Na origem profunda de cada guerra está o afã do lucro e o domínio dos poderosos. Os trabalhadores são arrastados para fazer a guerra dos grandes capitalistas.

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Petrogas-dólar: stratégia secreta dos EUA por detrás da guerra com Irão [Crónica da IIIª Guerra Mundial, Nº62]

"The Petrogas-dollar: The Secret US Strategy Behind the Iranian War"



                          Uma exposição clarividente e global por Richard Medhurst
 
COMENTÁRIO.

As estratégias de poder nunca podem ser óbvias. Têm sempre de vir ofuscadas por uma narrativa, na qual são apontados objetivos que não são os verdadeiros.
Num mundo globalizado, apenas um poder global tem a possibilidade de jogar em múltiplos cenários, múltiplas zonas geográficas e recorrendo a uma panóplia, que vai das armas económicas, às armas no terreno de combate, até ao domínio das redes de informação.
Os EUA envolveram-se uma guerra dos mares, que implica arresto ou destruíção de navios petroleiros e o bloqueio naval de áreas estratégicas; não apenas no mar de Ormuz. Estão presentes nas Caraíbas, no Estreito de Malaca e no Báltico. Mas esta situação não pode durar muito tempo. Mesmo a marinha dos EUA não consegue ter, em simultâneo, forças capazes de manter navios inimigos fora de uma área de exclusão.
Penso que Richard Medhurst explica bem a lógica e o propósito das movimentações das forças dos EUA. De momento, a situação pode parecer muito difícil para quem é vítima do império pirata.
Mas o Irão e o Hezbollah já mostraram que existem estratégias para derrotar o poder dez mil vezes mais poderoso, dos EUA com seu aliado Israel.
Na realidade, os EUA não podem contar com uma coalição «das boas vontades» como na 1ª guerra contra o Iraque (1990). Os países europeus não estão disponíveis para entrar numa guerra com o Irão, para satisfazer os desejos de Trump. Mesmo a ultra-direitista primeiro-ministra japonesa não está disposta a enfrentar militarmente a China, como pareceu no início do seu mandato. O facto é que o Japão continua sendo um país sob ocupação militar americana desde a IIª Guerra Mundial.
O México colocou em tribunal da OMC o governo americano, por este ter impedido que um navio mexicano viesse em socorro humanitério a Cuba, sujeita a um embargo total de petróleo. Ao México, juntaram-se 120 países, o que mostra que estão descontentes com esta administração Trump e já não ficam intimidados por ela.
De qualquer maneira, os efeitos sobre as economias, do estrangulamento (causado pelos EUA) ao  abastecimento de petróleo e gás, vão começar a fazer-se sentir. O Mundo está a mergulhar no caos. Mas, esta estratégia do caos tem resultados contrários aos esperados pelos seus autores.

terça-feira, 28 de abril de 2026

AS PENSÕES DE REFORMA SÃO UMA ARMADILHA (PROF. JIANG)



 Uma das mais concretas e bem fundamentadas discussões sobre as pensões versus ativos gerando rendimentos.



Eu sei, por experiência própria, que as quantias descontadas mensalmente do ordenado parecem irrisórias, para acumular uma soma capaz de fornecer uma pensão de reforma durante largos anos, quando atingimos a idade da aposentação. Mas, de facto, se aplicarmos a lei dos juros compostos, em que os juros se vão adicionar ao principal e portanto originando juros cada vez maiores, ao longo de um intervalo de tempo de 35 anos, verificamos que as somas que recebemos como pensão são bem menores do que aquilo a que teríamos direito, se o Estado aplicasse às pensões um cálculo de juros compostos. Na realidade, este cálculo é aplicado em situações em que o cidadão é  devedor ao Estado: a aplicação de "juros de mora" quando não paga uma multa, ou uma soma devida por sentença em tribunal.
Quando o Estado é  devedor a um cidadão,  paga pouco em juros  da dívida  acumulada. O cálculo das obrigações do Estado para o cidadão é muito claramente em desfavor deste.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A CANÇÃO DE ABRIL DE 74 [Segundas-f. Musicais nº57]



«Maré Alta» (Letra/Música: Sérgio Godinho)

                                          https://www.youtube.com/watch?v=vTJQmkcoCdA
 

                                   Grândola, Vila Morena (canção alentejana - Zeca Afonso)


                                 Porque (Poema: Sophia Mello Breyner, música: Francisco Fanhais)


