Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Guerra. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de outubro de 2018

CRISTOPHER BOLLYN: O MISTÉRIO DE «9/11» DESVENDADO

Exposição documental da maior burla e crime da história contemporânea: 
- C. Bollyn demonstra que o governo que está a mentir, a ocultar a verdade, a erradicar todas as evidências do 9/11, é exactamente o mesmo que o planeou e executou.

Não admira, portanto, que o Mundo esteja há 19 anos a sofrer com as guerras desencadeadas pelos EUA. 
O projecto do PNAC tem estado a ser cumprido. Ele foi desenhado e executado por notórios sionistas: 
- os neo-cons são simplesmente sionistas enquistados em  lugares estratégicos da administração e da política americana. 

Bollyn tem uma intenção clara e explícita: erradicando a mentira que está na base de tudo isto, espera ajudar a acabar com as guerras desencadeadas, com o pretexto duma interpretação mitificada do 9/11.  



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O CREPÚSCULO DA INTELIGÊNCIA PÚBLICA NO OCIDENTE

Resultado de imagem para controle des masses













"A ditadura perfeita seria a que tivesse as aparências da 
democracia, uma prisão sem muros, cujos prisioneiros
não sonhassem sequer se escapar. Um sistema de
escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento,
os escravos amassem a sua servidão."

Aldous Huxley 
O Melhor dos Mundos

A minha tese é muito simples:
De maneira deliberada ou não, a civilização ocidental vem produzindo - geração após geração - cidadãos mais ingénuos, incapazes de racionalidade, de raciocínio lógico, de visão clara da realidade.

A falsa informação sobre o 11 de Setembro de 2001, foi talvez o ponto de partida: Um golpe monstruoso dos neocons que precisavam do seu «Pearl Harbour» para dar o golpe final às liberdades nos EUA e transformar o seu regime em tudo o que caracteriza um fascismo, embora guardando aparências de democracia. 

Digo que foi o ponto de partida pois, a partir deste ponto, causaram guerras de agressão, em si mesmas crimes contra a humanidade, sem que houvesse um sobressalto da generalidade do público das «democracias ocidentais», aliadas do Império. 

Mas a agressividade e o atrevimento dos neocons não se ficaram por aqui pois, apesar do seu óbvio fracasso em trazer a «democracia» para o Iraque ou a Líbia, foram os arquitectos e os mentores do golpe de Estado na Ucrânia, com o apoio da U.E. em Fevereiro de 2014, colocando no poder uma extrema-direita, que se reclama herdeira dos ucranianos que escolheram Hitler, que se alistaram nas suas unidades de exterminação das SS, sendo autores de crimes comprovados contra população civil, judaica e não-judaica, polaca, russa, ou ucraniana, que não estivesse do lado deles.
A partir deste ponto, a caixa de pandora destapa-se completamente, pois precisam de uma guerra-fria bis para demonizar a Rússia, como o fizeram com a antiga URSS, mas agora, sem qualquer laivo de verosimilhança ou pudor. 
Acusam constantemente os russos e os chineses de actos de espionagem quando eles, poderes da NATO, são os que espiam tudo e todos, os maiores e mais constantes agentes de subversão dos regimes que não lhes agradam. São estes governos que clamam que estão sujeitos a «ingerências» da Rússia e da China!

O público ocidental é o verdadeiro alvo desta propaganda, que visa justificar perante ele a política agressiva, belicista da NATO, em particular, dos anglo-americanos (EUA, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia, Austrália). 

Creio que a estupidez ocidental não é endógena, mas que é infundida e reforçada constantemente pela media. Graças à media, tudo tem uma «explicação» compatível com as narrativas delirantes dos governos da NATO. 
Se apenas tivermos a media mainstream como fonte de informação sobre tudo o que se passa, realmente não saberemos nada, pois as notícias importantes são afundadas num mar de lixo, de mexericos envolvendo a vida sexual de pessoas famosas ou outras futilidades. 
O próprio conteúdo das notícias propriamente ditas, deixa muito a desejar: repare-se que, cada vez que noticiam o ponto de vista governamental, ele é apresentado como «a verdade oficial», inquestionável, incontestável. Não existe -na imensa maioria dos casos - qualquer contraponto audível nos media de massa, apenas um pequeno número de pessoas consegue conhecer a posição de políticos contrários aos governos, ou de sindicalistas, ou de outras personalidades que sejam críticas. 
Como a imensa maioria das pessoas está exposta apenas à narrativa dos media de massas, o ponto de vista que esta veicula é adoptado a-criticamente como sendo «a verdade». 
Por exemplo, há 4 anos atrás, as vozes que diziam que o ISIS era uma fabricação dos serviços secretos americanos e de Israel e financiados pela Arábia Saudita, com o apoio do Catar e da Turquia, foram postas de lado como sendo «teóricos da conspiração» mas, agora, toda a gente sabe que isso foi assim. 
No entanto, quase ninguém vem agora questionar o «Ocidente» por ele ter estado a financiar, a pretexto da luta contra o governo legítimo da Síria, os irmãos ideológicos da Al Quaida, os declarados autores de bárbaros ataques contra os civis, nos EUA, na Inglaterra,  em Espanha, em França, etc?

Vemos que existe uma monstruosa conspiração, não uma «teoria da dita», a qual envolve os «nossos» governos, com a preciosa colaboração dos aparelhos ideológicos disfarçados de «órgãos de informação», para nos fazer aceitar a transição paulatina para um regime  totalitário mundial (o triunfo do globalismo), mas um totalitarismo que não se vê.

Um totalitarismo «soft» não significa que ele seja menos duro com a dissidência do que os totalitarismos nazi-fascista ou bolchevique que prosperaram tristemente durante boa parte do século passado: 
- pelo contrário, eles aprenderam a lição com estes totalitarismos passados e não se esquecem de apregoar - como um ritual - o discurso sobre a liberdade, a democracia, etc. Isto, para melhor apunhalar os mesmos valores e - sobretudo - colocar a generalidade dos cidadãos na posição de menoridade mental ou de escravização psicológica (o mecanismo da síndrome de Estocolmo, que usam com abundância). 
Tudo é «psi-op», ou seja, operação psicológica com o objectivo de desarmar, confundir, iludir o «adversário», mas o adversário aqui é a própria população civil dos países que eles governam, sujeita à propaganda maciça.

