Estás enrolado em palavras, sucessões de caracteres e sons
Que te enchem o espírito, em vez das coisas e seres, aquilo que são
As pessoas creem na palavra, no discurso, afinal iguais às crianças
Criancinhas que ouvem histórias para adormecer.
Ao menos estas têm a desculpa de estar a aprender
Precisam de se ligar emocionalmente antes de racionalmente
Mas, tu com que desfaçatez nos impões tuas eructações,
Gargarejos e discursos de verdades eternas que saem dos teus lábios?
Vives dentro do mito onde te enfiaram
Não descolas a maçã, da imagem da mesma
Nem a cartografia, do terreno, mas pretendes
Que teremos -nós - de aprender, como se fôssemos
Criancinhas?! Seria cómico, se não fosse criminoso
Pois levas à ruína as nações, inúmeras gentes
Sacrificadas pela tua estupidez e orgulho.
...
Porém, sim; as palavras são maravilhosas.
Elas servem para descrever fenómenos reais
Ou fantasias e sonhos... E depois? Será proíbido
Um poeta sonhar, brincar com as palavras?
Só os idiotas afirmam o sentido dum texto
Quando o texto não tem sentido nenhum!
Piores os que «psicanalizam» as obras,
Porque projetam seus medos e traumas
Nos escritos doutro, com sua própria motivação
E que não era, com certeza, a vossa!
- Este texto que vos sirva para emendar a relação ingénua com a escrita...