sábado, 7 de fevereiro de 2026

CRIMES TERRORISTAS DOS ESTADOS: SEMPRE IGNORADOS



Parece que as pessoas e instituições (desde as judiciais, aos órgãos da media) são incapazes de ver ou de avaliar correctamente os crimes em massa, quando estes são cometidos por entidades estatais. Principalmente, os crimes de guerra, no âmbito de guerras declaradas, ou não. Mas também atos criminosos contra indivíduos, apesar de totalmente transparentes quanto a quem os encomendou.
Irei citar, em breve resumo, alguns dos crimes terroristas recentes cometidos por diversos Estados, sem dúvida será uma lista muito incompleta. O meu propósito não é o de fazer contabilidade das ocorrências e das vidas ceifadas. Penso que este trabalho tem sido efetuado por agências oficiais da ONU. Os dados serão de relativo fácil acesso.
Muitos horrores cometidos por agentes ao serviço de um Estado, acabam por não ser contabilizados, pois esses agentes são considerados "autónomos " e portanto não incriminam direta e inegavelmente a verdadeira fonte estatal ou governamental, inspiradora de tais barbaridades. Nesta contabilidade, também deveriam figurar as guerras civis, as quais, praticamente nunca resultam de confronto armado puramente interno a um país. Há sempre facções pro-governamentais e facções rebeldes: Umas e outras são financiadas, armadas e auxiliadas por potências estrangeiras.
A chamada "razão de Estado" é frequentemente invocada, mormente em contexto de guerra, mas não só, para inocentar de responsabilidade os governantes ou militares de alta patente, que ordenaram ou foram coniventes com crimes em massa contra civis.
Se, por um lado, é ingénuo querer que a guerra - violência estatal organizada em máxima escala - possa jamais ser 'civilizada", por outro, não denunciar, não dar a conhecer à cidadania os horrores que nela ocorrem, quaisquer que seja a responsabilidade dos exércitos em confronto, é um ato de encobrimento, portanto de conivência, com os ditos crimes.
Por isso, os poderes tentam intimidar das mais diversas maneiras ( difamação, blacklisting, expulsão, prisão, ou pior, assassinato), aqueles e aquelas que dão a conhecer os crimes estatais .
A passividade da opinião pública no Ocidente, não significa que haja consentimento. Muitas vezes, trata-se de ignorância dos factos. Porém, ainda mais frequente, é quando existe uma ideia errada, devido a campanhas destinadas a denegrir as vítimas dos atos estatais, como se eles fossem uma ameaça real (que quase nunca são) da sociedade civil.
Os defensores ideológicos destes atos criminosos, por parte de um governo, costumam utilizar, entre outras, a tática de diversão, de dizer que os "outros" cometem também atos terroristas. Seja isso verdade ou não, os atos contra os civis não-armados, portanto causando deliberadamente vítimas inocentes, são claramente atos de terrorismo, não diminuindo, antes aumentando de gravidade, quando efetuados por militares ou policiais, agentes de um Estado.

Não sei por onde começar, tal é densa a lista que povoa os últimos decénios, de crimes perpetrados - diretamente ou indiretamente - por Estados, dos quais não se fala, ou se fala pouco. Quanto a fazer-se justiça, em relação aos responsáveis por tais crimes, uma pessoa pode ter idealmente o desejo de que «justiça seja feita», mas quando a máquina de justiça dos estados está completamente dependente dos que dispõem do poder, apenas se poderá ver condenações em situações excepcionais, a impunidade é a regra.

