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domingo, 18 de outubro de 2026

CONFIRMA-SE: A BOLHA DA «IA» JÁ COMEÇOU A REBENTAR









A indústria de IA atingiu um ponto de não-retorno. É como um esquema de Ponzi «ao contrário». No esquema de Ponzi clássico, a atração constante de novos investidores vai permitir que os juros altos se sustentem, enquanto as pessoas acreditarem no esquema. Mas, no caso da IA, não existem retornos, não há lucros gerados das somas colossais investidas. As pessoas acabaram por duvidar seriamente das promessas de grandes retornos quando, mesmo os iniciadores desta indústria são incapazes de obter lucros a partir de seus investimentos maciços. 
A ilusão ou hipnose da IA pode estar a desaparecer, mas algo vai ficar: Os monstruosos 'Data Centers", que servirão aos Estados para organizarem uma sociedade de vigilância total, com o novo sistema "panóptico".
 
Algo de muito assustador se perfila: A aliança íntima do poder de Estado, com os grandes magnates. Neste caso, o Estado estaria disponível para financiar e mesmo até  nacionalizar empresas de IA, para que estas se tornem um novo «braço armado tecnológico» ao serviço do Estado e do capital. 
Os oligarcas das tecnológicas serão indemnizados dos investimentos não lucrativos; os pequenos e médios investidores, que apostaram na miragem da IA, ficam com as perdas. E os contribuintes também, claro: A estes, o Estado vai buscar uma grossa fatia dos impostos, para cobrir as despesas com a IA, para financiar o dispositivo de vigilância generalizado ... ironia macabra!

Na media corporativa, ninguém vos esclarece sobre isto. As grandes cadeias de media estão ao serviço das grandes corporações e da «big tech». Estes gigantes da tecnologia aliaram-se aos governos mais poderosos, nomeadamente ao governo de Trump, para ajudar a instalar o «Technate».


 ... ou seja, o tecno-feudalismo(*): Obtêm assim o controlo do hemisfério Ocidental, monopolizando recursos, população e mercados. Tudo isto em exclusivo. 

Mas, para tal, têm de inflar a grande bolha da IA. Têm de hipertrofiar a imagem do poderio e do alcance da IA, para que as pessoas se convençam de que seria fútil tentar escapar, por qualquer meio.

Por outro lado, a IA ao receber uma enorme fatia dos capitais disponíveis para investimento, tem estado a provocar a agudização das contradições internas, o que está a intensificar a crise do capital. Os interesses colectivos - incluindo vários sectores capitalistas - são preteridos pelos interesses individuais dos bilionários de IA e tecnologias associadas. Concretamente, verifica-se que sectores indispensáveis ao funcionamento da sociedade capitalista  estão a ser afetados seriamente, porque deixaram de ter acesso - ou com acesso mais difícil, ou mais caro - a energia, água e financiamento.

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(*) O tecno-feudalismo não é mais, na essência,  que um capitalismo que atingiu a máxima concentração monopolística. Neste regime, não apenas deixa de existir concorrência entre empresas, como o Estado fica inteiramente submetido aos grandes grupos privados. Deixou de ser um sistema capitalista clássico,  onde as empresas se digladiam no mercado, em concorrência para captar a clientela. No tecno-feudalismo não há  mercado, não  há concorrência e não há escolha para os servos. 

É uma nova distopia, porém muito semelhante ao mais sombrio do período soviético. A transformação acima descrita, vai se aproximando de regimes totalitários passados, com a diferença de que agora, a casta do topo é exclusivamente formada por bilionários .


RELACIONADO:


https://youtu.be/oGCb9gGBBrw?is=F5HQ9KZNrb42aAHw


https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/04/bolha-de-ia-prestes-rebentar.html


https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2025/01/a-revolucao-tecnologica-de-deepseek-o.html


sábado, 8 de agosto de 2026

COMO ENCONTRAR O HUMANO NUM MUNDO DE MÁQUINAS ?

