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segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O CREPÚSCULO DA INTELIGÊNCIA PÚBLICA NO OCIDENTE

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"A ditadura perfeita seria a que tivesse as aparências da 
democracia, uma prisão sem muros, cujos prisioneiros
não sonhassem sequer se escapar. Um sistema de
escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento,
os escravos amassem a sua servidão."

Aldous Huxley 
O Melhor dos Mundos

A minha tese é muito simples:
De maneira deliberada ou não, a civilização ocidental vem produzindo - geração após geração - cidadãos mais ingénuos, incapazes de racionalidade, de raciocínio lógico, de visão clara da realidade.

A falsa informação sobre o 11 de Setembro de 2001, foi talvez o ponto de partida: Um golpe monstruoso dos neocons que precisavam do seu «Pearl Harbour» para dar o golpe final às liberdades nos EUA e transformar o seu regime em tudo o que caracteriza um fascismo, embora guardando aparências de democracia. 

Digo que foi o ponto de partida pois, a partir deste ponto, causaram guerras de agressão, em si mesmas crimes contra a humanidade, sem que houvesse um sobressalto da generalidade do público das «democracias ocidentais», aliadas do Império. 

Mas a agressividade e o atrevimento dos neocons não se ficaram por aqui pois, apesar do seu óbvio fracasso em trazer a «democracia» para o Iraque ou a Líbia, foram os arquitectos e os mentores do golpe de Estado na Ucrânia, com o apoio da U.E. em Fevereiro de 2014, colocando no poder uma extrema-direita, que se reclama herdeira dos ucranianos que escolheram Hitler, que se alistaram nas suas unidades de exterminação das SS, sendo autores de crimes comprovados contra população civil, judaica e não-judaica, polaca, russa, ou ucraniana, que não estivesse do lado deles.
A partir deste ponto, a caixa de pandora destapa-se completamente, pois precisam de uma guerra-fria bis para demonizar a Rússia, como o fizeram com a antiga URSS, mas agora, sem qualquer laivo de verosimilhança ou pudor. 
Acusam constantemente os russos e os chineses de actos de espionagem quando eles, poderes da NATO, são os que espiam tudo e todos, os maiores e mais constantes agentes de subversão dos regimes que não lhes agradam. São estes governos que clamam que estão sujeitos a «ingerências» da Rússia e da China!

O público ocidental é o verdadeiro alvo desta propaganda, que visa justificar perante ele a política agressiva, belicista da NATO, em particular, dos anglo-americanos (EUA, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia, Austrália). 

Creio que a estupidez ocidental não é endógena, mas que é infundida e reforçada constantemente pela media. Graças à media, tudo tem uma «explicação» compatível com as narrativas delirantes dos governos da NATO. 
Se apenas tivermos a media mainstream como fonte de informação sobre tudo o que se passa, realmente não saberemos nada, pois as notícias importantes são afundadas num mar de lixo, de mexericos envolvendo a vida sexual de pessoas famosas ou outras futilidades. 
O próprio conteúdo das notícias propriamente ditas, deixa muito a desejar: repare-se que, cada vez que noticiam o ponto de vista governamental, ele é apresentado como «a verdade oficial», inquestionável, incontestável. Não existe -na imensa maioria dos casos - qualquer contraponto audível nos media de massa, apenas um pequeno número de pessoas consegue conhecer a posição de políticos contrários aos governos, ou de sindicalistas, ou de outras personalidades que sejam críticas. 
Como a imensa maioria das pessoas está exposta apenas à narrativa dos media de massas, o ponto de vista que esta veicula é adoptado a-criticamente como sendo «a verdade». 
Por exemplo, há 4 anos atrás, as vozes que diziam que o ISIS era uma fabricação dos serviços secretos americanos e de Israel e financiados pela Arábia Saudita, com o apoio do Catar e da Turquia, foram postas de lado como sendo «teóricos da conspiração» mas, agora, toda a gente sabe que isso foi assim. 
No entanto, quase ninguém vem agora questionar o «Ocidente» por ele ter estado a financiar, a pretexto da luta contra o governo legítimo da Síria, os irmãos ideológicos da Al Quaida, os declarados autores de bárbaros ataques contra os civis, nos EUA, na Inglaterra,  em Espanha, em França, etc?

Vemos que existe uma monstruosa conspiração, não uma «teoria da dita», a qual envolve os «nossos» governos, com a preciosa colaboração dos aparelhos ideológicos disfarçados de «órgãos de informação», para nos fazer aceitar a transição paulatina para um regime  totalitário mundial (o triunfo do globalismo), mas um totalitarismo que não se vê.

Um totalitarismo «soft» não significa que ele seja menos duro com a dissidência do que os totalitarismos nazi-fascista ou bolchevique que prosperaram tristemente durante boa parte do século passado: 
- pelo contrário, eles aprenderam a lição com estes totalitarismos passados e não se esquecem de apregoar - como um ritual - o discurso sobre a liberdade, a democracia, etc. Isto, para melhor apunhalar os mesmos valores e - sobretudo - colocar a generalidade dos cidadãos na posição de menoridade mental ou de escravização psicológica (o mecanismo da síndrome de Estocolmo, que usam com abundância). 
Tudo é «psi-op», ou seja, operação psicológica com o objectivo de desarmar, confundir, iludir o «adversário», mas o adversário aqui é a própria população civil dos países que eles governam, sujeita à propaganda maciça.

A maior fragilidade deste novo totalitarismo reside nas pessoas: as que não têm vendas, que já perceberam o jogo. Estas são susceptíveis de  comunicar com outras e mostrar como estão todas sujeitas a manipulação. 
A partir deste momento, uma pessoa deixa de ser manipulável. Uma pessoa não manipulável tem tendência a propagar essa postura de espírito à outras. Se o processo se repete "n" vezes, já ninguém liga à propaganda. Toda a gente está consciente de que «as notícias» são falsidades fabricadas para levar as pessoas a adoptar uma determinada posição.

