quarta-feira, 2 de maio de 2018

O MUNDO, NA ENCRUZILHADA ENTRE A PAZ E A GUERRA

                            Iran's supreme leader Ayatollah Ali Khamenei meets with Russian president Vladimir Putin in Tehran on November 1, 2017. Photo: AFP/Iranian Supreme Leader's website
                  [Putin e o Ayatollah Khamenei]

Peter Lavelle, o animador do popular programa da RT, «Cross Talk» entrevista ao vivo, em simultâneo, quatro individualidades sobre assuntos de política internacional. 
Neste programa, há umas semanas atrás, tive ocasião de ouvir um «falcão» de Washington defender o «direito» dos EUA intervirem no Médio Oriente. Um dos argumentos que usou foi que Damasco tem sido apoiado pelo Irão. Peter Lavelle, oportunamente, perguntou-lhe se um país soberano (a Síria) não tinha o direito de ter relações com outros regimes, de estabelecer laços e de pedir ajuda, inclusive militar, com quem entendesse. O entrevistado, para não ter de concordar com o óbvio, meteu-se a justificar que o Irão, não apenas tinha mantido Assad no poder, como sobretudo constituía o elo principal dum arco (Irão, Síria, Líbano) de forças ameaçando os «nossos» amigos de Israel. 
Israel tornou-se um Estado completamente fora da Lei internacional. Não cumpre as múltiplas resoluções das Nações Unidas, tem um comportamento odioso,  genocida mesmo, em relação ao povo palestiniano, etc. Pois é esse regime, que possui ogivas nucleares, que está constantemente a acicatar Washington para entrar em guerra com o Irão. 
O regime de Washington está dominado pelo lobby mais poderoso que é o lobby pró-Israel, pois inclui riquíssimos membros na AIPAC (associação de amizade americana-israelita), a grande media corporativa, assim como de toda a indústria do armamento, que movimenta biliões. Além disso, grande parte do «Deep State», do Estado profundo, que é formado por aqueles funcionários não eleitos, nas agências de espionagem, nas forças armadas, no Departamento de Estado, etc, que se esmeram em barrar qualquer veleidade de um político de Washington, incluindo o próprio Presidente, de sair fora do que eles consideram ser a política correcta e o «interesse nacional». Pois é este conjunto de interesses que teleguia a política de Washington, nomeadamente em relação ao Médio Oriente. É uma relação de tipo parasitário, pois o hóspede (os EUA) é muito mais poderoso e fornece o «sangue» (os biliões de dólares anuais em «ajuda» ao aliado de Israel anualmente votados pelo Congresso) para o parasita, que morreria se não fosse constantemente nutrido pelos EUA.

O acordo nuclear com o Irão - que envolveu cinco potências - é o pretexto falacioso de uma crise, agora que o exército de mercenários pró-EUA ficou desmascarado e derrotado militarmente por Damasco e seus aliados. 
Com efeito, não é o mentiroso Netanyahu, que possui credibilidade e legitimidade para «denunciar» um suposto programa secreto de nuclear bélico do Irão. Todos sabem que é a agência atómica mundial, sob a égide da ONU, que tem essa incumbência.

                      Israel cancels US-based test of its Arrow-3 missile defense system until ‘maximum readiness’ ensured
                         [mísseis de Israel, que podem ser portadores de ogivas nucleares]

Para se ver como as regras do direito internacional são desprezadas pelos mesmos poderosos que, no Ocidente, posam como seus guardiões, estamos agora a assistir a mais um episódio da farsa, farsa cruel e perigosa, deles fingirem que acreditam que a propaganda de Natanyahu se baseia em argumentos sólidos... 

A inspecção da agência internacional que monitoriza as armas químicas demonstrou  num relatório recente não haver quaisquer evidências de ataque com armas químicas em Ghouta, mas as chancelarias «ocidentais», a começar pela representante dos EUA na ONU (a mais fanática, belicista e anti-diplomática embaixadora que jamais existiu!) não abrem o bico, agora. Teriam de indemnizar e pedir desculpas oficiais ao regime e ao povo sírio, pelo ilegal e imoral ataque com mísseis, coisa que na sua arrogância de «Senhores do Mundo» nunca fariam.

                        
                                                  [ataque contra a Síria]

A enorme falha da cidadania, nomeadamente europeia, em se organizar de forma autónoma, independente, num movimento cívico anti-guerra, afirmando os valores essenciais dos princípios da ONU, nomeadamente, que proíbem o recurso a meios militares, incluindo as operações ditas de «prevenção» de um ataque inimigo, além de que não se ouvem «piar» os supostos defensores dos trabalhadores e desapossados, pelo fim da corrida aos armamentos, que tem constituído globalmente uma drenagem de recursos que, de outro modo, seriam  investidos quer em infraestruturas úteis, quer em investimentos (pacíficos) produtivos, melhorando o bem-estar daqueles que trabalham.
É à luz desse vergonhoso descomprometimento, desse cobarde encolher de ombros, dessa hipocrisia em apenas reagir às violações dos direitos humanos, quando supostamente são oriundas de determinados actores, mas não de outros, que aquilo a que se assiste é possível na cena internacional. É graças à cobardia desses sectores que os governos, que agem em nosso nome, se podem mover à vontade, com impunidade, com aplauso!
Leiam o artigo (em inglês) de Pepe Escobar, do Asia Times: EURÁSIA, ENTRE A PAZ E A GUERRA
Leiam e divulguem sobre a próxima investida contra o Irão, que afinal é uma agressão despudorada do Império em decadência e que finge acreditar num primeiro-ministro de Israel, mentiroso sem pudor e descarado, para salvar-se dos escândalos que ameaçam obrigá-lo a sair do cargo.