O que os bem informados não se apercebem, é que, em contraste com a «Guerra Fria Nº1», os poderes usam os avanços da tecnologia e da I.A. para fabricar uma falsa realidade, uma informação «cientificamente» manipulada. Isso, é uma situação inteiramente nova.
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sábado, 3 de março de 2018

GUERRAS ECONÓMICAS IMPERIAIS

A absurda decisão de Trump em iniciar uma guerra comercial com os países (nomeadamente a China, mas não só) que têm fornecido matérias-primas e produtos industriais revela a enorme fragilidade económica do Império. Dá a impressão que o próprio Trump está desesperado em criar as condições de uma crise. 
Alguns analistas pensam que só assim - ou com uma monstruosa «falsa bandeira»- pensam justificar o «reset», a transformação do sistema financeiro mundial. A oligarquia dos EUA está convencida que somente assim poderá controlar a transição.


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

AFEGANISTÃO: CEMITÉRIO DE IMPÉRIOS

Desde o império de Alexandre da Macedónia, passando pelo império Britânico no século XIX,  pela União Soviética nos finais do século passado, até ao império dos EUA de hoje, o Afeganistão tem sido  (com muitos milhares de mortos em vão!) literalmente o cemitério de exércitos poderosos, mas igualmente, o cemitério no sentido metafórico de perda completa de ilusões imperialistas de grandeza, finalmente desfeitas em cacos, sem honra nem glória.


Por que razão quase não se fala desta guerra perdida, teimosamente mantida durante 16 anos... até hoje, contra toda a racionalidade?
- Será para ocultar a «perda de face» do Estado profundo, que controla o Pentágono, a CIA e todos os políticos de Washington, incluindo os presidentes...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ANO VELHO, ANO NOVO...

Vale esta postagem mais pela intenção do que pela inspiração. Depois de uma valente gripe, que me impossibilitou vários dias de fazer algo mais que sobreviver, sinto ainda com maior agudeza a ínfima pequenez do ser humano e da nossa vida, em particular.

Para cumprir com a tradição, irei fazer um balanço do ano transacto e previsões do vindouro. Estes exercícios normalmente esgotam-se numa série de banalidades declaradas  com imensa prosápia e muito pouco conteúdo real. Oxalá o leitor seja indulgente e não me inclua no número dos prosadores detestáveis que enxameiam os media por estas alturas do ano e nos fazem odiar o admirável mundo novo do mediático a todo transe...

No que toca à geopolítica verifico que este ano passado foi muito importante na acentuação de grandes linhas de força, como já previra no final de 2016: o acentuar do eixo euro-asiático, a perda de influência do eixo atlântico. Igualmente, a minha previsão de que a presidência Trump não traria uma viragem real nas principais linhas de força do Império; de novo, cumpriu-se o papel do sistema em fechar as hipóteses do recém-chegado à Casa Branca em mudar o que quer que fosse de significativo em relação à vontade do Estado Profundo, o mesmo é dizer dos que mexem nos cordelinhos do poder, por detrás da ribalta. 
Mas, por outro lado, a fraqueza do Império sobressai ainda mais com a estrondosa derrota na Síria, onde andou a fazer uma dúplice figura de gato escondido com rabo de fora, ora combatendo o ISIS ora protegendo o mesmo de ataques do Exército Sírio coligado com forças russas. 
A perda de influência de tal maneira se fez sentir, que um aliado tradicional no médio oriente e membro da NATO, a Turquia, surge com uma política autónoma de potência regional, não se importando demasiado se as suas relações com Moscovo agradam ou não a Washington. Além disto, os seus vassalos no golfo Pérsico, estão cada vez mais inclinados a estabelecer uma ponte com as potências emergentes no cenário mundial, a Rússia e China.
No plano da economia, o ano não foi de grande euforia, apesar de terem passado nove anos sobre um dos maiores abalos dos sistema, a crise de 2007/2008:  não deixa de ser visível que num número considerável de países,  os índices não retomaram os níveis pré-grande crise. Nomeadamente, ao nível da Europa, não existe uma verdadeira recuperação mas sim uma estagnação, a qual é mascarada pela constante impressão monetária do BCE (ECB), o qual vai fornecendo dinheiro gratuito para os países do sul gastarem em excesso das suas capacidades produtivas. Quando as taxas de juro atingirem um valor mais ou menos de acordo com a média histórica, não haverá salvação possível para muitos sectores europeus que têm sobrevivido graças a um ambiente artificial de juros super baixos. Quanto mais tarde o retorno ao normal se der, pior será, pois as pessoas já reformadas ou que entretanto se reformem, terão de se contentar com pensões diminutas, muitas delas insuficientes para uma velhice condigna. O choque será tanto maior que as pessoas estão a ser constantemente embaladas pelos discursos  dos políticos e da media corporativa.

Em relação à política europeia, a deriva à extrema direita vai acentuar-se com a conivência encoberta de toda a classe política tradicional, digo bem toda, pois a única forma de  barrar as sereias de extrema-direita seria de empossar o povo e fazer exactamente com que este se sentisse ouvido e respeitado; o povo não se sente mais como «soberano». A Itália será o epicentro provável do próximo tremor de terra político no continente europeu. Mas a eurocracia terá de enfrentar numerosas batalhas que a enfraquecerão, sem que nenhuma, por si só, seja suficientemente grave para precipitar uma crise final do império de Bruxelas: vejam-se os casos da Catalunha e das sanções contra a Polónia, ambos revelam a natureza centralista e autoritária do projecto europeu. Esta natureza foi disfarçada enquanto as situações não atingiam o nível de ruptura, nas regiões ou nações.