Isto aconteceu com os regimes de Salazar e Franco, nos últimos anos, em que quase toda a gente era de oposição ou crítica dos poderes, quase ninguém dava crédito aos órgãos de informação controlados pelos governos respectivos. O mesmo se passou com os regimes do Leste europeu.
Tive ocasião de «tomar o pulso» da verdadeira opinião pública em Portugal e Espanha (nos anos de 1970 até 1974). 
Também na Polónia, República da Checoslováquia, República Democrática Alemã e mesmo na União Soviética, países que visitei várias vezes e contactei com pessoas comuns, intelectuais ou operários, jovens ou anciãos, nos anos 1976-1985. 
Foi muito importante para mim, para compreender que as pessoas, uma vez despertas, ficam como que «vacinadas» contra a propaganda. 
Não só a propaganda governamental deve ser encarada criticamente, por aquilo que realmente é, mas toda a propaganda, seja qual for a sua origem; também a de sinal contrário, anti-governamental. 


terça-feira, 4 de setembro de 2018

PERSPECTIVA DE SAÍDA DA GRÃ-BRETANHA SEM ACORDO COM A UE

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Esta perspectiva de um «hard brexit» está a levar a que investidores vendam uma grande quantidade de obrigações do tesouro britânico, ou que deixem estas chegar a termo. 
O efluxo de capitais deve-se ao facto de que uma eventual ruptura negocial não será nada favorável para a City de Londres. Muitos bancos e firmas financeiras têm estado a sair ou têm planos de transferência para as zonas mais afluentes do continente europeu, Alemanha, Luxemburgo, etc... 
Sem dúvida, uma grande quantidade de legislação de origem europeia foi automaticamente incorporada nas leis britânicas e não poderá manter-se sem modificação, pois estas mesmas leis foram passadas no pressuposto da pertença à UE. 
A complexidade dos aspectos legais não se fica por aqui, pois existem numerosas directivas, seja para protecção ambiental, para protecção dos consumidores, etc. que instituem normas aos fornecedores de bens e serviços e estes têm de continuar a respeitar essas normas, para além do «brexit», não apenas para poderem exportar para os países da UE; o próprio mercado interno britânico não poderá ficar - dum momento para o outro - sem essas protecções.    
Evidentemente, os mercados são feitos por pessoas e, tal como as pessoas, não são infalíveis. Porém, revelam a tendência, o sentimento geral. O sentimento nunca foi tão pessimista sobre a relação «pós-divórcio» entre a UE e o Reino Unido. 
Do ponto de vista geoestratégico, penso que é inevitável também, pois as «apetências» das oligarquias de um e doutro lado da Mancha são divergentes. 
O Reino Unido tem tido o papel de «cão de guarda» dos EUA, quer no seio da NATO, quer da UE. 
Além disso, têm feito tudo para manter a City de Londres como grande placa giratória dos capitais, não apenas do continente europeu, como asiáticos. O governo britânico é favorável a uma máxima cooperação financeira com a China, como por exemplo fazendo parte do banco asiático de desenvolvimento e oferecendo Londres como plataforma para a negociação de obrigações em Yuan. 
Os alemães, por outro lado, o principal motor da economia europeia, querem que Frankfurt - onde está situada a sede do BCE - receba uma parte significativa dos negócios que hoje em dia se situam nas margens do Tamisa. Quanto aos industriais alemães, estes fazem pressão constante pelo levantamento das sanções contra a Rússia. Estas sanções têm feito perder muito capital alemão investido e limitado a expansão da indústria alemã. 
Como se vê, há variados motivos para os mais fortes agentes económicos do Continente europeu desejarem uma saída do Reino Unido. 

No curto prazo, a não conclusão de negociações ou a obtenção de um acordo que deixe de lado as questões de maior fricção entre as duas partes, poderá desencadear uma crise de grandes proporções, não apenas no Euro, como também noutros planos, incluindo o militar, com a NATO.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

PARA QUANDO O FIM DO DÓLAR COMO MOEDA DE RESERVA?

Já há algum tempo que tinha aventado esta hipótese e mesmo afirmado ser inútil, ao fim e ao cabo, uma moeda de reserva (ver aqui). No entanto, estes processos são «tectónicos», ou seja, no mundo de hoje, estendem-se por dezenas de anos. 
Um caso muito típico disso, é o do ministro alemão que apela à criação de um sistema europeu em alternativa ao sistema SWIFT, de pagamentos internacionais. Este sistema, embora sediado na Bélgica, é controlado nos EUA. Todas as pessoas bem informadas sabiam disso, evidentemente, desde a sua criação. Mas, o facto do ministro alemão exprimir isso, mostra como as sanções irracionais e prejudiciais contra a Rússia e agora também contra o Irão, impostas pelo Império têm um efeito negativo, não apenas nos referidos países, como também nos aliados (na realidade súbditos) europeus. Os EUA queriam afirmar, com essas sanções, a sua posição de potência hegemónica; afinal, o que conseguiram foi afastar os seus melhores aliados na Europa.
Do lado do grupo dos «sancionados», a reacção foi criar um sistema financeiro alternativo. A Rússia e a China possuem sistemas equivalentes ao SWIFT, mas sob controlo dos seus bancos centrais respectivos. A contrapartida para a NATO é um sistema de defesa e segurança, a Organização de Cooperação de Xangai, que agrupa também as ex-repúblicas soviéticas da Ásia e à qual o Irão está em processo de adesão. A Turquia fez um pedido formal, na última cimeira da organização, facto que se pode correlacionar com a guerra económica decretada por Washington. A Rússia, a China e mais de sessenta nações constituem os parceiros de um banco internacional de desenvolvimento, o equivalente do Banco Mundial, que tem financiado múltiplos projectos, principalmente em África, atraindo assim um número crescente de nações deste continente a fazerem parte de um mundo onde as trocas são feitas fora do dólar. 
A forma preferida de reserva dos dólares, detidos ao nível dos bancos centrais, tem sido as obrigações do Tesouro dos EUA, a dez anos. Estas têm sido vertidas no mercado, em grande quantidade nos últimos tempos, pela Rússia e pela Turquia. Também o foram, há algum tempo atrás, pelo Japão. Ora, a cotação destas obrigações não se alterou de modo significativo, o que implica terem sido absorvidas por entidades misteriosas, como o Luxemburgo ou as Ilhas Caimão, sem dúvida por ordem do governo dos EUA, visto que a Reserva Federal (o banco central dos EUA) não terá sido um comprador maciço destas «treasuries», nestes últimos tempos. Os EUA não poderão indefinidamente usar estratagemas para aguentar a cotação das «treasuries» e portanto do dólar. Chegará um momento, quando houver um volume significativo de trocas usando o Yuan (não esquecer o recente lançamento do petro-yuan, um contrato de futuros para compra de petróleo usando a moeda chinesa), em que muitos países não verão vantagem nenhuma em possuir em reserva dólares, visto que as suas trocas comerciais e seus pagamentos serão maioritariamente fora do mundo dominado pelo dólar.
Caminha-se assim, a passos largos, para um mundo formado por dois grupos de Estados, num sistema internacional bipolar. Um mundo estará dentro da esfera de controlo angloamericano, com o dólar a reinar como dono e senhor de todas as transacções comerciais que se efectuem no seu interior. Outro, será o mundo dominado pela nova potência dominante mundial - a China - tendo como parceiros e aliados, a Rússia e praticamente toda a Ásia central e oriental. Mesmo o Paquistão, mesmo o Japão, estão a orientar-se em direcção aos BRICS e a participar activamente em projectos importantes da Nova Rota da Seda. Porque têm simpatia pelos Estados fundadores dos BRICS? Porque têm afinidades com o regime herdeiro de Mao? Porque eles próprios mudaram radicalmente seu governo? Não, não e não! Simplesmente, sabem ver de onde o vento sopra e não querem ficar para trás.
As «luminárias» que se exibem nos media neste país e, infelizmente, também no chamado «mundo ocidental», nunca põem as questões pertinentes, nunca explicam o contexto em que as coisas ocorrem. Também o seu «império» é de curta duração: Ao fazerem um «blackout» de todas as notícias que contradizem a narrativa simplista de Washington, Londres, Bruxelas... ao sonegarem dados importantes sobre os BRICS e questões associadas, estão a descredibilizar-se junto duma parte do público, a parte que não renunciou a pensar pela sua própria cabeça.
Temos de recorrer à RT e ao Asian Times e outros meios informativos, ditos «alternativos», pois a media «mainstream» tornou-se repositório da pior propaganda, não havendo praticamente nenhuma verdade nas «notícias» por eles cozinhadas...



