Mostrar mensagens com a etiqueta imperialismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta imperialismo. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A DECADÊNCIA DOS IMPÉRIOS PODE DURAR CENTENAS DE ANOS...

                         


A DECADÊNCIA DOS IMPÉRIOS PODE DURAR CENTENAS DE ANOS ... MAS O SEU COLAPSO É SÚBITO.
Faço esta reflexão como resposta ao último artigo de Dmitri Orlov, que foi publicado no «Russia Insider». 

A retórica de Orlov está bem construída nas suas premissas, porém as conclusões pecam por incoerentes com seu objectivo de explicar uma transição para o mundo pós-hegemonia dos EUA. 
De facto, ele próprio é um dos fornecedores de argumento mais sólido contra a possibilidade de se «projectar» uma estratégia com viabilidade para tal fim. 
Não foi Orlov que dissecou com acuidade e senso crítico o processo de corrupção interna que levou à queda do Império soviético? 
- Seria lógico aplicar a teoria do caos nesta situação da queda dos impérios; não existe uma «lei natural» que nos diga como, ou aquilo que desencadeia o  colapso dum império. 
É da ordem do contingente, é como uma porta com os gonzos enferrujados... que pode ser aberta por um empurrão mais forte, ou a queda acidental de um tronco de árvore, ou um inverno mais chuvoso, cuja humidade acaba por desfazer por completo o metal enferrujado, etc... Ninguém sabe - antecipadamente - a causa imediata de tal acontecimento futuro; porém, sabendo-se as circunstâncias e tendo um conhecimento sobre os mecanismos físicos e químicos que operam e o ambiente no entorno dessa tal porta, podemos fazer predições sensatas sobre ela. Do mesmo modo, podemos fazer predições sensatas sobre a queda dos impérios. 

Curiosamente, Orlov parece não ter em conta que a condição histórica mais comum para a decadência e queda de um império, é a ascensão de outro; a vontade de uma nova potência exercer, ela própria, um domínio hegemónico.
Não digo que a China tenha esta ambição - pelo menos, por enquanto - mas se um mundo multipolar se tornar um facto dentro de algum tempo, o que muitos analistas têm defendido,  ele será essencialmente instável.  Só haverá solução, dentro do capitalismo global actual, com a ascensão de um novo império.

 Praticamente, os analistas (mesmo de esquerda) não arriscam ver o fim do capitalismo, enquanto sistema de domínio mundial, tendo o imperialismo como suporte de poder, essencial para o sistema. 
Porém, as condições de funcionamento do capitalismo deterioram-se, a capacidade de arrancar lucro é cada vez menor, esse lucro é sempre feito à custa de um maior sofrimento das populações e do ambiente. 
Em suma, é um capitalismo depredatório numa escala global, que pretende sempre mais e mais crescimento, o que não é compatível com um mundo finito e cujo funcionamento saudável depende de subtis equilíbrios ecológicos, os quais estão a ser gravemente postos em causa.

Não podemos predizer exactamente como este capitalismo mundializado irá acabar, mas temos a convicção profunda de que é inviável no longo prazo. 
Assim, a era da História em que o domínio mundial de um império é sucedido pelo domínio de um novo império, vai necessariamente acabar, conjuntamente com o capitalismo globalizado e depredador. 
Pode ser que não deixe de existir capitalismo, num ou noutro ponto do globo ou até disseminado por todo o globo, mas já não como forma dominante de produção de mercadorias e serviços. Analogamente, o sistema feudal não se eclipsou totalmente do mapa com o triunfo das burguesias no século XIX.  Na verdade, muitos aspectos do feudalismo foram incorporados de forma subordinada, na nova ordem.  
Não se saber as circunstâncias concretas de queda de um sistema, não implica que se ignore as leis da física e de todas as outras ciências, que determinam as condições de existência e de evolução de um sistema. 
Num sistema, quase infinitamente complexo, como a sociedade humana, a entropia exerce-se. Se a entropia pode ser exportada para o exterior ou para as margens durante algum tempo, não o será eternamente. 
Os seus efeitos já não serão sensíveis somente nas periferias do sistema; irão cada vez mais surgir, no próprio âmago do sistema, o que irá gerar mais e mais entropia, até haver uma ruptura.

Os impérios, tal como as civilizações, são mortais... Só não sabemos - nem podemos saber - qual a causa imediata da morte futura do império dominante.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

HÁ QUALQUER COISA DE IRREAL NA ATMOSFERA...


Resultado de imagem para cold war II

Os que cresceram à sombra da «Guerra Fria» têm ainda na memória - com certeza - os momentos de grande aflição em toda a Europa (tanto do Leste, como do Ocidente), no início dos anos 80, quando soviéticos e americanos, num braço de ferro, ameaçavam-se reciprocamente de instalar misseis com ogivas nucleares, de um lado e do outro da «cortina de ferro», essa estreita e artificial divisória do Continente Europeu. Nessa altura, um grande movimento com epicentro na Alemanha Ocidental, desenvolveu-se. 