A maior fragilidade deste novo totalitarismo reside nas pessoas: as que não têm vendas, que já perceberam o jogo. Estas são susceptíveis de  comunicar com outras e mostrar como estão todas sujeitas a manipulação. 
A partir deste momento, uma pessoa deixa de ser manipulável. Uma pessoa não manipulável tem tendência a propagar essa postura de espírito à outras. Se o processo se repete "n" vezes, já ninguém liga à propaganda. Toda a gente está consciente de que «as notícias» são falsidades fabricadas para levar as pessoas a adoptar uma determinada posição.

Isto aconteceu com os regimes de Salazar e Franco, nos últimos anos, em que quase toda a gente era de oposição ou crítica dos poderes, quase ninguém dava crédito aos órgãos de informação controlados pelos governos respectivos. O mesmo se passou com os regimes do Leste europeu.
Tive ocasião de «tomar o pulso» da verdadeira opinião pública em Portugal e Espanha (nos anos de 1970 até 1974). 
Também na Polónia, República da Checoslováquia, República Democrática Alemã e mesmo na União Soviética, países que visitei várias vezes e contactei com pessoas comuns, intelectuais ou operários, jovens ou anciãos, nos anos 1976-1985. 
Foi muito importante para mim, para compreender que as pessoas, uma vez despertas, ficam como que «vacinadas» contra a propaganda. 
Não só a propaganda governamental deve ser encarada criticamente, por aquilo que realmente é, mas toda a propaganda, seja qual for a sua origem; também a de sinal contrário, anti-governamental. 


terça-feira, 28 de agosto de 2018

«FOOD NOT BOMBS» E A GUERRA SEM FIM NO AFEGANISTÃO

                   
 

Nathan Pim, membro do colectivo «Food Not Bombs» e outros, foram inocentados num processo movido contra eles pelas autoridades camarárias, por estarem a alimentar gratuitamente os sem-abrigo em Fort Lauderdale.

Veja a notícia completa em:


                         


Entretanto, o negócio do ópio para financiar as operações secretas da CIA e a venda de triliões de dólares em armamento têm sido as razões pelas quais os EUA continuam a mais longa intervenção militar em toda a sua História. 
O governo dos EUA revelou-se no seu cinismo, ao rejeitar uma proposta de participação na conferência de paz, que irá ter lugar em Moscovo no próximo mês, com participação do governo afegão e dos taliban. 
A lógica das guerras imperiais é que elas se destinam a servir um punhado de grandes corporações, à custa dos interesses dos americanos comuns, para não falar das 30 milhões de vítimas das guerras imperialistas, desencadeadas após a IIª Guerra Mundial, que se podem atribuir às intervenções dos EUA. 

Veja:

Podia fazer uma lista infindável de contrastes chocantes que ocorrem no país onde 40% da população está no limiar ou abaixo do limiar de pobreza, que - no entanto - tem a veleidade de ditar a sua lei e moral ao resto do Mundo. 
As contradições entre os discursos, a imagem que pretendem vender internacionalmente e a realidade, explicam porque os EUA se tornou a potência mais odiada no mundo. 
Os que fazem a apologia deste império não têm desculpa. Nenhum império pode ser uma coisa positiva à priori para os povos, em geral; mas isto não pode ser invocado como pretexto para relativizar e aceitar passivamente os crimes da classe dirigente dos EUA.


terça-feira, 12 de junho de 2018

A VIRAGEM, NO IMBRÓGLIO COREANO

                   





Não foi a cimeira em que, definitivamente, seria assinado o tratado de paz entre a Coreia do Norte e os EUA, mas foi um passo importante para lá se chegar.
A normalização das relações entre ambos, vem tornar possível uma sequência de conversações de alto nível, já anunciadas, cujo fim é a conclusão de um tratado que assegure a desnuclearização da península coreana, por um lado, e por outro, a desmilitarização ou seja, deixar de estar permanentemente estacionado na Coreia do Sul, um nível de tropas (americanas) capaz de levar a cabo uma invasão. 
As perspectivas são muito positivas, para Trump e para Kim. O conteúdo concreto do acordo será tornado público dentro de pouco tempo. Não será um acordo de paz formal, mas será uma extensa carta de intenções, que obrigará as partes e deverá ser a chave para a continuação do caminho diplomático para a resolução do imbróglio coreano.
As pessoas das duas Coreias devem estar muito felizes. Devem experimentar um sabor de alívio, pois eram permanentemente sujeitas ao pavor de uma nova guerra e, nos últimos tempos, com a agravante de envolver armas nucleares.

Será que os apologistas de uma nova «Guerra fria» perderam completamente a jogada? 
Pela sua tenacidade em causar tensão com potências rivais dos EUA (Rússia e China, principalmente), duvido que não estejam agora a preparar algo. Eles (Estado profundo, oligarquia...) precisam da tensão e do medo permanente duma guerra, para manter o seu poderio.  