https://www.zerohedge.com/news/2018-08-21/germany-calls-global-payment-system-independent-us

http://thesaker.is/so-what-will-the-sanctioned-supergroup-do/


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A VERDADEIRA CAUSA DA GUERRA COMERCIAL EUA-TURQUIA

Turkey favors switching from dollars to national currencies in trade with Russia & China
Empresários turcos seguram dólares para trocá-los por liras


A verdadeira razão pela qual o governo dos EUA impôs tarifas sobre produtos turcos, causando uma crise de confiança na lira, não é por causa do pastor protestante que é julgado por -segundo Ancara - ter conspirado contra Erdogan. A razão verdadeira é simplesmente o facto da Turquia ter decidido aderir ao bloco Rússia- China- Irão e estabelecer trocas fora do dólar.
As trocas em dólares passam por um mecanismo de «clearance» (despacho) que passa pelos bancos americanos e entidades de controlo dos mesmos, que pode ser bloqueado, criando uma arma de chantagem do governo dos EUA sobre qualquer outro governo ou entidade.

Agora a Turquia está a retaliar. Nada será como dantes, tanto nas relações bilaterais com os EUA como na esfera de organizações como a NATO ou a OMC.
Provavelmente, a Turquia já escolheu o seu campo: os BRICS.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A POLÍTICA DE SANÇÕES, UM SINTOMA CLARO DA PERDA DE INFLUÊNCIA

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Quando é preciso exercer pressão, ameaçar, fazer guerra económica, isso significa que a liderança de um país não tem mais capacidade de provocar a adesão dos aliados e o respeito dos adversários.
As sanções unilaterais que Washington tem promovido como forma de impor a sua vontade, embora as apresente com o pretexto falacioso de que o faz para «punir» actos supostamente contra os direitos humanos das populações, são a maior evidência da decadência dos EUA e da complexa rede de dependências económicas, políticas, institucionais e militares que se tem auto-designado por «Ocidente». 
Os impérios são mortais, como a História o tem mostrado repetidamente. 

Está-se num ponto de transição em relação a todo um conjunto de parâmetros...

- Moeda de reserva: O dólar foi - desde Bretton Woods em 1944 - erigido em moeda de reserva, tendo mantido a sua paridade ao ouro (35 dólares por uma onça de ouro) até Nixon despegar o dólar desse compromisso, em 1971. A partir deste momento, todo o sistema monetário internacional entrou numa espiral de inflação e instabilidade. A conservação artificial dos diversos países no sistema dólar foi obtida graças ao acordo com a Arábia Saudita, conseguido por Kissinger em 1973, segundo o qual os EUA iriam sempre defender o regime saudita, enquanto este exigisse que seu petróleo fosse pago em dólares. Sendo a Arábia Saudita, nessa data (1973), o mais importante país exportador de petróleo da OPEP, todos os outros fizeram o mesmo; só aceitaram dólares em pagamento do seu petróleo.
O petrodólar está a perder a proeminência, pois vários países exportadores estão explicitamente a estabelecer contratos em que o petróleo (ou o gás) já não é pago em dólares: caso da Rússia, especialmente, com seus gigantescos contratos com a China. Mas também é o caso do Irão, da Venezuela, de Angola e mesmo do Catar. 
Não tarda muito que a própria Arábia Saudita aceite os yuan em pagamento de petróleo. A China é o maior comprador do petróleo saudita e instituiu recentemente um sistema «petro-yuan», em que as notas de crédito emitidas em yuan podem ser convertidas em ouro, no mercado de Xangai. A Rússia e o Irão, utilizando o referido petro-yuan, têm aumentado suas compras de ouro ou de produtos chineses. 

- Armamento: A superioridade dos sistemas de mísseis russos é tal que, a Turquia e a Arábia Saudita, aliados tradicionais dos EUA, preferiram adquirir SS-300, aos equivalentes americanos.
 Por outro lado, a Rússia com um orçamento militar muito menor que o dos EUA, consegue modernizar e tornar operacionais todos os ramos das suas forças armadas, depois destes terem sofrido, durante a década de 90. 
A colaboração entre a China e a Rússia vai potenciar os sistemas de defesa de ambos. Por exemplo, a detecção precoce e resposta adequada a um ataque surpresa, na China, beneficia dum melhor desempenho, em relação a quaisquer outras potências,  devido à sua rede instalada de supercomputadores.
Além disso, os armamentos russos mostraram sua eficácia recentemente, na guerra na Síria. A superioridade de tais armas impressionou de tal maneira generais dos EUA e da NATO, que estes aconselharam maior prudência ao presidente.