(Um breve auto-guia para os tempos vindouros.)




C


«Um autor com fama de profundo, fazia a apresentação de seu novo livro de poemas. 

Após leitura perante audiência, uma voz perguntou-lhe: Mestre, acaba de nos declamar um subtil e profundo poema... podia nos dizer qual o título?

- Houve um silêncio prolongado, após o que replicou o poeta: Não há título; não se trata de poema nenhum, mas do índice, da lista das obras deste volume.»

Esta história humorística contaram-ma, há muitos anos, para ridiculizar os vanguardismos. Mas aplica-se como uma luva para «produções literárias» por  IA.

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A tradução de um texto poético sobre qualquer assunto é  - em si mesma - um desafio para o bom tradutor, alguém que deseja preservar a beleza formal e conservar o essencial do conteúdo. Tenho experiência pessoal de que é um exercício muito mais difícil do que parece, à primeira vista. É preciso conhecer a fundo ambas as línguas. É muito difícil obter uma tradução com rima  e métrica, quando elas existem no poema original. 

Um texto em prosa banal,  traduzido literalmente, dá um texto-tradução pouco criativo, mas cujo significado se conserva, geralmente. É isto que fazem os algorítmos de tradução automática. Mas, o resultado é muito insatisfatório quando o texto é de prosa literária ou de poesia. 

Os algorítmos falham a vários níveis: Geralmente não identificam ambiguidades ou ironias, tendem a reproduzir, palavra a palavra, as expressões proverbiais, etc. Muitas coisas que não passariam em traduções «normais». A tradução palavra a palavra perde todo o sentido. 

O algorítmo não reflete sobre o que está a reproduzir; na realidade, não existe criação ou reflexão própria da IA, como seria de prever. 

Um mau tradutor é melhor que o programa mais caro de IA, não por a tecnologia não estar avançada o suficiente, mas porque o cérebro humano não é uma máquina, nem funciona como uma máquina; as suas produções não se confundem, afinal e como seria de prever, com as de uma máquina! 

Pode-se aplicar - com modificações - o famoso teste de Alan Turing: Segundo este, o computador terá atingido um certo grau de inteligência, quando o indivíduo julga que está em diálogo com uma pessoa; mas está a interagir com uma máquina. 

A minha receita é simples de aplicar: fornece um texto poético e pede para o traduzir, ou para dar uma explicação do conteúdo. 

Uma pessoa poderá fazer uma interpretação medíocre. Mas o algorítmo irá sair-se com algo completamente disparatado: Interpreta literalmente - com uma série falhas do significado real - tomando as metáforas por imagens factuais, por exemplo.

Um ser humano percebe que está perante um texto poético, percebe que as coisas que lá estão não se podem interpretar em sentido literal. O algorítmo de IA não pode fazer isso, nem há maneira de o «treinar» para fazer isso. 

Também podemos perguntar afinal, para que serve a IA: 

- Por exemplo,  pode ser um auxiliar para termos uma ideia sobre o que trata um texto - um artigo científico, por exemplo - escrito em língua que nós não conhecemos. Se o texto traduzido com a ajuda de IA for do nosso interesse, então podemos pedir uma tradução «à moda antiga» a um tradutor dessa língua, que tenha familiariedade com a área científica do tal artigo.

Não digo que as máquinas sejam incapazes de compor música, de escrever poesia... Digo, que estas produções não terão qualquer apelo para mim, não me fazem vibrar: 

- Eu já experimentei ouvir música (ao estilo do rock dos anos 70) feita inteiramente por IA, mas achei o resultado destituído de qualquer interesse musical. Tinha os traços típicos da música rock dessa época (anos 70). Mas, qualquer coisa fazia com que não transmitisse a mínima vibração, a mínima emoção. Era música sem alma, embora os instrumentos e as vozes sintéticas fossem de tal maneira, que pareciam reais. A autenticidade, o magnetismo, estavam completamente ausentes...  

                      Música dos anos 70, inimitável.... Jefferson Airplane