Desde a série de escândalos relacionados com o caso Epstein, que tem raízes fundas, pelo menos até aos anos 80 do século passado, até aos casos de arbítrio recentes, de autoria de uma Comissão de Bruxelas, que mais parece uma entidade imperial, ditando o seu querer arbitrário a cidadãos e a Estados, sem qualquer suporte legal verdadeiro, nem sequer o suporte da legalidade produzida pela própria U. E. , temos uma coorte de casos onde as pessoas simples cidadãos são vítimas do poder absoluto, não-questionável, não-revogável.
Porém, tais casos e seu significado em relação à podridão dos sistemas políticos e judiciais e à sua decadência moral, são relativamente pouca coisa, comparados com os crimes de guerra continuados, especialmente os cometidos pelos exércitos dos países da OTAN, nos últimos 30 anos.
Lembremos o bárbaro bombardeamento da Sérvia e de Belgrado, estreia da OTAN em termos de território europeu. Lembremos o horror dos bombardeamentos arrasadores no Afeganistão, típica punição colectiva a um povo, supostamente por albergar membros da Alquaida... A que temos de acrescentar o cortejo de atos de repressão contra a população civil. Lembremos as guerras do Iraque e da Líbia, lançadas sob falsos pretextos, tendo causado morticínio na população civil, em ambos os casos, para obterem o derrube de ditadores que deixaram de se submeter aos ditames o Império. Vemos como transformaram países com imenso potencial em Estados falidos. Se quiserem encontrar exemplos de práticas coloniais, das mais retrógadas, no século XXI, basta olhar para o que as forças americanas, apoiadas pelos lacaios /«aliados», fizeram no Iraque e na Líbia:
- Um Estado fraccionado em zonas de influência étnico-religiosa: O Norte - Curdo; o Centro - Sunita e o Sul - Xiita.
- No caso da Líbia, ainda foi pior: o Estado africano com melhor índice de vida, transformou-se num (não-)Estado fraccionado entre feudos que se guerreiam entre si, onde as populações vivem na miséria, onde Tripoli e outras cidades são palco de mercados de escravos, como há 600 anos atrás!
Belo trabalho das forças armados das EUA e comparsas.
O sofrimento das populações é sistematicamente desprezado e as campanhas de sanções visam originar escassez, em países com poucos recursos ou até em países com bastantes recursos, mas sujeitos a bloqueios, de que as populações são vítimas. Foi assim que os americanos e seus aliados regionais venceram as forças de resistência  contra os salafistas e outros fanáticos religiosos fundamentalistas, na Síria. «Democráticos islamistas» foram alimentados em armas e financeiramente pelos EUA e seus Estados vassalos na região.
- É assim, à custa de milhões de mortes por falta de nutrição e recursos de saúde básicos, que pretendem vencer a resistência palestiniana, uma solução final para a Palestina e Gaza, defendida pelos governos dos EUA e Israel: Trump e Natanyahu estão de mãos dadas para levar até ao fim o genocídio da população de Gaza, para implantar nela a «Riviera» no Leste do Mediterrâneo!
E não existe indignação, repúdio suficiente, nas pessoas ditas «normais», no Ocidente:
Elas - infelizmente - não estão ao nível de consciência moral da «Action for Palestine», um grupo de ação direta não violento, que conseguiu provocar o debate na sociedade, mas à custa de tantos sacrifícios.
O poder de Estado reprime, difama impunemente, prende, tortura, mata, sem se importar com a reação do público. Este, tem medo ou está enganado pelas narrativas tendenciosas, que governantes, partidos no poder, o establishment e a media corporativa segregam de forma hegemónica. É preciso descaramento para designar por democracia o que se passa hoje nos países Europeus Ocidentais. Por exemplo, na Alemanha, uma afirmação de dissidência em relação à guerra contra a Rússia, pregada desde o governo e partidos maioritários, pode valer a um indivíduo a destruição de sua vida profissional, buscas arbitrárias e até prisão, baseada em falsidades. Tudo isto acaba por ser «admitido» por uma parte da população que crê - ou finge crer - que estas pessoas são «traidores», «agentes da Rússia», etc. Nem os deputados (poucos) que denunciam estas arbitrariedades e violações descaradas da Constituição, estão livres de receberem a insultuosa acusação de «agentes do Kremlin».
Estamos numa época bem triste, bem contrária à esperança ingénua de um Mundo por fim livre do pesadelo da guerra nuclear, que os europeus - à esquerda, à direita e ao centro - julgaram que se tinha iniciado com a implosão da URSS e a intensificação de laços económicos, sociais, políticos e culturais entre os povos do Leste e Oeste, após a «caída do Muro».
Hoje em dia, as pessoas não sabem (ou não querem saber) que o sacrifício de toda uma geração (ou melhor, de várias) quer na Ucrânia, quer na Rússia, são a expressão de uma regressão civilizacional. O processo de resolver diferendos pela negociação, pela diplomacia, está posto de lado, por mais que se «fale» de conversações de paz. A monstruosidade do que tem ocorrido nos 4 longos anos da intervenção russa na Ucrânia, vem - apesar do que se possa pensar - satisfazer os propósitos estratégicos das duas maiores potências mundiais. A China, com um acrescido domínio dos mercados e maior capacidade de estabelecer acordos com países do Sul Global, é a potência ascendente, que consegue colocar em xeque a potência ainda dominante. Esta, os EUA, consegue manter a hegemonia do dólar, seu principal objetivo, à custa de atos de guerra e de pirataria (como o rapto do Presidente Maduro, da Venezuela) e de usar a chantagem de intervenção armada contra países que não se dobram às suas exigêngias, mesmo os não alinhados ou amigos: Mostra assim que não tem respeito pelos direitos e pela soberania, seja qual for o país (veja-se casos do Canadá, da Dinamarca e Groenlândia, além da Venezuela...).
Num mundo assim, o Direito Internacional é apenas invocado por conveniência. As faltas crassas aos seus princípios, não trazem consequências de maior, para aqueles que estejam em posição de primeiro plano, ou enquanto aliados de conveniência daqueles.
O Direito pode parecer irrisório quando a força predomina. O facto é assustador, porque nos faz lembrar o período entre duas Guerras Mundiais. Foi um período de grande instabilidade, de miséria económica em muitos países, de compromissos rompidos, de ausência de escrúpulos, de repressão política feroz, de cinísmo.
A ONU, que resultou diretamente da II Guerra Mundial, está em crise de autoridade profunda. Há quem queira «ultrapassar» esta entidade global (caso do "Board of Peace" de Trump), para impor a sua hegemonia numa parte do globo. Um mundo fraccionado desde modo, não poderá ser outra coisa de que um mundo permanentemente em confrontos locais, parciais e à beira de confrontação global. Os mais pobres estarão completamente desprotegidos; a própria noção de legalidade internacional poderá ser deitada pela borda fora pelos Estados mais poderosos.

