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domingo, 11 de janeiro de 2026

Portugal retoma a sua vocação ?

 



COMENTÁRIO:

Eu não estou dentro do segredo dos deuses. Não posso portanto confirmar ( nem por grosso, nem ao detalhe), as trocas tidas à margem de cimeiras da Organização dos Países de Língua Portugesa, ou de outros eventos, em que ministros dos estrangeiros participaram. 
O que me parece é que determinadas correntes, nos «principais partidos de poder» em Portugal (PSD e PS), têm uma visceral ligação com a U.E. e com a OTAN, muito em desfavor dos seus respectivos eleitorados e do próprio povo português. 
A «punição» da Troica em relação a Portugal, que Pepe Escobar refere, aconteceu e foi realmente muito dura, como ele diz. Porém, a consciência política do facto ficou confinada às franjas mais radicalizadas do eleitorado, que votaram PCP ou "Bloco de Esquerda". 
Nisso, como noutros assuntos de importância magna, a não independência da média tem desempenhado um papel de ocultação, ou de desinformação com  fidelidade canina aos «Senhores seus Donos». 
Portugal durante gerações, foi sujeito ao fascismo salazarento, mais obscurantista ainda que o franquismo. A curta «festa revolucionária», após 25 de Abril de 74,  não inverteu fundamentalmente a ignorância do povo, mormente devido à contrarevolução em 25 de Nov. de 1975 e aos anos que se seguiram, de involução dos projetos baseados em ideias generosas de democracia «a caminho do socialismo». 
A educação cívica e política, que se pretendeu introduzir ao nível do ensino secundário, muito depressa fracassou, por sabotagem das próprias lideranças do Ministério da Educação. 
A demagogia dos partidos, quase todos, serviu-se da ignorância do povo, apresentando-lhe a cada eleição a imagem que lhes daria mais votos, sem nenhuma tentativa séria de apresentação das questões políticas que se colocavam no momento, ou a longo prazo. 
Infelizmente, este estilo de «democracia» eleiçoeira, foi descendo de nível, de eleição em eleição. Nas últimas eleições para a Assembleia da República, cada partido encontrou slogans que não queriam dizer nada de concreto, para colocar nos seus cartazes. Ou não significavam nada ou tinham o mais inócuo conteúdo que se possa imaginar.  As frases eram tão destituídas de significado político ou programático, que eram intercambiáveis. Sem as caras dos candidatos ou respectivos emblemas partidários, os cartazes não eram sequer identificáveis com tal ou tal partido. Portugal está no grau zero da política; também pela ausência de conteúdo esclarecedor nos debates televisionados. O resultado disto, foi um terramoto eleitoral da extrema-direita, que soube explorar as facetas mais mesquinhas, presentes numa parte do povo, nomeadamente o seu ódio pelos estrangeiros, erroneamente vistos como roubando o ganha-pão dos portugueses: Na verdade, os empregos que os emigrantes tomavam, eram  os de menor prestígio social, aos quais 99% dos portugueses - mesmo no desemprego - não se queriam candidatar. Mas, a incapacidade de fazer frente à vaga de xenofobia e de racismo, foi tanto mais devastadora, quanto o maior partido (dito) de esquerda, o PS, estava incapaz de contra-atacar, perante a ofensiva da extrema-direita. Nos anos de governo do PS de António Costa, foi promovida a vaga de emigração para o nosso país, permitindo reduzir a grave deficiência de trabalhadores na agricultura, na construção, na restauração... 
Turismo e habitação de luxo; foram os sectores onde o PS convidou o grande capital português e estrangeiro a investir, para superar a crise profunda dos anos 2011-2014. 
Entretanto, a subserviência ao grande capital e à finança especulativa, não podiam ser compatíveis com iniciativas de desenvolvimento industrial. 
A incapacidade da oligarquia portuguesa, que tem estado no poder nestes cinquenta anos, com excepção da curta fase revolucionária (1974-75), deveria ser patente aos olhos dos meus concidadãos. Porém, muitas pessoas deixam-se enganar por polémicas políticas ou pela «fulanização» da política, não vendo realmente o que está em jogo. Outros, pelo contrário, percebem bem o jogo, mas estão interessados em tirar daí o melhor partido pessoal.
Eu nunca vi, na História geral ou contemporânea, uma burguesia de tipo «comprador» se erguer, exprimindo os interesses vitais de um povo. Pode haver momentos em que, por demagogia, os lobos vistam a pele dos cordeiros (.. para os devorar); ou que fazem poses de «leão», mas os seus donos sabem perfeitamente que eles são «gatinhos». 
Gostava de acreditar numa mudança para um pragmatismo desenvolvimentista, como Pepe Escobar parece conceber, para os alinhamentos exteriores de Portugal. Porém, tenho como muito mais provável, por observação do «terreno» e dos actores mais significativos, que a classe «burguesa comprador» jamais irá dar um golpe de rins e fazer as escolhas necessárias para o país. 
Não; o país só poderá renascer pela vontade dos «de baixo», da classe trabalhadora, quando estes tiverem consciência de como foram manipulados, para perpetuação do poder dos oligarcas .