Todo o mundo é composto de mudança (José Mário Branco; adaptação de Camões)
 
                                          https://www.youtube.com/watch?v=0hZ8ygJoCPM

Tango dos pequenos burgueses (Letra/Música de José Joerge Letria)

                                          https://www.youtube.com/watch?v=02VWuSxKrJU


Pedra Filosofal (Manuel Freire música, poema António Gedeão)*






Pouco depois do 25 de Abril de 74, no Pavilhão dos Desportos de Lisboa, o palco encheu-se com cantores da resistência ao fascismo. Muitos nomes eram nossos conhecidos. Muitos deles tinham sido ou silenciados pela censura, ou obrigados ao exílio.
Foi um momento único; assinalou a libertação da criatividade musical e poética. Foi um dos momentos mais altos do 25 de Abril. Não me lembro exactamente quais foram os cantores/autores que se apresentaram em palco nesse dia, mas foram muitos e diversos.
Tenho nostalgia de momentos como este, em que a juventude vibrou com a alegria vital destas canções, algumas por nós já conhecidas e que cantámos, num imenso coro.
Seria impossível neste curto artigo, dar a conhecer todos os cantores/as que participaram com a sua música e alma, na gesta - mal compreendida - da libertação de um povo.
A minha amostra é pequena, mas parece-me eloquente, tanto na qualidade musical, como no conteúdo das letras.
Queria ouvir criadores de novas melodias e textos, como os que vos deixo aqui: inspirados e populares.

RELACIONADO:

Amália Rodrigues, é a voz do fado e da poesia portuguesa ao longo dos séculos. Já era um ícone do fado, muito antes de 1974. Ela continou a sua carreira depois do 25 de Abril de 74, homenageada, apreciada por quase todos: 


(*) A letra de «Pedra Filosofal», poema de António Gedeão (Rómulo de Carvalho):


Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança



sábado, 25 de abril de 2026

ARMAGEDÃO DA ECONOMIA MUNDIAL, SE DEIXARMOS [MICHAEL HUDSON]


Michael Hudson mostra que o «liberalismo» não é sinónimo de abertura, mas de controlo da economia pelos monopólios e oligopólios.
A aposta do Donald é de que eles - americanos - ficarão com o petróleo e gás, que os outros não terão e que, portanto, os EUA ganharão. Somente ele esquece que os EUA já não têm indústria que lhes permita refazer infraestruturas e produzir bens de consumo em quantidade e diversidade para a população.
Projetos de fábricas de alta tecnologias nos EUA, provenientes de Taiwan e da Coreia do Sul, tiveram de ser reestruturados, porque não havia pessoal americano qualificado a candidatar-se para os empregos. Têm de satisfazer as necesssidades em pessoal, recrutando trabalhadores de Taiwan e da Coreia do Sul.
O poder hegemónico em declínio dos EUA, em vez de trazer segurança aos seus aliados, vai torná-los um alvo; foi o caso dos países do Golfo.
Os EUA querem extorquir a produção de petróleo dos países seus aliados no Médio-Oriente, sob pretexto de pagar as despesas militares e de segurança das bases americanas no seu solo. 

                                   https://www.youtube.com/watch?v=pPvP9ojKmpY&t=4s



 Para tornar a situação ainda mais complicada, Trump e a sua equipa têm conceitos completamente dementes, como o de estarmos perante a segunda vinda de Cristo. Eles são tomados a sério por uma fatia do eleitorado americano. 
Creio que a probabilidade dos americanos usarem a bomba atómica no Irão, nunca esteve tão alta.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Mais um Abril que passou por aqui...[OBRAS DE MANUEL BANET]



 Um Abril que não rima

É promessa sem cumprir

É vaso bonito com vinho rasca

É tudo aquilo de que fujo


Um Abril que não rima

Não nos promete Maio

Pode ser quente ou frio

Mas não aquece o coração


Dizem que sou sentimental,

Verdade, por que me aflijo

Com um povo de poetas

Que vive de ilusões


Impossível o meu amor

Porque caí eu neste cantinho

Malfadado e maravilhoso

Que não dá, só promete?


Este povo enluarado

É como menino que cresceu

Vadio, ao acaso das ruas

Sem carinho ou educação


Olhem para vocês próprias,

Pessoas enluaradas

E acordem dos sonhos 


Verei então um Abril novo 

No brilho do vosso olhar

E dançaremos na rua