelo horizonte vermelho e chumbo.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

ECONOMIA LOUCA

«QUANTITATIVE EASING», «TAXAS DE JURO NEGATIVAS» E «QUANTO PIOR, MELHOR» 



POUCAS VEZES TENHO OUVIDO UM DISCURSO MAIS CLARO SOBRE O ESTADO DA ECONOMIA NOS EUA E NO MUNDO.
Curiosamente, o Prof. Richard Wolff, economista marxista, apresenta um ponto de vista claramente de «esquerda» e anti-capitalista e corresponde em parte à análise dos que estão bastante à direita, os libertarianos, que de facto terão mais tendência para votar Trump.
ESTAMOS TODOS REFÉNS DUM MUNDO CAPITALISTA ENLOUQUECIDO, DUMA CRISE CAPITALISTA GLOBAL, SEM ESPERANÇA DE UMA QUALQUER MUDANÇA REVOLUCIONÁRIA. APENAS PODE HAVER UM REFORÇO DO AUTORITARISMO, PELO MENOS NO CURTO-MÉDIO PRAZO.

24-09-2016: Sessão de lançamento dos "cadernos selvagens" Nº3 + Texto de Naná Rebelo



Por ocasião do terceiro número dos «Cadernos Selvagens» realizámos uma sessão na Fábrica de Alternativas em Algés, no Sábado 24 de Setembro. 
Nesta, foram lidos textos meus e de Naná Rebelo, selecionados de entre os publicados no Nº 3 dos referidos cadernos. 
A discussão geral, com cerca de 15 pessoas presentes, foi animada e participada
Os participantes foram encorajados a enviar-nos (por e-mail) originais que queiram publicar, sejam de poesia, contos, reportagens, etc. Ficou também decidido que os cadernos (em versão pdf) serão afixados na página facebook da «Fábrica de Alternativas». 

O texto abaixo, de autoria de Naná Rebelo, apareceu nos «Cadernos Selvagens nº3». Não resisto a transcrevê-lo no meu blogue.  


