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domingo, 23 de agosto de 2026

Corbyn & Finkelstein: Gaza e a cumplicidade ocidental [Crónicas da IIIª Guerra Mundial, nº 70]

 


Eles discutem as questões sem demagogias, mas também, sem refrearem de nomear os crimes e os responsáveis por eles. 
A minha sensação, quando ouvi este diálogo foi como de «déjá vu»: 
- Aquilo que está a acontecer em Gaza e na Palestina sob ocupação, se assemelha a uma «experiência» monstruosa ou uma série de «experiências», levadas a cabo pelos sionistas; não só o exército de Israel, como o governo, os partidos «de poder». Estes atos criminosos são levados a cabo com o «beneplácito» dos poderes das democracias ocidentais. 
O fascismo também começou assim; lembremos na Abisssínia.  Lembremos a chamada «guerra civil de Espanha», que não foi uma guerra civil, mas sim um confronto internacional, preparatório da IIª Guerra Mundial, que aliás começou logo depois que a derrota republicana foi completa e as tropas franquistas dominaram a totalidade do território. Os nazis submeteram os judeus (mas não apenas eles, ciganos, homossexuais, dissidentes políticos...) a brutais torturas, a escravidão, maus tratos constantes, «caças ao homem» em cada país que conquistavam. Os morticínios em massa nos campos de concentração foram decretados por Hitler e seu Estado-Maior, quando havia nenhuma hipótese deles ganharem a guerra, ou mesmo de obterem um arranjo que lhes permitisse sobreviver.
Aquilo que está a acontecer em Gaza é um genocídio à vista de todos, com crimes de guerra quotidianos, muitos sendo orgulhosamente relatados em público, nos media ou nas redes sociais, pelos soldados israelitas que os levaram a cabo. 
Os dirigentes políticos incentivaram a cometer crimes contra civis, mostram o maior desprezo (em público) pela vida humana dos palestinianos, seja de adultos ou crianças, de civis ou de membros do Hamas, todos eles destinados a «limpeza» completa ou quase.
Creio que Netanyahou, Ben G'vir e os outros, não poderiam fazer o que têm feito, ordenado o exército a proceder como procede em Gaza, mas também nos Territórios Ocupados, ou no Líbano, sem terem as coberturas dos governos ocidentais: dos EUA em primeiro lugar, mas igualmente de quase todos os governos dos países da OTAN ou da UE, com poucas exceções (a Espanha e a República da Irlanda, esta não faz parte da OTAN, mas é membro da UE). 

Este crime hediondo dos sionistas em Gaza e nos Territórios palestinianos em geral, aparece-me cada vez mais como uma parte da monstruosoa «tarefa» de parar e diminuir o crescimento dos países outrora coloniais. Com efeito, se as populações palestinianas são as mais cultas em todo o Médio-Oridente, apesar das circunstâncias adversas, isso para os sionistas mais racistas tem o significado de um perigo, pois não poderão esperar nunca a sujeição dum povo com tanto martírio na sua História e com tantas pessoas cultivadas (com licienciaturas, doutoramentos, em todas as áreas do saber, incluindo as áreas mais técnicas).
Esta  «experiência-teste» é um precedente para as elites europeias e norte-americanas fazerem o mesmo, com as adaptações necessárias, quer nos seus países respectivos, quer (mais provável) em países do Sul, onde os seus interesses estratégicos estejam a ser postos em causa.

As pessoas estão adormecidas, no Ocidente. Curiosamente, muito pouco se fala dos tópicos abordados por Corbyn e Finkelstein neste vídeo. Ou as pessoas pensam que não lhes diz respeito, mostrando assim um enorme egoísmo. Neste caso, revelam uma enorme miopia e mesmo estupidez: Com efeito, as gerações dos seus pais tiveram de ir lutar nas fileiras dos exércitos coloniais (ou neo-coloniais) para tentar anular ou minorar a onda de independências que começou nos anos 50 e continuou nos decénios sucessivos, até hoje. 
Porque as recentes guerras de agressão e extermínio, levadas a cabo quer pelos EUA, potência hegemónica global, quer países europeus ex- sedes de impérios coloniais  (França, Reino Unido, etc) se destinavam a manter os referidos países (Somália, Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Líbano e agora Irão ...) submetidos às potências ex-coloniais ou neocoloniais. Todos os pretextos serviram para manter o público da Europa e América do Norte iludido, sendo muito difícil fazer passar as realidades que desmentiam as confabulações que os poderes produziam. As poucas pessoas lúcidas estavam em nítida inferioridade de meios, perante as constantes ondas de propaganda, de desinformação e de incultura política (mantida intencionalmente).

A saída no longo prazo, vai depender de vários fatores:
- A coesão do movimento dos BRICS, que é muito frágil, embora assente sobre princípios saudáveis. 
- A reorganização do movimento de massas do início do século XXI, os «anti-globalistas» ou alter-globalistas», 
- A reativação das resistências populares e operárias dentro de cada país, com uma dinâmica de organizações de classe que não esteja refém de lógicas partidárias. 
Os fatores que podem provocar o despertar dos oprimidos, são
- a iminência de uma brutal recessão mundial, 
- a oligarquia tentando apropriar-se do capital dos fundos de pensões e obter a privatização de estruturas de gestão pública
- o empobrecimento acelerado e a perda de ilusões de jovens, de que poderão levar uma vida decente, com um padrão de bem-estar melhor o semelhante ao da geração dos seus pais.
- A compreensão profunda, sobretudo entre a juventude, de que deve fazer a unidade na luta, entre si, e entre as classes com os mesmos interesses fundamentais.

Não vou fazer vaticínios, mas uma coisa positiva já está a ocorrer: A onda de resistência nos países ex-colóniais, aos cantos de sereia neoliberais, que pretendem criar ou conservar para as oligarquias as condições para extração das matérias-primas e da mão-de-obra desses países. 
Em relação ao resto, há demasiadas incógnitas para se saber de antemão qual será a configuração do Mundo, dentro de 5 ou 10 anos.