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sábado, 23 de maio de 2026

40 ANOS DESDE CHERNOBYL



 Abril de 1986, na República Socialista da Ucrânia, então parte integrante da URSS, ocorre o acidente nuclear mais devastador, até hoje. O preço humano do acidente, que «não devia ter acontecido», é muito pesado. Numerosas pessoas morreram de imediato, tentanto minorar o resultado da explosão; outras, ficaram com cancros. A nuvem radiativa espalhou-se para além de Chernobyl, para a Bielorússia e mais além. Numa extensão enorme, desde a tundra na Suécia, às costas do Altântico, os níveis anormalmente altos de radiatividade, impediam que se fizesse a colheita de plantas e frutos, que se comessem animais terrestres selvagens e peixes.



Mas, para além da catástrofe natural, também foi uma catástrofe para a nomenclatura soviética. Gorbatchov que, desde algum tempo, era Secretário Geral do PCUS e Presidente da URSS, compreendeu que a junção de Chernobil e do desastre da campanha militar soviética no Afeganistão contra os Mudjahedin, eram sinais dum fracasso sistémico, impossíveis de disfarçar. A sua tentativa de reforma acelerada, para um Estado revitalizado, integrando os princípios da autonomia e da responsabilidade individual, foi gorada. A reforma desde cima foi vencida pela passividade dos aparelhos do partido e do Estado, marcados pelo conformismo e pela corrupção.
A impossibilidade de acompanhar a revolução informática do Ocidente e seus aspectos mais sensíveis - indústrias informáticas marcantes para todos os outros sectores industriais, incluindo os sectores militares - foi vista com realismo pela cúpula do Estado soviético. Poucas pessoas no Ocidente têm em conta o facto de que a própria «elite» do regime estava descrente dos resultados teóricos e práticos do socialismo na versão soviética.
Foi essa consciência, mais do que uma pressão direta dos EUA e OTAN, que levou os dirigentes soviéticos (e em particular Gorbachov), a desencadear uma série de iniciativas diplomáticas para pôr fim à Guerra Fria.
Entretanto, deu-se o golpe gorado da ala mais conservadora do poder soviético, em 1991, cujo resultado foi a ascenção de Ieltsin, e a «desmontagem» da URSS. Esta história também está, em geral, muito mal contada. A instalação de repúblicas autónomas, reformando mais ou menos, seus sistema político e económico, foi consequência dos acontecimentos de 1986-1991. Foi uma grande transformação, embora, por vezes, velhos poderes tenham permanecido, travestidos em «democráticos», vendendo o património dos Estados respectivos a quem os quis comprar e consolidando assim a sua posição. Não foi com certeza algo que tenha entusiasmado os jóvens com ideias generosas de liberdade e de socialismo.
Quanto ao complexo militar-industrial americano e europeu, alinhado com o pensamento estratégico dos neocons (PNAC), quis aproveitar para desmantelar tudo o que fosse potencial obstáculo para a tomada neocolonial dos territórios da ex-URSS, para daí extraírem as riquezas e subjugarem os governos e populações, de modo a que não pudessem eventualmente erguer-se contra o Império americano.
A teimosa política de confrontação para demolir e «balcanizar» a Rússia tem vencido no debate político do Ocidente, nestes mais de trinta anos. Existem variadas correntes e figuras de oposição aos neocons, por exemplo, o prof. Jeffrey Sachs e outros, que desejam levar a cabo um verdadeiro desarmamento. Propõem uma relação construtiva das várias nações - cada uma com os seus interesses próprios - mas aceitando a existência dos outros. São - muitos deles - militares de alta patente, diplomatas, universitários americanos.