Do cadeado e da sua morte

Superar, ultrapassar os limites, ser forte, ser mais forte, sorrir, abraçar, amar, amar-se. Estes são os slogans que encontramos ao virar de uma qualquer esquina virtual, no percurso da nossa vida.
É curioso como é fácil banalizar a força interior que cada pessoa possa ter, como se de uma qualquer receita se tratasse. Este é o poder das redes sociais, aquilo que eu chamo o muro das lamentações do século XXI. Um autêntico prêt-a-porter de emoções.
O passar de páginas inteiras com comentários tipo anúncio, do género «se eu não gostar de mim, quem gostará?» ou, «só sabes a força que tens quando mais nada te restar senão ter força». Podia ficar por aqui com um sem número de exemplos semelhantes, mas a redundância não é a minha figura de estilo favorita.
Pergunto-me diversas vezes, o que procuram as pessoas numa rede social? O que as move na decisão de criar uma página pessoal no meio tão inóspito que é a Internet? E digo inóspito porque é minha convicção que o é de facto. A Internet não é o nosso bairro, a nossa escola, a nossa família, os nossos amigos. A Internet é o mundo inteiro, a praça pública da aldeia global, onde todos se podem permitir dizer tudo o que lhes vai na alma, onde todos podem assumir uma qualquer personagem, onde todos podem saber tudo o que cada um quiser mostrar, literalmente, onde todos podem criticar, ser criticados, sem apelo nem agravo, onde espreitam perigos de toda a espécie para os mais incautos. Querem um meio mais inóspito que este? Mas atenção, mea culpa, que eu também faço parte do grupo e gosto!
Voltando à questão, o que as move, o que faz com que exponham a sua vida, por vezes ao mínimo detalhe, num sítio assim?
Lembro-me do tempo sem telemóveis, sem Internet, onde tudo acontecia como e onde tinha de acontecer, sem que o mundo inteiro soubesse. As acções ficavam no seio de quem as praticava.
Nesse tempo corria-se menos, falava-se mais, lia-se mais, escrevia-se mais. E este é o ponto, para mim, fulcral de toda esta conversa. Escrevia-se mais. Escreviam-se cartas, de amor e das outras, escreviam-se postais ilustrados nas férias para enviar aos amigos, à família. Também se sentia a solidão, também se escolhia um amigo para desabafar as mágoas mas, sobretudo, existia uma coisa chamada diário que servia de repositório de emoções, ao mesmo tempo que se descreviam os acontecimentos que as desencadeavam, ou vice-versa.
Eu nunca tive nenhum, embora sempre tivesse tido esse desejo. Lembro-me de os ver nas montras das papelarias, lindos, maiores ou menores, mas sempre com um cadeado e ficava fascinada. Para mim esse era o grande mistério dos diários: o cadeado! - Porque têm um cadeado, Pai? – Porque ali se escrevem coisas pessoais, coisas que só dizem respeito à pessoa que escreveu e que não se quer que mais ninguém leia.
Naquela altura, a resposta do meu Pai ainda aguçou mais a minha fantasia. Eu tinha de ter um diário. A vida não era fácil e as hipóteses de ter um, daqueles com cadeado, era remota, por isso improvisei. De um caderno escolar novinho em folha, fiz aquele que seria o meu 1º diário. Colori a capa, colei uns bonecos e acrescentei uma fita de ráfia que atava sempre, cuidadosamente, após cada acontecimento que ali descrevia. Era o meu cadeado e eu acreditava que era tão inviolável como os verdadeiros.
Hoje, sabemos, esse mistério fascinante morreu. Acabaram-se os segredos, tão nossos, acabaram-se os cadeados, improvisados ou não.
Mas aquilo que o meu Pai me disse naquela altura «Porque ali se escrevem coisas pessoais, coisas que só dizem respeito à pessoa que escreveu e que não quer que mais ninguém leia.», nunca me saiu da cabeça. Continuo a tentar perceber porque tudo isso acabou. E vou descobrindo, aos poucos.
Sem querer cair em lugares comuns e psicologia de cordel, acabou do mesmo modo em que as crianças deixaram de brincar na rua com os amigos; já não jogam aos «polícias e ladrões», nem ao berlinde, nem ao peão. Deixaram de esperar que as mães os chamassem para ir lanchar, que depois sempre podiam voltar à brincadeira. Passaram a “barricar-se” nos respectivos quartos a jogar consola e a comer as sandes ao mesmo tempo, atabalhoadamente, para não perderem “vidas” nos jogos. Deixaram de brincar com os amigos de sempre, deixaram de socializar, de dar o 1º beijo às escondidas atrás de um arbusto qualquer.
Começaram a crescer à frente do monitor de um computador, deixaram as consolas e começaram a namorar à distância, que o 1º beijo, esse chegaria de uma qualquer maneira bizarra, sem aquela atracção de antes, mas com a mesma curiosidade do proibido, tantas vezes decepcionante.
Assim têm vindo a crescer várias gerações, que hoje são pais e adoptaram precisamente o mesmo estilo de “convívio”. É o progresso, dizem, fazer o quê? Adapta-te ou morre…
E foram-se perdendo valores, como quem não quer a coisa. Perderam-se os amigos reais e ganharam-se milhares de “amigos” virtuais. Agora contam-se os amigos das redes sociais, quantos mais melhor (?) e diz-se à boca cheia que se é amigo do Brad Pitt ou de uma qualquer outra estrela. E vai-se alimentando assim a auto-estima.
E depois, quando finalmente se desliga o computador, vai-se dormir a pensar em que frase bombástica se há-de iniciar a nova sessão. Ler? Só se for para retirar alguma ideia passível de aprovação no próximo post.
Mas a próxima sessão tem imensos desafios e a adrenalina sobe quando se vão vendo as repercussões que teve o tal post. Afinal não agradou a todos! Agora demos largas à imaginação, ou falta dela, para defender a camisola. E vêm os “gosto disto” e vêm os insultos e lá se foi a glória. Mas há sempre a escapadela de ir ver quem faz anos, de entre as centenas de amigos e dar muitos parabéns a quem não conhecemos de lado nenhum ou, se conhecemos, nem nos lembraríamos, não fora o aviso dos aniversários do dia.
Depois vêm as lamentações do que correu mal ou a euforia do que correu bem. E aqui entram os tais “segredos” que outrora estavam bem guardados no tal diário do cadeado.

