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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Lena Petrova: "EXPLOSÃO do DÉFICE dos EUA"


 Enquanto os dólares que saem dos EUA para pagamento de mercadorias e serviços é quase o dobro dos dólares obtidos pelos EUA do seu comércio exterior parece uma catástrofe, uma gigantesca situação de deficiência, afinal não é tanto. 

Lena Petrova explica que os dólares que saem, vão reentrar sob forma de investimentos estrangeiros, na maior parte em produtos financeiros (ações da bolsa, obrigações do Tesouro, investimento em fundos...) e/ou no mercado imobiliário. O défice comercial dos EUA, é facilmente colmatável, ao contrário dos outros países, que não possuem a sua moeda como moeda de reserva predominante ao nível mundial.
Mas a hegemonia do dólar em termos de comércio internacional tem sido posta em causa, por países dos BRICS e outros. Os BRICS totalizam mais de metade da população mundial e possuem cerca de 35% do PIB mundial. 
Se cada vez mais trocas comerciais são pagas noutras divisas e não em dólares, se se reduz acentuadamente a percentagem de treasuries (obrigações do Tesouro americano) guardadas em reserva nos cofres de grandes exportadores, como China, Japão e outros,  se o dólar já não é a divisa exclusiva para comprar petróleo, o processo  de colmatar o défice comercial graças a investimentos estrangeiros nos EUA, que terão de ser feitos em dólares, está em risco de falhar.
A defesa do dólar é a razão de fundo pela qual os EUA usam sanções  e tarifas aduaneiras como armas de guerra económica, inclusive contra parceiros e amigos: Estas guerras comerciais e as ações militares diretas pelos EUA (ou seus intermediários) nos últimos anos, mostram até que ponto a mecânica da circulação dos dólares ao nível internacional, é de importância vital para os EUA. 
É realmente uma fragilidade muito grande, dado que - ao contrário das décadas passadas - as produções exportáveis dos EUA se reduzem agora a material de guerra, a produtos agrícolas (soja...), petróleo e indústria do divertimento (Hollywood ...). Não há nada nestas exportações dos EUA que outros países não possam colocar no mercado, em condições concurrenciais.
A fragilidade tem por base uma redução da produção industrial nos EUA, a sua dependência aos outros, tanto em bens industriais, como agrícolas, por um lado; e, por outro, a necessidade do défice crónico americano ser colmatado pela compra por estrangeiros, de ativos em dólares. Ora, neste momento, muitos países (não apenas BRICS) promovem o comércio em suas divisas próprias, evitando o dólar.