Quanto menos dívida tivermos e quanto mais possuírmos e controlarmos e baixarmos nossos custos fixos e exposição aos riscos que não podemos controlar, tanto maior será a nossa autonomia. (Charles Hugh Smith)
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

América e União Europeia em "processo de divórcio "[Crónica da IIIª Guerra Mundial nº54]

 

A crónica de Pepe Escobar é autêntica ou fake? « A Europa Pode Sobreviver Sem a América? O Fim de 80 Anos de Aliança»: é um vídeo que tem um texto que não me convence de todo. Começa com algumas evidências, para não dizer lugares comuns. Depois, faz conjecturas, demasiadas, para um verdadeiro jornalista, como é Escobar. A qualidade de um jornalista especializado em geopolítica deve ou deveria ser de focalizar o discurso naquilo que é, não especulando sobre os comportamentos futuros de A, B ou C. Além disso, sujere que a Polónia e os Estados Bálticos foram «vítimas» do Estado Soviético... Eu sei que os referidos povos viviam em condições materiais melhores que os cidadãos da Rússia, no período do pós-guerra até 1990. Isto pode parecer estranho para os ocidentais, que estavam sempre (e continuam) inundados por narrativas anti-soviéticas e anti-comunistas. 

De qualquer maneira, eu acredito na inevitabilidade de um divórcio entre os EUA e a Europa, se Trump e a sua equipa continuarem no rumo traçado desde o princípio do mandato nº2 de Trump (e mesmo antes): Em poucos meses a Europa foi humilhada em várias frentes:

 Diplomática: as conversões diretas entre Trump e Putin em Anchorage, no Alasca (europeus completamente afastados de negociações no que respeita a um eventual acordo de paz com a Rússia)

Comercial: o forçar de um «acordo» que mais parece uma capitulação, quando os «aliados» (vassalos) europeus tiveram de «engolir» taxas alfandegárias de 15% e sob ameaça destas duplicarem se as relações dos europeus com Rússia e China não agradarem ao «bully» na Casa Branca.

Militar: A obrigação de subir para o nível de 5% as despesas orçamentadas com as forças militares, o equivalente a um imposto brutal e insustentável, mas que os governos tiveram de aceitar. Trump ameaçou com a saída das forças americanas estacionadas na Europa. Os governos europeus, sentiram-se de facto ameaçados, porque se viam de repente sem o aliado mais poderoso, com o arsenal nuclear capaz de colocar em xeque a Rússia.

Económico: As sanções europeias contra a Rússia após a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, mais pareciam auto-sanções. Quem mais sofreu, foram empresas agrícolas e industriais da U.E. que ficaram - de repente- sem uma boa fatia do seu mercado. 

Energético: Num episódio grotesco, Biden ordenou a sabotagem dos gasodutos Nordstream 1 & 2. Cobardemente, a Alemanha e outros países da UE, que beneficiavam com o gás russo, fizeram como se não soubessem quem ordenara a sabotagem e porquê. 

Colapso industrial: O gás americano, 5 vezes mais caro que o russo, é transportado por navio desde os EUA e obriga a dispendiosas instalações portuárias para ser distribuído localmente. Foi a sentença de morte de muitas empresas industriais, que tinham uma alta fatura em energia.  As empresas que sobraram, em geral mega empresas, como a Volkswagen ou a BASF, foram para a China ou para os EUA. As condições eram melhores nestes países, tanto em custos de energia, como em impostos, regulamentações ambientais, encargos salariais... A Alemanha e outros países do centro e norte europeu experimentaram uma desindustrialização severa e súbita. 

Na realidade, o poder hegemónico estava a obrigar os seus vassalos europeus a um regime incompatível com a manutenção do nível de salários, de pensões, de apoios sociais, na maioria da U.E., que tinha vigorado desde há mais de 50 anos. Estava a obrigá-los a submeterem-se, a ficarem «pés e mãos» atados ao poder Imperial, quer pela despesa militar acrescida (que vai enriquecer empresas americanas do complexo militar-industrial), quer pela dependência quase total em energia (escoamento do gás e petróleo de xisto americano). 

A humilhação máxima aos europeus, quando Trump ameaçou ocupar (militarmente) a Groenlândia, um território autónomo associado à Dinamarca, deveria ter causado um corte na OTAN, com os EUA, pelos «aliados». Mas, os governos europeus não tiveram coragem de dizer -«olhos nos olhos»- a Trump, que ele estava enganado, que a Europa não era «colónia» dos EUA. Perante esta atitude de encolhimento, a intenção do bully máximo será de redobrar a chantagem com suas vítimas, para que estas cedam ainda mais. 

