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sábado, 10 de outubro de 2026

CHUCK BERRY - PEQUENA HOMENAGEM PESSOAL (Segundas-f. musicais nº79)







Eu desejava mergulhar, de vez em quando, numa festa de música rock e de esponaneidade. Uma festa em que me liberte das inibições e das convenções, me ponha a dançar e cantar, até mais não poder! Então, se tivesse de seleccionar apenas um artista, escolheria o iniciador do rock and roll, o mentor de todos os grupos de rock d'aquém e além Atlântico.

Foi inspirador de Elvis Presley, dos Rolling Stones, dos Beatles e duma infinidade de outros: Não existem grandes nomes dos anos 60 e 70, que não tenham interpretado alguns dos êxitos de Chuck Berry.

Chuck Berry tem um número de canções gravadas da ordem de várias centenas. As faixas publicadas incluem também muitas intervenções ao vivo e com enorme naturalidade.

De facto, com as gravações ao vivo, a qualidade - muitas vezes - deixa a desejar, noutros artistas. Mas nele, além do som, havia 'o show'; ele evoluia com a sua guitarra, dançando, cantando e tocando, como só ele sabia fazer. Há uns anos, fiz uma playlist dedicada a Chuck Berry, com trinta audios e vídeos, que podeis aceder no link abaixo:


Os 10 vídeos e audios que transcrevo aqui abaixo, são somente um aperitivo para vos estimular a descobrir mais....

Existem tantas outras canções que mereciam estar nesta selecção, que adicioná-las todas seria impossível!

[ver notas/comentários, em baixo]

You never can tell

Johnny Be Goode

Roll Over Beethoven

                                                                          Little Queenie


                                                                    Sweet Little Sixteen

Too Much Monkey Business

On Route '66


                                                                   Memphis-Tennessee


Oh, Carol!


                                                   Rock & Roll Music (com Tina Turner)




Comentários de Manuel Banet

«You never can tell», uma canção sobre um casamento, num tom irónico, onde se misturam palavras em francês. Chuck Berry é natal de St. Louis, principal cidade da ex-colónia francesa da Louisiana, que depois de vendida aos recém-formados EUA, por Napoleão Iº (para financiar suas guerras), manteve a ligação cultural francesa, no seu dialecto «Cajun», nos costumes, na culinária...
 
«Johnny Be Goode» uma canção tornada ícone, não apenas por Chuck Berry, como símbolo de toda uma época. A utilização deste êxito no filme «Back to the Future» é mais um tributo, entre muitos. 
Na realidade, os negros do sul tinham muito poucas possibilidades de subir na escala social. A época ainda era de discriminação muito acentuada, nos anos 50. Por outro lado, a música «negra», o rock&roll e os blues, tinham tomado «de assalto» a juventude de todas as proveniências sociais e etnias, nos EUA. Chuck Berry contribuiu muito para quebrar a barreira invisível entre etnias e entre classes.

«Roll Over Beethoven» É muito conhecida mas mal compreendida. Nesta época, alguns conheciam apenas a versão dos Beatles. Uma amostra do humor de Chuck Berry: fez um aparte, dizendo que esses pensavam que ele abria o concerto com uma música dos Beatles!!!
Não se trata de desprezar Beethoven, mas de afirmar que a nova geração está a fazer sua música própria, o rock&roll, que irrompeu nos anos 50.

«Little Queenie», descreve a cena de sedução recíproca de uma jovem e do cantor. O vídeo acima mostra adolescentes (brancas) a assistir, sentadas a uma mesa da casa de espectáculos. Mas, as pessoas puritanas, que eram a maioria nos EUA nessa época, não podiam suportar o sucesso desta música, «música de pretos», diziam... e ainda por cima «vindo depravar» a nossa (deles) juventude! Mas esta mentalidade foi varrida nos anos 60 pela onda rock e pela a luta de massas pelos Direitos Civis, que não apenas acabou com convenções caducas, como promoveu a música do género de que Chuck Berry foi pioneiro.

«Sweet Little Sixteen». Está-se perante um dos clássicos do rock and roll: A história de uma teenager, do pelotão de fãs das bandas rock. Vêem-se em imensos filmes/documentários a gritar e a gesticular, nos concertos rock e pop. Chuck Berry presta homenagem à sua persistência nestes rituais dos bailes, com música ao vivo e típicos dos anos 50 e 60. Nestas ocasiões, vestiam-se para terem aparência de adultas (sapatos  de saltos altos, etc.). Mas, acabado o fim-de-semana, tinham de novo que vestir o uniforme escolar e sentar-se nos bancos da escola.

«Too Much Monkey Business», uma das canções mais divertidas e críticas duma série de instituições. Os Beatles - e muitos outros - não hesitaram em incluí-la no reportório dos seus primeiros anos. Um dos melhores trechos de Chuck Berry!