domingo, 3 de junho de 2018

PORQUE É QUE A UNIÃO EUROPEIA NÃO TEM FUTURO

                           Resultado de imagem para european union cartoon

Num contexto de crescimento vigoroso, como foi o caso da década de 90 e até à década seguinte, interrompido pela crise mundial de 2007-2008, era fácil à oligarquia eurocrática impor o seu modelo de «governança» ao povo europeu, mesmo à custa de uma série de entorses à democracia, da qual ela se diz a maior defensora. Lembremos os casos dos referendos irlandeses, dinamarquês e, sobretudo, os dois sucessivos «não» à Constituição europeia, em França e na Holanda. 
As oligarquias não descansaram enquanto não encontraram um meio para subverter o sentido do voto destes eleitorados, cujos países foram membros fundadores do Mercado Comum. No Tratado de Lisboa, impuseram uma «Constituição bis», apenas com alterações cosméticas, para formalmente não ser considerado como desrespeitando o veredicto das urnas em França e Holanda. 
Com o colapso da economia especulativa nos EUA, em 2007-2008, mas logo propagando-se ao continente europeu, a única preocupação de governos e bancos centrais, de um lado e do outro do Atlântico, foi a de evitar que os bancos, chamados «too big to fail»,  não sofressem e  continuassem a ter os seus lucros. 
- Inventaram as políticas monetárias mais  absurdas, como «Quantative Easing», ou seja, aumentar indefinidamente a dívida, como «meio» para resolver um problema  ... de dívida! 
- Impuseram a austeridade para o povo, mas reforçando os privilégios de casta dos líderes políticos. 

A pseudo «elite» - na realidade, uma oligarquia - conseguiu «dominar». Mas submeteu-se caninamente a tudo o que lhe impunham, a partir da sede do império: 
- Desde o reforço da NATO, sob pretexto de renovada guerra fria (iniciada e alimentada por eles), até à destruição do Estado de Direito, com pretexto numa série de atentados terroristas tipicamente «falsas bandeiras». 
- Como resultado da sua participação desastrosa na guerra civil na Síria, causou a revolta popular contra uma aceitação forçada e indiscriminada de refugiados desta e doutras guerras, insufladas pelo «Ocidente».
A total desconfiança relativamente às cúpulas políticas, atingiu um ponto alto com a eleição em Itália de duas forças euro cépticas, que se coligaram para governar. 
Por agora, a contestação dos povos tem sido civilizada, ordeira. Mas, o destino desta construção falhada da «União» Europeia não se anuncia nada tranquilo e democrático. Com efeito, quando houver uma nova grande crise, que irá fazer parecer uma «brincadeira» a crise de 2008 que abalou o sistema de capitalismo financeiro, o desespero das gentes será tal, que a casta dirigente irá ser posta na rua. 

Resta a incógnita sobre o que virá depois. Não creio que a chamada «democracia representativa» tenha condições para se reformar. Mais provável será o advento dalgum tipo de cesarismo ou populismo... na ausência de genuína alternativa para outro sistema totalmente diferente do actual, nos seus pressupostos. 
O monstro chamado UE, a ditadura da Comissão de Bruxelas sobre todos os governos, parlamentos nacionais e povos, não pode continuar no contexto desta crise que se avizinha. 
Esta crise não é evitável, não é adiável por muito tempo, não existe remédio eficaz para os males que assolam o mundo financeiro e económico, dentro do sistema em vigor. 
Haverá uma transição, seguramente, mas não será pacífica: não existe maneira de a fazer, sem colocar em causa o âmago do sistema. 

sexta-feira, 18 de maio de 2018

HÁ QUALQUER COISA DE IRREAL NA ATMOSFERA...


Resultado de imagem para cold war II

Os que cresceram à sombra da «Guerra Fria» têm ainda na memória - com certeza - os momentos de grande aflição em toda a Europa (tanto do Leste, como do Ocidente), no início dos anos 80, quando soviéticos e americanos, num braço de ferro, ameaçavam-se reciprocamente de instalar misseis com ogivas nucleares, de um lado e do outro da «cortina de ferro», essa estreita e artificial divisória do Continente Europeu. Nessa altura, um grande movimento com epicentro na Alemanha Ocidental, desenvolveu-se. 

Os grandes contestatários da época, no início dos anos oitenta, eram os Verdes alemães, muitos dos quais tinham participado nas jornadas da «revolução» (abortada) de 1968... Hoje, estão mais que instalados, fazem parte da elite que nos desgoverna! Infelizmente, pode-se dizer o mesmo, com quase nenhuma variação, relativamente aos movimentos pacifistas e anti-militaristas de quaisquer outras «democracias» ocidentais. 
Nessa ocasião (no início dos anos 80), os movimentos de massas, obrigaram os poderes imperialistas a terem cuidado com o que faziam, pois o grande medo da revolução - por parte das elites de um lado e do outro - era real. 

Além disso, os americanos ainda estavam a lamber as feridas do Vietname e da «perda» das Colónias Portuguesas. 
Do outro lado, os Soviéticos davam os primeiros passos da guerra no Afeganistão, seu «Vietname». Diga-se, causado - em larga medida - pela criação pela CIA, daquilo que viria a ser designado, mais tarde, por Al Quaeda, destinada a desferir um golpe no centro do império soviético.
Em resumo, nem um nem outro super-poder achou conveniente - nessa ocasião - colocar mísseis nucleares em território europeu. 

                           Resultado de imagem para missile launcher

Agora não existe essa hesitação: os americanos e os restantes países da NATO colocam divisões de elite e armamento estratégico, incluindo mísseis com possibilidade de transportar cargas nucleares,  às portas da Rússia bem dentro de áreas que antes pertenciam ao Pacto de Varsóvia (países bálticos, Polónia, Roménia). 
Cozinharam um golpe de Estado na Ucrânia, durante o mandato do «pacífico» Prémio Nobel, Obama... usando esse golpe como pretexto para acusar a Rússia, supostamente culpada de «anexação», porque a população da península da Crimeia tinha referendado a sua saída da Ucrânia e a sua adesão à Federação Russa. Os golpistas de Kiev queriam exterminar a população russófona, não esqueçamos; e eles disseram-no publicamente!
As sanções  impostas à Rússia viraram-se contra a economia europeia, embora não tivessem um efeito económico acentuado nos EUA. As elites alemãs não se mostraram entusiastas destas sanções, preferindo fazer ouvidos moucos e continuar o projecto russo-alemão «Nord Stream», vital para o abastecimento de gás natural russo à Alemanha, por via do Báltico.
O imperialismo anglo-americano tentou contrariar este projecto, lançando mão de uma montagem de espionagem, completamente débil mental, mas que serviu para obrigar os governos «livres» da NATO a reforçarem as suas medidas anti-russas.