Não é obrigatório, aliás, que a cedência que Trump procura, seja o território da Gronelândia. Os EUA já tinham obtido da Gronelândia aquilo que queriam: Desde a «Guerra Fria nº1» que tinham uma importante base militar em Thulé. Tinham todo o controlo do espaço aéreo. A soberania da Dinamarca sobre o território já era apenas nominal. 

Aliás, seria totalmente impensável que a Dinamarca ou o governo autónomo da Gronelândia dissessem «não» a um reforço dos dispositivos da OTAN nesta ilha setentrional ...  A insistência em adquirir ou ocupar a Gronelândia pode ser lida de várias maneiras: Uma delas, é de se tratar dum bluff... Trump obteria, em compensação de sua renúncia a ocupar a Gronelândia, determinados acordos vantajosos que os dinamarqueses e a Comissão de Bruxelas aceitariam, como meio de «salvar a face». 

De qualquer maneira, os co-autores de tudo isto são os políticos no poder na Europa (ao longo de décadas). A ideia de que a Europa não pode ser um espaço de paz e liberdade, se os diversos Estados não estiverem reunidos numa estrutura supra-nacional cada vez mais autoritária, é uma enorme falácia. Na realidade, esta falácia tem servido aos Estados mais fortes, em detrimento dos mais pequenos ou mais frágeis. 

Na realidade, os satrapas que passam por ser nossos dirigentes nos países europeus integrados na OTAN, são os responsáveis, mas nós povos europeus, somos as vítimas. O povo da ex-Jugoslávia e o povo da Ucrânia contam com dezenas ou centenas de milhares de mortos nas guerras instigadas pela OTAN e pelos Estados europeus mais poderosos. Muitos povos do Leste, Oeste, do Sul e do Norte, têm sofrido programas de «austeridade» e agora vão decuplicar tal auseridade. O nível de apoio social nos países da Europa ocidental, desmoronou-se desde que houve a implosão da URSS e os países do pacto de Varsóvia se alinharam com a OTAN e/ou com a UE. Agora, caminha-se para algo pior, uma generalização da guerra que traz sempre miséria.

Será uma guerra ainda pior que a IIª Guerra mundial,  mesmo que não sejam usadas armas nucleares estratégicas ou tácticas. Basta ver qual o estado de destruição da Ucrânia. E os políticos europeus a insistirem em «continuar a guerra até à derrota da Rússia». 

Seria cómico, se não fosse mortífero para milhares de militares e civis (de  ambos os lados), que se batem e sofrem numa das guerras mais cruéis (em todo o mundo) desde a guerra da Coreia!

 





domingo, 19 de janeiro de 2025

ANTESTREIA DO CONSULADO TRUMP

As ameaças de compra da Groenlândia, de reocupação do canal do Panamá e anexação do Canadá como 51 º Estado dos EUA, são bluffs ... 

A manha consiste em fazer alarido, revelando «planos» extravagantes, para estar em «posição de força» aparente, aquando de negociações no futuro próximo. Mais exatamente, aparentar uma força que os EUA já não possuem, para forçar as soluções que interessam ao Império do dólar, perante adversários e aliados / vassalos.  

Também serve para desviar a atenção dos media e do público, em relação ao  falhanço monumental da estratégia do caos do império EUA: 

- A total derrota militar da OTAN, na Ucrânia; a óbvia colaboração na destruição da Síria e instalação de um governo da Alquaida e suas ramificações regionais; e co-responsável, com o governo sionista, pelo genocídio em Gaza, martirizando o povo da Palestina e dando «luz verde» a uma sucessão de invasões e assassinatos em vários países do Médio Oriente.

Veja a citação abaixo, do diálogo entre Nima Alkhorshid e Michael Hudson, em transcrição de Yves Smith no blog «naked capitalism»:

MICHAEL HUDSON: [...] He’s following the same advertising agency that George W. Bush used when he hired an advertising agency to say, “How can we convince the American people that we need to go to war in Iraq?” And they said, “Well, you want to claim that Iraq’s threatening us with weapons of mass destruction.” No truth at all, but it’s the old Joseph Goebbels idea that you can always get a population behind you saying that you’re under threat and it’s national security. So that’s sort of how Trump is dealing with the domestic audience. Almost all of the speeches are aimed at the domestic American audience, not at Greenland or other countries, not even at the European Union or Denmark that has Greenland as a protectorate. What he said is, “You have raw materials that we want. You can give us naval control. And if you don’t give it to us, we don’t want to have to use force.” [...]