MISTÉRIOS QUE ESTE QUADRO ESCONDE... À VISTA DE TODOS

 




O famoso quadro de Bruegel, o Velho, surge como um apanhado de cenas da colheita de trigo e da vida camponesa, que ele pode ter muitas vezes observado na Flandres, sua terra natal, então pertencente ao Império dos Habsburgs.

Mas será que este é um quadro  apenas sobre um momento idílico da vida camponesa? A comentadora, pertencente ao Metropolitan Museum of Art, aprofunda os detalhes, as incoerências, no quadro deste mestre, pintado cerca de 1565. Se ouvir atentamente, vai descobrir que a pintura de Bruegel não é assim tão fácil de decifrar, como pode parecer, à primeira vista.

NOTA: Na tradição realista europeia, era comum pintar personagens do povo, não como figurantes, mas como protagonistas da cena pintada. Naturalmente, pensamos em Bruegel, o célebre pintor que nos dá a ver as autênticas tradições, de um povo com suas corveias e prazeres. Mas, não podemos esquecer que ele não foi o único; Jerónimo Bosch, antes de Bruegel, já tinha representado o povo, com verve e realismo. Muitos artistas da Flandres e Países Baixos especializaram-se, na mesma época e posteriormente, em pintar cenas campestres. 
Também na Itália, Península Ibérica e noutras regiões, era frequente cenas camponesas estarem inseridas na paisagem de fundo duma tela, cujo tema em primeiro plano, era uma cena religiosa ou profana. Tratava-se então de «um quadro dentro do quadro». Como também é o caso no quadro d'«A Colheita», aqui apresentada.

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Sobre pintura europeia:



















sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O TOMBO FABRICADO DA COTAÇÃO DA PRATA - UMA ANÁLISE




O mercado da prata no COMEX (Chicago) foi a cena de um golpe, protagonizado pelo maior banco comercial dos EUA, seguido pelos outros grandes bancos. Com efeito, desde há alguns anos, o banco J P Morgan, sob a liderança de Jamie Daimon, tem acumulado uma grande quantidade de prata em armazéns privados. Esta acumulação permite que o banco beneficie da atual subida histórica dos metais preciosos. 
Também é este banco que é emissor e garante dos EFT de prata, ou seja, de contratos de futuros, que são negociados nas grandes plataformas de matérias-primas, COMEX, LBMA (Londres) e Xangai (Shanghai Metals Exchange).

Na sexta-feira 30 de Janeiro, a uma hora precisa, houve uma venda massiça e coordenada de prata-papel no COMEX, seguida de venda deste metal precioso noutras bolsas de metais preciosos. A descida brusca e inesperada, após venda em grande volume, fez disparar os marcadores de venda, que os «traders» colocam para a eventualidade de uma súbita descida abaixo de um dado nível. O nível da descida da cotação deste metal ultrapassou, em percentagem, todas as descidas havidas desde há 30 anos. Com efeito, a descida súbita de um item, é normalmente indicativa de uma mudança não-prevista, o que se chama um «Cisne Negro».

