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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

«O TIO LOUIS » (Segundas-f. musicais nº46)

                                 https://www.organsparisaz4.orguesdeparis.fr/St%20Gervais.htm

As obras para órgão de Louis Couperin  (1626-1661) foram, durante muito tempo, desconhecidas. Só vieram à luz, graças à descoberta (pelo musicólogo inglês Guy Oldham) de um manuscrito, no ano de 1958. Este, contém cerca de 70 peças, de uma excelente qualidade e variedade; incluem peças propriamente litúrgicas (baseadas no cantochão gregoriano), fugas sobre temas (como «Urbs Beata», «Conditor») e peças de estilo "livre", fantasias, principalmente. 

A sua obra de órgão é de grande importância para a evolução da escola francesa, pois faz a ligação entre Titelouze (iniciador da referida escola) e Nivers. 

No link seguinte «Obras de Louis Couperin», podeis encontrar a lista completa das obras vocais e instrumentais deste importante compositor do século XVII. Em termos de divulgação, as obras para cravo são mais frequentemente executadas, que as para órgão. Com efeito, Louis Couperin foi um importante compositor para cravo: São consideradas invenções dele os «Préludes non mesurés», ou seja, prelúdios típicos da escola francesa para cravo. Tem numerosas Fantasias para cravo, suites, peças descritivas e as Chaconnes e Passacailles, de grande qualidade. A sua obra para o cravo será objeto  dum artigo específico, na rubrica das «Segundas-f. musicais».

Os acasos da História da Música, assim como a fama alcançada pelo sobrinho, François Couperin, cravista da corte de Louis XIV, fizeram com que o sobrinho recebesse o cognome de «Le Grand», eclipsando parcialmente a memória do tio (que, aliás fora importante na educação de François, este fora órfão muito cedo). 

Não nego que François Couperin seja um dos maiores compositores franceses de todos os tempos. Mas, convém sublinhar que estava inserido numa família de músicos - ao longo de várias gerações, tal como os Bach: Houve diversos Couperin talentosos, antes de depois de François, o mais célebre. 



Esta fantasia, assemelha-se estilisticamente a peças de François Couperin para órgão, especialmente do livro de órgão «Messe à L'Usage des Paroisses».

 A interpretação é no órgão da Igreja de Saint Gervais, em Paris: Foi o órgão de que Louis Couperin e várias gerações de sua famíla, foram organistas. É uma maravilha de equilíbrio sonoro. É muito adequado para o reportório da segunda metade do século XVII . A peça é interpetada por Aude Heurtematt, organista titular.




Das cinco peças para órgão, interpretadas por Pieter Dirksen, a primeira é uma Toccata/ Prélude ao modo francês, solene e utilizando os «cheios» do órgão.  A segunda é uma fantasia, usando um registo (tierce) que soa uma terceira acima do registo fundamental ( de 8')  e um "tremblant" (registo usando trémolo/vibrato). A terceira, é uma fantasia, para o baixo de cromorne um registo que imita o som anasalado do cromorne. Um dueto (peça nº4) e um «Petit Plein Jeu» (nº5) (no segundo teclado do órgão, com menos registos graves que o «Grand Plein Jeu» no teclado principal), finalizam este pequeno recital.