domingo, 14 de dezembro de 2025

NAS NEVES SUJAS DE DEZEMBRO [OBRAS DE MANUEL BANET]

 


Nas neves sujas de Dezembro

Corpos caídos,  manchas escuras

Ao cair da noite, o uivar de lobos

Eram jovens ou menos jovens

Tinham  esperança de viver


Corpos imóveis, apodrecendo

Os estrondos do canhão 

Os clarões dos impactos

Os céus riscados de fogo

Nada os impressiona.

Suas faces azuladas 

Serenas, os olhares vazios

As estrelas já não vêem

A rígidez dos músculos

Induziu posturas insólitas

Aos corpos gélidos


Serão enterrados

Mais tarde, com missa

Cemitério e choro de Mães

Esposas ou noivas,

Discursos solenes,

Placas em memória,

Condecorações póstumas...


Mas nada pode curar

A dor da ausência

Nem os corpos e almas

Torturados, humilhados 

 Para este inglório fim. 






1 comentário:

Manuel Baptista disse...

Este poema encerra a recolha APOSTILAS / POESIA:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/p/apostilas-poesia.html