Tanto os profissionais «traders» que operam por conta própria, como os que estão ligados a organizações (bancos, fundos de investimento, etc.) têm de responder a estes sinais, ou seja, liquidar posições a um dado preço, para que não sejam apanhados por uma descida exponencial e incontrolada de um ativo.
Assim, J P Morgan e outros grandes intervenientes, puderam comprar a muito baixo preço este metal precioso, que tinha estado a subir demasiado depressa, em relação ao que eles desejavam.
A supressão do preço de um metal precioso é uma manobra ilícita. Porém os fiscais nada fazem. Na verdade, estes não são realemente entidades independentes. Aliás, muitas pessoas suspeitam que eles recebem ordens do governo e não exercem seus poderes, se a manobra é feita com a conivência do dito governo.
A prata tem tido um crescendo de utilização industrial, nos painéis foto-voltáicos, na electrónica, na medicina e num elevado número de aplicações: Um painel votovoltaíco contém 20 gr. de prata; agora multiplique-se pela produção corrente destas unidades ao nível mundial. A prata é - inclusive - indispensável para armas sofisticadas como os mísseis «patriot» ou «tomahawk».

Lançando enorme volume de contratos de futuros deste metal no mercado, o Banco J P Morgan causou um primeiro choque, que depois foi ampliado pelo disparo de controlos, posicionados nas diversas contas contendo prata física como ativo. De seguida, muitos pequenos aforradores, em pânico, precipitaram-se a vender barras e moedas por um preço muito baixo, muito menos do que o preço pelo qual adquiriram a prata. Assim, os grandes atores - os grandes bancos, os Estados que lhes davam ordens, e  fundos de investimento - puderam adquirir grandes quantidades de prata física. Para isso, inicialmente, só tiveram de vender grandes quantidades de prata-papel (os contratos de futuros, ETF).
Este metal duplamente estatégico na índústria e «monetário» (cerca de 50% industrial / 50% monetário) tem sido armazenado por entidades poderosas. Além do banco JP Morgan, outros bancos e fundos privados; mas não se sabe, ao certo, quanto estas entidades acumularam, no total. O Estado Chinês tem armazenado grandes quantidades, não especificadas, com certeza à medida do gigantismo das suas indústrias.

O conflito militar pressupõe, no presente, uma guerra das tecnologias de ponta (chips, sistemas integrados em aviões de combate, mísseis, etc.). A concorrência na produção de equipamento militar é  duplicada por uma  concorrência na inovação tecnológica e no acesso preferencial, em condições de monopólio ou quase, às matérias-primas estratégicas (1). 

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(1) Veja-se o caso das «Terras Raras», por comparação. O caso da prata não se pode considerar análogo ao das «Terras Raras», pois existem em todos os continentes minas de prata, ou em que a prata é extraída como metal secundário. A sua refinação é um processo bem conhecido e otimizado. No caso das Terras ditas «Raras», estas estão bem distribuídas por toda a Terra emersa, embora haja sítios com concentração relativa maior. A situação de monopólio de facto, deve-se à exclusiva capacidade de refinamento da Rep. da China Popular, com 95% de produção de «terras raras» refinadas.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Lena Petrova: "EXPLOSÃO do DÉFICE dos EUA"


 Enquanto os dólares que saem dos EUA para pagamento de mercadorias e serviços é quase o dobro dos dólares obtidos pelos EUA do seu comércio exterior parece uma catástrofe, uma gigantesca situação de deficiência, afinal não é tanto. 