domingo, 30 de julho de 2023

REPÚBLICA DOS POETAS nº3 - Alda Lara

 



A luso-angolana ALDA LARA reúne a originalidade da poesia de expressão portuguesa, com a preocupação de natureza social. Esta sua sensibilidade não pode ser alheia ao muito sofrimento e miséria que testemunhou na sua curta vida, como médica numa Angola dominada por um colonialismo retrógrado,   só possível porque foi a expressão dum poder político profundamente reacionário, o Portugal de Salazar. 

O poema «Círculo», entre muitos poemas de qualidade, que se podem ler nas diversas coletâneas e na integral da obra poética, marcou-me com uma impressão profunda de proximidade com a autora, embora não a tivesse jamais encontrado e somente soubesse da sua vida pelo que consta nas biografias da Autora. 
Seria injusto reduzir um/a poeta a um único poema. Mas, o meu propósito não é dar uma visão panorâmica de uma obra; é de partilhar convosco as poesias que tiveram maior impacto em mim, no passado e que ainda possuem essa qualidade: Suscitar o maravilhamento, como obras de arte imorredoiras que são.



                      CÍRCULO
  
todo o caminho é belo se cumprido.
ficar no meio é que é perder o sonho.
é deixá-lo apodrecer, no resumido
círculo, da angústia e do abandono.

é ir de mãos abertas, mas vazias,
de coração completo, mas chagado.
é ter o sol a arder dentro de nós,
cercado,
por grades infindas...

culpa de quem, se fiz o que podia,
na hora dos descantes
e das lidas?

ah! ninguém diga que foi minha!
Ah! ninguém diga...

minha a culpa,
de ter dentro do peito, 
tantas vidas!...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

CORRUPÇÃO SISTÉMICA e o IMPÉRIO de ISABEL DOS SANTOS

                       


Uma série de investigações internacionais, levadas a cabo pelo International Consortium of Investigative Journalists, em Janeiro deste ano, revelou ao público internacional a rede de conivências que permitira durante decénios a construção, consolidação e expansão do Império de Isabel dos Santos, filha do ex-presidente angolano, José Eduardo dos Santos. 
Eduardo dos Santos presidiu em Luanda a um Estado corrupto, enfeudado à ex-URSS enquanto ela existiu e, rapidamente virando, para a protecção dos EUA, depois da desintegração do regime soviético. 
Este Estado angolano, lutando durante décadas, após a independência de Portugal, com um grupo de guerrilha dissidente (e pró-ocidental), a UNITA, de Jonas Savimbi, acabou por se tornar não só uma ditadura (corrupta como todas o são), mas uma ditadura onde os militares, em todos os assuntos tinham um papel muito grande. 
Assim, os contratos no âmbito da exploração do petróleo (em Cabina), os que diziam respeito à extracção de diamantes (na Lunda) e outros, desde extracção de minerais e  matérias-primas à banca, passavam por complexas e opacas redes de influência, no centro das quais se encontrava Isabel dos Santos, com acesso directo ao poder, influenciando decisões, inclusive tendo contratos talhados para favorecer suas empresas e grupos de negócios.
Neste conjunto de negócios, que se poderiam caracterizar como rede mafiosa, extraindo rendimentos chorudos à custa do Estado angolano e dos seus recursos, havia negócios em Portugal. 
Não eram poucos: desde participações em bancos (BIC, BPI), empresas (ex.: a empresa com projecção internacional EFACEC), a um conjunto de participações, como na GALP (petróleos e refinação) e numa série de outras fontes de rendimento. 
Esta vasta rede de interesses, tinha a apoiá-la gabinetes de consultoria, gabinetes de advocacia e vários políticos das diversas forças partidárias, que ajudavam Isabel dos Santos nos seus negócios, não apenas portugueses, mas internacionais. 
Para quem conhece bem Portugal, não surpreende o que está explicitado na longa investigação do International Consortium of Investigative Journalism. 
É verdade que, além da justiça angolana, a justiça portuguesa, assim como a doutros países, tomaram medidas. 
Porém, o aspecto chocante é que as conivências óbvias de que Isabel dos Santos beneficiou e que não eram segredo para ninguém, não têm - aparentemente - sofrido qualquer incómodo. 
Mas, se gabinetes de advogados, políticos, membros da administração de bancos, altos funcionários do Estado... colaboraram na estratégia de Isabel dos Santos, de fuga organizada aos impostos para «paraísos fiscais» e múltiplas outras operações de duvidosa legalidade, como é possível estes não serem indiciados
Como não se abre investigação para desvendar o seu grau de colaboração, se houve ou não conivência nos crimes que Isabel dos Santos efectuou? 
Mesmo que sejam crimes relevantes somente para o Estado de Angola e para o seu povo, sem consequências gravosas para Portugal, um criminoso é sempre um criminoso e alguém cúmplice dum crime tem uma quota-parte de responsabilidade criminal no assunto.  