Os grandes contestatários da época, no início dos anos oitenta, eram os Verdes alemães, muitos dos quais tinham participado nas jornadas da «revolução» (abortada) de 1968... Hoje, estão mais que instalados, fazem parte da elite que nos desgoverna! Infelizmente, pode-se dizer o mesmo, com quase nenhuma variação, relativamente aos movimentos pacifistas e anti-militaristas de quaisquer outras «democracias» ocidentais. 
Nessa ocasião (no início dos anos 80), os movimentos de massas, obrigaram os poderes imperialistas a terem cuidado com o que faziam, pois o grande medo da revolução - por parte das elites de um lado e do outro - era real. 

Além disso, os americanos ainda estavam a lamber as feridas do Vietname e da «perda» das Colónias Portuguesas. 
Do outro lado, os Soviéticos davam os primeiros passos da guerra no Afeganistão, seu «Vietname». Diga-se, causado - em larga medida - pela criação pela CIA, daquilo que viria a ser designado, mais tarde, por Al Quaeda, destinada a desferir um golpe no centro do império soviético.
Em resumo, nem um nem outro super-poder achou conveniente - nessa ocasião - colocar mísseis nucleares em território europeu. 

                           Resultado de imagem para missile launcher

Agora não existe essa hesitação: os americanos e os restantes países da NATO colocam divisões de elite e armamento estratégico, incluindo mísseis com possibilidade de transportar cargas nucleares,  às portas da Rússia bem dentro de áreas que antes pertenciam ao Pacto de Varsóvia (países bálticos, Polónia, Roménia). 
Cozinharam um golpe de Estado na Ucrânia, durante o mandato do «pacífico» Prémio Nobel, Obama... usando esse golpe como pretexto para acusar a Rússia, supostamente culpada de «anexação», porque a população da península da Crimeia tinha referendado a sua saída da Ucrânia e a sua adesão à Federação Russa. Os golpistas de Kiev queriam exterminar a população russófona, não esqueçamos; e eles disseram-no publicamente!
As sanções  impostas à Rússia viraram-se contra a economia europeia, embora não tivessem um efeito económico acentuado nos EUA. As elites alemãs não se mostraram entusiastas destas sanções, preferindo fazer ouvidos moucos e continuar o projecto russo-alemão «Nord Stream», vital para o abastecimento de gás natural russo à Alemanha, por via do Báltico.
O imperialismo anglo-americano tentou contrariar este projecto, lançando mão de uma montagem de espionagem, completamente débil mental, mas que serviu para obrigar os governos «livres» da NATO a reforçarem as suas medidas anti-russas.

As pessoas parecem estar anestesiadas, como na véspera da II Guerra Mundial, embora esta não tenha que ver com a situação presente. Parece-me - porém - legítimo encontrar semelhanças, não apenas pela atmosfera irreal da política internacional, como pelas catadupas de mentiras que inundam o espaço público e se tornam como «verdades»...(lembremos a célebre frase de Goebbels*...

                         Resultado de imagem para goering citation
        [*Mais a mentira é descarada, mais credível se torna. Quanto mais é repetida, mais o povo nela acredita]

De nada serve pessoas respeitáveis de vários quadrantes políticos, ideológicos e religiosos alertarem para a extrema perigosidade do momento, sobretudo agora, com a denúncia unilateral, por parte dos EUA, do acordo multi-partido com o Irão (rubricado também pela Rússia, China, Grã-Bretanha e França). 
- Alguém duvida que os EUA vão prosseguir sua política imperialista de «torcer o braço» aos adversários e mesmo aos «aliados» (vassalos), para obterem o que querem? 
- O que vai acontecer aos actores que são os governos dos países da NATO
- Vão eles continuar a calar e a fingir que acreditam na retórica bélica de pessoas como Nikki Haley, a histérica representante dos EUA na ONU?

Se os políticos corruptos e cobardes soubessem alguma coisa de História, lembrar-se-iam do modo como os imperadores romanos tratavam os traidores que tinham vendido suas respectivas pátrias ou tribos, a Roma: a «recompensa» era lançá-los às feras no Coliseu, ou algo deste estilo! 
Outra lição que poderiam aprender da História, é que, não apenas os impérios são de facto mortais, como também que um império moribundo é o mais perigoso.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

UM IMPÉRIO MORIBUNDO

                     
                     Turner: «O declínio do Império Cartaginense»