Agora já não há nada a esconder e também não há o mínimo interesse nisso. Agora queremos que o mundo saiba que afinal já não se está numa relação e que fomos comemorar com pataniscas ao jantar, com a inevitável fotografia do repasto.
Assiste-se ao «show» dos treinadores de bancada e não é só de futebol que falo. Há especialistas em todos os assuntos. Fazem-se revoluções virtuais, incitam-se as massas, trocam-se insultos da esquerda à direita, criam-se grupos de banalidades e outros de utilidades e assim se vão preenchendo momentos de solidão.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ANTIBIÓTICOS E RESISTÊNCIA BACTERIANA: UMA HISTÓRIA MUITO MAL CONTADA


Num universo dominado pelo fenómeno mediático, é necessário recuar e tomar uma perspetiva histórica, para reenquadrar tudo aquilo que se diz e comenta num dado momento sobre algum fenómeno, seja ele económico, político, de sociedade ou de saúde pública.
Fala-se muito agora de aparecimento de estirpes de bactérias resistentes aos antibióticos, porquê?
Faz muito tempo que na comunidade científica e médica se sabia deste fenómeno e se alertava os poderes públicos para os perigos da distribuição indiscriminada de antibióticos.
Agora, o motivo por detrás da campanha da ONU e OMS parece ser o facto de as grandes farmacêuticas acharem que não vale a pena investirem biliões em investigação para descobrirem e desenvolverem novos antibióticos. Elas próprias se especializaram no passado a promoverem a utilização, a propósito e despropósito, dos referidos antibióticos que comercializavam… que ironia!
Têm na manga «novos» tratamentos, por exemplo, os fagos: os bacteriófagos são um tipo de vírus específico de bactérias; existem muitas estirpes de fagos capazes de atacar determinadas bactérias, com exclusão de todas as outras. Isto é uma possibilidade de tratamento para pessoas padecendo de infeção com bactérias multirresistência a antibióticos.
Já se conhecia o potencial terapêutico concreto dos fagos desde há uma data de anos!



Já se discutia  na comunidade científica a possibilidade de sua utilização terapêutica, quando se começou a usar esses fagos como ferramentas, na nascente engenharia genética, por volta dos anos  1970, quando apenas se utilizavam as bactérias para clonar genes…
Não apenas a indústria farmacêutica é culpada por disseminar resistências bacterianas aos antibióticos, pela sua agressiva propaganda nos meios médicos e na população em geral, também as profissões médicas, veterinárias e agricultores contribuíram para isso:
Há cerca de meio século descobriu-se que o gado ao qual era administrado antibiótico (neste caso, para tratamento de infeções), tinha um crescimento mais rápido. 
Explica-se o fenómeno pela presença de um ecossistema no aparelho digestivo – o microbioma – cujo equilíbrio é rompido pela adição de antibiótico, dizimando alguns grupos de bactérias, enquanto poupa outros. 
Assim, nas vacas tratadas a antibiótico, «sobravam» mais ácidos gordos voláteis – produtos da fermentação bacteriana que ocorre principalmente no rúmen:
Isto, porque as espécies de bactérias consumidoras desses mesmos ácidos gordos, eram dizimadas, mas não as bactérias que as produziam. Estes ácido gordos voláteis são absorvidos pela parede do rúmen dos animais e são efetivamente o alimento direto dos ruminantes. Tinham portanto maior quantidade de nutriente por certa quantidade de ração, logo cresciam e aumentavam de peso mais depressa.

Toca a dar a todo o gado – doente ou não- doses de antibióticos, o que fazia com que nestes houvesse as condições ideais, especialmente nas concentrações industriais para produção de leite ou carne, para a seleção e propagação de estirpes resistentes aos antibióticos. 



