quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

OS DOMINÓS COMEÇARAM A TOMBAR

  O ponto da situação, por Lena Petrova:

                                                    
                    

Em consequência direta da política expansionista de Washington, fundos de pensões da Dinamarca anunciaram que irão desfazer-se das obrigações do Tesouro US. Não apenas os dinamarqueses, também investidores em todo mundo estão a sair de investimentos em dólares.
Consequências imediatas: Os juros das obrigações do Tesouro dos EUA estão a subir a uma taxa recorde. Recordemos que - nas obrigações - juros altos significam que o valor da obrigação em si (o principal em dívida) se desvalorizou. Com efeito, os potenciais compradores são cada vez menos. As quantidades de obrigações de que os detentores (empresas, particulares, Estados) se desfazem, nos últimos meses, têm sido enormes. Neste momento, os EUA precisam de empréstimos no montante de 9 triliões de dólares, só para cobrir os défice do orçamento federal, um valor astronómico. O Tesouro americano tem de aumentar os juros que oferece aos compradores, senão a venda dessas obrigações não acontece e os EUA não consegue obter os empréstimos. Mas, esses juros têm de ser pagos através do orçamento federal. Esta é uma típica sítuação de espiral descendente em direcção à insolvência.
Por isso, o retraímento na compra de obrigações americanas não se dá somente na Europa, mas também em toda a parte. Racionalmente, todos compreendem o risco crescente de ser detentor de dívida soberana dos EUA. Como efeito cumulativo negativo, o dólar US no mercado internacional tem descido acentuadamente nos últimos meses.
Quando aos fundos - sejam eles fundos soberanos, carteiras de bancos ou grandes investidores - começam a retirar-se de investimentos em dólares, das obrigações do Tesouro, ou de ações e obrigações de empresas americanas. Dá-se um efeito «bola de neve», ou de «corrida para a saída».
Nessa ocasião, só haverá um comprador: A própria Reserva Federal (FED) dos Estados Unidos. Nenhum outro banco ou instituição financeira estará interessado em deter dívida americana.
Seja por razões políticas, pragmatismo, ou outros motivos, a fuga ao dólar já começou.

[Crónica da IIIª Guerra Mundial Nº 55] A «ELITE» EUROPEIA e «Síndrome de Estocolmo»

 



A síndrome de Estocolmo designa um complexo, a que estão sujeitas as pessoas, perante um perigo extremo:

 - Quando estão nas mãos de alguém (ou grupo) que tem poder de vida ou morte sobre essas mesmas pessoas. Foi primeiro identificado tal complexo em Estocolmo, aquando de uma assalto a um banco, com tomada de reféns; depois constatou-se que o mesmo fenómeno psicológico ocorria em numerosos outros casos. Pelo facto de ter sido reconhecido e descrito primeiro no assalto em Estocolmo, ficou conhecido com esse nome, embora nenhum caso posterior tenha que ver com a capital sueca, nem com tomada de reféns num banco sueco.

As vítimas tomam a defesa dos sequestradores ou opressores, aparentemente sem lógica nenhuma e sem que fossem forçadas a falar em termos elogiosos. Os psicólogos sociais explicam o fenómeno em duas fases: 

- 1ª Um mecanismo de sobrevivência; incapazes de fazer frente aos raptores, adoptam a sua defesa, o que torna mais provável para eles (reféns) serem poupados; 

- 2º A afirmação dos reféns, sobre supostas qualidades positivas dos sequestradores, mesmo depois de serem libertados, é um mecanismo de auto-convencimento e desejo de justificação, do seu comportamento, enquanto estiveram nas mãos dos criminosos.

No caso da Europa, nota-se que as lideranças políticas adoptaram uma postura agressiva, inicialmente, em relação à Rússia, sobretudo para agradar ao seu senhor feudal (os EUA). Também estavam convencidos que seria uma vitória fácil, um desmoronar da Rússia como se fosse um gigantesco castelo de cartas. Mas, a Rússia não era, de modo nenhum, a preza fácil que os ocidentais imaginaram. Mais uma vez, recorreram  à guerra por procuração, usando os ucranianos como carne para canhão. A evolução da guerra russo-ucraninana surpreendeu «toda a gente», ou seja, aqueles que estavam convencidos da veracidade da propaganda ocidental. 