As pessoas parecem estar anestesiadas, como na véspera da II Guerra Mundial, embora esta não tenha que ver com a situação presente. Parece-me - porém - legítimo encontrar semelhanças, não apenas pela atmosfera irreal da política internacional, como pelas catadupas de mentiras que inundam o espaço público e se tornam como «verdades»...(lembremos a célebre frase de Goebbels*...

                         Resultado de imagem para goering citation
        [*Mais a mentira é descarada, mais credível se torna. Quanto mais é repetida, mais o povo nela acredita]

De nada serve pessoas respeitáveis de vários quadrantes políticos, ideológicos e religiosos alertarem para a extrema perigosidade do momento, sobretudo agora, com a denúncia unilateral, por parte dos EUA, do acordo multi-partido com o Irão (rubricado também pela Rússia, China, Grã-Bretanha e França). 
- Alguém duvida que os EUA vão prosseguir sua política imperialista de «torcer o braço» aos adversários e mesmo aos «aliados» (vassalos), para obterem o que querem? 
- O que vai acontecer aos actores que são os governos dos países da NATO
- Vão eles continuar a calar e a fingir que acreditam na retórica bélica de pessoas como Nikki Haley, a histérica representante dos EUA na ONU?

Se os políticos corruptos e cobardes soubessem alguma coisa de História, lembrar-se-iam do modo como os imperadores romanos tratavam os traidores que tinham vendido suas respectivas pátrias ou tribos, a Roma: a «recompensa» era lançá-los às feras no Coliseu, ou algo deste estilo! 
Outra lição que poderiam aprender da História, é que, não apenas os impérios são de facto mortais, como também que um império moribundo é o mais perigoso.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

UM IMPÉRIO MORIBUNDO

                     
                     Turner: «O declínio do Império Cartaginense»

Um império moribundo é a mais séria ameaça para a Paz que se possa imaginar. Um Império que tem vassalos e não amigos, que pode destruir múltiplas vezes o Planeta com o seu arsenal de armas nucleares (armas de destruição maciça, que são um crime contra a humanidade em si mesmas apenas por existirem). Um Império que arrasta consigo para guerras pelos SEUS interesses, seus vassalos, mantendo um controlo draconiano da política e dos políticos que são simplesmente comprados, mesmo no «velho continente», como, com razão, acusa Paul Craig Roberts.
Um país que está fechado sobre si próprio, onde a generalidade da cidadania não sabe rigorosamente nada sobre a política internacional, já para não falar da cultura, da economia... 
Um país que está nas mãos dos grandes grupos de interesses, que movimentam biliões, que servem os interesses da grande banca de Wall Street, das grandes corporações envolvidas na indústria de armamento, na agro indústria do OGM e na indústria farmacêutica, responsável pela mortífera epidemia dos opioides.  
 Um país hipócrita como não há outro que apoia o terrorismo fundamentalista islâmico num teatro de guerra ao mesmo tempo que diz travar uma guerra contra o terrorismo. 
Penso, contrariamente aos cultores da «vulgata» do marxismo, que as causas morais ou éticas da decadência de uma nação, dum império, são muito mais profundas, do que as causas  meramente económicas, as quais podem ou não sofrer uma reversão, consoante o país se encontre em decadência ou não, do ponto de vista moral.
As pessoas com sentido moral, no Ocidente, quaisquer que sejam os seus pressupostos ideológicos, não podem continuar a ter um comportamento esquizóide, indignando-se com a barbárie quando ela vem de um lado, mas não do outro, com a mentira/fabricação da propaganda quando vinda de regimes tidos como «adversários», mas aceitando o permanente branqueamento dos próprios governos ou dos regimes por estes apoiados. 
Eu considero que será a orgulhosa civilização ocidental, a qual nasceu e floresceu sobretudo nos séculos XV a XIX, antes do continente americano ter a configuração política actual, que está em risco de morte, porque os sinais de decadência moral se acumulam, não havendo no horizonte qualquer perspectiva realista de sobressalto. 
A tal ponto que temo a vinda de uma transformação política, social e cultural, em sentido retrógrado, talvez antecedida por tentativa(s) mal amanhada(s) de revolução socializante. 
O Império está à beira do colapso e temo que arraste consigo tudo o que existe de bom (a herança de uma civilização multissecular) na sua queda.

     Nous autres, civilisations, nous savons maintenant que nous sommes mortelles. Nous se...

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

CONSEQUÊNCIAS DAS «NOSSAS» POLÍTICAS

                              An aerial shot of a long line of people standing on ground that looks like desert.

                                      Refugiados na Líbia, à porta de centro de detenção

As pessoas das chamadas «democracias ocidentais» gostam de ser vistas - e de se verem a si próprias - como defensoras dos Direitos Humanos. 
Porém, as políticas bárbaras e criminosas da guerra dita humanitária são a principal causa das violações destes mesmos direitos. É isto que nos é omitido sistematicamente nos media.

- Mas estes media mostram-nos, sem dúvida, os horrores, noticiam o tráfico de escravos, na Líbia, por exemplo, etc. poderia alguém objectar. 
- Escandalizam-se os opinadores nos jornais e TVs de todo o continente. Eles «denunciam» toda a espécie de violações dos direitos humanos mais básicos. Por sinal, os piores casos aparecem sobretudo e sistematicamente (mas isso não dizem eles) nos teatros de operações onde estejam imiscuídos ocidentais e civilizados militares e mercenários. 

Porque procedem assim? 
- Primeiro, porque não é possível, no mundo de hoje impedir que as coisas se tornem conhecidas, por muito controlo que haja nos media ocidentais. 
- Segundo, porque é mais fácil para o poder globalista manter-se ao comando, se conseguir controlar a «narrativa». 
Assim, pode nos manipular, usando os nossos sentimentos mais nobres, a nossa compaixão; mas também o medo atávico do outro, que está na origem da xenofobia e do racismo. 