Um império moribundo é a mais séria ameaça para a Paz que se possa imaginar. Um Império que tem vassalos e não amigos, que pode destruir múltiplas vezes o Planeta com o seu arsenal de armas nucleares (armas de destruição maciça, que são um crime contra a humanidade em si mesmas apenas por existirem). Um Império que arrasta consigo para guerras pelos SEUS interesses, seus vassalos, mantendo um controlo draconiano da política e dos políticos que são simplesmente comprados, mesmo no «velho continente», como, com razão, acusa Paul Craig Roberts.
Um país que está fechado sobre si próprio, onde a generalidade da cidadania não sabe rigorosamente nada sobre a política internacional, já para não falar da cultura, da economia... 
Um país que está nas mãos dos grandes grupos de interesses, que movimentam biliões, que servem os interesses da grande banca de Wall Street, das grandes corporações envolvidas na indústria de armamento, na agro indústria do OGM e na indústria farmacêutica, responsável pela mortífera epidemia dos opioides.  
 Um país hipócrita como não há outro que apoia o terrorismo fundamentalista islâmico num teatro de guerra ao mesmo tempo que diz travar uma guerra contra o terrorismo. 
Penso, contrariamente aos cultores da «vulgata» do marxismo, que as causas morais ou éticas da decadência de uma nação, dum império, são muito mais profundas, do que as causas  meramente económicas, as quais podem ou não sofrer uma reversão, consoante o país se encontre em decadência ou não, do ponto de vista moral.
As pessoas com sentido moral, no Ocidente, quaisquer que sejam os seus pressupostos ideológicos, não podem continuar a ter um comportamento esquizóide, indignando-se com a barbárie quando ela vem de um lado, mas não do outro, com a mentira/fabricação da propaganda quando vinda de regimes tidos como «adversários», mas aceitando o permanente branqueamento dos próprios governos ou dos regimes por estes apoiados. 
Eu considero que será a orgulhosa civilização ocidental, a qual nasceu e floresceu sobretudo nos séculos XV a XIX, antes do continente americano ter a configuração política actual, que está em risco de morte, porque os sinais de decadência moral se acumulam, não havendo no horizonte qualquer perspectiva realista de sobressalto. 
A tal ponto que temo a vinda de uma transformação política, social e cultural, em sentido retrógrado, talvez antecedida por tentativa(s) mal amanhada(s) de revolução socializante. 
O Império está à beira do colapso e temo que arraste consigo tudo o que existe de bom (a herança de uma civilização multissecular) na sua queda.

     Nous autres, civilisations, nous savons maintenant que nous sommes mortelles. Nous se...

domingo, 8 de abril de 2018

UMA MÁ TELENOVELA DE ESPIONAGEM



«The idea to speak of the fearsome nerve-agent 'Novichok' came from a spy drama that had just run on British TV.» 
Moon Of Alabama

        
O bem informado e inteligente autor do blog «Moon Of Alabama» mostra no artigo citado, para além de qualquer dúvida, que o caso Skripal não configura um caso de envenenamento com um agente neuro-tóxico de grande perigosidade, como seria o caso de gás venenoso do tipo «Novichok».
As circunstâncias e a forma atabalhoada como o governo britânico tomou conta do caso, para o transformar em pretexto de sanções contra a Rússia é muito preocupante. Queriam a todo o custo distrair a opinião pública do fracasso das conversações do «Brexit», tendo as eleições britânicas em perspectiva, com derrota prevista para os conservadores? 
Do lado britânico pode ser isso e muito mais. Porém, é preciso ter em conta que o outrora orgulhoso Império Britânico ficou reduzido, no último meio-século, a ser o «poodle» do novo Império, do outro lado do Atlântico. 
Por isso, inclino-me mais para a tese do «Tio Sam» pressionar a «Tia Albion» a fazer qualquer coisa. 
Com efeito, face ao lançamento do petroyuan, e potencial destronar do petrodollar, os EUA responderam com uma guerra comercial. Mas esta precisava de ser completada com uma guerra mediática contra o aliado da China, a Rússia, com ameaças e agravamento das sanções. 

Este caso e seus desenvolvimentos, mostram que estamos perante uma ofensiva poderosa do «Estado Profundo» nos EUA, quase todo dominado pelos Neocons e que o Presidente Trump não tem real capacidade para contrariá-los. Está limitado a dizer que sim a tudo isto no plano internacional, para conseguir obter um mínimo de alianças políticas internas (no Congresso dos EUA, nomeadamente), que lhe permitam sobreviver aos ataques dos Clinton e aliados. O clã Clinton tem conseguido encobrir uma série de crimes, desde assassínios a casos de pedofilia, mas este manto de impunidade e silêncio não irá durar muito tempo, face a evidências cada vez mais chocantes que se vão acumulando.

Brevemente se verá como este enredo de telenovela de espionagem se irá desenvolver. 
Podemos estar certos de uma coisa: existem forças poderosas, no Ocidente, que apostaram há muito tempo na cartada da guerra, não hesitando mesmo perante a ameaça dum holocausto nuclear. 
A identificação clara e a denúncia destes loucos criminosos urge! 
As pessoas nos media e nos diversos aparelhos de Estados, que sabem tanto ou mais que eu próprio, deveriam assumir as suas responsabilidades!  

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

AFEGANISTÃO: CEMITÉRIO DE IMPÉRIOS

Desde o império de Alexandre da Macedónia, passando pelo império Britânico no século XIX,  pela União Soviética nos finais do século passado, até ao império dos EUA de hoje, o Afeganistão tem sido  (com muitos milhares de mortos em vão!) literalmente o cemitério de exércitos poderosos, mas igualmente, o cemitério no sentido metafórico de perda completa de ilusões imperialistas de grandeza, finalmente desfeitas em cacos, sem honra nem glória.


Por que razão quase não se fala desta guerra perdida, teimosamente mantida durante 16 anos... até hoje, contra toda a racionalidade?
- Será para ocultar a «perda de face» do Estado profundo, que controla o Pentágono, a CIA e todos os políticos de Washington, incluindo os presidentes...

domingo, 22 de outubro de 2017

«INFOPROP» E SANÇÕES, ARMAS DE DOMÍNIO DO IMPÉRIO

Muitas pessoas pensam que «imperialismo» implica uma colonização, uma ocupação após guerra de conquista, etc. Isso foi assim no passado: os imperialismos de Espanha e Portugal, por exemplo, invadiram, conquistaram e escravizaram os povos, tanto do continente Americano, como de África e da Ásia, onde se instalaram.