O medo artificial existente na Europa, nutrido pelas narrativas de propaganda ocidental sobre a Guerra-Fria e pela confusão permanente (induzida pelos poderes e a midia) entre o período soviético e o regime atual na Rússia, de cunho liberal democrático, convenceu muitos de que perante uma derrota da Ucrânia, os russos iriam descer por aí abaixo e só parariam, no mínimo, perante as ondas do Atlântico. Esta construção foi cuidadosamente nutrida pelas oligarquias do Ocidente e seus homens e mulheres de mão, no aparelho político europeu. Estes estavam conscientes que se tratava de um exagero e, mesmo, de impossibilidade técnica, dado o número de tropas e a força militar global necessárias para os russos poderem (se quizessem) levar a cabo uma tal conquista. 

Os imperialistas americanos foram os que prinicpalmente beneficiaram desta charada sangrenta com os seus milhões de mortos e feridos:

A destruição das indústrias mais competitivas na Europa, a imposição dos 5% em gastos militares dos países da OTAN,  e o controlo nos planos militar e político. A venda de gás americano à Europa Ocidental 5 vezes mais caro, que o gás antes comprado à Rússia através de gasodutos, foi causa da perda súbita de competitividade das indústrias europeias, mesmo as mais robustas, porque os custos de energia são uma fatia importante dos custos de produção.

Mas, a trajectória dos EUA, sob Trump, especialmente no segundo mandato, foi uma surpresa de todo o tamanho. Lembro-me das lágrimas de espanto e consternação, na plateia de líderes europeus da conferência de defesa de Munique (em 2025, salvo erro) ao ouvirem Vance, vice-presidente dos EUA, falar com enorme desprezo face à elite política europeia.

Não nos devemos espantar de que Trump e próximos, tenham decidido dar um estatuto de «protectorato» americano ao que antes era território autónomo da Dinamarca. Os neo-cons que o aconselham, viram que o objetivo deles em manter a hegemonia mundial era irrealista. Decidiram que a melhor opção seria de dominar o continente americano, de Norte a Sul, Groenlândia incluída, pois assim ficavam com possibilidade de controlar as novas rotas do Ártico, que russos e chineses já começaram a explorar e que encurtam o tempo das viagens de 40%, das costas da China às da Europa do Norte .

A economia, o controlo das rotas, os meios militares ou outros, para submeter vassalos e dissuadir inimigos; tudo isso, são planos megalómanos, mas que não se podem conseguir pela força. A primeira Rota da Seda, que partia de Xi'En na China, chegava a Veneza e a outros portos. Ao contrário das rotas marítimas iniciadas pelos portugueses e outros, no século XVI, não era uma rota imperialista, aberta e mantida à custa de força militar. Era uma rota servindo de ponte para o comércio entre reinos vizinhos ou distantes. O comércio era e continua a ser mais forte que os exércitos, que a força. Por isso, os que se escondem por detrás de Trump, vão ter que recuar, pois existem constantes no mundo, apesar das enormes diferenças técnológicas das sociedades, ao longo da História. 


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RELACIONADO:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/01/america-e-uniao-europeia-em-processo-de.html

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

«O TIO LOUIS » (Segundas-f. musicais nº46)

                                 https://www.organsparisaz4.orguesdeparis.fr/St%20Gervais.htm

As obras para órgão de Louis Couperin  (1626-1661) foram, durante muito tempo, desconhecidas. Só vieram à luz, graças à descoberta (pelo musicólogo inglês Guy Oldham) de um manuscrito, no ano de 1958. Este, contém cerca de 70 peças, de uma excelente qualidade e variedade; incluem peças propriamente litúrgicas (baseadas no cantochão gregoriano), fugas sobre temas (como «Urbs Beata», «Conditor») e peças de estilo "livre", fantasias, principalmente. 

A sua obra de órgão é de grande importância para a evolução da escola francesa, pois faz a ligação entre Titelouze (iniciador da referida escola) e Nivers. 

No link seguinte «Obras de Louis Couperin», podeis encontrar a lista completa das obras instrumentais deste importante compositor do século XVII. Em termos de divulgação, as obras para cravo são mais frequentemente executadas, que as para órgão. Com efeito, Louis Couperin foi um importante compositor para cravo: São consideradas invenções dele os «Préludes non mesurés», ou seja, prelúdios típicos da escola francesa de cravo. Tem numerosas Fantasias para cravo, suites, peças descritivas e as Chaconnes e Passacailles, de grande qualidade. A sua obra para o cravo será objeto  dum artigo específico, na rubrica das «Segundas-f. musicais».