Que fique bem claro para todas as pessoas que se consideram humanistas, respeitadoras e defensoras dos direitos humanos:

-Passivamente ou ativamente, a cidadania dos diversos países tem estado a consentir com as guerras neo-coloniais e imperialistas, levadas a cabo pelo «Ocidente» sob a batuta dos EUA e NATO. 
- Os governos não seriam - por si sós - capazes de tal feito. Têm de ter a conivência, anuência, até mesmo a adesão «consciente» de muitos cidadãos, civis ou militares. 
-Para tal consentimento da cidadania, há uma máquina poderosa dos media, ao serviço dos poderes globalistas. O nosso subconsciente é usado, manipulado, sob pretexto de nos «informar».

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

PROFECIAS AUTO-REALIZADAS?

Será que o facto de se esperar que um dado acontecimento ocorra (e afirmá-lo), aumenta a probabilidade deste mesmo ocorrer? Será que por se gritar «vem aí o lobo!» ele acaba por vir?

Estas interrogações vêm a propósito da guerra anunciada dos EUA com a Coreia do Norte, que certos arautos de um imperialismo sem limites, não se cansam de chamar. 
Estes têm interesse em fazer com que esta guerra rebente.
Veja-se a situação completamente artificial nos EUA: 
 - uma economia fracamente produtiva, realmente dependente de importações daqueles que - oficialmente - são potência rival, para não dizer inimiga (R. P. China); 
- uma finança completamente distorcida por uma dívida monstruosa, impagável, com tendência para se acumular e nenhum incentivo a qualquer medida de contenção; 
- com o prestígio dos EUA completamente de rastos, quer pela patética prestação de Trump enquanto presidente, quer sobretudo, da errática estratégia de Washington em que grupos rivais no Estado profundo se degladiam, ora levando a melhor um sector, ora outro.

Por outro lado, a ascensão dos BRICS e sobretudo da China, tem como corolário a descida do dólar e, em especial do petrodólar, a moeda reserva mundial, que é um dos sustentáculos da política dos EUA, sendo o outro o seu enorme poderio militar. 

Mesmo no campo estritamente militar, as guerras eternas em que os EUA se envolveram (e envolveram seus aliados da NATO) no Médio-Oriente, nada corre bem. Estes fracassos mostram que a força militar, por mais poderosa que seja, não é capaz de tudo: está limitada pela sua incapacidade em ser vitoriosa contra forças de guerrilha, desde que estas estejam determinadas e tenham uma base real na população onde actuam.


Jim Rickards é um homem familiarizado com as altas esferas da finança (FMI, etc.), do complexo militar (Pentágono) e dos serviços de informação (CIA): 
Por isso, preocupa-me esta  entrevista dada por Jim Rickards a Greg Hunter
Avisa sobre a alta probabilidade da Coreia do Norte disparar um novo míssil, aquando do aniversário (10 de Outubro) do partido comunista Norte-coreano. 
Igualmente preocupantes são os exercícios militares planeados pela Coreia do Sul para 21 deste mês. 
Rickards vê uma janela entre 10 e 21 de Outubro, em que algo poderá acontecer. É verdade que ele não deseja que algo aconteça, mas está - de certa maneira - a avisar o seu público, sobretudo do mundo dos negócios.  
Embora ele não o afirme taxativamente, o facto é que nestas ocasiões, se as forças do Estado profundo quiserem, elas podem accionar um ataque de falsa bandeira, como o tem feito noutros momentos.
Não serão as pessoas em torno do presidente Trump, nem ele próprio, que irão fazer recuar os «neocons» nos seus intentos, como aliás vimos, com a comédia da suposta interferência da Rússia na eleição de Trump. 
Hoje, é por demais evidente que se tratava de um estratagema para colocar embaraços ao presidente eleito, logo a seguir à sua eleição, como aviso de que ele não conseguiria realizar nada, a não ser que aceitasse seguir, no essencial, a estratégia desse mesmo «Estado profundo»...
Seria bom que houvesse consciência internacional de que há forças interessadas em desencadear uma guerra «a quente», não apenas com a Coreia do Norte, pois pensam -loucamente - que há reais hipóteses de que uma tal guerra possa ser vitoriosa para o «Ocidente». 
Sabemos, infelizmente, que há mais hipóteses de que, partindo de uma guerra dita «limitada», se possa chegar a um holocausto nuclear, que eliminará a civilização e talvez até a vida na Terra.

domingo, 16 de julho de 2017

A CRISE DOS REFUGIADOS É UMA CATÁSTROFE CONSTRUÍDA

Não me interpretem mal, quando digo que é uma catástrofe construída. 
Resultado de imagem para syrian refugees marching

Não quero dizer que se trata de uma pseudo-catástrofe: pelo contrário, é uma real e autêntica catástrofe humanitária e com dimensões muito sérias, que se extende pela a Europa mediterrânea, especialmente a Itália e a Grécia, com um agravamento substancial desde que foi lançada a guerra suja, dita civil, contra a Síria, pelas potências da NATO.
Quando digo que é construída, estou a apontar para aqueles que estão no comando da globalização, que decidem qual o destino dos povos. Não é sequer duvidoso que a chamada «primavera árabe» foi aproveitada desde muito cedo, mesmo que os acontecimentos iniciais fossem essencialmente espontâneos, pela administração Obama/Clinton, para lançar o caos em todo o mundo árabe. 
O objectivo era o de conseguir ter domínio sobre a região mais estratégica do Mundo por concentrar os maiores depósitos de combustíveis fósseis (petróleo e gás) e as estratégicas vias de comunicação marítimas (canal de Suez) ou terrestres (oleoductos e gazoductos). 
O papel dos neocons - que dominam a política externa de Washington desde Bill Clinton - tem resultado numa série de fracassos e de terríveis rupturas nos países alvo. São criminosos de guerra sem quaisquer escrúpulos que se escondem por detrás de uma fachada de políticos eleitos e corruptos.