-A perda de aliados: Em pouco tempo, vários países «emergentes» começaram a descolar da vassalagem em relação aos EUA e a fazerem acordos de cooperação militar (as Filipinas com a China, por exemplo), de investimento em infraestruturas, etc. É o caso dos mais de  60 países envolvidos na «Belt and Road Iniciative». É ainda o caso de numerosos países africanos, que têm feito acordos mutuamente  vantajosos, podendo ficar com portos, caminhos de ferro, etc. a troco de suas matérias-primas...
Mas o mais grave ainda, é a discordância que pode chegar a uma completa desautorização pelos parceiros da NATO. Nomeadamente, apesar da admoestação e ameaças de Trump, os alemães prosseguem com o projecto «Nord Stream 2», em parceria com a Rússia, negando-se a aceitar quaisquer sanções. Além deles, muitas outras vozes europeias vêm clamando pelo fim das sanções contra este país.

- Recuo da globalização: Embora explicitamente desejada pelo actual ocupante da Casa Branca, a retirada de vários acordos  em instâncias da globalização, traduz-se por perda de influência. São os casos da retirada, ou desistência, dos acordos TPP e TTIP, assim como as exigências de renegociação do NAFTA, a  possibilidade de saída da OMC ou de organismos especializados da ONU... tudo isto contraria o poderio dum Império que se vê na liderança do Mundo globalizado. 

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- A retirada dos EUA do acordo multi-partido com o Irão trouxe ao de cima uma contradição flagrante entre a vontade do poder dominante e dos seus aliados/vassalos europeus. Estes, além do aprovisionamento em petróleo e gás, estão muito empenhados em estabelecer contratos de todo o tipo, desde obras públicas à aeronáutica, com o Irão.

- A utilização da arma das sanções é apenas eficaz se os países se vergarem, se submeterem. Pois, se não se sentirem intimidados, a ameaça surge apenas como forma brutal de pressão, como injustiça feita em primeiro lugar aos povos, não aos líderes dos países sancionados. 
Quando as sanções são unilaterais, quando são decididas ilegalmente e à revelia da ONU, apenas têm um efeito de intimidação, mas não chegam a ser eficazes, logo à partida. 
De certeza que os EUA sabem isso, visto que experimentaram esta situação com suas sanções contra Cuba, que perduraram cerca de 50 anos! No final, tiveram de as levantar; tinham-se tornado um anacronismo grotesco.

Sendo esta política internacional o equivalente do proverbial «pau», sem a «cenoura» para amenizar,  amigos e inimigos concluem que é melhor reforçar laços com outros, diversificar as parcerias: ficar exclusivamente na órbita de Washington, só traz limitações e não resulta em vantagens de qualquer espécie. 
Longe vão os dias em que os EUA eram vistos - por alguns - como sinónimo de segurança e desenvolvimento!

sábado, 21 de julho de 2018

DMITRI ORLOV: «A 3ª GUERRA MUNDIAL, FINALMENTE ACABOU!»

Dmitri Orlov é um dos meus autores preferidos, pela acuidade das suas análises e pelo seu sentido do humor. Ele nasceu na Rússia soviética  e emigrou para os EUA com os pais, em criança. É um cidadão dos EUA, porém muito crítico do «establishment» do seu país. 
As suas raízes russas permitiram-lhe fazer uma avaliação objectiva do desmoronar do regime soviético, seguida por uma década de saque pelas multinacionais e pelos novos oligarcas e, por fim, o «golpe de rins» protagonizado pela ascensão de Vladimir Putin à presidência e ao retomar do controlo sobre a economia e as riquezas do país. 
A profundidade da análise sociológica e política de Orlov foi aplicada também aos EUA e ao «Ocidente», tendo ele chegado à conclusão de que - perante a catástrofe - os ocidentais estarão muito pior preparados, material e psicologicamente, que os russos da década de 90.

                


Nesta peça humorística, Dmitri Orlov explica o absurdo de uma máquina de guerra, a NATO, que não tem objecto verdadeiro contra o qual se confrontar. Se não existe em face um bloco desejoso e capaz de confrontá-la, a sua «razão de ser» não é mais que se auto-perpetuar e acabará por se auto-destruir, por devorar os recursos escassos das suas economias. 
O argumento parece puxado ao absurdo, mas não é, na verdade. Sabemos que um motivo poderoso da derrocada da URSS foi, na década anterior à sua dissolução, além do Afeganistão, o demasiado grande esforço soviético para tentar acompanhar os progressos tecnológicos da «Guerra das Estrelas» lançada por Reagan. A URSS, em consequência, começou a ter múltiplos problemas, devido ao investimento demasiado escasso noutros sectores da economia. 

Hoje em dia, o contraste com o império soviético em decadência não poderia ser maior, estando a Rússia capaz de enfrentar as sanções, uma forma de guerra económica, com tranquilidade. Mais, estas vêm proporcionando-lhe o impulso benéfico para potenciar sectores até então estagnados, nomeadamente a agricultura e para aumentar a sua independência dos circuitos financeiros ocidentais, diversificando para fora do dólar como moeda de reserva. Ao mesmo tempo, estabeleceu uma superioridade tecnológica no armamento face à NATO, demonstrada na sua intervenção na Síria. 
Muitos países do Médio Oriente tornaram-se clientes do armamento sofisticado russo, por exemplo os mísseis SS-300, encomendados pela Arábia Saudita e pela Turquia...

Acredito que as contradições internas entre aliados da NATO, como sejam os interesses industriais alemães, franceses e outros irão acabar esta absurda «Guerra Fria bis» com a Rússia. Nos EUA, a «sede do Império», a política de Trump tem sido de retirada para dentro de fronteiras, tanto no aspecto militar, retirada dos cenários onde estivaram envolvidos nas duas décadas do presente século, como no aspecto económico, com a denúncia ou afundamento dos tratados globalistas (TPP, TTIP, NAFTA), e uma ameaça de saída da OMC...
É bem possível que a conjugação destas dinâmicas  leve ao fim da NATO. 