Porém, hoje em dia, o imperialismo Anglo-Americano é sobretudo baseado em redes de conivências no chamado mundo ocidental e faz uso da ameaça da força mais do que da força bruta directa. 
Por vezes, não hesita em usar esta mesma força de coerção, em caso de não haver outro meio. 
O seu comportamento é o de um constante assédio («bullying») aos países que tentam sair da sua órbita. 

Isto tudo vem a propósito das sanções económicas, levadas a cabo pelo Império, contra todos os regimes que fazem obstáculo às suas ambições hegemónicas.
Porém, as sanções económicas, pretendendo castigar um regime, apenas castigam os que já sofrem bastante com esse regime. As vítimas das sanções são as populações, tanto os elementos que apoiam activamente o tal regime sancionado, como os que não apoiam de todo o regime em causa. 
Caso a situação se mantenha, é sinal de que os regimes foram talvez isolados mas, em simultâneo, foram consolidados, pois as suas populações identificaram essas sanções como um ataque directo aos seus direitos e muitas delas se alinharam com o referido regime em consequência disso, ou pelo menos, não se rebelaram contra ele.   
Aquilo que a propaganda dos falcões promove, é afinal a utilização de sanções económicas como arma de subjugação de inimigos e aliados em simultâneo e como forma de afirmar de que são eles os «donos do mundo».

Não existem nunca motivos legítimos para as sanções económicas, pois são tipicamente sanções colectivas, que têm efeitos devastadores na sociedade civil dos países sancionados. São populações indefesas, as principais vítimas, trata-se de uma punição colectiva, indiscriminada. 

Trata-se de um crime de guerra, de uma forma odiosa de impor a sua vontade, destruindo as condições - quantas vezes já precárias - de sobrevivência das populações. 
Não há portanto justificação nenhuma para impor sanções económicas, sejam elas traduzidas no concreto por embargo de alimentos, medicamentos, ou tecnologias. 

Uma forma de anular o potencial de resistência dos povos, incluindo os povos dos países ditos desenvolvidos do Império (EUA, Grã Bretanha, Austrália, Canadá e os países da União Europeia) é sonegar informação relevante, mesmo aquela que é originada pelas instituições dos mesmos países. 
Coisas irrelevantes são abundantemente noticiadas, mas a notícia abaixo* por exemplo, não é veiculada, ou seja, aquilo que é sujeito a «black out» informativo não «existe», no universo dos media. 
É a ditadura  nos media um meio objectivo de manter a ditadura mais geral do Império anglo-americano. 
Se tivermos atenção, vemos que há muitas notícias relevantes que são ocultadas deste modo ao público. Entretanto, as chamadas notícias são - cada vez mais- outra forma de «entretenimento» para as massas, onde as intrigas e escândalos com estrelas do cinema, da canção ou do desporto enchem os noticiários de abertura dos jornais tele-visionados e do resto. 
A guerra, hoje em dia, é de natureza económica, mas também de «infoprop» (neologismo derivado da contracção de informação+propaganda). Note-se que outra característica peculiar é que ambos estes meios bélicos - sanções económicas e infoprop - se dirigem tanto a potências inimigas como amigas. 
A guerra suja contra a Rússia, pelos EUA, é também uma guerra suja contra os seus concorrentes da UE, formalmente seus aliados (em 3 anos, a UE perdeu 30 biliões de €, por causa das sanções à Rússia!*). 
Note-se que a infoprop tem sido servida em quantidades ilimitadas nos próprios países que a fabricam, pelo simples motivo de que as suas populações têm de ser convencidas de que os seus governos trabalham para o «bem» e que os outros são os «maus». 
Nesta era de comunicações globais e de grandes desafios verdadeiros à humanidade no seu todo, os meios desprezíveis ou criminosos dos imperialistas causam cada vez maior repúdio, não apenas nas populações que são vítimas das agressões, como às próprias pessoas dos países que executam estes actos de agressão. 

Esperemos que estas formas insidiosas e cobardes de fazer a guerra sejam cada vez mais desmascaradas e que tal seja reconhecido pelas pessoas decentes e racionais, a imensa maioria em todos os países, mesmo nos que são esteio das  políticas imperialistas. 

*A new research by the Austrian Institute of Economic Research (WIFO) suggests the EU’s economic sanctions against Russia introduced three years ago have cost European countries billions of euros. The survey, which was conducted at the request of the European Parliament, and published on October 6, showed that the EU has lost €30bn due to sanctions.
Citação de: https://www.strategic-culture.org/news/2017/10/22/us-gets-increasingly-isolated-internationally.html

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O IMPERIALISMO LINGUÍSTICO E CULTURAL


Definir o conceito torna-se necessário, porque há uma série de equívocos em torno dos conceitos de língua e de cultura.
Primeiro, a língua não é um sistema fechado, é um sistema aberto e dinâmico. Historicamente as diversas línguas evoluíram, derivaram de outras, por processos que evocam a evolução biológica (em termos de analogia, claro). 
Segundo, o complexo universo de uma língua não apenas se traduz numa sonoridade própria dos fonemas, das palavras, mas também existem construções conceptuais que lhe são peculiares.
Existem línguas que não têm determinados equivalentes semânticos, ou porque são realidades que não aparecem na área de afirmação dessa língua, naturalmente, como por exemplo espécies biológicas, ou tecnologicamente, como certos instrumentos agrícolas que não são conhecidos/usados em dada região, ou mesmo ideologicamente, conceitos abstractos que correspondem a uma forma de sentir ou de estar (por exemplo: «o fado», presente na cultura portuguesa e árabe, ou ainda, a «saudade», de tradução difícil para qualquer outra língua). Isto acontece com todas as línguas, de todas as latitudes e épocas, porque a língua é uma entidade viva, mutável.