A oligarquia que governa a nível mundial queria a todo o custo impedir que a Europa se autonomizasse - o que implicava dispor de um fluxo seguro e constante, a preço moderado, de gás natural proveniente da Rússia. 
Na Ucrânia, em Fevereiro de 2014, o golpe neo-nazi orquestrado pelos EUA, sob batuta directa de Victoria Nulan (esposa de um neocon da primeira hora, P. Kagan) foi parcialmente eficaz para dificultar o acesso de gás natural à Europa ocidental e sobretudo à Alemanha. Esta, pragmatica, continuou em relação de negócios com os Russos, apesar das sanções (a que foi obrigada a contra-gosto a aceder). 
Mas a necessidade de submeter por todos os meios a Europa renitente, continua, visto que o gang dos neocons está manifestamente ao comando, sendo Trump destituído de verdadeiros aliados ao nível do Estado Profundo
Neste mundo unipolar que querem instaurar, têm de manter a Europa Ocidental firmemente nas garras da águia americana, só assim podendo manter a superioridade em relação ao eixo Russo-Chinês. Eles não podem aceitar que se forme e consolide um poder contiental (no chamado «heartland» ou seja, na grande massa do continente euroasiático)
É assim que eles raciocinam; é esta a sua lógica, que se vem reproduzindo desde os tempos de Mackinder, em todo o mundo anglo-saxónico. 
A política do caos é portanto lançada sobre os países europeus da NATO, formalmente aliados, na realidade vassalos, tal como foi planeada, através destas ondas migratórias maciças vindas das zonas que eles próprios ou seus aliados bombardearam  (Iémen, Síria, Iraque, Líbia, África negra...). 
O próprio Estado Islâmico ou ISIS é uma grotesca construção de forças mercenárias constituída por variadíssimas nacionalidades, recrutada e encaminhada por redes salafistas/ wahabitas, enquadrada por agentes encobertos da CIA, do MI5, do Mossad, financiada por várias monarquias sunitas, reaccionárias e aliadas de Washington, do Golfo, a começar pela Arábia Saudita...
É fundamental compreender que a elite mundial precisa do caos e do terrorismo para poder dominar, não apenas os povos dos países de onde extrai imensas riquezas, como também os seus próprios povos (norte-americano e europeus, essencialmente). 
O seu domínio depende da aceitação pelos povos de que a necessidade de combater o terrorismo (fabricado em larga escala pelos poderes, mas que eles não sabem) «justifica» praticamente tudo em nome da segurança. 
Como dizia Benjamin Franklin «Um povo que renuncia à liberdade em nome da segurança, não é merecedor nem duma nem doutra». 

As pessoas não conseguem ver como estão a ser impiedosamente tratadas como «lixo», porque estão cheias de preconceitos sobre as suas próprias sociedades, os seus Estados, os seus sistemas políticos... Mas elas já perderam o respeito por si próprias ao negarem o estatuto de seres humanos e a dignidade a tantas vítimas dos seus próprios governos, aqueles mesmos que, através da NATO ou de outros instrumentos de guerra, têm espalhado a morte a destruição em larga escala nos países e nos povos mais débeis (Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Iémen, Sudão, etc, etc...)
Penso realmente que as pessoas na Europa têm de acordar e compreender o que se tem estado a passar. Só têm que fazer uma coisa para que isto tudo acabe; é deixarem-se de encolher os ombros e dizer... «não há nada a fazer; de qualquer maneira, não é nada comigo». A partir daí, procurar realmente saber como é que as coisas chegaram ao ponto em que estão e até que ponto as elites as traíram. 
Se essas elites traíram todos os príncípios morais que enformam a civilização ocidental, tem de se impedir - por todos os meios - de continuarem a fazer o mesmo. 


quarta-feira, 21 de junho de 2017

«ESTADO PROFUNDO» NOS EUA, POLÍTICA EXTERNA E GUERRA

               Ever Closer to War
Desde há alguns dias, vimos a assistir a uma escalada; as provocações sucedem-se. 
Primeiro, o abate de um avião da força aérea síria, por avião dos EUA no espaço aéreo sírio e com o fim de impedir (em vão) que caísse um bastião dos terroristas islâmicos do ISIS. 
Nas últimas horas, uma série de incidentes nas proximidades da fronteira russo-báltica... incluindo uma aproximação de um avião da NATO, próximo de avião transportando um ministro russo e que obrigou a que caças russos interviessem para afastar os intrusos.
O Estado profundo, nos EUA, dominado pelos neocons continua as fazer das suas. 
Admitindo que Trump não fosse o candidato preferido dessa perigosa fação, quererá isso dizer afinal que ele não tem verdadeiramente mão neles, está à mercê de todas as sabotagens dos seus esforços de apaziguamento com a Rússia? 
Alternativamente, pode-se imaginar que o presidente, vendo que eles eram demasiado poderosos e que as ameaças contra ele eram para tomar a sério, acobardou-se e decidiu jogar o seu jogo. 
Penso que ambos os cenários são de uma gravidade extrema, pois -pelos seus efeitos - nos colocam à beira da IIIª Guerra Mundial, a qual inevitavelmente, se transformará em guerra nuclear TOTAL. 
É essa a aposta louca dos neocons, mas parece que muito poucos vejam os perigos... a media ocidental, os próprios governos da NATO «aliados» dos EUA parecem jogar o jogo letal, sem consciência de que é um risco demasiado alto para se tomar, seja qual for o prémio. 
Os gregos designavam pelo termo HUBRIS a cegueira e inebriamento do poder vitorioso dos chefes. Porém,  o povo não poderá senão sofrer caso continue adormecido. Aliás, nem mesmo essa oligarquia, que terá bunkers anti-nucleares para aguentar durante algum tempo (6 meses, um ano?) poderá viver numa Terra onde todas as formas de vida que os poderiam sustentar ficaram extintas. 
É esse o grau de loucura dos neo-cons
Tenho acompanhado a brilhante carreira de ensaísta político de Dmitri Orlov. Na entrevista dada a Chris Marteson ele explica com meridiana clareza os riscos que corremos todos. A transcrição da mesma pode ser lida aqui.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

PAUL CRAIG ROBERTS EXPLICA EM PORMENOR O QUE A MEDIA ESCONDE

Como é que os grandes bancos dos EUA, ao serviço do Banco central,  falsificam o mercado do ouro e da prata e porquê: 20 minutos de grande qualidade, para quem quer compreender porque razão o preço destes metais é obviamente falsificado, com a conivência das autoridades. 
Explica também como é que os Neo-Conservadores tomaram conta - há decénios - da política externa dos EUA e do perigo de uma guerra global, que será nuclear. 



terça-feira, 13 de junho de 2017

A CIBERGUERRA E A INSTRUMENTALIZAÇÃO DO TERROR


O absurdo disto tudo é que muitas pessoas estão ainda em estado de negação psicológica (denial). Recebem estas informações, mas não conseguem descolar da narrativa governamental. Porém, tudo o que diz este notável video não apenas é real, como também está perfeitamente documentado. 


terça-feira, 25 de abril de 2017

BANCOS CENTRAIS E CRISE TERMINAL DO CAPITAL



Tenho seguido regularmente a actualidade da economia e finança globais, no intuito de compreender melhor as forças que moldam o nosso mundo. 
Fiquei surpreendido, há alguns anos a esta parte, com a minha própria ignorância sobre estes assuntos, aliás partilhada com vasto conjunto de pessoas, não conscientes de que lhes faltava um elemento-chave para compreenderem o que se passava à sua volta.

Nos anos mais recentes, após o colapso de 2008, que levou o sistema capitalista mundial à beira da implosão, os bancos centrais dos diversos países do Ocidente têm-se esmerado em programas «não convencionais», supostamente para «salvar» a economia mundial e prevenir nova catástrofe. 

Porém, a realidade é completamente diferente: os programas ditos de «estímulo» à economia são apenas um inflacionar de bolhas, que dão a ilusão aos investidores e às pessoas em geral de que existe crescimento económico, de que há recuperação, quando, em boa verdade, apenas são aumentados os activos de toda a espécie, nas folhas de balanço dos referidos bancos centrais.

Antes de mais, é necessário esclarecer que os bancos centrais dos países ocidentais, contrariamente à crença das pessoas, não são instituições públicas detidas pelos respectivos Estados. 
Tanto no caso da Fed (Federal Reserve Bank), como do Bank of England, ou da BCE... são consórcios de grandes bancos, com participação de entidades públicas, mas onde o capital maioritário é privado e portanto a gestão, é largamente em função dos interesses privados dos bancos, não dos interesses nacionais das respectivas nações.

O mecanismo pelo qual criam moeda é também ignorado por um grande número de pessoas. Eles criam moeda a partir do nada. Não existe contrapartida à criação monetária, pelo que, se houver um excesso de moeda em circulação, poderá desencadear uma inflação, muito difícil de controlar, uma vez disperta. 

Poderíamos interrogar que sentido tem aquele objectivo de obter inflação da ordem dos 2% anuais? Este objectivo, largamente partilhado pelos bancos centrais ocidentais, parece absurdo, se pensarmos bem. Claro que, enquanto consumidores, não teremos qualquer vantagem em ver o poder de compra do nosso dinheiro diminuir em 2% ao ano. 
Mas essa política destina-se a «dar a ilusão» do  crescimento, que tarda em surgir espontaneamente, por um lado. Por outro, destina-se a aliviar a carga da dívida que pesa sobre grandes actores financeiros e os Estados, cada vez mais endividados. 
Os devedores terão de pagar - daqui a uns decénios - quantias que, nominalmente, correspondem ao capital em dívida, sem porém que isso corresponda a valor real, porque a moeda em que pagam nesse momento, entretanto se desvalorizou muitíssimo. 

Não há contemplações para os reformados, para os aforradores, para todos os que tiveram uma gestão responsável das suas economias domésticas: para estes, trata-se da «eutánasia do rentista» como dizia Keynes, só que os tais «rentistas» são pessoas modestas na sua imensa maioria, dependentes das pensões da segurança social para sobreviverem. 
Estas, estão baseadas em modelos predictivos, em que haveria um determinado crescimento permitindo uma média de rentabilidade de 6-7 % do capital acumulado. 
Além disso, conta com determinado nível de contribuições dos trabalhadores no activo para os cofres da Segurança Social. 

Como sabemos, tal modelo está completamente posto em causa, devido à diminuição da natalidade, ao aumento exponencial do desemprego e das formas precárias de relações laborais, que obrigam a um constante despêndio de subsídios de desemprego.

Os fundos de pensões, quer geridos pelos Estados, quer geridos em termos privados, estão calculados para gerar pensões mensais a partir de um certo número de anos de participação dos titulares baseados em taxas de juro médias da ordem de 6%. 
Ora, como estamos num ambiente em que as taxas de juro de obrigações e de depósitos a prazo são negativas, ou abaixo do valor estimado de inflação, vemos os referidos fundos a envolverem-se em operações arriscadas, pois têm de ir buscar rendimento aos activos especulativos, como sejam ações cotadas em bolsa, fundos mobiliários, etc... cuja rentabilidade depende de factores muito imprevisíveis, correndo o risco de não obterem rendimentos, mas antes perdas que os levam à falência. 
Isto explica as declarações de falência de fundos (privados, municipais ou mesmo estaduais) de pensões de funcionários nos  EUA, havendo tendência para se acentuar e alargar a muitos países ocidentais. 

