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COMENTÁRIO
Já no século XVI era perfeitamente claro que Ormuz correspondia a deter a chave das rotas comerciais do Oriente.
Porém, com todo o seu poderio, a sua armada, os soldados e os canhões, o Império Português do Oriente, não durou sequer um século (cerca de 1515 - 1580). Logo, este império marítimo se desmoronou, tanto pela incapacidade da coroa portuguesa fornecer adequada guarnição e munição às numerosas fortalezas que marcavam as etapas das conquistas dos pontos-chave, como pela desastrosa derrota de Alcácer-Quibir em Marrocos, em que o exército português foi esmagado pelo exército muçulmano. Nesta batalha, D. Sebastião rei de Portugal desapareceu; presume-se que terá morrido durante a mesma; seu corpo nunca foi identificado e resgatado. Um breve reinado do Cardeal D. Henrique, tio de D. Sebastião, não havendo herdeiro designado, foi sucedido por Felipe I de Espanha. Este argumentou da sua legitimidade ao trono de Portugal. As cortes portuguesas aceitaram esta solução em detrimento de D. António Prior do Crato. Em pouco tempo, Portugal - embora mantendo o estatuto de reino independente de Espanha - foi reduzido a reino subordinado. Assim, numerosos navios de guerra portugueses foram enviados com a «Invencível Armada», para as costas de Inglaterra, onde foi desbaratada por uma terrível tempestade, além dos canhões da armada de Inglaterra.
As praças-fortes costeiras, que Portugal tinha conquistado para manter o seu Império e controlar as rotas marítimas, foram sendo tomadas, por ingleses (caso de Ormuz), franceses ou holandeses (várias zonas do Brasil).
A primeira metade do século XVII, foi a época da perda de grande parte do poderio, na base do seu Império marítimo. Este proporcionou a exploração das riquezas do Oriente: Ouro, prata, sedas, especiarias, marfim, porcelanas... Esta abundância foi, em grande parte, esbanjada pelos reis portugueses e pela nobreza, que se limitavam a reencaminhar as mercadorias recebidas no porto de Lisboa, para o Norte da Europa. Assim, os Estados da Flandres (hoje Bélgica), os Países Baixos, Hamburgo e outras Cidades-Estado do Báltico, receberam os frutos das conquistas e pilhagens portuguesas. Nestes, se desenvolveu a primeira fase de capitalismo industrial, graças àquele excedente. Os reinados portugueses da época áurea, pouco fizeram para consolidar suas conquistas. Muitas praças-fortes estavam mal guarnecidas de soldados e as fortificações careciam de reparações. Estes factos foram relatados por cronistas portugueses da época.
O Império português foi refúgio para uma parte da comunidade judaica: O cumprimento das leis contra os judeus e hereges era muito menos estricto, devido à distância e à necessidade de fazer funcionar as instituições em Goa, capital do Vice-Reino da Índia Portuguesa.
Os ingleses não teriam tanta facilidade em construir o seu próprio império marítimo, se não tivessem podido tomar muitas das praças-fortes portuguesas. Assim, puderam continuar relações comerciais que os Vice-Reis da Índia portuguesa tinham estabelecido com monarcas dos vários reinos da Índia.
A influência portuguesa no Oriente não se apagou completamente, havendo traços culturais (línguísticos, artefactos, culinária...) que sobreviveram, muito para além efetiva colonização portuguesa desses lugares. Por outro lado, Portugal viu o seu património artístico e artesanado enriquecido com adaptações/inovações de países orientais, em vários domínios: o mobiliário, a escultura, os tecidos, a doçaria, as porcelanas...