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sábado, 6 de junho de 2026

TECNOFASCISMO UTILIZA "IA" COMO ARMA PARA CONTROLO TOTAL


 

O poder de grande capital vai levá-lo a erguer monstruosas empresas, monstruosos agregados de edifícios, instrumentos, indivíduos para construir, reparar e utilizar tais instrumentos. Mas, este poder é tanto mais frágil, que não consegue controlar diretamente quase nada. Por isso, a sua tendência em produzir um modelo de sociedade perfeitamente verticalizado; tem como base a sua impossibilidade de controlo verdadeiro, sem deixar um grau elevado de autonomia aos sub-sistemas do mega-sistema.
Na altura em que os reis e generais no campo de batalha, só podiam contar com a força e determinação dos soldados, embora houvesse muita força bruta envolvida nessas batalhas, aqueles déspotas estavam dependentes da inteligência (humana) e dedicação pessoal de generais, coronéis, capitães, sargentos... os quais estavam mais próximos do calor da batalha, tinham diretamente que confrontar o exército inimigo; portanto, a vitória (ou mesmo a possibilidade de combater) estava muito dependente da devoção ao chefe, da convicção dos subordinados de que eles podiam rapidamente subir na hierarquia militar (e do Estado), caso tivessem sucesso da batalha, etc. 
Ora, na guerra tecnologizada de hoje, o que conta, além da determinação de dois grupos em confronto, é a rede de informações (de «inteligência») que um e outro grupo possuí sobre o respectivo inimigo.
A classe governante tem - portanto - interesse em manter os súbditos na crença da invencibilidade do dispositivo (militar e policial) daqueles bi- ou trilionários. Mas, uma máquina de poder, quanto maior, quanto mais centralizada e complexa for, mais frágil será. 
Ensina-nos isso a biologia, que pode servir como modelo analógico: há uma vantagem decisiva de um harbívoro se tornar cada vez maior, para intimidar potenciais predadores, também para monopolizar os recursos, afastando os outros herbívoros de menor porte, etc. Mas, com o tamanho aumentado, surgem problemas como a regulação da temperatura corporal, a menor agilidade, a impossibilidade de ter uma ninhada grande, normalmente um ou dois somente por cada estação de acasalamento, a fragilidade maior é a de obter recursos alimentares em situações de escassez: tanto em períodos de frios extremos, como nas de calor extremo, a alimentação (ervas, arbustos, bagas, frutos...) é muito escassa, muito difícil de obter. É mais fácil um herbívero ou omnívero de pequeno porte sobreviver, em situação climática muito desfavorável. Pelo contrário, nestas circunstâncias, os animais de grande porte podem desaparecer da zona, ou mesmo extinguirem-se.
A comparação com o mundo biológico é apenas uma metáfora, um pouco como uma visualização do que pode acontecer em sistemas «mastodônticos», pesados, complexos, centralizados. 
O grau de adaptabilidade de uma empresa não depende da sua direção, do seu executivo, primariamente. Claro que estes são responsáveis pelo rumo que essa empresa toma, pelos investimentos decididos, as alianças com entidades externas (incluindo o Estado), etc. etc. Porém, a capacidade de adaptação a condições momentâneas, ou seja, a flexibilidade da empresa em si mesma, como fornecedora de produtos / serviços, depende da massa dos trabalhadores, que estarão motivados (ou não), bem formados e treinados (ou não), para reagir de maneira adequada a essas contingências. 

A Palantir, a Microsoft, etc são empresas gigantescas, com uma série de níveis de complexidade e enorme extensão geográfica, permeando todas as outras indústrias, inclusive o Estado (desde os serviços de segurança, às instituições de educação, etc.). Esta força de super-monopólios, é realmente assustadora.
 De facto, a própria UE apecebeu-se, tarde demais, que está dependente do bem-querer desses gigantes tecnológicos e tenta desenvolver sistemas próprios, através de sua tecnologia desenvolvida e de fornecer essa tecnologia (em exclusivo) às instituições da UE, por forma a ter maior controlo (enquanto Comissão Europeia, enquanto Estados-membros) sobre o seu território. Ela tenta, com 20 ou 30 anos de atraso, fazer o caminho da autonomia funcional e estrutural, em relação ao super-imperialismo dos EUA.
O gigantismo traz sempre fragilidades, muitas das quais só são detetáveis quando a «máquina», seja ela industrial, burocrática, militar, etc., é posta em marcha, é testada no terreno real, que é o seu.
A capacidade de uma resposta flexível, pelo contrário, predomina em organizações onde todos se conhecem pessoalmente. Pensem numa equipa de futebol, ou de outro desporto coletivo. 
Uma máquina que funciona com robots, principalmente, ou com seres humanos sujeitos a constangimentos tais, que se comportam de forma robótica, automática no seu local de trabalho, é incrivelmente frágil. Mesmo sem pensarmos em sabotagens, a própria complexidade torna inevitável que existam frequentes problemas: são imprevisíveis, sejam eles grandes ou pequenos. Também problemas pequenos e não detectáveis, que se tornam anos depois (por vezes) grandes problemas. 
Também aqui podemos nos socorrer da analogia biológica: no corpo humano existem múltiplas situações de funcionamento não perfeito mas, para os quais, o corpo vai encontrando forma de superar... até ao ponto em que já não o consegue. Então, manifesta-se a doença, cuja génese poderá ser devida ao acumular de pequenas deficiências, crónicas, que se vão avolumando, a um rítmo muito lento, de tal maneira que o indivíduo pensa estar de boa saúde.
O gigantismo dos sistemas está exacerbado no caso da «ideologia tecnocrátrica» que permeia a oligarquia americana (grande parte da qual estava representada na cerimónia de inauguração do presidente Trump). É uma ideologia que não nos devia meter medo, na medida em que aquilo que eu digo acima é mesmo verdade e pode ser comprovado por cientistas honestos, qualquer que seja a sua especialidade. Claro que existe uma dimensão ótima para uma empresa, mas isso depende do «ecossistema» em que se encontra, ou seja, de como reduzir os custos mas mantendo a resiliência. Isto não é nada fácil; não existe uma fórmula mágica. EM GERAL, SÓ SE PODE VER ISSO A POSTERIORI.
«A empresa afundou-se ou estagnou, porque estava sobredimensionada»... sim, mas houve uma época em que tal empresa crescia bem, era «saudável», ninguém diria que estava a tornar-se «mastodôntica».
Enfim, é evidente que Peter Thiel ou outro qualquer não tem as faculdades de um deus, portanto, por maior que seja o seu poderio (económico e político) ele não tem os meios que pensa para realizar o seu programa de escravização dos humanos (da «sub-raça» que ele vê como sendo o «homem comum»). 
No capitalismo, os «capitães de indústria» MAIS CRIATIVOS e bem sucedidos, foram aqueles que entenderam perfeitamente que precisavam de acquiescência ou consentimento dos seus trabalhadores e dos seus clientes («o mercado dos seus produtos»), senão teriam imensos problemas internos às suas empresas e externos, na sociedade.