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domingo, 1 de novembro de 2026

DUAS CHACONNES IDENTIFICADAS COMO SENDO DE J. S. BACH [Segundas-f. musicais nº75]

Retrato de J.S. Bach quando jóvem




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                             https://www.youtube.com/watch?v=bvfMcFNpugs



 Em 2025, duas recém descobertas obras de autoria de Johann Sebastian Bach—Chaconne & Fuga em Ré menor, BWV 1178, e Chaconne em Sol menor, BWV 1179—foram apresentadas em estreia na Igreja de S. Tomás de Leipzig, pela primeira vez, em mais de 300 anos.
A descoberta destas obras iniciou-se em 1992 quando Peter Wollny— agora diretor executivo do Arquivo Bach de Leipzig— descobriu dois manuscritos pouco usuais, quando trabalhava na sua dissertação. Durou dois anos a investigação para atribuir definitivamente as peças a Bach, que as compôs, provavelmente, na adolescência ou no início da idade adulta.

De vez em quando, surgem descobertas de manuscritos de autores célebres sendo, na maior parte dos casos, necessário todo um trabalho musicológico para se garantir a justeza da atribuição. No caso de Johann Sebastian Bach, houve no passado várias composições em manuscritos, atribuídas ao seu filho Wilhelm Friedemann Bach, mas que tinham sido afinal compostas pelo seu Pai. Outras composições, que se julgava serem de J.S. Bach, acabaram por ser atribuídas a membros da sua família ou a discípulos.

Pode-se avaliar a dificuldade - em geral - na atribuição de obras a compositores do barroco e de épocas anteriores, pelo facto de haver tanta incerteza na atribuição de obras, mesmo em compositores sobre os quais existem muitos dados biográficos, como é o caso de J.S. Bach, ou de sua Família.
Muitas recolhas dos séculos XVI-XVII-XVIII para órgão, em toda a Europa, incluem obras anónimas de grande valor, não apenas documental, como também estético. Porém, seus autores não foram identificados. Outras vezes, a atribuição é considerada pouco segura; junta-se então ao nome do autor presumido um ponto de interrogação.
O facto de uma obra ser atribuída a J. S. Bach, a W.A. Mozart, ou outros compositores célebres, garante que ela seja ouvida em concerto e gravada em disco.
No entanto, algumas obras anónimas de grande valor permanecem desconhecidas do grande público; por contraste, composições atribuídas um nome sonante, têm garantida difusão, mesmo que sejam de menor valor estético.

No caso das duas Chaconnes recém-descobertas e atribuídas a J.S. Bach, noto que são muito apropriadas para instrumentos de tecla com corda (clavicórdio, cravo, espineta...).


O facto de serem executadas no órgão, não as torna mais relevantes. No século de Bach (e anteriormente) havia um certo grau de sobreposição da literatura de tecla encordoada e de tecla com tubos. Assim, considero que a interpretação no órgão de peças profanas, como são as Chaconnes (dança de origem ibero-americana) é legítima: De facto, em todo o período barroco, existiam órgãos positivos em palácios, salas de ópera, etc. Desde o Séc. XVI, até a Bach e seus contemporâneos, Haendel, etc, existe literatura profana para órgão, ou adaptável a este instrumento.
No entanto, parece-me que estas Chaconnes, quando interpretadas no órgão, precisam de acústica mais "seca", com fraca reverberação, mais típica de salas de concerto, ao contrário de igrejas com órgãos barrocos.

Shortly afterwards, the Chamber Music Society added them to their slate of works fo r their annual Baroque Festival, the first major concert hall performance of the newly unearthed repertoire. The pieces were performed by renowned organist Paolo Bordignon on Alice Tully Hall’s historic 4,200-pipe organ.
Performed on December 6 & 7, 2025