... pela sequenciação de dois dentes de crianças que viveram há 31 800 anos
As migrações dos povos, incluindo das espécies que antecederam o Homo sapiens, estão inscritas (indiretamente) no ADN. Este pode ser sequenciadao e estudado quando são feitas amostragens de ADN retirado de povos contemporâneos. Mais recentemente, a técnica de extração e sequenciação de ADN antigo veio trazer inestimáveis precisões que, não apenas informam sobre as relações entre indivíduos vivendo há milhares de anos, como permitem ligar as populações hoje existentes, com as linhagens de que foram identificadas nos ADN antigos.
Não se deve esquecer que grandes passos foram dados antes das técnicas acima descritas estarem disponíveis para a paleoantropologia: nomeadamente, os trabalhos de Cavalli-Sforza e sua equipa, nos anos 1960 e 1970 conseguiram distribuir mais ou menos todas as populações conhecidas, num Mapa Mundi, sobrepondo os grupos linguísticos com os dados obtidos por marcadores sanguíneos (ABO, Rhesus, etc). Indiretamente, eles estavam a mapear genes e suas derivas e os outros fenómenos de genética populacional, que ocorreram ao longo de muitos séculos nas diversas populações contemporâneas.
Mas, a utilização do ADN para estudos em grande escala, só veio com a automatização da sequenciação*. Ela torna possível fazerem-se amostragens representativas das populações que se pretende estudar. Tais estudos só se generalizaram no Séc. XXI. A utilização do ADN antigo é ainda mais recente; só em 2010 foi publicado um primeiro genoma completo de neandertal.
Estas técnicas não são «mágicas»; obrigam a uma rigorosa disciplina, desde a colheita dos itens de onde o ADN será extraído, à purificação do ADN e à discriminação entre o ADN contaminante e o genuíno, nos restos em estudo.
Esta técnica é poderosa, mas não isenta de erros, de toda a espécie: Dos artefactos (ou seja, sequências que não estavam no ADN inicial), às interpretações enviesadas de certos dados, por não os terem em conta, ou por serem hipervalorizados.
O vídeo acima pareceu-me uma interessante atualização sobre os últimos decénios de estudos arqueológicos, paleogenéticos e biogeográficos. Eles permitem estabelecer ligações seguras entre populações ancestrais, nos dois continentes - euroasitático e americano. Estão em foco neste estudo, a Sibéria, o Alasca e a Beríngia.
(*) A origem dos cães também recebeu um decisivo contributo do ADN antigo, veja AQUI



