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sábado, 17 de outubro de 2026

MITOLOGIAS XIV : «A FORÇA FAZ A RAZÃO»: FÁBULA DO LOBO E DO CORDEIRO

A FORÇA FAZ A RAZÃO (e não «a razão faz a força»)

[um exemplo claríssimo de realismo político e social]




Um lobo, vendo um cordeiro que bebia ao bordo de um ribeiro, inventou um argumento especioso, como pretexto para o devorar.

Assim, embora ele se encontrasse a montante e o cordeiro a juzante, acusou-o de estar a poluir a água e de o impedir de beber. O cordeiro respondeu-lhe que apenas bebeu uns golinhos e que, aliás, estando a juzante não podia afetar a água da corrente a montante. O lobo, viu que o seu argumento tinha falhado, mas voltou à carga: «No ano passado, insultaste o meu pai.» — «Eu nem sequer tinha nascido, nessa época» respondeu o cordeiro. Então o lobo sentenciou: «tens muita facilidade em te justificar, mas - apesar disso - não escapas de ser comido. »


 A fábula encontra-se em Esopo e foi adaptada por La Fontaine. Faz parte do pequeno grupo de fábulas célebres, que mantiveram bem viva a memória do poeta-libertino. Ele tinha uma vida pouco recomendável, em termos da moral convencional da época. Mas, isto é assunto para um artigo separado. Basta-nos constatar que a fábula do Lobo e do Cordeiro transcende a época, a cultura, a moda. 

Em cada fábula que La Fontaine escreveu em verso, atualizando o reportório da antiguidade para a época dele, o seu conteúdo é uma crítica disfarçada, mas acerba, de traços de carácter dos homens, sob aparência de animais que falam. 

O que nos seduz no presente, em relação a esta fábula específica, não é que ela ponha a nu a injustiça do poder: Isto tem sido uma constatação observável, tanto no tempo de Esopo, como de La Fontaine, como na atualidade. O que nos seduz, é como é tratada a inadequação da defesa do cordeiro: De que servem discursos racionais e ajuizados, quando o poderoso deseja «comer» o mais fraco? 

- Com efeito, muitas pessoas comuns pensam que se salvam, apelando à racionalidade dos que detêm o poder; mas quem detém o poder, só mudará de atitude, se perceber que poderá perdê-lo, caso continue com um determinado comportamento. Aliás, isso acontece com frequência maior do que se julga. Quantos monarcas e ditadores perderam o trono (e, por vezes, a própria vida) por comportamentos que suscitavam a ira de seus sujeitos, incluindo seus aliados mais próximos, transformando ex-cordeirinhos em animais muito menos tenros, capazes de coletivamente derrubar o odiado chefe de Estado?

A sociedade, em circunstâncias normais e infelizmente, submete-se sempre ao «argumento» do Lobo (a força faz a razão), contra o do Cordeiro?

- Só nas revoluções, as pessoas ousam enfrentar realmente o poder.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MÚSICA & POESIA EM PARIS [Segundas-f. Musicais, nº77]



A poesia é música, celebremos pois os poetas que enobreceram a língua francesa e estão associados, em muitos aspectos, à cidade de Paris. 
Muitas outras cidades de França e do Mundo têm suas histórias entrelaçadas com personagens literárias e poéticas. Nisso, Paris não é excepção. 
O que a caracteriza como excepcional, é ligação dos poetas a Paris, através do universo da canção.


A CANÇÃO PARISIENSE

 Desde François Villon (c. 1431 - após 1463), até aos cantores-autores dos séculos XX e XXI, foram postos em música inúmeros poemas que, de forma directa ou indirecta, evocam Paris. Mesmo quando não seja de modo explícito, a canção parisiense tem o jeito de nos evocar locais e cenas parisienses.
Por isso, Paris estará sempre entre as mais belas e musicais metrópoles do planeta.



                         https://www.youtube.com/watch?v=GG-n8fd2kWk&t=122s


OS POETAS MALDITOS 

Estamos «programados» para celebrar poetas dos séculos anteriores, mesmo conhecendo os lados menos luzentes dos mesmos. 
Baudelaire, Verlaine, Rimbaud... Não eram famosos no seu tempo. A sociedade não lhes dava valor. As pessoas «decentes» julgavam-nos obscenos, dissolutos e decadentes. Praticamente, foram descobertos, editados e apreciados, somente decénios após sua morte.
Quanto aos poetas malditos de hoje: Quais serão os reconhecidos como «poetas geniais», no próximo século?


CANÇÕES E POEMAS DE QUALIDADE

Entretanto, podemos ouvir versões musicadas de alguns poemas, compostas por Léo Ferré, Jean Ferrat e Georges Brassens. Mas, além destes, Charles Trenet e muitos outros puseram em música as poesias do passado. 
A composição de música sobre poemas é bastante exigente. Somente os criadores de talento conseguem fazer sobressair a música implícita nas poesias.

(Antologia poética e musical:)








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Titre : Le Pont Mirabeau
Poète : Guillaume Apollinaire (1880-1918)
Recueil : Alcools (1913).

Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

L'amour s'en va comme cette eau courante
L'amour s'en va
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure