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domingo, 29 de outubro de 2017
sexta-feira, 27 de janeiro de 2017
O CORPO E A PAISAGEM (POEMA INÉDITO DE 1978)
O CORPO E A PAISAGEM*
Na rota do Sol luzente
Astro sempre escuro
Segue um cortejo de anjos
Anunciando a aurora
Que se adivinha
E surge repentinamente
Em todo o seu esplendor
Na brisa misturam-se os cantos das aves
O rumor das árvores sussurrando ao pé do rio
Guinchos pacientes de uma nora
As vozes dos galos e das lavadeiras
Vibram como ecos longínquos
Que o vento transporta longe
Terra de barro queimado
Teus pomares são frescura remanescente
Tuas casas guardam segredos jamais contados
Da chaminé caiada ergue-se
Uma espiral de fumo branco
Uma prece de povo humilde
Lançada ao céu azul de chumbo
Aqui a transparência do ar recorta
As sombras como se fossem o duplo dos objectos
Não há mistério ... só beleza imóvel
Jardim de musgo e
vento
Água morta peixes silenciosos
Guardais segredos antigos
Como a pedra os seus gemidos
Quem poderá cantar o perfume
Das laranjeiras em flor?
Numa tarde quente de Verão
Afundado no prazer contemplativo
Sequioso mas não de água
Apenas da luz de uma estrela
Que se remira no riacho
Cristalino de teus olhos
Paisagem de penedos
Musgo ruço sobre cinzento
Verdes dourados de ramagens
Aqui e acolá telhados
Apoiados na aspereza da rocha
Um oratório na curva do caminho pedregoso
Há fogueiras no horizonte
Abrasam a planície de ouro e vinho
Minha terra entre rochas e troncos retorcidos
Sabem a sal, a dor, os teus frutos
Sabor de sombra e de Sol
Maçãs de ouro frutos da China
Abris vosso perfume na noite
Enchendo o ar de fragores suaves
Assim te quero no amor
Frescura
Sumo brotando da pele lustrosa
Fruto ardente do desejo
Entre o céu e a terra
Jardim de sombras misteriosas
Gotas de orvalho
Luar caindo sobre o olival
Olhos espreitam fulgentes
Grilos cantando na noite
Afago o teu corpo docemente
Te amando pela noite fora
Até ao amanhecer
Sem tréguas
Como a onda no mar
-
*Este poema longo abre o volume «Lábios do Vento», livro inédito de poemas escritos entre 1978 e 1982.
sábado, 6 de agosto de 2016
SABERES XAMÂNICOS VERSUS «CIVILIZAÇÃO» COLONIAL
Vivemos numa época bruta, estúpida. Não que a humanidade se tenha tornado repentina ou progressivamente estúpida. Porém, todos nos deixamos «enfeitiçar» por uma pseudo-civilização da matéria, do vazio, das coisas, dos gadgets, do dinheiro e do poder.
O nosso culto do corpo, do prazer, até mesmo isso, está contaminado pela estúpida mentalidade da «performance». Na realidade, já não existe o ingénuo, o espontâneo prazer.
Destruindo o homem, destroi-se correlativamente a Natureza, pois o homem é um ser muito importante na ecologia natural.
Quem tem dúvidas disto, que estude o papel de guardiães, que os povos ditos primitivos têm tido ao longo das eras, quer no Amazonas e noutras florestas tropicais-equatoriais, quer nas gélidas estepes da Ásia Central, dos povos siberianos, dos mongóis, etc.
Se tivermos em atenção a verdadeira história desses lugares recônditos (para nós, «civilizados») e do seu processo de colonização pelos «civilizados»; se virmos a extensão das depredações causadas, sempre com o objectivo do lucro, do aproveitar ao máximo os recursos, não importa de que maneira, então veremos que a civilização (suposta) que trazemos a esses povos nada mais é que morte.
São eles - os povos indígenas em todo o globo - que estão do lado da vida, da natureza, da comunhão com o Todo, são eles os nossos guias, para saírmos do mundo fechado em que nos encerrámos a nós próprios, «civilizados».
Vejam o filme «O Abraço da Serpente», vejam as imagens do álbum de Sebastião Salgado «Povos indígenas»:
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