sábado, 14 de julho de 2018

NÃO EXISTE MEDO MAIOR PARA OS GLOBALISTAS DO QUE A PERSPECTIVA DE PAZ

Basta ter escutado a ladaínha da media ao serviço dos grandes interesses globalistas, a propósito da caminhada de pacificação entre os EUA e a Coreia do Norte para se perceber que, de facto, o que eles mais temem é a paz. 
A paz tem muitos inconvenientes para os aspirantes a gestores da nova ordem mundial, do governo global, supostamente a mais benigna supervisão (para não dizer ditadura) dos assuntos internacionais pela benévola,  indispensável e democrática entidade...
De facto, o Presidente Trump, não sendo um subversivo da ordem mundial, representa um conjunto de interesses contrários - nos EUA - a uma ordem mundial globalista, que foi muito fielmente servida por Obama e Hillary Clinton. 
O que se tem vindo a revelar como um golpe de teatro de que ele é especialista, foi a sua atitude ameaçadora aos parceiros da NATO, dizendo aos outros países ou pagam mais ou então... Por um lado, por outro, desenvolvendo toda uma série de acordos discretos sobre a retirada das tropas estrangeiras na Síria, principalmente o arranjo de que as forças anti-Assad iriam ser abandonadas em troca da garantia dos russos de que conseguiam convencer o seu aliado sírio a dispensar o auxílio do Irão. Este, por seu turno já afirmou publicamente que no momento em que o governo sírio manifestar o desejo de ver partir os «conselheiros» iranianos estes assim o farão sem demora. Se tal vier a concretizar-se, o exército israelita permitiria reocupação pelo exército sírio da zona adjacente do território sírio dos montes Golã, ocupado por Israel desde a guerra de 1967. 
Esta será, sem dúvida, uma das questões cujos pormenores serão debatidos na cimeira de Helsinquia. 
Outro dos assuntos tem a ver com a instável e insustentável situação da Ucrânia. O regime não tem capacidade de se auto-sustentar. Tem violado consistentemente os acordos de Minsk, deitando sempre as culpas para os «russos» e as repúblicas separatistas do leste. O Ocidente todo está farto e saturado desta situação. Do lado alemão já houve um levantar da ponta do véu, adiantando que os países ocidentais poderiam levantar as sanções contra a Rússia, se houvesse um acordo geral sobre a Ucrânia, no qual haveria o reconhecimento da reentrada da Crimeia na Federação Russa (da qual foi arbitrariamente separada, e oferecida à Ucrânia, então uma das repúblicas soviéticas, durante o consulado de Krutchov- um ucraniano - em 1954). Penso que a contrapartida seria a aceitação pela Rússia do estacionamento de tropas da NATO na Ucrânia ocidental, até se chegar a uma solução negociada dos territórios separatistas do Leste (Lugansk e Donetsk). 
A resolução de grandes questões estratégicas e de segurança, envolvem muito mais pontos, havendo interesse de um e outro lado em trazer para casa resultados tangíveis, mais do que belas palavras e fotos conjuntas dos dois presidentes a apertarem as mãos. 
Porventura, os mais significativos passos poderão ser a consequência do restabelecimento dos canais de diálogo permanente entre as duas potências, cuja ausência tem afectado negativamente as relações Russo-Americanas. 
Veja-se, a este propósito, a esclarecedora entrevista dada pelo ministro dos negócios estrangeiros Lavrov, a Larry King, de RT:



quarta-feira, 27 de junho de 2018

O INSOLÚVEL PROBLEMA DOS REFUGIADOS/ IMIGRANTES

                    

Muitas pessoas, no Ocidente, têm uma abordagem do problema centrada nos princípios dos Direitos Humanos, da igualdade de tratamento, da não-discriminação. Porém, o que se tem passado nos últimos 5 ou seis anos, com os afluxos de refugiados das guerras no Iraque, Afeganistão, Sudão, Líbia e Síria, juntamente com os vindos de países sub-saarianos, deveria ser analisado sobretudo em relação às suas causas. Ou seja, nós para resolvermos um problema, temos de ir às origens desse problema; sem resolvermos as causas, os problemas permanecem, mesmo quando escondidos da superfície. Ora, o problema nº1 chama-se guerras imperialistas desencadeadas pelos EUA, com o apoio explícito e participação de muitos dos seus parceiros europeus da NATO. Note-se que os EUA não sofreram consequências por aí além destas guerras devastadoras, quem teve de suportar o afluxo de refugiados foram, em primeira linha os países fronteiriços, Líbano, Turquia, Jordânia, assim como os países europeus do Mediterrâneo, Grécia, Itália, Espanha... Os países do Médio Oriente e de África, destruídos pelas guerras fomentadas pelo «Ocidente», ficam entregues a bandos armados rivais que ocupam vários territórios e onde a autoridade do governo central não existe de facto, como na Líbia, mas também na Somália e noutros pontos. 
A política criminosa de Barack Obama e de Hillary Clinton, que já tinha sido inaugurada por  G.W. Bush e Bill Clinton, foi de invocar pretextos falaciosos para intervir militarmente, ao arrepio de qualquer verdadeiro humanitarismo, embora usando forte propaganda para fazer crer que estavam a fazer estas intervenções ao abrigo de (inexistente) «lei» internacional de «ingerência humanitária».
Os segundos responsáveis por esta crise são as ONG (Organizações não-governamentais) fortemente subsidiadas por George Soros (o multi-bilionário globalista, decido a moldar a geopolítica mundial às suas visões). Com efeito - estas ONG - têm comprado barcos para transportar refugiados de um lado para o outro do Mediterrâneo com pretexto de que assim não cairiam nas mãos de passadores sem escrúpulos. «De boas intenções está o inferno cheio», como se costuma dizer, pois estes refugiados, sobretudo económicos, têm à chegada que ficar em campos, pedir asilo, ver o seu pedido recusado e regressarem ao ponto de partida - a expensas dos Estados de acolhimento, sobretudo Itália, Grécia, Espanha, mas também França e Alemanha. Uma longa cadeia de intermediários - entretanto - foi explorando este «gado humano», que escravizam, dentro dos países africanos, antes deles serem acolhidos pelos humanitários das ONG supra-citadas. 
A outra rota das emigrações forçadas pela guerra tem sido a do Médio-Oriente ---> Europa central, via Turquia e Balcãs. Aqui, o regime de Erdogan, um dos responsáveis pela guerra «civil» da Síria, exigiu (e conseguiu) que os países da Europa subsidiassem os campos de refugiados que se acumulavam do lado turco da fronteira com a Síria. Mas, em breve, houve desentendimentos, entre o ditador Turco e seus aliados europeus (sobretudo Alemanha), ao ponto de a CIA executar um plano (falhado) de golpe de Estado contra Erdogan. Nessa altura, como vingança ou retaliação, os turcos simplesmente deixaram de reter os refugiados e estes foram encaminhados (pelas ONG subsidiadas por G. Soros, quem mais poderia ser?) para o centro e norte europeu.
Como consequência desta onda, os países República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia, que decidiram que não tinham de pagar o preço de guerras alheias e que não estavam disponíveis para serem invadidos por uma maré de imigrantes não desejados, criaram um grupo dissidente das políticas migratórias, fazendo frente ao directório franco-alemão e à comissão de Bruxelas. Em consequência também desta crise dos refugiados, subiram em popularidade e em votos os partidos de extrema-direita ou soberanistas, em todo o espaço em que tais vagas de migrantes desembarcaram.
Agora, temos de compreender a razão de ser disto tudo.

- Este tipo de caos organizado é do interesse dos globalistas, para terem sempre uma mão no Médio Oriente, mas também porque conseguem assim outros objectivos.
- Diminuição da fertilidade das populações com a mais alta taxa de natalidade, as árabes e africanas, pelo método bárbaro da guerra civil, do empobrecimento e da rapina dos recursos. Não esqueçamos que, para o «credo globalista» (Soros, Clintons, Rothchilds, Rockefellers, Gates...), o maior problema mundial é a «sobrepopulação» (malthusianismo)!
-A homogeneização das culturas e das etnias, faz parte do «credo globalista», ao qual muitos ingénuos de esquerda aderem: defender o território contra indesejados seria sinónimo de «racismo», de «xenofobia». Como se defender as suas casas e localidades contra intrusos, contra pessoas que não se conhece, que não foram convidadas, que são impostas pelo Estado... não fosse legítimo! 
Os globalistas precisam de homogeneizar as populações, para conseguirem que as massas tenham menos capacidade de resistência, divididas entre comunidades que se guerreiam entre elas, sem a coesão de uma cultura comum. É essa cultura comum que permite a criação de movimentos reivindicativos, de sindicatos ou partidos com grande implantação, que possam fazer frente ao patronato e ao Estado.
- O enfraquecimento dos governos e parlamentos nacionais, permite que a clique globalista melhor avance, no seu projecto de «Nova Ordem Mundial», implícita em muitas das instituições e políticas mundiais: Trilateral, ONU, OMC, FMI/Banco Mundial, NATO, UE.
O projecto consiste em transferir a governação, nos seus aspectos essenciais, para organismos supra-nacionais, internacionais ou regionais, ficando os parlamentos e governos nacionais numa postura de subserviência, sem autonomia, sem soberania, apenas com a aparência de Estados/Nações independentes.

Mapa abaixo retirado de: https://www.zerohedge.com/news/2018-06-26/migration-problem-europe-unsolvable-heres-why                         
Quando vemos a enorme confusão de políticas, as contradições patentes entre governos da UE a propósito desta crise dos refugiados, compreendemos melhor a reacção popular (que eles, globalistas, chamam de «populista») para com os governos que persistem nos mesmos erros, apesar das consequências desastrosas para os cidadãos. É que as elites (oligarquias) que governam estão comprometidas, não com a defesa dos interesses dos povos, mas com a agenda globalista. 
Os povos nem sempre acertam, mas compreendem muito melhor os seus interesses fundamentais, do que os políticos. 
Tenho confiança na capacidade que possuem muitos europeus, de perceberem o que está em jogo e não se deixarem mais manobrar pelo medo. 

domingo, 3 de junho de 2018

PORQUE É QUE A UNIÃO EUROPEIA NÃO TEM FUTURO

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Num contexto de crescimento vigoroso, como foi o caso da década de 90 e até à década seguinte, interrompido pela crise mundial de 2007-2008, era fácil à oligarquia eurocrática impor o seu modelo de «governança» ao povo europeu, mesmo à custa de uma série de entorses à democracia, da qual ela se diz a maior defensora. Lembremos os casos dos referendos irlandeses, dinamarquês e, sobretudo, os dois sucessivos «não» à Constituição europeia, em França e na Holanda. 
As oligarquias não descansaram enquanto não encontraram um meio para subverter o sentido do voto destes eleitorados, cujos países foram membros fundadores do Mercado Comum. No Tratado de Lisboa, impuseram uma «Constituição bis», apenas com alterações cosméticas, para formalmente não ser considerado como desrespeitando o veredicto das urnas em França e Holanda. 
Com o colapso da economia especulativa nos EUA, em 2007-2008, mas logo propagando-se ao continente europeu, a única preocupação de governos e bancos centrais, de um lado e do outro do Atlântico, foi a de evitar que os bancos, chamados «too big to fail»,  não sofressem e  continuassem a ter os seus lucros. 
- Inventaram as políticas monetárias mais  absurdas, como «Quantative Easing», ou seja, aumentar indefinidamente a dívida, como «meio» para resolver um problema  ... de dívida! 
- Impuseram a austeridade para o povo, mas reforçando os privilégios de casta dos líderes políticos. 

A pseudo «elite» - na realidade, uma oligarquia - conseguiu «dominar». Mas submeteu-se caninamente a tudo o que lhe impunham, a partir da sede do império: 
- Desde o reforço da NATO, sob pretexto de renovada guerra fria (iniciada e alimentada por eles), até à destruição do Estado de Direito, com pretexto numa série de atentados terroristas tipicamente «falsas bandeiras». 
- Como resultado da sua participação desastrosa na guerra civil na Síria, causou a revolta popular contra uma aceitação forçada e indiscriminada de refugiados desta e doutras guerras, insufladas pelo «Ocidente».
A total desconfiança relativamente às cúpulas políticas, atingiu um ponto alto com a eleição em Itália de duas forças euro cépticas, que se coligaram para governar. 
Por agora, a contestação dos povos tem sido civilizada, ordeira. Mas, o destino desta construção falhada da «União» Europeia não se anuncia nada tranquilo e democrático. Com efeito, quando houver uma nova grande crise, que irá fazer parecer uma «brincadeira» a crise de 2008 que abalou o sistema de capitalismo financeiro, o desespero das gentes será tal, que a casta dirigente irá ser posta na rua. 

Resta a incógnita sobre o que virá depois. Não creio que a chamada «democracia representativa» tenha condições para se reformar. Mais provável será o advento dalgum tipo de cesarismo ou populismo... na ausência de genuína alternativa para outro sistema totalmente diferente do actual, nos seus pressupostos. 
O monstro chamado UE, a ditadura da Comissão de Bruxelas sobre todos os governos, parlamentos nacionais e povos, não pode continuar no contexto desta crise que se avizinha. 
Esta crise não é evitável, não é adiável por muito tempo, não existe remédio eficaz para os males que assolam o mundo financeiro e económico, dentro do sistema em vigor. 
Haverá uma transição, seguramente, mas não será pacífica: não existe maneira de a fazer, sem colocar em causa o âmago do sistema. 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

ITÁLIA: UM TRIUNFO EUROCÉPTICO

                            Les racines de la victoire des mouvements populistes en Italie: l’euro-crise de l’économie italienne
                             Retirado de :     https://francais.rt.com/opinions/50935-jacques-sapir-racines-victoire-mouvements-populistes-italie-euro-crise-economie
(verifica-se uma perda de produtividade da Itália, mais acentuada que a de Portugal, Espanha ou Grécia,  face à Alemanha)


O ARTIGO DE OPINIÃO BEM INFORMADO DE JACQUES SAPIR descreve, com rigor, como se chegou ao resultado político actual, pela constante destruição do tecido empresarial de Itália, formado pelas pequenas empresas dinâmicas, empregadoras da maioria dos trabalhadores e que têm sido castigadas pela eurocracia, embora a Itália não tenha sido sujeita a medidas tão drásticas como Portugal ou a Grécia. 

Este artigo recusa a utilização do papão da extrema-direita como explicação plausível para todos os fenómenos complexos que ocorrem na Europa. Infelizmente, este não é o posicionamento  da maioria dos analistas da media mainstream. O seu enviesamento leva-os a martelar constantemente que o eurocepticismo só pode equivaler a algo como «Marine Le Pen» etc. 
Isto é mais um exemplo em como a media corporativa, longe de nos informar, tenta incutir-nos preconceitos. Está, não a informar, mas a fazer propaganda (cada vez menos subtil) em favor da eurocracia, numa relação incestuosa (de longa data) com os políticos eurocráticos e os potentados económicos dominantes.

As pessoas deviam acordar e perceber que o «culto neokeynesiano», responsável por erros e por distorções tremendas, leva ao acentuar do domínio da grande banca e dos negócios sobre todos os outros aspectos da vida europeia. 

Depois, o resultado inevitável, com maior ou menor dramatismo, será a crise permanente das instituições, a paralisia das economias, a estagnação e inflação, a fuga de capitais para outras paragens e, finalmente, a desagregação/implosão, cujos contornos ou consequências não se podem conjecturar plenamente neste estádio. Quer seja de forma suave ou tempestuosa, o divórcio dos países do Sul e do Norte da União Europeia, já se perfila claramente no horizonte.

A União Europeia enferma de muitos males estruturais. 
Mas, afinal... uma instituição politicamente heteróclita, economicamente débil (veja-se se o caso do Deutsche Bank e da restante grande banca, vejam-se as políticas de monetização do BCE...) e culturalmente diversa, mas num sentido cada vez mais identitário...a quem beneficia? 

- A resposta é simples: não é às populações, não é à economia produtiva (a que dá emprego à imensa maioria), mas é uma forma de controlo pelas trans-nacionais e instituições financeiras mundializadas sobre este espaço europeu, assim como o pilar «civil» de uma NATO, aliança militar agressiva, arrogante, dominada pelos EUA. 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

HÁ QUALQUER COISA DE IRREAL NA ATMOSFERA...


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Os que cresceram à sombra da «Guerra Fria» têm ainda na memória - com certeza - os momentos de grande aflição em toda a Europa (tanto do Leste, como do Ocidente), no início dos anos 80, quando soviéticos e americanos, num braço de ferro, ameaçavam-se reciprocamente de instalar misseis com ogivas nucleares, de um lado e do outro da «cortina de ferro», essa estreita e artificial divisória do Continente Europeu. Nessa altura, um grande movimento com epicentro na Alemanha Ocidental, desenvolveu-se. 

Os grandes contestatários da época, no início dos anos oitenta, eram os Verdes alemães, muitos dos quais tinham participado nas jornadas da «revolução» (abortada) de 1968... Hoje, estão mais que instalados, fazem parte da elite que nos desgoverna! Infelizmente, pode-se dizer o mesmo, com quase nenhuma variação, relativamente aos movimentos pacifistas e anti-militaristas de quaisquer outras «democracias» ocidentais. 
Nessa ocasião (no início dos anos 80), os movimentos de massas, obrigaram os poderes imperialistas a terem cuidado com o que faziam, pois o grande medo da revolução - por parte das elites de um lado e do outro - era real. 

Além disso, os americanos ainda estavam a lamber as feridas do Vietname e da «perda» das Colónias Portuguesas. 
Do outro lado, os Soviéticos davam os primeiros passos da guerra no Afeganistão, seu «Vietname». Diga-se, causado - em larga medida - pela criação pela CIA, daquilo que viria a ser designado, mais tarde, por Al Quaeda, destinada a desferir um golpe no centro do império soviético.
Em resumo, nem um nem outro super-poder achou conveniente - nessa ocasião - colocar mísseis nucleares em território europeu. 

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Agora não existe essa hesitação: os americanos e os restantes países da NATO colocam divisões de elite e armamento estratégico, incluindo mísseis com possibilidade de transportar cargas nucleares,  às portas da Rússia bem dentro de áreas que antes pertenciam ao Pacto de Varsóvia (países bálticos, Polónia, Roménia). 
Cozinharam um golpe de Estado na Ucrânia, durante o mandato do «pacífico» Prémio Nobel, Obama... usando esse golpe como pretexto para acusar a Rússia, supostamente culpada de «anexação», porque a população da península da Crimeia tinha referendado a sua saída da Ucrânia e a sua adesão à Federação Russa. Os golpistas de Kiev queriam exterminar a população russófona, não esqueçamos; e eles disseram-no publicamente!
As sanções  impostas à Rússia viraram-se contra a economia europeia, embora não tivessem um efeito económico acentuado nos EUA. As elites alemãs não se mostraram entusiastas destas sanções, preferindo fazer ouvidos moucos e continuar o projecto russo-alemão «Nord Stream», vital para o abastecimento de gás natural russo à Alemanha, por via do Báltico.
O imperialismo anglo-americano tentou contrariar este projecto, lançando mão de uma montagem de espionagem, completamente débil mental, mas que serviu para obrigar os governos «livres» da NATO a reforçarem as suas medidas anti-russas.

As pessoas parecem estar anestesiadas, como na véspera da II Guerra Mundial, embora esta não tenha que ver com a situação presente. Parece-me - porém - legítimo encontrar semelhanças, não apenas pela atmosfera irreal da política internacional, como pelas catadupas de mentiras que inundam o espaço público e se tornam como «verdades»...(lembremos a célebre frase de Goebbels*...

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        [*Mais a mentira é descarada, mais credível se torna. Quanto mais é repetida, mais o povo nela acredita]

De nada serve pessoas respeitáveis de vários quadrantes políticos, ideológicos e religiosos alertarem para a extrema perigosidade do momento, sobretudo agora, com a denúncia unilateral, por parte dos EUA, do acordo multi-partido com o Irão (rubricado também pela Rússia, China, Grã-Bretanha e França). 
- Alguém duvida que os EUA vão prosseguir sua política imperialista de «torcer o braço» aos adversários e mesmo aos «aliados» (vassalos), para obterem o que querem? 
- O que vai acontecer aos actores que são os governos dos países da NATO
- Vão eles continuar a calar e a fingir que acreditam na retórica bélica de pessoas como Nikki Haley, a histérica representante dos EUA na ONU?