Graças à criação industrial de gado, tivemos assim a formação dos primeiros «monstros», muito antes de haver «engenharia genética»! Tanto assim, que não foi preciso esperar pelos anos 70 para se ver surgir- na população humana e muito em especial, nos hospitais - as primeiras estirpes de bactérias patogénicas resistentes a certos antibióticos.
Existem estirpes de bactérias patogénicas e resistentes aos antibióticos e estas tornaram-se um grave problema de saúde pública: isto é consequência direta das indústrias farmacêutica e de criação de gado, com a conivência de profissionais de saúde (médicos e veterinários), terem promovido a utilização abusiva destes medicamentos «milagre», que tinham aparecido nos finais da II Guerra Mundial…
Agora, essa mesma indústria, servindo-se da OMS (Organização Mundial de Saúde), propaga uma visão muito mais moderada sobre a utilização dos referidos antibióticos. Só que propaga esta sabedoria após ELA PRÓPRIA ter sido a instigadora e conivente do uso desbragado e totalmente abusivo dos referidos antibióticos, sabendo pertinentemente que essa irresponsável utilização iria propagar as tais resistências! Agora, que os seus antibióticos perdem a eficácia que tinham há 30 ou 40 anos atrás, propõem «novas» soluções terapêuticas, que custarão muito mais caro, mas que serão eficazes, durante algum tempo, como é o caso dos referidos fagos, ou de outras soluções…
Cada vez mais, me viro para soluções naturais e preventivas, não descurando porém o que a ciência tem trazido de bom. Nomeadamente, os pró bióticos são «medicamentos naturais», sem efeitos secundários graves, que repovoam o intestino, com estirpes de bactérias benéficas. Estas impedem a colonização do nosso tubo digestivo por outras, eventualmente patogénicas, além de nos fornecerem substanciais quantidades de vitaminas, que teriam de ser obtidas por alimentos caso não tivéssemos essas bactérias no intestino. Eu decidi-me, desde há algum tempo, a tomar diariamente pelo menos um iogurte natural* (sem adição de açúcar ou de natas). 
Realmente, tenho-me dado muito bem com isso! Prevenir em vez de remediar!
Se tiver mesmo que tomar antibióticos, irei provavelmente complementar essas tomas quotidianas de iogurte, com um reforço de bactérias e leveduras liofilizadas (designadas por pró bióticos), que se vendem, livremente, sem receita médica, nas farmácias ou nos hipermercados...


(*) Este iogurte quotidiano tem bactérias vivas que vão colonizar o nosso intestino. Apesar de muitas das bactérias ingeridas serem mortas durante a digestão, algumas sobrevivem e essas são suficientes para se instalarem e colonizarem o nosso intestino, contribuindo muito positivamente para as etapas finais da digestão, fornecendo quantidades não desprezíveis de vitaminas e sobretudo ocupando «espaços ecológicos», ou «nichos», que de outra forma poderiam ser ocupados por bactérias patogénicas.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

AOS MEUS AMIGOS DE ESQUERDA...

O IMPOSTO SOBRE PATRIMÓNIO IMOBILIÁRIO DITO DE 

«LUXO» É UMA MENTIRA!


A causa apontada deste imposto é «fazer pagar os muito ricos»:
 mas os muito ricos têm o seu capital principal em off-shores! 
Em Portugal, os bancos TODOS proporcionam a quem tiver muito dinheiro (não importa como foi enriquecido!) abertura de contas em «filiais» nos diversos «paraísos fiscais». 
Deixem-se de fitas, este imposto destina-se a tapar à custa dos tostões da classe média (sempre ela) os buracos deixados nas contas públicas pelos dinheiros dos contribuintes INVESTIDOS em salvar os bancos, enquanto os responsáveis pelas suas atividades criminosas nem sequer têm qualquer mandato judicial. 
Ai, que triste país este!



POLÍTICA DE VERDADE APLICADA AO IMOBILIÁRIO 

SERIA ISTO: 



Precisamos de uma verdadeira lei do imobiliário social. Uma lei que puna os que deixam ao abandono casas, prédios inteiros, terrenos urbanos. Eles pagam quase nada de IMI e vão continuar a pagar quase nada, de acordo com a proposta de lei em discussão. 
O que precisamos é de uma lei que diga: ou restauram e põem no mercado de renda ou venda, ou estes prédios abandonados são expropriados pela autarquia. 
Tínhamos uma data de obras com consequente reabsorção do desemprego operário! 
Pensem nisso!

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

APRESENTAÇÃO DOS «CADERNOS SELVAGENS» Nº3

SÁBADO 24 DE SETEMBRO PELAS 18.30. 

(HAVERÁ JANTAR VEGETARIANO A SEGUIR - PRECISA SE INSCREVER EM FABRICA.DE.ALTERNATIVAS@GMAIL.COM)



Apresentação dos Cadernos Selvagens nº3

Na sequência da apresentação do 1º Nº dos Cadernos Selvagens – A Grande Ilusão, de Manuel Banet Baptista, e do debate sobre o tema «Escola sem Muros», em que também participou o João Mendes, a Fábrica de Alternativas vai servir de palco para a apresentação do Nº 3 dos Cadernos Selvagens.

