Segundo o Prof. Jiang Xueqin, "o Irão não está apenas a lutar numa guerra contra os EUA; está a combater a estrutura que sustenta o poder global dos EUA".

quinta-feira, 12 de março de 2026

HÚBRIS [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº57]

 Como já tenho explicado noutros artigos deste bloco, a húbris era como na antiguidade os gregos designavam a embriaguês da vitória, fazendo com que o general vencedor se julgasse tudo permitido. Nestas circunstâncias, uma vitória momentânea, podia se transformar na mais profunda e definitiva derrota. Isso ocorreu repetidas vezes no passado; agora verificamos que está a acontecer isso mesmo com Trump e com os que o rodeiam, o seu «Estado-Maior». Muitas vezes verifica-se que os poderosos acabam por cair nas suas propagandas. Acabam por acreditar que a sua avaliação do adversário é correta. Porém, no caso da guerra presente, nada podia ser mais longe da verdade. 

A guerra assimétrica que está a ser levada a cabo pelo Irão, agora também pelos seus aliados do Hezbollah, no Líbano, contra Israel e os EUA, conduz matematicamente a que os arsenais de mísseis interceptores dos inimigos do Irão sejam esgotados bem antes que o arsenal iraniano de drones e mísseis esteja perto de se esgotar. Os primeiros ataques  iranianos, foram levados a cabo com uma maioria de mísseis desactualizados, logo com pouca probabilidade de atingir o alvo, havendo no meio destes, alguns mísseis de última geração, que tinham a capacidade de furar as defesas do inimigo e não eram praticamente interceptáveis. Esta combinação, saturando as defesas Israelo-Americanas e ao mesmo tempo atingindo alvos significativos, teve um efeito moral e económico, logo nos primeiros dias de combates. A resposta americana e israelita foi de bombardear o território do Irão, sobretudo zonas civis, causando portanto muitas baixas civis e danos materiais. Mas estes crimes de guerra, tal como o ataque com «decapitação» de muitos dirigentes, incluindo o Aiatolá Kamenei, não tiveram o efeito desejado. Uniram a população em torno dos seus governantes, das suas forças armadas; mesmo pessoas que, em Janeiro deste ano, tinham participado em manifestações contra o regime iraniano. 

As bombas podem matar, destruir, mas está garantido que numa circunstância onnde exista uma forte motivação de resistência ao invasor, os ataques aéreos não podem conseguir o objetivo de mudança de regime. Como se tem visto, aconteceu exatamente o oposto: Uma consolidação do regime, com uma grande massa da população agrupada em torno do seu governo. Perante esta situação, os estrategas de Israel e de Washington recuaram da invasão terrestre planeada. Nesta invasão terrestre, seriam usadas como «carne para canhão», as forças «proxi» de curdos do Iraque e os do Irão, que se tinham refugiado nos países vizinhos. Estas forças só poderiam ser de voluntários; não havendo nenhum entusiasmo da parte destes curdos em morrerem pelas causas israelita e americana, os estrategas dos dois países agressores tiveram de mudar seus planos. Agora, estão a fazer uma guerra de destruição maciça, com especial incidência sobre os bairros habitacionais de Teherão e doutras grandes cidades, destruíndo também refinarias (com importantes consequências ambientais) e fábricas de dessalinização da água. Estes criminosos de guerra querem vergar a população civil, tornando impossível a sua sobrevivência. Mas, os objetivos propriamente militares como os mísseis e drones armazenados, estão fora do alcance das bombas israelo-americanas. A partir de alguns esconderijos,  os iranianos têm conseguido enviar uma média de 3 a 4 mísseis em 24h, para as bases militares americanas situadas nas monarquias do golfo Pérsico. Esta destruição é suficiente para as tropas dos EUA serem obrigadas a abandonar  algumas bases. Por outro lado, a população destas monarquias é composta por estrangeiros, entre 60 a 90%, consoante os casos. Ela está a ir-se embora em rítmo acelerado, desertando todos os negócios e os locais de veraneio, sobre os quais se baseava a viabilidade económica destes centros. O Bahrein, o Dubai, a Arábia Saudita, o Quatar, o Koweit e Omã, cometeram um erro estratégico grave, ao acreditarem que os americanos iriam garantir a defesa destes reinos, em troca da sua cedência de terrenos para as bases militares dos EUA. Os americanos, como é seu costume, apenas estão preocupados em defender as suas posições militares; quanto muito, os civis dos EUA apanhados na tormenta. Os referidos reinos do Golfo estão agora a tomar consciência o seu erro e a sofrer as consequências amargas. Mas estão, de qualquer maneira, em vias de mudar de alinhamento, pois sabem que o Irão não se vai deixar vencer e que  eles serão um alvo, para mísseis e drones. Tanto mais que, logo no primeiro dia da guerra, o Irão neutralizou os sistemas de radares nos vários reinos do Golfo, que constituíam os meios de vigilância e de monitorização para os ataques americanos contra o solo iraniano. 