Se os políticos corruptos e cobardes soubessem alguma coisa de História, lembrar-se-iam do modo como os imperadores romanos tratavam os traidores que tinham vendido suas respectivas pátrias ou tribos, a Roma: a «recompensa» era lançá-los às feras no Coliseu, ou algo deste estilo! 
Outra lição que poderiam aprender da História, é que, não apenas os impérios são de facto mortais, como também que um império moribundo é o mais perigoso.

segunda-feira, 12 de março de 2018

TERCEIRO-MUNDIALIZAÇÃO DE PORTUGAL


A natureza e origem dos postos de trabalho perdidos e criados num país, dá uma medida MAIS exacta do que se está a passar, muito mais do que o simples cômputo dos números totais de emprego e desemprego.

No caso português, vem-se notando uma transformação qualitativa do emprego: o emprego permanente, com garantias de permanência no posto de trabalho, com perspectiva de uma carreira dentro da empresa tornou-se uma quase miragem para a grande maioria dos jovens que alcançam a idade de entrada no mercado de trabalho. 

As jovens gerações são empurradas a emigrar (veja-se as declarações cínicas de Passos Coelho, não há muito tempo atrás: já antes de tais declarações, a realidade era mesmo de incentivar a emigração dos jovens!). Temos hoje em dia uma das maiores diásporas científicas no mundo se a medirmos na proporção da pequenez numérica da nossa população autóctone. 

A juventude que aqui permanece e procura emprego, apenas consegue trabalho precário, mal remunerado, sem garantias de estabilidade, sem perspectivas de melhoria. 
Este modelo de super-exploração da mão-de-obra assalariada convinha às mil maravilhas ao patronato português tradicional, acanhado e mesquinho, modelo esse que serviu para trabalho pouco especializado, que não implicava maior qualificação que os nove anos do ensino obrigatório. Esta situação manteve-se, mas a qualificação dos jovens portugueses foi aumentando rapidamente e agora estão mesmo acima da média dos vários países «desenvolvidos», em termos de diplomas e de qualificações. 

O modelo mais comum, pelo menos para os jovens, é o de contrato de trabalho ultra-precário é até ilegal, pois as empresas atribuem perto de 100% dos postos de trabalho ao emprego precário, a contratos a prazo, sendo apenas aceitável pela lei que uma empresa recrute trabalhadores a termo certo, quando a natureza do trabalho é temporária ou quando têm de fazer face a um acréscimo temporário do trabalho. É ilegal, mas o patronato está tranquilo porque a inspecção do trabalho fará «vista grossa» ou só se irá mover se ela própria for sujeita a «pressões superiores». Está a este nível o estado de corrupção das estruturas de fiscalização do trabalho e da economia em geral.  

Se tal precarização «cientificamente» delineada, foi aconselhada aos governantes por ilustres doutores da treta (spin doctors) do FMI, Banco Mundial, etc. e  seus «epígonos» nacionais, não se tratou - com certeza - de um conselho desinteressado. 
É que os grandes grupos económicos, sobretudo no sector terciário, têm interesse muito concreto em recrutar uma mão-de-obra dócil, maravilhada por trabalhar ao nível de um gigante como a «Google» ou um grande banco entre os dez maiores ao nível mundial. Por mais pomposos que sejam os títulos de postos de trabalho para os quais os nossos brilhantes jovens forem recrutados, o facto é que estarão muito em baixo na hierarquia, sem grande hipótese de fazerem carreira. No fundo, são empregados de «call-center», com maior ou menor prestígio associado a seu posto, mas sem real futuro. Tal já ocorre há muitos anos com os call-centers e outros centros deslocalizados em países do Terceiro Mundo (Índia, Paquistão, etc,etc) onde, por uma pequena fracção do ordenado de um empregado da «metrópole», os empregados resolvem quase tudo aos clientes, eles também deslocalizados, que poderão estar telefonando de Nova Iorque, Tóquio, Istambul, Estocolmo ou Lisboa.

Que continua o regabofe da utilização dos nossos jovens mais brilhantes para quadros subalternos das grandes multinacionais, de vários sectores dos serviços, a começar pela grande banca internacional, das redes sociais, da informática, mas também de estruturas mundializadas do turismo, não há a menor dúvida. 

O que é confrangedor é que as pessoas dêem como crédito positivo a este governo, o facto de Portugal ter um índice de atractividade dos negócios essencialmente pelos baixos salários, pela mão-de-obra qualificada que se oferece para trabalhar em competição directa à mão-de-obra dos outros países da «periferia», ou seja: somos, na prática, mais um país do Terceiro-Mundo, explorável e dominável a preceito, apenas com a «distinção» de estar situado a Europa, com assento na NATO e na União Europeia. «Estamos na EU» mas sem qualquer preocupação de equidade, justiça, respeito pela lei (laboral), consideração por quem trabalha... 
Costumo dizer que, nas últimas décadas, Portugal é o paraíso para o patronato mais perverso, mais predador... Aqui, ele pode desenvolver seus negócios de mui dúbia legalidade,  na maior das impunidades.

O excerto abaixo é apenas uma ilustração pontual do que descrevi acima:

Retirado do Diário de Notícias de 12-03-2018:


Além da redução da rede de balcões e do número de trabalhadores, os bancos estão agora também a apostar na contratação de serviços de outsourcing. "Em 2017 agravou-se a tendência de os bancos substituírem trabalhadores qualificados, de meia-idade, por trabalho em outsourcing, frágil, desregulamentado, barato e não suscetível de criar relações para o futuro", denuncia Paulo Marcos.
O cenário da banca só não é mais negro porque muitas instituições estrangeiras estão a recrutar pessoal. BNP Paribas, Natixis, BAI, BAE e Bankinter são alguns exemplos. "Portugal é um país muito atrativo para os bancos estrangeiros instalarem centros de competência", afirma Paulo Marcos. O Natixis tem um centro de excelência de tecnologias da informação no Porto e vai contratar mais 300 trabalhadores até ao fim de 2019, além dos 300 que já recrutou. O BNP Paribas emprega já 5000 trabalhadores em Portugal. Razão? Boas qualificações e salários baixos.