Nesta edição, há rubricas tão distintas como contos/crónicas, prosa poética ou reflexões, que, sem pretensiosismo, queremos partilhar convosco.

O Manuel Banet Baptista, a Naná Rebelo e o João Mendes, co-autores desta edição, lançam-vos este desafio de falar “à desgarrada” e podem sair conversas interessantes, em jeito de tertúlia. Pese embora o facto de que as tertúlias estão na moda, e nós por cá não gostamos muito de modas, faz sempre bem a partilha de ideias e dar vida ao ditado que diz «as conversas são como as cerejas».

Venham ouvir contos, venham trocar ideias, venham participar no fabrico de novas ideias.

Às 20 horas haverá jantar vegetariano. Reservas para o mail
fabrica.de.alternativas
até sexta-feira dia 23.







domingo, 18 de setembro de 2016

MANUELA CARMENA: "UM ERRO É TAMBÉM APRENDIZAGEM"


«Gosto muito de falar de que os sucessos nascem sempre de erros...Não existe nada que acerte logo à primeira no alvo; temos de nos habituar à ideia de que em política temos de trabalhar com o erro e o sucesso. No entanto, habituaram-nos a um discurso político que vê o erro como um fracasso. Não; um erro é uma aprendizagem, também na política.»

Manuela Carmena, presidente do Município de Madrid

A ENTREVISTA «VALE O SEU PESO DE OURO», APENAS RECOLHI ESTAS PALAVRAS OU «PEPITAS» DE SABEDORIA ACIMA PARA INCITAR O LEITOR A VÊ-LA E OUVI-LA NA ÍNTEGRA...

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

REPRESENTAÇÃO DO CORPO HUMANO NA ARTE


As proporções do corpo humano devem ter interessado a humanidade desde tempos imemoriais. 
No entanto, a partir das primeiras civilizações, Suméria, Babilónica, Egípcia e Grega… formam-se cânones, os quais correspondem a uma forma estilizada e ideal do corpo.
Nomeadamente, o tamanho da cabeça em relação ao corpo costuma seguir uma proporção de 1:8 no homem adulto

                    

Porém, no bebé recém-nascido, essa proporção corresponde a 1:4.
A representação do recém-nascido ou do bebé de poucos meses, na pintura medieval, não obedece à proporção «natural». Porém, custa-me a acreditar que se trate de ingenuidade, de falta de rigor (na observação e no desenho) ou mesmo de indiferença da parte dos artistas dessa época.

Penso que se trata antes de uma escolha deliberada, na medida em que estão representando o sagrado, o Deus feito homem, no corpo de Jesus Cristo.                                      
Segundo a sua simbólica, os personagens mais importantes deviam ser representados com dimensão maior, independentemente das leis da perspetiva (que não ignoravam, mas que eles, simplesmente, não aplicavam na representação do sagrado).
Dentro da mesma lógica, o Deus-menino tinha de ter as proporções perfeitas, porque o seu corpo era o corpo de Deus feito humano.
                                 
«A Virgem com o Menino», da Basílica de Santa Sofia de Istambul (século IX) apresenta-se sentada num trono, com um «menino» que é uma imagem de adulto em ponto pequeno.
Os estudos de anatomia de Dürer e de Leonardo da Vinci, para apenas citar dois grandes mestres, eram de excecional qualidade e suas observações continuam a ser estudadas, no que toca à representação do corpo humano, por estudantes de artes plásticas.
          

Por muito originais que fossem, eles não eram os únicos que se dedicavam a estudar as proporções do corpo humano. Eram típicos da época (finais do Séc. xv, início de Séc. xvi), em que houve um grande movimento de interesse pela realidade e pelo rigor na representação do corpo humano.
O realismo surge na pintura ocidental, inicialmente pela emulação em reproduzir as obras clássicas - gregas e romanas - o cânon correspondente. Mas depois, emancipa-se dessa  filiação clássica….
O francês Georges de La Tour é cerca de um século posterior a Dürer e Da Vinci - ele tem uma preocupação muito grande de representar a verdade dos corpos, de forma anatomicamente correta.

Não só o bebé tem - de facto- as características anatómicas dum recém-nascido (enfaixado, como era hábito na sua época), como a mãe que o segura, pode ser  simplesmente uma camponesa, mesmo que façamos a leitura da Virgem Maria com o Menino Jesus.


