segunda-feira, 20 de julho de 2026

Música Pentatónica [Segundas-f. musicais nº67]



O sistema pentatónico não é exclusivo da música tradicional chinesa; longe de ser característica exclusiva, é antes a estrutura (meta-estrutura) que subjaz grande parte da música não-europeia.
No passado, foi muito mais frequente a sua utilização na Europa. Prova disso, no folclore europeu subsistem exemplos de música pentatónica.
A estrutura pentatónica implica uma relação diferente entre os sons da escala. Embora as notas «Do-Ré-Mi-Sol-Lá», sejam comuns a escalas pentatónicas e diatónicas, elas diferem nas relações entre as notas. Nas escalas normalmente usadas na Europa, em músicas tradicionais e clássicas, a escala de oito tons progride em tons inteiros e meios tons. São as posições relativas dos intervalos de meio-tom que definem os dois modos, o modo maior e o menor. Na música pentatónica, as melodias podem ter modulações e transposições, mas não estão estruturadas para convergir na nota «tónica».
As notas simultâneas, na música oriental, ou fazem parte do suporte harmónico, ou resultam do entrecruzamento de melodias. Mas, o contraponto, tal como cultivado no Ocidente, não existe. Porém, a música extra-europeia pode ser muito rigorosa em termos formais. A arte dos compositores e dos interpretes é tal, que dá uma impressão de fluidez.
No Ocidente, muitos compositores, além dos musicólogos, interessaram-se pelo sistema pentatonal, presente nos respectivos folkores ou nas tradições extra-europeias.
Os instrumentos, afinados segundo o princípio da escala pentatónica, são imensamente variados: Os materiais usados incluem o bambu, vários tipos de madeiras, diversos metais, a pele distentida (nos tambores), as cordas (no passado, feitas de tripa), etc.
- O erhu é uma maravilha de simplicidade. O executante experiente pode retirar toda a variedade de sons de somente duas cordas do erhu, vibrando sobre uma pequena caixa de ressonância e usando um arco parecido ao dos violinos.
- O guqin ou «cítara chinesa» (não tem parentesco com as cítaras europeias!) tem uma extensa gama de sons e pode encher uma sala, graças à caixa de ressonância, sobre a qual estão distendidas as cordas; também, graças aos plectros que o instrumentista fixa na ponta dos dedos.
Os instrumentos usados nos conjuntos instrumentais destas gravações, são os tradicionais. A paleta dos timbres e sons é extremamente rica. As possibilidades expressivas são muitas. As composições são especialmente adequadas à sonoridade dos instrumentos respectivos.
Os temas que se podem ouvir nos vídeos abaixo são, ou composições da autoria dum músico determinado, ou adaptações de temas tradicionais.

Não sou entendido em música extra-europeia. Esforço-me por me documentar e apreciar as tradições que a imensa diversidade de culturas nos oferece.
O último vídeo desta selecção é dum conjunto de Dunhuang, uma cidade-etapa nas antigas Rotas da Seda. O tema de abertura na flauta evoca claramente as melopeias árabes e da Ásia central.




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