Lena Petrova explica que os dólares que saem, vão reentrar sob forma de investimentos estrangeiros, na maior parte em produtos financeiros (ações da bolsa, obrigações do Tesouro, investimento em fundos...) e/ou no mercado imobiliário. O défice comercial dos EUA, é facilmente colmatável, ao contrário dos outros países, que não possuem a sua moeda como moeda de reserva predominante ao nível mundial.
Mas a hegemonia do dólar em termos de comércio internacional tem sido posta em causa, por países dos BRICS e outros. Os BRICS totalizam mais de metade da população mundial e possuem cerca de 35% do PIB mundial. 
Se cada vez mais trocas comerciais são pagas noutras divisas e não em dólares, se se reduz acentuadamente a percentagem de treasuries (obrigações do Tesouro americano) guardadas em reserva nos cofres de grandes exportadores, como China, Japão e outros,  se o dólar já não é a divisa exclusiva para comprar petróleo, o processo  de colmatar o défice comercial graças a investimentos estrangeiros nos EUA, que terão de ser feitos em dólares, está em risco de falhar.
A defesa do dólar é a razão de fundo pela qual os EUA usam sanções  e tarifas aduaneiras como armas de guerra económica, inclusive contra parceiros e amigos: Estas guerras comerciais e as ações militares diretas pelos EUA (ou seus intermediários) nos últimos anos, mostram até que ponto a mecânica da circulação dos dólares ao nível internacional, é de importância vital para os EUA. 
É realmente uma fragilidade muito grande, dado que - ao contrário das décadas passadas - as produções exportáveis dos EUA se reduzem agora a material de guerra, a produtos agrícolas (soja...), petróleo e indústria do divertimento (Hollywood ...). Não há nada nestas exportações dos EUA que outros países não possam colocar no mercado, em condições concurrenciais.
A fragilidade tem por base uma redução da produção industrial nos EUA, a sua dependência aos outros, tanto em bens industriais, como agrícolas, por um lado; e, por outro, a necessidade do défice crónico americano ser colmatado pela compra por estrangeiros, de ativos em dólares. Ora, neste momento, muitos países (não apenas BRICS) promovem o comércio em suas divisas próprias, evitando o dólar.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

SCHRÖDER põe em causa a orientação atual da Alemanha e da União Europeia

 


Existe em toda a Alemanha muita gente que tem uma série de reservas em relação aos rumos que o governo anterior e o actual seguiram. Não serve de nada os fanáticos da ordem neo-liberal clamarem que os «outros» são os iludidos, ou que são «agentes de Putin» e que eles é que detêm a verdade verdadeira. Tudo o que fazem é reproduzir em mais grotesco - caso seja possível (!) - as derivas autoritárias de que foi protagonista a Europa e, em particular, este país, tanto no que toca à adesão ao nacional-socialismo (nazismo) como ao socialismo autoritário (Sobretudo durante a existência da DDR República Democrática Alemã). 
Schröder não tem a minha simpatia em relação às SUAS ACÇÕES POLÍTICAS PASSADAS. MAS, EMBORA TARDE, DESEMPENHA O PAPEL QUE UM PESO PESADO, RETIRADO DA POLÍTICA ATIVA, COSTUMA TER: Ser a consciência moral da sua corrente de pensamento e sobretudo dos consensos sociais conseguidos durante os anos em que foi Chanceler. Enfim, desempenha o papel de ser «voz» daqueles/elas que não têm voz, quer sejam de sensibilidade social-democrata ou outra.
A análise crítica do ex-Chanceler, embora não tenha nada de original, vem reforçar correntes que se sentem marginalizadas dentro da lógica da democracia parlamentar, que formalmente corresponde à constituição alemã. Os sinais de desrespeito da legalidade e da ordem constitucional pelo governo, abundam e está-se na Alemanha de hoje a um passo de um regime autoritário, ou, mesmo já dentro desse regime. 
Enquanto potência industrial mundial (ainda tem o 4º lugar no ranking) e ainda  claramente dominante economicamente dentro da U.E., as derivas autoritárias que venho assinalando, em relação à Alemanha, nos últimos anos, repercutem-se de imediato noutros parceiros da União Europeia e pesam no desenrolar das transformações geopolítica, económica e financeira, em curso. 
É por isso que me parece imprescindível conhecer  as críticas - a maior parte, certeiras - que incomodam tanto o establishment alemão e o das outras nações europeias. 

O REVELADO NOS DOSSIERS EPSTEIN JÁ NÃO PODE SER OCULTADO!

 O que sobressai das cerca de 3 milhões de páginas de documentos (de 6 milhões existentes), que incluem emails, fotos, filmes... onde se podem identificar os mais notórios políticos, homens de negócios e estrelas mediáticas... mostra-nos uma sociedade completamente debochada, sem travão moral de qualquer espécie. 

Muitas das personagens postas a «nu» em termos literais ou figurados, mostram evidências de crimes que se podem caracterizar como sequestro, violação, abuso sexual, pedofilia, chegando mesmo ao extremo de assassinatos rituais (satânicos) e antropofagia. Difícil de imaginar o grau de perversidade de toda essa gente. Sobretudo, porque constantemente nos faziam sermões sobre sua «humanidade», «filantropia»,  «generosidade», etc.


Quanto ao próprio Epstein, os novos documentos revelados demonstram que ele era um agente do Mossad.


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Ps1: Trump perde a calma e torna-se agressivo para jornalista que lhe perguntou sobre o caso Epstein: