domingo, 19 de abril de 2026

Fragilidades demográficas e económicas da China


                           https://www.youtube.com/watch?v=OsNb5_BpGIg&t=165s



COMENTÁRIO POR MANUEL BANET

A China é muito vasta. O território consiste numa orla costeira sobrepovoada e uma imensidão de zonas interiores, umas devotadas à agricultura, outras montanhosas e impróprias para a agricultura. Nestas zonas interiores menos favorecidas, uma parte da população tem migrado para as grandes cidades,  para realizar as terefas humildes, que os citadinos agora desprezam: limpeza municipal, operários de construção, operários industriais em atividades penosas e pouco salubres, etc. 
O «hinterland» da China é imenso e tem fornecido muita mão-de-obra para as regiões mais desenvolvidas. A média de fertilidade global na China tem algum significado, porém, o que conta também é saber se continua a haver uma elevada fecundidade em zonas pouco desenvolvidas ou essencialmente agrícolas.  Se assim acontecer, então o problema demográfico será outro; já não a baixa fertilidade, em absoluto. Mas um baixo índice em zonas urbanas, causando um forte apelo para o emprego de baixo índice remuneratório mas, suficiente para estimular os jóvens a abandonar os seus distritos rurais nativos. Isto provoca um esvaziamento de adultos jovens nas zonas periféricas.

Quanto ao excesso de oferta de andares, também a questão deve ser vista de maneira diferenciada. Nos últimos 20 anos, foi necessário alojar milhões em novas aglomerações industriais. Por exemplo, Shenzen, onde se concentra uma parte da indústria de elecrónica e informática, era uma pequena cidade provincial que, num espaço de tempo curto - cerca de 30 anos - se transformou num grande centro. Logicamente, os operários que foram trabalhar para Shenzen e para outras cidades inteiramente novas, precisavam de alojamento. 
É verdade que muitas famílias depositaram as suas poupanças em apartamentos, destinados a ser vendidos com lucro, ou a serem alugados. Na verdade, nem a bolsa, nem as contas bancárias são muito atraentes na China. As bolsas estão sujeitas a altos e baixos muito mais acentuados do que nas bolsas europeias. As contas bancárias são fracamente remuneradas (abaixo do valor real da inflação), tal como acontece nos países ocidentais. O excesso de construção deixou em perigo de falência as empresas gigantes, tais como a Evergrande, que vendiam as habitações quando elas somente estavam projetadas. O lucro que faziam, permitia expandirem-se por muitos outros setores. Tiveram um sério travão pelo governo de Xi Jing Pin, que traçou os princípios pelos quais era lícito construir: Não haverá casas à venda «no papel»; as casas têm como função serem habitadas, não devem servir como veículo de especulação; os créditos à habitação por parte dos bancos devem obedecer a regras claras e controláveis, as pessoas que foram ludibriadas devem ser indemnizadas pelos infractores...
Um aspecto do problema tem a ver com a gestão dos terrenos pelos governos provinciais, que puderam assim levantar somas importantes e desenvolver suas regiões, antes pouco desenvolvidas, graças à cedência de terrenos para o imobiliário. 

Outra fragilidade da China é a que se prende com a autossuficência alimentar e energética. O vasto território da China daria para alimentar adequadamente toda a população. Porém, em consequência do êxodo rural, muitas zonas do interior não fornecem ao conjunto da China os géneros agrícolas que potencialmente poderiam produzir. 
O desenvolvimento das energias ditas «renováveis», embora tenha feito progressos notáveis, não impede que continue a ser dependente do petróleo numa extensão considerável (como vemos na atualidade). Quanto à energia nuclear e os reactores a tório, parecem ser uma aposta forte do governo. 
Um país tão vasto, que conseguiu fazer sair da pobreza absoluta 800 milhões, em menos de 30 anos, terá muitos problemas e contradições, inevitavelmente. 
A política agressiva de sanções do Ocidente e dos EUA, em particular, com o objetivo de limitar ou reduzir as capacidades tecnológicas avançadas da China, saldou-se por um fracasso. Estimulou o desenvolvimento endógeno das tecnologias de ponta tornando a China ainda mais competitiva nesse domínio. Porém,  terá havido situações de desemprego causado por fábricas que fecharam, sucursais ou concessionárias de grandes empresas ocidentais que decidiram retirar-se da China (algumas, pressionadas pelos governos de origem, com certeza).