A viragem tectónica na economia mundial vai engendrar fenómenos de grande tensão e revira-voltas sem precedentes, como aliás já começamos a verificar no ano que está a acabar. O potencial de negócios nos grandes projectos que é a «One Belt One Road Initiative» já transparece. 
Confirma-se a minha previsão de que o Brexit iria ser um abalo profundo na oligarquia europeia, havendo um retraimento da oligarquia britânica do cenário continental. A Grã-Bretanha ambiciona sobreviver como ponte (financeira) entre o império decadente dos EUA e o emergente da China. A Comissão Imperial de Bruxelas está a negociar em termos de limitação do desgaste de sua imagem, não tendo mais o atrevimento para posar como grande projecto de futuro...

Creio que o mundo não vai passar sem uma profunda crise sistémica, que se vem desenvolvendo há vários anos, como uma acumulação de nuvens de trovoada, que começou no horizonte e se aproxima inexoravelmente do presente da nossa civilização. Muita devastação tem sido produzida já agora, por guerras e por sanções (guerra económica), sem qualquer piedade pelos mais fracos: estamos em plena era da política malthusiana

A grande mudança tectónica vai implicar uma perda da hegemonia do dólar como moeda de reserva e como principal divisa nas trocas comerciais internacionais. A elite mundial já aceitou isso há muito tempo, por mais que se faça discreta em relação a este facto. Porém, a sequência do que se passa ao nível do FMI não deveria deixar dúvidas a ninguém; para Christine Lagarde, tanto se dá que os escritórios do FMI sejam em Pequim ou Washington (ela própria o tem afirmado). Para os globalistas, o poder e somente o poder importa; a geografia, a nação, a cultura, a ideologia são nada em face de poder decidir da marcha do mundo. 

                            

Há loucura extravagante e loucura sóbria. A extravagante é fácil de detetar  e não vale a pena expor, ela expõe-se a si própria. A loucura dos globalistas é do tipo «sóbria», pois tem toda a aparência da razoabilidade, da moderação, porém esconde uma ambição absurda: a de controlar, de conduzir, de moldar a evolução do mundo. Porém eles sabem, melhor que ninguém, que este mundo humano e físico é propriamente caótico, ou seja tem a característica de um sistema sem uma lei, sem uma ordem, caótico no sentido mais profundo. 

Somos nós que projectamos os nossos desejos na realidade, não é a realidade que se conforma aos nossos desejos; desejamos, queremos ver o mundo de acordo com a nossa visão... é tudo.

domingo, 3 de dezembro de 2017

CÂMBIO TECTÓNICO NA GEOPOLÍTICA MUNDIAL

...Este câmbio, da maior importância, é passado sob silêncio.

As pessoas, no Ocidente, são condicionadas pela pseudo-informação da media corporativa, que faz tudo para ignorar, minimizar, ou dar uma visão distorcida, das iniciativas dos BRICS e de muitos outros países (mais de 60), que se têm unido a estes, quer no Banco de Investimento Asiático, quer na Belt and Road Iniciative. 

Os BRICS, em Novembro, estabeleceram entre eles que suas trocas comerciais não estariam mais dependentes do dólar, criando uma nota de crédito remível em ouro. Estas mudanças são descritas como tectónicas, analogamente à tectónica de placas da Geologia, porque mudam bruscamente o equilíbrio entre agrupamentos de Nações, propiciando que novos «continentes» se formem e que antigos se dissociem.

Creio que ainda tenho boas hipóteses de ver uma transformação geopolítica no mundo, talvez o início duma nova civilização, como resultado da transição dum mundo unipolar, para um mundo multi-polar. 

O vídeo abaixo, em que Alfred McCoy é entrevistado por Chris Hedges, dá-nos uma rápida panorâmica do declínio do império americano e aponta alguns dos fenómenos na sua origem:

https://www.truthdig.com/videos/chris-hedges-historian-alfred-mccoy-irrevocable-decline-american-empire-video/


O artigo do Asian Times, de Pepe Escobar, analisa qual a razão estratégica pela qual a China lançou a iniciativa «Belt and Road», a Nova Rota da Seda, e os seus rápidos e surpreendentes progressos. 
A filosofia por detrás deste empreendimento é simplesmente a da obtenção de vantagens mútuas para os parceiros envolvidos. Assim, a Geórgia, apesar de influenciada pelos EUA e candidata a entrar na NATO, por um lado, está participando, por outro lado, no projecto da Nova Rota da Seda, o qual lhe permitirá aproveitar o seu potencial como encruzilhada entre a Ásia e a Europa. Mas o artigo tem muitos outros aspectos interessantes.

http://www.atimes.com/article/caucasus-balkans-chinas-silk-roads-rising//




Finalmente, o artigo abaixo, de uma revista do MIT, expõe os avanços dos supercomputadores chineses em relação aos dos EUA. Esta vantagem é significativa, quer em termos de potência, rapidez, ou de capacidade total de armazenamento de dados. 
Este facto não é apenas relevante enquanto constatação da excelência da ciência e tecnologia chinesas; também mostra que, no plano científico e tecnológico, os EUA foram ultrapassados. 

https://www.technologyreview.com/the-download/609468/america-just-cant-match-chinas-exploding-supercomputing-power/


Em termos militares, segundo tenho lido, significa uma superioridade dos chineses em sistemas de detecção precoce da rota de mísseis inimigos e do cálculo automático das rotas que deverão tomar os mísseis, para furar os dispositivos anti-míssil dos adversários. 
Pela primeira vez, peritos militares dos EUA reconhecem que o «Ocidente» (EUA e aliados) não pode ter a certeza de que ganhará - calculam com grande probabilidade cenários de derrota ocidental - em confronto militar directo com as outras super-potências, Rússia e China.