Portugal, nominalmente um Estado de Direito, na prática é uma espécie de paraíso para criminosos das altas esferas financeiras, para a criminalidade económica. 
Isso é bem claro para muitos. Quem tiver interesse em aprofundar o assunto, aconselho o livro «Corrupção» do jornalista Eduardo Dâmaso. Ele retraça a história da corrupção em Portugal, no pós 25 de Abril de 74. Neste livro, percebe-se que a impunidade deste tipo de crimes foi planeada, a legislação teve sempre «alçapões» através dos quais era fácil escapar às malhas das justiça. Houve sempre impotência - mantida intencionalmente - da polícia e dos tribunais em operacionalizar a investigação deste tipo de crimes. 
É, porventura, esta característica que atraiu «Isabel e seu gang» a Portugal, mais que pelo facto de ser o país ex-colonial, ou pelos laços de afinidade, de língua, etc... 
Sobressai, na escolha de Isabel e dos seus acólitos, o facto de Portugal ser o país da impunidade, em termos de criminalidade financeira. 

Penso que o universo de pessoas envolvidas nas redes mafiosas que extraíam milhares de milhões, ao longo dos anos, ao Estado angolano e os investiram em lucrativos negócios em Portugal e em todo o mundo, deve ser grande. 
Mas, infelizmente, muitas são pessoas consideradas «intocáveis», que possuem alavancas suficientes no Estado, para conseguir que não sejam inquietadas. Se o forem, sabem como desviar os golpes, eventualmente fazendo a vida negra ao polícia atrevido ou ao juiz insolente, que ousou questionar a sua «integridade». 
De resto, escasseiam pessoas com coragem para desmascarar e acusar, com fundamento, aqueles que têm o poder.

Portugal é um país com corrupção sistémica. Isso já era bem conhecido há longo tempo. Mas, pondo-se a nu toda a rede criminosa de Isabel dos Santos, veio corroborar o que já se sabia. Veio também mostrar que esta corrupção endémica e sistémica persiste, até aos dias de hoje.

 As pessoas têm de tomar conhecimento de que, na fraude e corrupção, este país do extremo ocidental da Europa, se assemelha mais aos países do chamado Terceiro-Mundo, do que aos seus parceiros da União Europeia. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

[Renegade Inc.] A MALDIÇÃO DA FINANÇA

 


https://www.youtube.com/watch?v=iES3dJmhORY&feature=youtu.be

«Finança bom, muita finança ainda melhor e a maior finança de todas, o máximo...»

Este mantra tem sido repetido em todas as economias desenvolvidas durante décadas e quase completamente capturou a mente dos políticos, da média e do público.
Vários países têm feito o impossível para atrair ao seu território as corporações financeiras, para «criar riqueza». Mas estudos recentes mostram que a financialização, em vez de acrescentar, extrai riqueza, esvazia a economia e potencia as desigualdades.
O anfitrião Ashcroft entrevista o autor Nick Shaxson e pergunta-lhe se, afinal, começa a despontar que, o que nos foi vendido como uma bênção, é antes uma maldição?

domingo, 28 de janeiro de 2018

ANGOLA SOB NORTON DE MATOS (documentário RTP, por Fernando Rosas)


                                   História a História África - Episódio 4 - RTP Play - RTP

Vale a pena conhecermos a nossa História. Nos períodos menos estudados ou conhecidos, ela não é menos interessante. 

O que significa para nós, hoje, conhecer a História de Angola nos tempos de Norton de Matos? 
- Teremos uma melhor compreensão de nós próprios, de onde viemos, que motivações e limitações tiveram os das gerações dos nossos pais e avós, como reagiram, etc. 
É um pouco como a História das nossas famílias. Um bocado difícil para alguns, suportar certas imagens, porque se misturam afectos. Mas, por outro lado, há coisas que são, há coisas que aconteceram. 
Nos conhecermos a nós próprios, é a chave da sabedoria individual; também é necessário conhecermos a História, o entorno, o ecossistema, compreender o que somos, de onde viemos... Saber o passado é andar com maior segurança nos caminhos do futuro!

Temos sido amnésicos e isso tem um preço. A ignorância do passado tem um preço, um custo muito elevado para o presente e para o futuro.