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segunda-feira, 1 de junho de 2026

ERIC SATIE - GNOSSIENNES [Segundas-f. musicais nº60]

 

Desenho do compositor, por Picasso, na capa de uma selecção de obras de Eric Satie

Aos 101 anos da sua morte, Eric Satie continua a ser mal compreendido pelo público, em geral e mesmo pelos críticos musicais. No entanto, como elemento verdadeiramente original dos princípios do século XX, a sua obra guarda enorme interesse e atualidade. Aliás, vários compositores dos séculos 20 e 21, foram influenciados pelas suas obras.




Gnossiennes (completa) nº1 a 7

https://www.youtube.com/watch?v=nfhza_GLKNg&list=RDnfhza_GLKNg&start_radio=1&t=1298s


A música de Eric Satie é especial. É simples na estrutura, subtil no discurso musicalz e sedutora na sua austeridade... Talvez sejam as razões porque é agora mais popular do que nunca, passados mais de cem anos sobre a sua morte.

As 7 peças das «Gnossiennes» têm um caráter de reflexão pausada. Elas estão na antítese de boa parte da música da sua época, apesar de terem traços comuns à escrita musical de Debussy ou Ravel. A atmosfera que emana das composições de Satie escapa ao encerramento dentro de uma escola, de uma época. 

Ele serve-se de estruturas musicais extra-europeias: Por exemplo, as peças são frequentemente modais, o que não era nada comum, pois a música tonal ainda era a dominante. Recusa-se a fazer modulações que se limitam a ser transposições de uns tons para outros. Por outro lado, a repetição insistente de alguns motivos melódicos, tem um efeito encantatório, hipnótico. 

Curiosamente, ele não se coloca formalmente em ruptura com o passado, como o fizeram, desde o início do Século XX, vários vanguardistas. 

Se há peças musicais que nos ajudam a nos concentrar numa tarefa - a estudar, desenhar, etc - as 'Gnossiennes' são das mais adequadas.

 

sábado, 28 de janeiro de 2017

ERIC SATIE: «LES OISEAUX» + MANUEL BANET: TRANSFIGURAÇÃO E INÉDITOS DE 1987





TRANSFIGURAÇÃO

O azul nascente do céu
Recobre de um véu
O corpo imaterial,
Imenso, imortal,
Do passado e do futuro
Ignoto.


VERSOS TRAZIDOS DE UM POÇO

Eu fui ao fundo do poço,
do poço do meu ser
e trouxe um lírio roxo,
roxo pra me conhecer.

O que pode uma vontade
de ferro em brasa?
Poderá varrer tua vaidade
de ter dos anjos a asa?

Não creio que me iludam
as lágrimas e os suspiros
Pois, quando os ventos mudam,
mudam-se dos meus retiros.
  

OS CORVOS DA MADRUGADA

Corvos brancos do mar
Tendes asas pra voar
No meio da tempestade

E eu, do cais
húmido do desejo
vos vejo, vos oiço...

Ó meus corvos negros
da madrugada!