«On Route 66» descreve um itinerário de Chicago à costa da Califórnia, percorrido na célebre auto-estrada 66. A canção original, composta por outro autor, foi muito tocada por Chuck Berry e por outros músicos de rock e jazz (Nat King Cole, por exemplo) nos anos 50. Depois, nos anos 60, os Rolling Stones fizeram deste «clássico» um dos seus sucessos. Esta canção está associada ao que veio a ser designado como a «Beat Generation» e com Jack Kerouac a dar o toque literário, com o célebre romance «On The Road»... 

«Memphis, Tennessee» É a historia de um pai separado da sua filha. Eles tentam contactar-se telefonicamente. Nesta época, as ligações regionais eram manuais, através da telefonista. Mas a canção não me parece «antiquada», porque exprime uma situação bem comum hoje em dia, a dos casais separados e a forte motivação de um pai em superar obstáculos, para estar (ou falar ao telefone) com sua filha.

«Carol» é uma das canções mais célebres de Chuck Berry, retomada pelos Rolling Stones (no seu primeiro álbum) e por muitos outros conjuntos pop e rock. Fala da jovem por quem o cantor se apaixonou. Este suplica que ela não se deixe «arrastar» e promete que aprenderá - dia e noite - a dançar, para que ela aceite ser sua garota.

«Rock and Roll Music» é a canção-emblema da geração de Chuck Berry e seguintes. Aquela que funciona como «hino» do rock, em todas as versões e modalidades. Chuck Berry chama Tina Turner, esta sobe ao palco e mostra-se muito divertida por atuar ao lado de Chuck Berry. É uma atuação energética ao quadrado! 

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Elvis ainda E SEMPRE favorito [Segundas-f. musicais n°42 ]

 


...Quando surgiu como um furacão nos Estados Unidos, este fenómeno não me impactou, porque era um menino e vivia num país afogado em censura, hipocrisia e convencionalismo. Tudo o que fosse ou se assemelhasse a rebelião, mesmo que apenas em canção, era banido da rádio. A rádio era o meu veículo de contacto com a música rock e pop, que estava operando uma «revolução sonora» e também comportamental, nos adolescentes da época.

Mas, o facto é que a fama de Elvis Presley era tão grande, que derrubava muitas barreiras. Eu, por volta dos dez anos, preferia os Beatles e os Rolling Stones, mas não deixava de prestar ouvido atento a Elvis Presley.

Ele era, não apenas idolatrado, como incendiava os corações das moças. O seu reportório de canções românticas, sobretudo, derretia as meninas adolescentes, mais do que as canções de rock endiabrado e irónico, que também eram a sua marca.

No decurso da minha adolescência, Elvis Presley já se transformara, perdendo muito do impacto inicial, mas isso não é surpreendente, é mesmo a norma, nas carreiras da maior parte dos ídolos. No entanto, a memória de Elvis perdurou, muito para além da sua vida.

Não há muitos outros, no rock e pop, que conservam na minha memória a frescura que Elvis transmite.

Hoje, decidi seleccionar algo que é, por definição, subjectivo escolhendo apenas 12 canções de que gosto. Nem todas são grandes sucessos comerciais. Cada pessoa terá a sua lista própria de canções preferidas.

Consulta aqui a playlist Elvis Presley




segunda-feira, 15 de julho de 2024

BIG MAMA THORNTON e o "RYTHM & BLUES" (Segundas-f. musicais nº 9)


                                           https://www.youtube.com/watch?v=Vl9pb-BsT1w

                           Big Mama Thorton com John Lee Hooker: «Hound Dog
» (1964)


 Esta cantora é deveras original, sobretudo, pela força de sua expressão vocal. É também precursora nos anos 1950, do Rhythm & Blues. 
John Lee Hooker, Mama Thornton e outros, tocam harmónica noutra peça (Down Home Shakedown), gravada no seguimento da sessão de «Hound Dog». 

Muitos artistas de Rock e de Rhythm & Blues retomaram as canções de Big Mama: Elvis Presley (Hound Dog), Rolling Stones (Little Red Rooster), Janis Joplin (Ball N' Chain) e muitos mais...

Vale a pena explorar o reportório rico e variado de Big Mama Thornton: Existem muitos vídeos com gravações (em estúdio e ao vivo) e entrevistas sobre a sua vida e carreira. 

Note-se que o «Blues», vindo Sul agrícola e do delta do Mississípi, está na origem do «Rythm & Blues», mas também do «Soul», do «Rock» e também muito do Jazz foi aí buscar suas raízes. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

BIG MAMA THORNTON: HOUND DOG + BALL N' CHAIN

 

Hound Dog é um tema bem conhecido. Mas a sua origem é pouco conhecida. 

A criatividade de «Big Mama» Thornton cativou Elvis Presley nos seus primeiros anos como estrela ascendente do rock, tendo feito de «Hound Dog» um dos seus primeiros (e maiores) sucessos.

Neste mesmo vídeo acima, podemos assistir a um quinteto de harmónicas, com John Lee Hooker. Repare-se no papel de liderança de  Mama Thorton.

Ball N' Chain é um blues muito forte, escrito e interpretado por Big Mama. 

Mais tarde, foi interpretado por Etta James e por Janis Joplin, entre outros nomes famosos do blues e do rock.