Porém, a língua é também sujeita a colonização, a subjugação e a etnocídio.
Na era da globalização capitalista, o inglês tornou-se uma espécie de «língua franca» universal, muito mais universal do que o Latim, na Europa das luzes, de Londres a Moscovo. 
Os Principia de Newton foram editados em Latim, assim como os Colóquios dos Simples de Garcia da Orta. Para se fazerem compreender a nível internacional, pelo pequeno escol que tinha frequentado a universidade, os autores tinham de editar as suas obras em Latim. 
Actualmente, olhando superficialmente, pode-se julgar que o Inglês tomou o lugar do Latim como língua erudita, visto que (quase) todos os livros e sobretudo artigos originais de qualquer ramo científico, são editados em Inglês, até por editoras não sediadas em países anglófonos. 
Mas o efeito é muito mais penetrante, pois levou à extinção de revistas científicas noutras línguas. Desde há décadas que as (restantes) revistas científicas alemãs, francesas, espanholas, etc. editam em Inglês, mantendo (algumas, apenas) um breve resumo do artigo na língua «nativa». Estou a referir-me ao Alemão, Francês ou Espanhol, que durante vários séculos foram também línguas com enorme projecção nas ciências, tanto ou mais que o Inglês. 

Portanto, aqui já vemos uma vertente de imperialismo linguístico, cuja gravidade se menospreza, porém é muito importante pois os novos conceitos e a evolução dos conteúdos linguísticos, semânticos vão de par com a língua onde são veiculados. 
Uma língua que não tem os termos apropriados para exprimir uma dada realidade, vai ser preterida no discurso escrito ou oral, formal ou informal. 
É assim que várias línguas europeias se tornaram externas ao discurso científico, sendo o inglês «científico» o jargão único em congressos. Isso permite que se façam compreender entre si cientistas das mais diversas culturas. 
Mas coloca-se uma situação de desigualdade formal: uma pessoa anglo-falante de nascença, ao iniciar-se neste ou naquele ramo do saber científico ou tecnológico, não terá um problema linguístico. No entanto, este problema estará presente, com maior ou menor acuidade, para todos os de língua materna não inglesa: com efeito, a língua estrutura o pensamento de modo profundo. 
As estruturas linguísticas, a estrutura gramatical profunda, são aprendidas desde o início da vida. O recém-nascido absorve os sons e reproduz esses sons ainda antes de «saber falar». Quando aprende a falar, a estrutura gramatical é assumida implicitamente. Só muito mais tarde, caso seja escolarizado, é que vai aprender formalmente a gramática da sua língua materna, que já possuía intuitivamente, em larga medida. 
A língua é «biologicamente armazenada» ao nível de estruturas especiais do nosso córtex. Nós pensamos a nível profundo na língua materna, sonhamos na língua materna …
É portanto essencial poder-se traduzir os conceitos para a nossa língua materna. 
Saber-se traduzir os conteúdos semânticos de uma língua erudita para linguagem vulgar, era absolutamente natural nos séculos XVI-XVII-XVIII, em que o Latim era a língua erudita, pois não se conversava em Latim, no dia-a-dia, todos usavam a língua comum.

Já em relação ao Inglês científico, somos hoje incapazes de pensar em assuntos científicos, sem incluir no discurso, no nosso idioma, palavras anglo-saxónicas. A própria explicação dos conceitos subjacentes a estes termos anglo-saxónicos, também acaba por ter expressão mais fácil e «espontânea» em Inglês.
A língua materna, não anglo-saxónica, encontra-se assim relegada para um estatuto secundário, em muitos aspectos da cultura científica.

Mas não é apenas neste domínio que as línguas estão a ser atacadas na sua essência.
Também se nota uma invasão do Inglês como língua preferida na música pop, rock, rap, etc… a qual tem a função de identificador de geração e factor de coesão dos adolescentes. 
Assim é banal, nos adolescentes, observar-se a audição constante de canções apenas em língua anglo-saxónica. Esta linguagem usada na cultura pop e rock é muito empobrecida, em geral: não tem o requinte e a riqueza de significados das letras dos anos da década de 1960 (Bob Dylan, os Beatles e muitos outros, tinham letras de canções com qualidade poética elevada). 
Sobretudo, as jovens gerações são «treinadas» a sentir e pensar noutra língua que não é a sua própria. 
Muitos jovens julgam terem-se apropriado essa língua, mas a sua capacidade linguística está longe do nível de desempenho médio de anglo-falantes da mesma idade e ano de escolaridade. 
Na realidade, a língua Inglesa é que se apropriou das suas mentes, pois eles não conseguem exprimir-se em português, vernáculo ou popular, mas julgam (erradamente) que estão a pensar, ou mesmo a sentir, em Inglês. 

