Eu sei que as pessoas se agarram a ideias, a religiões e a toda a espécie de mitos, para terem alguma esperança, alguma «fé» quando as coisas correm mal, sobretudo.
Eu sei que não devemos nos cingir ao dia a dia, a só procurar satisfações materiais, sejam elas de que natureza forem. As satisfações materiais, podem bem tornar-se pesadelos e, de qualquer maneira, são sempre efémeras.
Mas, o reino a que pertenço é um reino metafórico. É um reino onde a Vida se instalou há 4 mil milhões de anos, tendo evoluido sempre, até hoje.
A Vida é que me dá as lições todas que aprendi no passado e tenho de aprender, no futuro. A Vida pode exprimir-se através de inúmeros veículos; desde os meus familiares, aos meus mestres, aos seres vivos que observo, às forças da Natureza, como o mar em tempestade, nestes últimos dias.
Tudo alimenta a minha reflexão; tudo faz sentido; posso compreendê-lo ou não; mas tudo faz sentido.
Não apelo a que adiras ao meu modo de ver as coisas deste mundo. Nem vou aderir a qualquer filosofia. Não por «burrice», não por «teimosia», nem por «orgulho».
Na verdade, sou humilde; aceito o erro. Quero corrigir-me para ser melhor, mais autêntico, mais de acordo com a Natureza, com o Tao, com a pléiade de Deuses das religiões politeístas, com a religião cristã, nos seus diversos ramos...
O Universo a que pertenço é este: é aquele que vale para mim. Pode haver outros universos; mas, se assim for, estarei para sempre excluído de os visitar. Nem sequer os poderei conhecer... pelo que tenho compreendido das discussões em Física e em Cosmologia contemporâneas.
A organização do mundo que me rodeia, o meu habitat, é de imediata relevância para a minha subsistência, como para o meu bem-estar, tanto no sentido material, como espiritual.
Sei que sou transitório, como a Vida na Natureza; mas transitório na forma; não desaparecerei completamente depois de morto. Haverá uma transformação. Embora não deseje morrer, não temo a morte.
A realidade que eu posso apreender não é a «realidade última»; no entanto, a realidade e o bom-senso do real têm que guiar a minha vida.
As balizas são largas; pode-se apreciar as formas de arte, de literatura, de poesia: Sabendo que são uma expressão da inteligência e sensibilidade do cérebro humano. Isto não retira nada à sensação que tenho perante uma manifestação de arte.
Construí uma ética que fui buscar aos vários autores e várias tradições: A referência à minha ética, é o que me guia, no dia-a-dia. Detesto entrar em contradição com ela, é como entrar em contradição comigo próprio.
Mas, sou falível, limitado, imperfeito... como todos os humanos. Reconhecer isso, permite-me corrigir os erros nos quais caí. Não posso negar a minha imperfeição, mas o ideal, para mim, não é atingir a perfeição.
Tenho, porém, um ideal de comportamento: este implica estar o mais próximo possível da Natureza, ser inspirado por Ela, compreender a minha Natureza íntima e a dos outros.
Apesar de tão imperfeito, tão falível, tão contraditório... avanço sem receio, estou nos Teus braços, Natureza, faça o que fizer. Para além da morte, a vida eterna continua, ela já está aqui, ao nosso alcance; os olhos do coração e do intelecto têm de estar abertos a esta realidade.
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