A distância de Israel em relação ao Irão não impediu que - mais uma vez - as defesas israelitas se mostrassem impotentes para defender Tel-Aviv e Haifa. Do mesmo modo, não conseguiram impedir que fossem atingidas bases no deserto do Negev. O governo de Israel está a censurar todas as informações relacionadas com os ataques iranianos e com a destruição causada, ameaçando de prisão quem filme ou  publique  imagens relativas a tais destruições. Também as ofensivas militares dirigidas contra o Líbano estão a falhar: Elas não impedem que o Hezbollah lance ataques com mísseis no Norte de Israel e em zonas do Líbano ocupadas por tropas israelitas. 

No estado atual e dada a situação no terreno, as destruições causadas pelos bombardeamentos americanos e israelitas não causaram desespero na população e dirigentes do Irão. Pelo contrário. Porém, a situação de guerra já causa, no Ocidente, um prejuízo enorme: Não apenas a dificuldade de abastecimento devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, impedindo o tráfego de 20% do petróleo consumido ao nível mundial, como o alastramento do pânico nas bolsas mundiais, a ruptura das cadeias de abastecimento, a brusca aceleração da inflação.

Ao nível da opinião pública mundial, esta guerra iniciada quando os iranianos estavam à  mesa de negociações com uma delegação  dos EUA no Omã,  recebe o repúdio não apenas dos povos do Sul Global, como a hostilidade nos países ocidentais: Inquéritos mostram que - nos EUA - uma maioria absoluta condena o desencadear desta guerra.  É variável, mas sempre muito elevado, o nível de desaprovação dos restantes países ocidentais. A Coreia do Sul e o Japão estão numa posição particularmente difícil; seus abastecimentos em petróleo provinham muito maioritariamente do Golfo. Se continuar a situação de guerra, inviabilizando a navegação dos petroleiros através do Estreito de Ormuz, eles terão uma situação de catástrofe ainda mais grave. 

Não se pode excluir, infelizmente, que os israelitas façam uso de armamento nuclear, para se «vingarem» da derrota humilhante sofrida. Se assim for, haverá guerra nuclear generalizada, com certeza. Mas os sionistas no poder concebem como possível destruir Israel em simultâneo com toda a humanidade: Eles têm publicado em documentos oficiais, que se o Grande Israel não se puder realizar, então é-lhes indiferente que o Mundo inteiro também desapareça.   

quarta-feira, 11 de março de 2026

terça-feira, 10 de março de 2026

Água: a molécula anómala, que proporciona a vida


Num certo sentido, sim a água pode ser perigosa, como diz Feynman. Mas, é a molécula mais essencial da vida. Quando são investigados sistemas planetários dentro ou além do sistema solar, uma indicação que é sempre procurada é da existência de água. Porque esta é  indicadora da possibilidade de vida, presente ou passada. Os cometas que, por vezes caem na Terra, são compostos por grande percentagem de água. Esta água transporta certos elementos que vão para a crosta terrestre. Pode dizer-se que esta forma de acreção envolvendo água, sempre esteve presente, desde a formação da Terra. Richard Feynman refere as formas que tomam as macromoléculas dos seres vivos, que são as proteínas e os ácidos nucleicos (DNA e RNA). É notável que as arquiteturas destas moléculas só assumem a configuração funcional, ou seja, só podem levar a cabo suas funções respectivas, quando imersas na água, com a presença de uma série de iões em solução, os quais estabilizam as estruturas. A água participa na formação de géis e de cristais, tem portanto um papel na construção dos edifícios supra-moleculares. A perigosidade da água a que se refere Feyman é - quanto a mim - o facto de ser tão essencial, tão indispensável, que sua falta ou escassez é um desafio para a sobrevivência de humanos e todos os seres vivos. 

domingo, 8 de março de 2026

JAN PETERSON SWEELINCK "EST-CE MARS" [Segundas-feiras musicais n°52]


J. P. Sweelinck Variações sobre a canção  "Est-ce Mars?"



J. P. Sweelink começou a sua carreira de organista em Oude Kerk, quando tinha 15 anos, em 1577. Ele é o mais importante compositor neerlandês do final do século XVI, princípios do séc. XVII.
Numerosos músicos foram seus discípulos: Samuel Scheidt e muitos outros músicos importantes da Europa do Norte foram seus alunos; formou uma quantidade de organistas.
Algumas das suas composições foram copiadas para o Fitzwilliam Virginal Book, o que mostra ser muito apreciado na Inglaterra de Isabel Iª; ele tinha amigos ingleses como Dowland, Philips e John Bull. As suas composições também se difundiram pelos países católicos, na França, na Itália, na Espanha e Portugal.
No decurso da sua carreira, teve ocasião para pôr em música as liturgias luteranas, calvinistas e católicas.
Embora considerado hoje o maior mestre da música para tecla da Holanda na sua época, também publicou música vocal (canções ao estilo franco-flamengo), uma parte da qual se considera perdida.