Esta colonização linguística nunca pode ser dissociada da colonização mental e ideológica. Ela não deve ser confundida com a capacidade de expressão num idioma estrangeiro, por alguém que possui plena capacidade de se exprimir na sua língua autóctone.

Tal como no caso da língua científica, nota-se que a total dominação do Inglês corrente, como língua da indústria musical e de entretenimento, coloca línguas e culturas diferentes, o português, o francês, o alemão, o espanhol, etc., numa postura marginal, nos seus próprios países de origem. 
Muitos grupos musicais – não anglo-saxónicos - apenas compõem e cantam em Inglês. Muitos dos filmes ou dos vídeos, produzidos em vários países, já não são falados na língua original desse país, são falados em Inglês e depois dobrados, eventualmente, para essa língua. Dá-se um fenómeno semelhante ao da cultura científica: para se ter audiência, para se vender, é necessário escrever, falar, cantar em Inglês.
Este imperialismo cultural pode considerar-se arma de dominação «suave» (o dito «soft power»), por oposição ao bombardeio, à ocupação militar, etc. Porém, este imperialismo linguístico viabiliza todas as restantes dominações e inviabiliza o desenvolvimento autónomo das culturas nacionais e regionais.

O etnocídio actual tem preocupado muitos filósofos, linguistas, especialistas da cultura e antropólogos de muitos países, incluindo cientistas de países anglo-saxónicos, que vêem - com razão – que esta extinção maciça de línguas e culturas é realmente um empobrecimento geral da humanidade. 
Todos saímos a perder desta perda de diversidade. Note-se que, com a perda de uma língua, é também a perda de uma literatura, de um imaginário, das chaves para compreensão da música, das artes plásticas… tudo isso desaparece ou fica apenas sob forma de objectos enigmáticos, a serem interpretados pelos arqueólogos. 
Uma língua que desaparece, é um corpo de cultura que morre. Podemos tentar perceber como funcionava tal corpo em vida, mas ele está irreversivelmente morto. O fenómeno é grave, com certeza. Porém, não se imagina a mobilização das pessoas em defesa das culturas, no mesmo grau que em defesa de espécies em vias de extinção ou de ecossistemas em perigo.
No meu entender, não existe a Natureza, por um lado e a Cultura, por outro. Deveria pensar-se a Ecosfera como incluindo a Noosfera, a esfera do saber e do conhecimento. 

Esta Noosfera tem de ser protegida, pois nós estamos – enquanto humanos- simultaneamente ancorados no mundo dos objectos e das ideias. Trata-se de aplicar o mesmo critério, num e noutro caso, ao fim e ao cabo: Nenhuma espécie/língua viva é mais ou menos importante que as outras, todas desempenham um papel no ecossistema, todas são resultantes de uma longa evolução.
Infelizmente, não existem movimentos pujantes em defesa da vida cultural, das línguas em particular. Porém, vemos que haveria todos os motivos para o fazer. 
Isto deve ser radicalmente separado de passadismos, de glorificações nacionalistas, ou reflexos xenófobos. 
Mas também não devemos cair no provincianismo, na incapacidade de decidir em nosso próprio benefício e do nosso povo e cultura. 

A «excepção cultural» é uma necessidade. Devia-se proibir ou restringir o uso de línguas estrangeiras na publicidade (em cartaz, em anúncios da televisão, de rádio…); não se devia usar termos estrangeiros em textos oficiais, em comunicações de entidades públicas, em livros didácticos (excepto, se estes forem para ensino de língua estrangeira, obviamente). Devia-se ter imenso cuidado com a correcção – lexical, ortográfica e gramatical – nos textos nos casos acima referidos e também na linguagem dos jornalistas e apresentadores na televisão, rádio…

O Inglês (ou outras línguas) tem um lugar natural no nosso ensino. A literatura de qualidade em línguas estrangeiras deveria ser promovida. Muito se deve fazer - e é justo que se faça - para difusão de outros idiomas na nossa sociedade. 

Mas devemos proteger a língua nativa, o Português. Isso passa por uma atitude consciente de cultivar o nosso próprio idioma e de dar relevo merecido aos criadores do passado e presente que o utilizam, sejam eles eruditos ou populares.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

NATO EM ÁFRICA: A MENTIRA DO «TERRORISMO»

ANTÓNIO COSTA PRETENDE QUE AS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS ESTÃO NA REP. CENTRO AFRICANA NUMA MISSÃO DE COMBATE AO TERRORISMO. MAS SERÁ ISSO VERDADE?

O que é evidente é o alargamento da NATO para teatros que não têm que ver com o seu próprio estatuto de «aliança defensiva» euro-atlântica e norte-americana... Pois ela está empenhada numa aventura de consolidação do poder neo-colonial, em países estratégicos de África.