Mas o maneirismo e o início do barroco, sobretudo na península Ibérica, elegem a deformação ou alteração das proporções como forma de exacerbar um efeito.    
                        
 Este alongamento é mais patente em El Greco (em finais de séc. XVI e no início do Séc. XVII). Porém, é também muito frequente na mesma época, nos  grandes espaços de palácios e igrejas: estes espaços possuem grandes frescos, visíveis duma determinada perspetiva, em geral de baixo para cima, como é o caso dos tetos e paredes altas. Nestes casos, a forma tem em conta o efeito de perspetiva, mas também o acentua por vezes, para dar um efeito em «trompe l’oeuil». 
O maneirismo e o barroco (final do séc. XVI e primeira metade do século XVII) foram exatamente os períodos em que se procurou uma expressividade nos corpos, não apenas nas suas posturas, como também na alteração das suas proporções. Estas representações eram vistas como verdade mística, moral e subjetiva, acima das proporções puras ou clássicas da anatomia.
Pela segunda metade do século XVIII, este modo de representação exacerbado vai corresponder ao estilo rococó.
O classismo, que se lhe seguiu, corresponde a uma reação de retorno ao cânon clássico, no último quarto do século XVIII, o qual se prolonga até ao século XIX, com o gosto napoleónico pelos modelos do Império Romano.
                   

Só no início do século XX, com o cubismo, o expressionismo, o modernismo e várias estéticas em concorrência, nas diversas vanguardas que se sucedem, tomam os artistas grandes liberdades em relação às proporções do corpo humano e em relação às leis da perspetiva. 
                                                                 






Essa mudança radical na representação é muito influenciada pela «descoberta» e admiração da arte dita primitiva (arte dos povos de África, América e Oceânia, principalmente).

                  



domingo, 11 de setembro de 2016

O IMBRÓGLIO APPLE - IRLANDA




Como é que a Apple acaba por ser taxada com uma astronómica soma devida por impostos atrasados e seus juros?

Simplesmente porque a Irlanda, desleal em relação a seus parceiros da EU, aceitou que a Apple fosse considerada como «não residente» para efeitos de impostos, mas mantendo-se como «residente» no que toca a recebimento dos lucros de todas as suas sucursais europeias. 
- Assim, a Apple, com a colaboração da Irlanda, teve de pagar  apenas 0.04%  (sim!) da exportação dos seus lucros, em vez de 12.5%! 

Mas, como de costume, a media corporativa, em vez de nos dar os factos, os duros factos, vem com manchetes sensacionalistas, para  nos vender essas pseudonotícias que apenas são a espuma dos dias, mas que têm como efeito pernicioso e desejado justamente… a ocultação dos FACTOS!

… Aprendi a realidade do enredo Apple-Irlanda ouvindo o excelente show do «Max Keiser report», na RT.


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

ALEGRIA DE VIVER - piano e percussões com Yuja Wang e Martin Grubinger




Ritmo, verdadeiro ritmo, percussão criativa, fusão de músicas do mundo e tudo isso na perfeição! 


A POESIA ESTÁ NO OLHAR



Meu tio-avô, Édouard Honoré Gandon, pintou este quadrinho, talvez por volta dos anos 50, do século passado. Ele tem-me acompanhado, como que a lembrar-me, permanentemente, como são maravilhosas as coisas mais simples: 
- Repare-se nesta fruta, um tomate e uma maçã, um copo de vinho tinto e uma toalha branca parcialmente arredada... Tudo o que há de mais banal, porém, como não ficarmos maravilhados perante tanta arte? 
- É que ele nos diz - ontém, hoje e sempre - que as coisas mais simples são as mais belas... e que as coisas às quais não damos grande importância, as coisas familiares, banais, podem ser fonte de uma inesgotável soma de prazeres. 
- Afinal, o que diziam os epicuristas? Para Epicuro, pão, umas fatias de queijo de cabra e uns copos de vinho, eram a substância do melhor banquete. Nada mais do que isto como manjar do corpo.   Quanto ao espírito, a companhia de amigos com uma conversa animada e agradável, enquanto comemos... que mais queremos nós da vida? 