No conjunto, o que pode acontecer de menos favorável às indústrias chinesas, terá a ver com a profunda crise que se desenvolve internacionalmente e em particular nos países ocidentais, que eram os principais clientes dos produtos chineses. É previsível que a descida da capacidade económica de muitas pessoas no ocidente, provoque um retraímento das compras de produtos chineses. Mas, apesar do ambiente internacional desfavorável, o certo é que agora o Ocidente e particularmente os países europeus, vêm que a China é indispensável como parceiro para trocas comerciais: Cortar ou restringir os laços comerciais com a China iria originar muito mais dano para as economias destes países, do que para a China.


ORIGENS DO POVO BASCO (finalmente) DESVENDADAS


 Excelente documentário que nos permite compreender a enorme relevância do ADN antigo, para  esclarecer o passado de cada povo, mas também as susceptibilidades genéticas a várias doenças. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

REVIVER O ECOSSISTEMA ATRAVÉS DE (RE)INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES SELVAGENS

 NA SERRA DE GUADALAJARA, EM ESPANHA



                                        https://www.youtube.com/watch?v=2puOUHPivH8


Nunca tendo renunciado à ideia de que «natural é o melhor», fico entusiasmado pelas tentativas de reinvestir os sítios mais flagelados por fogos e por brutal invasão do espaço de floresta (ou agrícola) com espécies exógenas e agressivas, como o eucalípto. Tais iniciativas são para aplaudir, apoiar e tomar como exemplo de transição ecológica.
Porque o futuro, contrariamente à propaganda dos tecnocratas, não significa robots, mas humanos em interacção criativa e respeitosa com as outras espécies animais. 
O conteúdo do vídeo é a melhor forma de mostrar quão idiota é a dominação/destruição da Natureza, para subjugar o espaço rural ou silvícola aos interesses depredadores de alguns capitalistas. 
Já é tempo do público não especializado começar a diferenciar o que é realmente agricultura sustentável e o que são apenas slogans para enganar.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

LÍDER DA OPOSIÇÃO DE TAIWAN EM VISITA À CHINA + «blackout» mediático sobre BRI


 https://www.youtube.com/watch?v=fiDtfdBYHBQ

A líder do KMT (Kuomintang) de Taiwan é favorável a uma unificação com a China. Este é o partido dos nacionalistas históricos, fundado por Chan Kai Tchek. 
O DPP, que está no poder, tem uma postura de separatismo, além de ter uma ligação muito subserviente a Washington. Os falcões da Administração Americana  e do Pentagono estão apostados em provocar uma guerra. O complexo militar-industrial dos EUA tem vendido a Taiwan uma quantidade de armamento e têm sido enviados militares americanos para instruir na utilização das armas sofisticadas. 
Segundo a líder do KMT, um conflito com a China continental seria pior que a situação da Ucrânia em relação à Rússia. Ela questiona, num vídeo transcrito por Ben Norton, «se os taiwaneses querem ser os próximos ucranianos» isto é, serem aqueles que são cilindrados numa guerra, que não têm hipótese de ganhar, para conveniência dos EUA.

RELACIONADO:

Os media ocidentais estão sempre a veícular uma imagem negativa de fracasso, das Novas Rotas da Seda. Porém, nada se sabe, porque há um écran de contra-informação e os dados económicos objetivos são claramente suprimidos. Tudo o que seja bem sucedido do lado da China, é para difamar; se não for possível - por distorcer a realidade de forma evidente, expondo a fabricação - então a media faz «black-out» destas notícias. Assim, o público é desinformado, pois a media ocidental não lhe dá a possibilidade de conhecer os factos.




terça-feira, 14 de abril de 2026

O DECLÍNIO E QUEDA DO IMPÉRIO AMERICANO (PROF. JIANG)