Em África, os Chineses têm investido muito, através de construção de infraestruturas, de apoio efetivo ao desenvolvimento desses países, sobretudo obtendo contratos de fornecimento de matérias-primas. O desenvolvimento vigoroso da Rep. Pop. da China necessita disso. Contra tal penetração pacífica, os poderes do «ocidente» (os EUA e seus vassalos), têm feito ofensivas militares desde o Mali, o Sudão, a Rep. Centro Africana, etc. sob pretexto de combater o terrorismo.

Ora, este argumento do «terrorismo» não é credível, pois o real papel das forças da NATO e outras, tem sido o de manter e consolidar o poder de ditadores que lhes estão próximos.
Sabe o leitor que o Mali é o terceiro produtor de ouro do continente africano e que a sua produção vem subindo de ano para ano?
A Rep. da África do Sul, membro dos BRICS, tem sido até agora o primeiro produtor, mas com uma produção decrescente.

Não apenas no Mali, também no Sudão (rico em petróleo) e em muitos outros países africanos que possuem interesse geo-estratégico nota-se hoje a presença de tropas da NATO. Se tais países estão envolvidos em sangrentas guerras civis, o facto é que elas só podem subsistir pelo tráfico permanente de armas e munições, com origem nas tais potências «protectoras».

A verdade é que tais guerras são instigadas, alimentadas e ampliadas pelos poderes ex-coloniais ou outros. A recolonização de África tem vindo a observar-se desde que a NATO se projectou como «protetora» do contrinente Africano, na sequência da conferência de Washington em que se auto-atribuiu o papel de «polícia mundial».

Todas as pseudo-justificações de «combate ao terrorismo» caem por terra, quando nós perguntamos as questões óbvias:
- quem arma e equipa os terroristas?
- quem os financia?
- que interesses esconde essa defesa de regimes ditatoriais?
- que proveito tem a NATO em manter bases nesses países?

Ninguém, com espírito independente, pode acreditar na sinceridade destes políticos, que apenas pretendem a continuidade da exploração de África, como uma espécie de reserva de matérias-primas do «Ocidente».

Eles vêem a sua hegemonia ameaçada, porque os países africanos têm - desde há alguns anos - feito acordos mutuamente vantajosos com a China, que lhes permitem emanciparem-se da tutela neo-colonial e arrancar para o desenvolvimento. Ora é isso, justamente, que os imperialistas não podem tolerar. Têm de inventar motivos «legítimos» para reocupar estes países ricos em ouro, petróleo, metais industriais, solos férteis e mares ricos em peixe.

O cidadão europeu, além de estar a ser enganado, está a ser espoliado: é obrigado a pagar pelas guerras do império, para satisfazer a gula insaciável de imperialistas e de suas clientelas da indústria bélica, das empresas mineiras, do agronegócio, etc.



segunda-feira, 18 de julho de 2016

RAZÃO MORAL E CONSCIÊNCIA



De que é que serve a nossa razão moral, anos depois de centenas de milhares de mortos?
Isabel do Carmo

Esta reputada médica coloca a questão num artigo de opinião surgido nas páginas do «Público». 
Eu coloco a questão de outro modo.
Se a razão moral é uma medida de alguma coisa, será da nossa impotência. Ou – simetricamente – da força brutal dos poderes do capital, dos governos e dos media, que puderam ignorar completamente o grito moral de muitos milhões de pessoas que se manifestaram, incluindo nos países que seriam – dias depois - agressores nesta guerra criminosa do Iraque.
Esta guerra de 2003 foi antecedida de uma década de sanções crudelíssimas contra as populações civis iraquianas, elas próprias atos de guerra, assim como esporádicos ataques aéreos «preventivos», com devastadoras consequências nas depauperadas infraestruturas do Iraque.
Muitos se recordam da entrevista dada por Madeleine Allbright (da administração Clinton) que respondeu a uma pergunta da entrevistadora sobre se este regime de sanções contra o Iraque se justificava em face de cerca de quinhentas mil mortes de crianças, provocadas pelas condições sanitárias deficientíssimas e carências alimentares, além de outras carências. Ao que a representante da diplomacia dos EUA respondeu que sim, que estas sanções se justificavam.
As pessoas do Ocidente, supostamente educadas, civilizadas, não podem deitar para traz das costas a sua objetiva conivência, com os facínoras, os Blair, os Bush, os Obama e todos os seus acólitos e agentes, incluindo as hierarquias das forças armadas, do comando da NATO, etc. Elas – ao saberem dos crimes de guerra – quando escolheram «ignorar», comportaram-se como se fossem pessoalmente inocentes desses crimes. Na realidade, se elas se consideram livres, logicamente deveriam considerar que livremente elegeram políticos monstruosos capazes de mentira, de crimes contra a humanidade, para se manterem no poder. Ainda maior sua responsabilidade será, no caso de nada terem feito para impedir essas monstruosidades, mesmo depois de denunciadas por organizações e pessoas inteiramente credíveis.
Nem sequer estão totalmente isentas de responsabilidade moral em relação ao terrorismo, perpetrado por pessoas desesperadas pelas devastações que ocorreram nos seus países: Os crimes de guerra efetuados pelas potências nessas terras são uma mancha indelével, uma ferida sangrando nessas zonas do globo.
O cinismo das potências vai ao ponto de levarem a cabo ataques com gases venenosos, causadores de dezenas de mortes, como foi o caso há apenas 3 anos, na Síria, para depois, falsamente, acusarem o presidente desse país, Assad, da responsabilidade deste crime…
A responsabilidade da média corrupta e mercenária é grande ao deitar poeira para os olhos da opinião pública dos diversos países, ditos democráticos, desviando o seu olhar dos comportamentos criminosos dos seus dirigentes, carregando outros, Assad, Putin, Kim Jong Un, etc. com todos os males, diabolizando esses dirigentes, assim como os seus governos e Estados. Ora, se nenhum governo é perfeito, nós sabemos também que não se tolera, num Estado dito de «de Direito», que alguém seja enxovalhado publicamente e sem possibilidade sequer de se defender eficazmente, por crimes que lhes são imputados, mas nunca são minimamente demonstrados.
Este critério, perfeitamente válido e aceite em relação a qualquer cidadão de um dos tais países ditos civilizados, é alegremente ignorado quando se trata de governos «inimigos».
Vale tudo; tudo é aceite para nutrir o medo insuflado numa opinião pública cobarde, infantilizada e disposta a tudo para não ter que se confrontar com a triste realidade da sua inegável decadência moral.
Por esses motivos todos, considero que só são dignos os que resistem, os que dizem não a esta barbárie, especialmente os cidadãos e cidadãs dos países da NATO e outros aliados dos EUA, cujos governos e forças armadas têm contribuído para a destruição da paz e agredido violentamente populações indefesas.
A única defesa contra o terrorismo é depor os governos que direta ou indiretamente o fomentam, se alimentam dele, precisam dele para desencadear as suas campanhas de medo e de ódio.