Não podia estar mais de acordo com Epicuro, tanto mais que a filosofia silenciosa dos quadros de Édouard Gandon me tinham preparado, desde pequeno, para o prazer das coisas mais simples, do nosso entorno mais banal. 
É pela educação do olhar que ocorre a interorização da noção de belo e portanto, da beleza que existe no nosso entorno imediato. 
A beleza está afinal NO OLHAR. Está DENTRO. Nós somos a beleza do mundo, porque - na verdade - é nosso olhar que lhe confere beleza. A beleza não reside nas coisas, nos objectos, mas antes na nossa visão. 
Haverá maior consolo? Se compreendemos isto profundamente, veremos como a nossa vida se vai transmutar, mas sem ruído, sem espalhafato. As coisas simplesmente estão, existem por si próprias. 
Tenhamos então a sabedoria de ser COMO AS COISAS QUE VEMOS.

Por volta de 1984, no volume  de poemas «Estórias de Estar e de Ser», refletia sobre uma FILOSOFIA POÉTICA DO OLHAR.
Abaixo, dois textos do referido volume:


COISAS

 Agora sei que nada me move.
... o que se me afigura passível de explicação:

             Primeiro, devemos dizer que de nada vale contemplar o voo das aves se a sua nomeação fizer com que esqueçamos este simples facto: os objectos, as coisas, são.
             Segundo, devemos considerar que o nosso olhar reflecte os contornos pela luz que recebe e quem diz luz, diz sombra.
             Terceiro, não precisamos de filosofar a evidência do nosso olhar porque sabemos que é subjectivo e – logo – fugaz.
             Quarto, de bem pouco nos custa cerrar os olhos do espírito ao que nos cerca, para que não restem dúvidas de que “só vemos o que queremos ver”.

Agora sei que as coisas se movem.

           ... O meu espírito está dentro da sua gruta e olha para o exterior:

 Se as ideias fossem anteriores às imagens, nunca saberíamos distinguir uma árvore, concreta, real, da ideia de árvore, abstracta, metafísica.

Se as imagens não fossem, por virtude do espírito, transponíveis em ideias, que cego poderia jamais aprender?

Se as coisas ficam quando me ausento de sua presença, então não posso dizer que não existem independentemente de mim próprio.


(Mas então... para que certeza caminho, se a dúvida se instala a par e passo do meu passeio através do mundo das coisas?)



  


ESTAR


Estar atento ao ouvido do vento.
Estar nas horas de se perder o tempo na memória do ser.
Estar por debaixo da pele ou estar em posição horizontal ... de qualquer forma, estar em si.
Entende mais o silêncio quem vence o medo de Estar.
Não colhe os frutos verdes quem está deitado sobre nuvens.
Quem colhe os frutos verdes em cima do soalho azul, pode vir em Novembro, Janeiro ou Abril ... mas estará sempre prestes a nascer.
Estar no berço de espuma, por cima do ruído, em troca de um poema.
Estar em configuração astral dos olhos pouco fixos.
Estar no entrecruzar do desejo, sem que suba da carne o relento sofredor.
Estar como maresia e como urze.
Estar em fiel dissonância com o resto do Capítulo Social.
Estar ouvindo as pancadas das artérias, ouvindo o fluxo do sopro, ouvindo o caminhar do cristal.
Estar no centro ou estar na periferia, em todo o lado por onde se caminha, estar centrado.
Estar para si, nos outros, estar nos outros para os outros.
Estar ausente, mas por amor do presente.
Estar na dádiva da flor ou do insecto.
Estar na estação de mover as mós do rio, de colher os frutos das árvores, de estancar a sede dos poços,
Estar a si mesmo
Estar a sua estanquidade
Estar o Ser.






  









quinta-feira, 8 de setembro de 2016

REFLEXÃO SOBRE UM QUARTO DE SÉCULO DE ALHEAMENTO E O FIM DA URSS


Faz, por estas alturas, 25 anos que ruiu o império soviético.