Os bancos centrais geram um excesso de massa monetária ao comprarem activos diversos; obrigações soberanas, obrigações de empresas, acções... 
Os mercados deixam de funcionar enquanto mercados, no sentido de atribuirem valor aos activos em função da oferta e procura. O peso dos bancos centrais é tal que os valores dos juros de obrigações estatais de Portugal, país sobreendividado, são agora muito baixos, a um nível comparável aos países de economia muito mais forte. 

A economia real não cessa de se degradar como se constata com uma série de sintomas, como a diminuição do Baltic Dry Index, que quantifica o volume de fretes marítimos internacionais, o fecho de um enorme número de lojas de comércio de retalho nos EUA, ou a constante diminuição do poder de compra dos salários, nos países ditos «desenvolvidos». 

Muitos dados apontam para uma verdadeira depressão: os valores de PIB, revelando um crescimento anémico, no melhor dos casos, são corrigidos usando um índice de inflação manifestamente incorrecto. 
Se o crescimento nominal for de 2% e a inflação descontada for de 1%, o crescimento real será de 1%. Porém, a inflação real anual tem sido de 4-6%, pelo menos. Isto atira o crescimento real para valores negativos...

Os bancos centrais estão apostados em disfarçar o problema, não em solucionar seja o que for. Contam com os Estados, com o FMI e com outras instituições que monitorizam a economia mundial, para que se mantenha a ilusão duma economia em «recuperação», quando - na verdade - está em depressão desde 2008, sem nunca ter verdadeiramente retomado os níveis anteriores.

A compra desenfreada de activos pelos bancos centrais, vai fornecer aos grandes bancos uma massa monetária em quantidades abismais. Eles deixam de estar insolventes, mas não têm incentivo para emprestar às empresas e particulares, o que seria o processo - clássico, no capitalismo - para fazer arrancar a produção, pelo estímulo da procura, pelo maior poder de compra. 

Não há alargamento do crédito à economia real. As tais somas colossais fornecidas aos grandes bancos vão parar a contas detidas pelos bancos privados nos bancos centrais, como sendo «reservas em excesso», tendo um juro muito baixo, mas sem qualquer risco. 

Por este motivo, não existe uma inflação na economia real. Porém, na economia de casino, ou seja, na bolsa, existe inflação: os grandes actores, bancos, seguros, hedge funds, as grandes companhias, usando crédito praticamente gratuito, vindo dos bancos centrais, têm feito grandes compras de títulos bolsistas. 
Em particular, as grandes empresas têm adoptado programas de auto-compra de acções: estas aplicações não são benéficas para o desenvolvimento das empresas, não correspondem a um investimento produtivo; servem somente para manter os bónus dos gestores, visto que contribuem para que os accionistas recebam elevados dividendos.

Neste contexto, a implosão estrepitosa do sistema monetário e económico global não é uma questão de «se» acontecer...é apenas uma questão de «quando».

Quanto mais não fosse, os activos que incham as folhas dos balanços dos bancos centrais estão hipervalorizadas, muitos deles são tóxicos (ex. fundos hipotecários, papel sem nenhum valor) ou com um valor de mercado muito diferente daquele sob o qual estão contabilizados, nos cadernos de activos dos bancos centrais. Por exemplo, as obrigações soberanas portuguesas, não correspondem ao valor pelo qual o BCE as comprou, visto que, se acabar o programa de compra sistemática de activos (60 biliões de euros mensais) dos países do Euro em dificuldades, os valores das obrigações desses países caem a pique, elas só serão vendáveis com um enorme desconto.

Um dia, os bancos centrais tentarão aliviar a carga absurda de activos que detêm. Verificarão que não têm maneira, senão colocando estes activos à venda por alguns cêntimos por cada euro do valor de compra.

                              


[Figura 1: activos dos bancos centrais. No 1º trimestre deste ano já adquiriram 1 trilião de  dólares, em termos anualizados, cerca de 3,6 triliões de dólares] 

O próprio mecanismo que está no cerne do funcionamento da economia capitalista, nomeadamente a descoberta do «valor» dos activos através do mercado, está completamente posto em causa. 

A falsa atribuição de valor a uma série de activos tóxicos, ou hipervalorizados, a existência de entidades beneficiando de acesso a crédito praticamente gratuito, o não confronto das empresas com os mercados... tudo isso faz com que as bolhas sejam insufladas e se avolumem, em múltiplos sectores. 
A bolha das acções, das obrigações (um mercado dez vezes maior que o das acções), do imobiliário... tudo isso está a começar a esvaziar-se. Esta fase pode parecer suave, pela simples razão de que a média é omissa sobre grande parte da realidade, temerosa de que isso tenha efeitos negativos no negócio dos seus principais accionistas. 
Os apartamentos de luxo em várias cidades sofrem uma quebra de 50 %, isso não é trivial, porém ainda afecta directamente pouca gente. Os títulos das bolsas já estão em franca queda, mas isso não se reflecte ainda nos índices, devido ao modo como estes são construídos; umas quantas empresas - Microsoft, Apple, Google, etc. - compensam, com suas subidas, a descida generalizada. Ainda não tem um efeito de pânico. Fundos de pensões entraram em falência recentemente em Nova Iorque, no Texas, no Michigan e em Altanta, mas poucas pessoas fora dos EUA sabem disso, etc... 

Os bancos centrais têm feito tudo para adiar o rebentamento das bolhas que eles próprios desencadearam. O resultado desse adiamento, será fatalmente um agravamento dos seus efeitos. 

Existe o mito de que a economia de guerra pode solucionar estes problemas. 
Nada mais falso! A corrida armamentista, uma nova Guerra Fria, nunca fará senão adensar problemas; o armamento e despesas militares são essencialmente improdutivos, quando não destrutivos das economias. É sempre nefasto para a economia real, mesmo quando é apenas armazenado; no caso pior, quando é utilizado, serve para destruir vidas e capital - sob forma de edifícios, de estruturas, etc.  
Pelo contrário, os investimentos em infraestruturas como estradas, edifícios, portos, aeroportos, etc, são potencialmente multiplicadores do capital aplicado, pois ajudam a criar riqueza.