A NATO, porventura a maior ameaça terrorista que ameaça a paz mundial e a sobrevivência do planeta, deveria ser dissolvida quanto antes e, no imediato, abolida qualquer pretensão de ela ser «polícia mundial».

sábado, 9 de julho de 2016

ATLANTIS / ATLÂNTIDA - ELOGIO DA HIBRIDAÇÃO CULTURAL


Vivemos na orla do grande «Mare Nostrum», somos Atlântides
A nossa cultura é de grande universalismo, pois somos gentes do mar, gentes de dar a volta ao mundo, de ir aonde for preciso para nossa subsistência, a dos nossos filhos.
Somos ambiciosos, sim, mas não temos uma vaidade baseada na genética. Nos defeitos mesmo somos diferentes dos povos continentais típicos, daqueles que quase não conhecem outra coisa senão paisagens de planícies e montanhas. Porque nós somos «naturalmente» vocacionados para o universalismo.
Muitos intelectuais das nossas culturas atlânticas exprimem esse universalismo. Em Portugal, o espírito de Antero de Quental, de Fernando Pessoa, de Paula Rego, de João Magueijo,  só para citar algumas pessoas célebres, vivas ou mortas, é claramente cosmopolita ou universalista.

Sem dúvida, existem bairrismos, tacanhez, como têm todos os povos. O que eu defendo aqui é que o espírito de aventura, de procurar ir mais além, de descoberta exterior e interior, está bem vivo na nossa História e que esta História é indissociável da dos outros povos da «Atlântida». Por isso, nos damos bem junto de outros povos, especialmente dos que partilham um fundo cultural e genético de povos viajantes, de nómadas, de aves de arribação.

A miscigenação é a maior demonstração prática da pseudocientificidade e imbecilidade do racismo. O povo de Portugal ou os seus descendentes, cultural e geneticamente presentes em todo o Atlântico, de um lado e do outro, nos hemisférios Norte e Sul…eis a prova mais evidente do «vigor dos híbridos».

Penso que a globalização dos humildes está muito mais adiantada que a globalização da elite do poder e do dinheiro. 
Primeiro, houve necessariamente a globalização resultante do entendimento espontâneo entre pessoas de diferentes povos, condição primeira para que uma comunidade emigrada se integre no país de acolhimento. 
Foi por isso que a globalização capitalista se tornou possível e «rentável» e não ao contrário, como – muitas vezes - nos querem fazer crer.


ATLANTIS
The continent of Atlantis was an island
Which lay before the great flood
In the area we now call the Atlantic Ocean.
So great an area of land,
That from her western shores
Those beautiful sailors journeyed
To the South and the North Americas with ease,
In their ships with painted sails.
To the East Africa was a neighbour,
Across a short strait of sea miles.
The great Egyptian age is
But a remnant of The Atlantian culture.
The antediluvian kings colonised the world
All the Gods who play in the mythological dramas
In all legends from all lands were from far Atlantis.
Knowing her fate,
Atlantis sent out ships to all corners of the Earth.
On board were the Twelve:
The poet, the physician, The farmer, the scientist,
The magician and the other so-called Gods of our legends.
Though Gods they were -
And as the elders of our time choose to remain blind
Let us rejoice
And let us sing
And dance and ring in the new Hail Atlantis!
Way down below the ocean where I wanna be she may be,
Way down below the ocean where I wanna be she may be,
Way down below the ocean where I wanna be she may be.
Way down below the ocean where I wanna be she may be,
Way down below the ocean where I wanna be she may be.
My antediluvian baby, oh yeah yeah, yeah yeah yeah,
I wanna see you some day
My antediluvian baby, oh yeah yeah, yeah yeah yeah,
My antediluvian baby,