Os acasos da História da Música, assim como a fama alcançada pelo sobrinho, François Couperin, cravista da corte de Louis XIV, fizeram com que o sobrinho recebesse o cognome de «Le Grand», eclipsando parcialmente a memória do tio (cuja influência, aliás, é  bastante nitida nas obras para órgão de François). 

Não nego que François Couperin seja um dos maiores compositores franceses de todos os tempos. Mas, convém sublinhar que estava inserido numa família de músicos ao longo de várias gerações, tal como os Bach: Houve diversos Couperin talentosos, antes e depois de François, o mais célebre. 



Esta fantasia, assemelha-se estilisticamente a peças de François Couperin para órgão, especialmente do livro de órgão «Messe à L'Usage des Paroisses».

 A interpretação é no órgão da Igreja de Saint Gervais, em Paris: Foi o órgão de que Louis Couperin e várias gerações de sua famíla, foram organistas. É uma maravilha de equilíbrio sonoro. É muito adequado para o reportório do século XVII . A peça é interpetada por Aude Heurtematt, organista titular.






Das cinco peças para órgão, interpretadas por Pieter Dirksen, a primeira é uma Toccata/ Prélude ao modo francês, solene e utilizando os «cheios» ( Plein Jeu) do órgão. A segunda é uma fantasia, usando um registo (tierce) que soa uma terceira acima do registo de 8' e um "tremblant" (registo usando trémolo/vibrato). A terceira peça, é uma fantasia para o baixo de cromorne, um registo que imita o som anasalado do cromorne. Um dueto (peça nº4) e um «Petit Plein Jeu» (nº5) (no segundo teclado do órgão, com menos registos graves que o «Grand Plein Jeu» no teclado principal), finalizam este pequeno recital.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

À BEIRA DO COLAPSO (texto falado e legendado em espanhol)


 Como se deu o auto-golpe da União Europeia, de congelamento seguido de confisco dos 300 mil milhões de ativos russos guardados no «Euro-clear»? 

Quais as consequências para os protagonistas (UE e Rússia) e ao nível global?

Oiça este diálogo, muito pedagógico,  em castelhano muito compreensível.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

COMO QUER O OCIDENTE AJUDAR O POVO IRANIANO?


 O prof. Marandi e outros intelectuais e académicos iranianos são excluídos completamente da informação e do debate, nos media do Ocidente.

Só assim conseguem ocultar-nos os crimes envolendo esse tal Ocidente "liberal e democrático ", através  de sanções  mortíferas a regimes mas, na realidade, contra os povos que não lhes agradam. Mas, para alguém com um mínimo de senso de justiça, a crueldade e hipocrisia de governos como o britânico, ou dos EUA, ou de muitos da OTAN, estão completamente desmascaradas.
Vejam e oiçam o prof. Marandi que tem - no show de George Galloway - uma rara oportunidade para expor o que tem acontecido no Irão. 
Vivemos, nos últimos anos, sempre à  beira da generalização da 3° Guerra Mundial, que está há longos anos em curso .
As forças da guerra e da destruição  estão  sempre a insuflar desestabilização, a fazer golpes, operações de comandos e invasões, em países que não  lhes agradam.

Eu penso que é uma cobardia e um crime insuflar os ventos da guerra, tomando como pretexto os defeitos reais ou fictícios de governos estrangeiros. Essa indignação é  falsa - em muitos casos - porque essas mesmas pessoas ficam caladas, quando ocorrem graves entorses aos Direitos Humanos no seu próprio país, ou em países aliados. Porém, muitas pessoas sinceras são manipuladas e seus sentimentos  instrumentalizados, para servir o interesse de quem dirige campanhas mortíferas contra os países tomados como alvo. Quem induz esses comportamentos são especialistas da guerra psicológica, disfarçados com etiquetas de jornalistas, de académicos  ou de cientistas políticos  e sociais, etc.

  A jornalista chinesa Li Jing Jing e
   Seyed Marandi desmascaram 
   as mentiras de Washington e dos 
    governos alinhados.