Ton Koopman é um dos grandes intérpretes da música barroca ( cravo, órgão e chefe de orquestra).

FUTURO SOMBRIO DA HUMANIDADE



Será que milhões de inocentes terão de morrer, para que se encare oficial e internacionalmente o banimento de armas nucleares, incluindo a sua investigação e estocagem?

- Creio que se tal morticínio de milhões acontecer, haverá - pelo contrário - uma aceleração para a hecatombe final. Logicamente, uma guerra nuclear vai ser desencadeada num ponto ou região delimitada, inicialmente. Depois, vai alastrar, até envolver todas as potências com capacidade nuclear. As zonas que não têm estas armas, também irão sofrer, pois em tal etapa do confronto nuclear todos os ecossistemas serão gravemente contaminados.

Toda a vida humana - a prazo - estará condenada. A civilização, o humanismo, o que há de elevado no ser humano, desaparecerão logo.

Aliás, já estão a desaparecer, pois o genocídio da população de Gaza foi perpetuado na indiferença, quando não aprovação dos cidadãos do Norte rico. Nos países Ocidentais, diziam professar uma ou outra versão do crisitianismo. Que o professem ainda, não o creio: Muitos, incluindo as lideranças políticas, intelectuais e religiosas, renegaram os valores do cristianismo, só restando os «não-valores» cínicos do poder e do dinheiro.

O crime continuado de Gaza abriu a caixa de Pandora de todas as aventuras bélicas, que entretanto aconteceram e as que estão para acontecer. Este crime, com a cobertura e conivência vergonhosa do Ocidente, torna possível a generalização da IIIª Guerra Mundial, na sua brutalidade, mormente contra civis indefesos.

O que se nos depara como mais provável hoje, é destruição das bases económicas para a sobrevivência das Nações; é a transformação em ruínas dos monumentos de todas as várias culturas; é o desaparecimento dos valores morais, ou seja, a barbárie generalizada.

Este patamar, que certas potências estão prontas a encetar e ultrapassar, vai ser um rápido ponto de viragem para a final destruíção do planeta, através da guerra nuclear.

Seja qual for a religião, ideologia, etnia, etc, pessoas de todas as condições e origens irão sofrer uma morte atroz, seja por irradiação, contaminação radioactiva, escassez de alimentos e/ou violência resultante.

Como evitar este terrível destino?

Como o poder está concentrado em muito poucas mãos, seria de esperar que estes, os poderosos, se tornassem sábios, generosos, humanos? - Lamento, mas não acredito nisso. Sobretudo, por aquilo que eles têm mostrado ao mundo, nestes tempos. Mas também, em relação aos humanos, em geral. Pois se os perigos tornam heróicos alguns, revelando coragem para salvar seus semelhantes, estes humanos são muito reduzidos em número. Embora o seu sacrifício seja moralmente sublime, a sua eficácia será nula, para os elevados fins que se propõem.

Estamos entregues à pior canalha, de facínoras, psicopatas, narcísicos e de criminosos empedernidos. São eles que ascendem aos lugares cimeiros nos partidos e do comando dos Estados: São favorecidos os que não têm escrúpulos de qualquer espécie.

As massas, enlouquecidas, assustadas e furiosas, irão guerrear entre si, com a maior energia, esquecendo os valores religiosos ou morais que aprenderam. Os poderosos irão desencadear campanhas de condicionamento (lavagens ao cérebro) que farão com que os pobres e oprimidos se irão culpar uns aos outros, por tudo o que está a acontecer. Não irão identificar os senhores feudais da era tecnológica como estando na origem dos seus males e escravidão mental. Pois, se fossem capazes de sair do seu estado de alienação, já o teriam feito. Há muito tempo que este cenário está montado. Já está a ser desenrolado diante dos nossos olhos.

A conseguirá oligarquia globalista impor o seu projeto?

-Se o fizer, isso implica que terá de haver o desaparecimento de cerca de 4/5 da humanidade, para que os oligarcas possam dispor dos recursos do Planeta, sem ter de os partilhar com humanos, que consideram «piolhos». Estão convencidos, como elitistas que são, que poderão prevalecer num mundo de robots e de IA, dispondo das riquezas e confortos do Planeta inteiro. Este é o seu plano diabólico; eles estão convencidos de que têm boas hipóteses de o fazer triunfar.

Atualmente vejo assim, o estado do mundo e dos humanos.