COMENTÁRIO DE MANUEL BANET



No jogo complicado que se está jogando entre os grandes - EUA, China e Rússia - a questão decisiva é a da manutenção ou desmembramento do sistema do petrodólar.
É o sistema que sustenta o «enorme privilégio» dos EUA. Têm os EUA défices comerciais e do orçamento federal enormes, há imensos anos e funcionando como se nada fosse. Qualquer outro país iria mergulhar na bancarrota.
O sistema do petrodólar é que permite que os EUA mantenham a primazia económica, financeira e militar.
Os petrodólares são obtidos pela venda do petróleo (em dólares) pelas monarquias do Golfo (principalmente). Esses dólares vão ser reciclados através de investimentos nos EUA, desde a compra de ações ao imobiliário, assim como a compra de obrigações do Tesouro, ou seja, dívida de Estado dos EUA.
O défice dos EUA é coberto pela venda de dívida pública (obrigações do Tesouro). Enquanto este sistema funciona não há razão para a classe no poder deixar de agir como age.
Mas, a des-dolarização correlaciona-se com compras de combustíveis, cada vez mais significativas, usando outras divisas que não o dólar. Isto faz com que os compradores da dívida americana sejam cada vez menos.
Paralelamente, os maiores detentores de dívida americana - o Japão e a China - têm despejado no mercado grandes quantidades destas obrigações. Isso acontece no momento em que os EUA precisam de cobrir cerca de 1 trilião de dólares de juros de dívida com a venda de novas obrigações. Na ausência de compradores, só resta aos EUA aumentar os juros, para tornarem atraente a compra de tais obrigações.
O processo é assimilável a uma espiral em que cada vez mais dívida se vai acumular, pois a única maneira de cobrir a dívida (que vai vencendo) e os juros (que são devidos), é pedir (ainda) mais emprestado.
A necessidade prática de qualquer país possuir dólares para comprar petróleo foi um dado adquirido durante decénios, desde 1973 até há bem pouco tempo.
Com a utilização no comércio internacional, de divisas dos próprios países e já não usando o dólar como moeda intermediária, a necessidade de se possuir dólares para comerciar foi diminuindo.
Note-se, isto vai muito além da mera compra de petróleo. No ano 2000, cerca de 70% das trocas comerciais internacionais eram feitas em dólares. Agora, serão 56%, segundo o FMI e outras agências internacionais.

O jogo dos EUA é obrigar os países a abastecerem-se em combustível nos EUA, ou em países por eles controlados (... ou que serão em breve controlados por eles): O plano prevê o controlo efetivo dos recursos energéticos da América do Norte, o que inclui o Canadá, a Groenlândia, o México, a Venezuela e países da América Central... Se os fornecedores de crude do Médio-Oriente desaparecerem ou reduzirem a sua capacidade em fornecer o mercado durante largos anos, o défice causado na oferta de crude ao nível mundial será tal, que os países (amigos ou não) terão de comprar o petróleo e o gás que necessitam aos EUA, ou aos países seus vizinhos sob controlo.
As atoardas de Trump de que integraria o Canadá, compraria a Gronelândia, anexaria o Panamá e subjugaria o México, além do que ele fez efetivamente à Venezuela, não são mais do que a afirmação descarada, expondo parte do programa da oligarquia para a nova fase da globalização, agora «manu militari».
A guerra no Irão não deverá ser curta, segundo o interesse do imperialismo: Deverá antes ser longa e deixar exaustos e incapazes de participar no comércio mundial de combustíveis, não apenas o Irão, como as seis monarquias do Golfo Pérsico (a Arábia Saudita, o Qatar, os Emiratos Árabes Unidos, Oman, Kuwait e Bahrein).
Os países que se abasteciam no Golfo Pérsico terão poucas hipóteses alternativas, perante o rápido declínio da oferta no mercado mundial. Excepto a China, que ficará mais resguardada graças ao fornecimento estável da Rússia. Todos os outros, terão dificuldades no abastecimento energético e na economia, em geral. Os preços dos bens essenciais irão aumentar; vai haver aceleração da inflação. Ao mesmo tempo, haverá contracção do investimento. O mundo vai entrar numa depressão «estag-flacionária» ou seja, de estagnação e inflação, em simultâneo.

Mas, o Império irá ficar mais isolado. Vai ser incapaz de seduzir as pessoas. O chamado «soft power» vai desfazer-se, como uma pintura facial que se derrete. Usará a força militar, a chantagem com os «amigos», a utilização de guerra terrorista, com morticínios contra os civis, etc. Vão ser estes os traços característicos do comportamento dos EUA, tanto ou mais do que agora.
Certos países da Europa talvez tentem - em vão - seduzir a «Grande Besta», mas chegarão à conclusão de que os EUA estão na mão duma poderosa Máfia, como disse Mac Carney* na última reunião do Fórum de Davos.
Quanto mais depressa chegarem a esta conclusão, mais hipóteses terão para delinear e executar uma estratégia de salvamento da sua independência, identidade, património e presença no Mundo.
Os que insistirem em «fazer as vontades» ao colosso de pés de barro, serão os primeiros a ser esmagados.
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*Mac Carney: Ex-presidente do Bank of England e atual primeiro-ministro do Canadá 




Complemento: Mapa da América do Norte, segundo as ambições dos tecnocráticos.



Complemento II: Gravura publicada por Trump a 15 de Abril de 2026 (ver artigo de Thierry Meyssan)