O seu ocaso estava já bem visível mais de uma década antes, quando visitei a Polónia pela primeira vez, em 79 e verifiquei a vivacidade do movimento clandestino Solidarnosc.
Testemunhei que se tratava de muito mais do que uma onda passageira devida à eleição do papa João Paulo II. 
Porém, quando regressei a Varsóvia no ano seguinte, em 80, fui surpreendido pela amplidão e profundidade da revolução pacífica, que começou com a greve nos estaleiros de Gdansk em 1980. Este acontecimento iria inaugurar uma era de mudanças.
Tal como a Primavera de Praga, de 68/69, esta abertura seria fechada brutalmente pelo golpe militar do interior do próprio regime, liderado pelo general Jaruzelski.
Porém, as circunstâncias eram outras, diferentes da Checoslováquia, que eu tinha visitado, onde a opressão do partido «comunista» era bem visível em 75, nas ruas engalanadas com enormes dísticos vermelhos e dourados em louvor da ditadura do proletariado, no medo dos cidadãos em falar com os turistas e da omnipresença da polícia, em uniforme ou à paisana, em todo o lado.  
O triunfo do Solidarnosc acabou por ocorrer, poucos anos depois do golpe autoritário de Jaruzelki. Era o evidente sinal do fim da hegemonia soviética sobre os países do Leste europeu.
A tragédia de Chernobyl foi o seu golpe de misericórdia: este acidente nuclear numa zona da Ucrânia que ficou completamente inabitável e contaminou vastas zonas da Europa do Norte e do Centro, não foi apenas uma tragédia humana e ecológica, mas também uma tragédia política para os dirigentes soviéticos. Com efeito, a impossibilidade de funcionamento do regime tornou-se patente, visto que na génese deste acidente houve uma série de incompetências «convenientemente» ocultadas.
O regime soviético estava exausto pela guerra do Afeganistão, o «Vietname» soviético. Estava a ficar para trás na corrida aos armamentos face a um bloco Ocidental mais dinâmico e capaz de maior investimento na investigação estratégica de ponta. Para cúmulo, observava impotente a erupção de revoltas nos seus vassalos dos países do Pacto de Varsóvia. Em breve, outros povos tomariam o exemplo da Polónia, como foi o caso da Roménia e, por fim, da Alemanha de Leste, com a queda do muro de Berlim, em 89.
Não creio que devamos chorar pela queda da nomenklatura da URSS e países satélites. Mas, nem por isso ficamos felizes pela ascensão ao poder de uma outra cleptocracia, a das privatizações e das suas máfias.
A grande mentira do «comunismo» ou «socialismo» tinha historicamente que acabar. Mas este engano monstruoso, esta deturpação vil de ideais, muito válidos em si mesmos, não podia ser explicado por quase toda a esquerda ocidental. Ela estava infelizmente habituada a «fechar os olhos» aos sinais inquietantes que vinham constantemente mostrar que o tal «socialismo real» embora muito «real» não tinha grande coisa de socialismo. A esquerda autoritária precisava de um modelo mítico para poder avançar com a sua propaganda. Eles contribuíram para enganar as pessoas simples, os operários e trabalhadores que eles diziam defender. Muitos, cinicamente, diziam que «as massas» precisavam de ver uma concretização dos tais ideais comunistas ou socialistas, naquilo que eles – quadros dos partidos comunistas do Ocidente - sabiam que nunca tinham sido regimes assim, realmente.
Os regimes que foram varridos do mapa político eram totalitarismos, fascismos vermelhos. Usavam uma linguagem socialista nos discursos, na propaganda, na ideologia; nos factos eram indistinguíveis dos regimes autoritários fascistas de que tínhamos sido reféns na Península Ibérica, até há bem pouco tempo.
A mentira de que existiu um qualquer socialismo ou comunismo nesses países do Leste Europeu e do espaço da ex-URSS continua, não apenas mantido por nostálgicos do bolchevismo, mas também pelos arautos do chamado neoliberalismo. A razão destes é simples de se compreender: querem um espantalho para prevenir as pessoas de terem simpatias por correntes socialistas ou comunistas verdadeiras.
Aqueles poucos intelectuais que fundamentam as suas visões em raízes socialistas libertárias praticamente nada influenciam o pensamento contemporâneo, pois este está tomado pela comunicação de massas, serventuária do grande capital, proprietário dos grandes jornais e cadeias de informação.
Paradoxalmente, a queda de um poderoso império veio afinal hipertrofiar as tendências autoritárias ou mesmo totalitárias da nossa época. Triunfaram as forças portadoras de «não-valores», da ausência total de valores. Refiro-me aos adeptos da «ideologia de mercado», um totalitarismo de novo figurino, embora muito antigo na sua essência.

Servem-nos «o mercado» a toda a hora mas, às vezes, polvilham o seu discurso com açúcar dos direitos humanos. Assim se contribui para a continuidade da exploração dos humanos e da Natureza.