O mercado da prata no COMEX (Chicago) foi a cena de um golpe, protagonizado pelo maior banco comercial dos EUA, seguido pelos outros grandes bancos. Com efeito, desde há alguns anos, o banco J P Morgan, sob a liderança de Jamie Daimon, tem acumulado uma grande quantidade de prata em armazéns privados. Esta acumulação permite que o banco beneficie da atual subida histórica dos metais preciosos.
Também é este banco que é emissor e garante dos EFT de prata, ou seja, de contratos de futuros, que são negociados nas grandes plataformas de matérias-primas, COMEX, LBMA (Londres) e Xangai (Shanghai Metals Exchange).
Na sexta-feira 30 de Janeiro, a uma hora precisa, houve uma venda massiça e coordenada de prata-papel no COMEX, seguida de venda deste metal precioso noutras bolsas de metais preciosos. A descida brusca e inesperada, após venda em grande volume, fez disparar os marcadores de venda, que os «traders» colocam para a eventualidade de uma súbita descida abaixo de um dado nível. O nível da descida da cotação deste metal ultrapassou, em percentagem, todas as descidas havidas desde há 30 anos. Com efeito, a descida súbita de um item, é normalmente indicativa de uma mudança não-prevista, o que se chama um «Cisne Negro».
Tanto os profissionais «traders» que operam por conta própria, como os que estão ligados a organizações (bancos, fundos de investimento, etc.) têm de responder a estes sinais, ou seja, liquidar posições a um dado preço, para que não sejam apanhados por uma descida exponencial e incontrolada de um ativo.
Assim, J P Morgan e outros grandes intervenientes, puderam comprar a muito baixo preço este metal precioso, que tinha estado a subir demasiado depressa, em relação ao que eles desejavam.
A supressão do preço de um metal precioso é uma manobra ilícita. Porém os fiscais nada fazem. Na verdade, estes não são realemente entidades independentes. Aliás, muitas pessoas suspeitam que eles recebem ordens do governo e não exercem seus poderes, se a manobra é feita com a conivência do dito governo.
A prata tem tido um crescendo de utilização industrial, nos painéis foto-voltáicos, na electrónica, na medicina e num elevado número de aplicações: Um painel votovoltaíco contém 20 gr. de prata; agora multiplique-se pela produção corrente destas unidades ao nível mundial. A prata é - inclusive - indispensável para armas sofisticadas como os mísseis «patriot» ou «tomahawk».
Lançando enorme volume de contratos de futuros deste metal no mercado, o Banco J P Morgan causou um primeiro choque, que depois foi ampliado pelo disparo de controlos, posicionados nas diversas contas contendo prata física como ativo. De seguida, muitos pequenos aforradores, em pânico, precipitaram-se a vender barras e moedas por um preço muito baixo, muito menos do que o preço pelo qual adquiriram a prata. Assim, os grandes atores - os grandes bancos, os Estados que lhes davam ordens, e fundos de investimento - puderam adquirir grandes quantidades de prata física. Para isso, inicialmente, só tiveram de vender grandes quantidades de prata-papel (os contratos de futuros, ETF).
Este metal duplamente estatégico na índústria e «monetário» (cerca de 50% industrial / 50% monetário) tem sido armazenado por entidades poderosas. Além do banco JP Morgan, outros bancos e fundos privados; mas não se sabe, ao certo, quanto estas entidades acumularam, no total. O Estado Chinês tem armazenado grandes quantidades, não especificadas, com certeza à medida do gigantismo das suas indústrias.
O conflito militar pressupõe, no presente, uma guerra das tecnologias de ponta (chips, sistemas integrados em aviões de combate, mísseis, etc.). A concorrência na produção de equipamento militar é duplicada por uma concorrência na inovação tecnológica e no acesso preferencial, em condições de monopólio ou quase, às matérias-primas estratégicas (1).
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(1) Veja-se o caso das «Terras Raras», por comparação. O caso da prata não se pode considerar análogo ao das «Terras Raras», pois existem em todos os continentes minas de prata, ou em que a prata é extraída como metal secundário. A sua refinação é um processo bem conhecido e otimizado. No caso das Terras ditas «Raras», estas estão bem distribuídas por toda a Terra emersa, embora haja sítios com concentração relativa maior. A situação de monopólio de facto, deve-se à exclusiva capacidade de refinamento da Rep. da China Popular, com 95% de produção de «terras raras» refinadas.

1 comentário:
Uma outra análise da anomalia:
https://youtu.be/ZQzechpWiyc?si=Rc-hf4ZyiFohU__W
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