Mostrar mensagens com a etiqueta Donald Trump. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Donald Trump. Mostrar todas as mensagens

domingo, 23 de setembro de 2018

ESTADO DO MUNDO, DO EURO, ETC., VISTO DA MINHA JANELA

                          Resultado de imagem para tsunami


Olhando para o Mundo da minha janela, reparo que o jogo da grande política e estratégia não pára; mas - à superfície - tudo é feito para que as pessoas tenham uma percepção de que «tudo está na mesma». 

Bastam-me dois exemplos para ilustrar esta tendência:

Primeiro, a enorme perda de influência do dólar, o qual já não tem o domínio que teve outrora sobre os mercados financeiros, sobre as trocas comerciais e, sobretudo como moeda de reserva inquestionável, com a qual amigos e inimigos tinham de contar, nos cofres dos seus bancos centrais, sem o que muitas operações vitais deixavam de poder realizar-se. 
Hoje em dia, não apenas se desenvolve o sistema da nota de crédito em Yuan, dando muito maior flexibilidade a trocas efectuadas fora do dólar em África e no Médio Oriente, mas a China e Rússia estão a adquirir uma quantidade recorde de ouro, o que só pode significar que claramente estão a preparar a transição multipolar, como também vão-se livrando do dólar. 
A Rússia praticamente não tem mais «Treasuries» (obrigações do tesouro dos EUA, normalmente usadas como meio de reserva de dólares), lançou-as no mercado em Abril-Maio deste ano e avisou que o dólar já não era um activo «confiável». 
Quanto à China, com a sua «Belt and Road Iniciative» (as Novas Rotas da Seda), tem vindo a fazer empréstimos em dólares (uma maneira inteligente de se livrar deles) a países africanos, os quais podem pagá-los de volta, sob forma de Yuan ou de matérias-primas. 
A China tem usado também «Treasuries» para financiar mega-projectos de infraestruturas -caminhos-de-ferro, portos, aeródromos, estradas, etc. - em todo os espaço euro-asiático, para criação de um espaço único de circulação de mercadorias, desde a península coreana até às margens do Atlântico. 
Poderia continuar a dar exemplos de perda de influência americana e de perda de controle da situação geoestratégica relacionadas com ocaso do dólar, como moeda de reserva universal.  
Basta-me referir que as sanções económicas e as tarifas punitivas decretadas por Trump, apenas indicam fraqueza, não impressionam por aí além, fazem mais mal à população dos EUA e dos seus aliados europeus, do que propriamente aos países alvo das mesmas, nomeadamente o Irão e a China. Têm, ambos os governos destes Estados, meios para circunscrever  e tornear os prejuízos causados e sabem que as ditas sanções são fruto do desespero e susceptíveis de se transformarem em «tiros pela culatra». 
O mundo inteiro vê isso e pensa que os dias do Império do dólar estão contados.

O segundo exemplo, é o da movimentação da Itália para fora da zona euro. Os italianos não querem mais sofrer com o euro. Sabem que o seu caminho é o da saída. 
Mas, querem fazer as coisas de maneira mais inteligente que os gregos, que ficaram entalados com uma dívida impagável e uma espoliação de muitos activos e propriedades (incluindo portos e aeroportos) dados em contrapartida de «resgates» mais que dúbios. 
A Itália tem possibilidade de decretar a saída do Euro mas, para isso, terá de proteger-se de efeitos secundários que poderão ser demasiado penosos, tanto política como economicamente. Só será possível fazerem a transição se tudo for preparado em segredo e no último instante decretarem o controlo de capitais e o fecho  dos bancos (com a possibilidade da população retirar algumas centenas de euros por semana  das suas contas-correntes nos ATM). 
Isto, a acontecer, automaticamente criará uma crise de confiança no espaço europeu,  pelo que todos os países da «eurolândia» serão arrastados para soluções similares se não quiserem logo ver seus próprios bancos colapsar, por insolvência manifesta. 

Estes dois exemplos não me tiram o sono, felizmente, porque eu não detenho meios para influenciar os acontecimentos: só teria se fosse um grande bilionário ou trilionário, dono de bancos  e de ramos inteiros de indústrias.

Mas tenho o bom-senso de me precaver destas eventualidades, que parecem como uma enorme vaga, um tsunami, que se vai aproximando cada vez mais da costa, enquanto as pessoas despreocupadas, não ligam, continuam na praia a apanhar sol e a brincar... 

Não é somente por compaixão e solidariedade humana mais básica, que não tenho vontade que essas pessoas sejam vítimas de uma tal desgraça. Quanto maior número de pessoas souberem precaver-se, melhor estarão - colectivamente - para reconstruir as coisas. 
Não sei como nem quando irá rebentar, mas uma catástrofe económico-política de grandes dimensões está fermentando, somente a media hipócrita, ao serviço dos seus donos, mantém todos distraídos. 

Tenho poucas esperanças numa revolução mundial, que varra de vez este capitalismo depredador e monstruoso: Seria bom que, ao fim e ao cabo, esta crise vindoura assinalasse a morte e enterro do sistema capitalista mundial. Mas isso, embora não seja inverosímil, não me parece provável. 

Em qualquer circunstância, para retomar a analogia da vaga gigante ou tsunami, não perdemos nada por subir para colinas, a umas centenas de metros acima do nível do mar. 
Mesmo que a minha análise seja demasiado sombria e afinal não aconteça nada de muito grave, o que se perdeu, fazendo essa pequena retirada? 
Se, pelo contrário, as minhas previsões se realizarem, aqueles que - por ignorância ou desleixo -  ficam na praia a brincar... com certeza serão varridos e arrastados pelo tsunami, sem salvação possível. 

terça-feira, 12 de junho de 2018

A VIRAGEM, NO IMBRÓGLIO COREANO

                   





Não foi a cimeira em que, definitivamente, seria assinado o tratado de paz entre a Coreia do Norte e os EUA, mas foi um passo importante para lá se chegar.
A normalização das relações entre ambos, vem tornar possível uma sequência de conversações de alto nível, já anunciadas, cujo fim é a conclusão de um tratado que assegure a desnuclearização da península coreana, por um lado, e por outro, a desmilitarização ou seja, deixar de estar permanentemente estacionado na Coreia do Sul, um nível de tropas (americanas) capaz de levar a cabo uma invasão. 
As perspectivas são muito positivas, para Trump e para Kim. O conteúdo concreto do acordo será tornado público dentro de pouco tempo. Não será um acordo de paz formal, mas será uma extensa carta de intenções, que obrigará as partes e deverá ser a chave para a continuação do caminho diplomático para a resolução do imbróglio coreano.
As pessoas das duas Coreias devem estar muito felizes. Devem experimentar um sabor de alívio, pois eram permanentemente sujeitas ao pavor de uma nova guerra e, nos últimos tempos, com a agravante de envolver armas nucleares.

Será que os apologistas de uma nova «Guerra fria» perderam completamente a jogada? 
Pela sua tenacidade em causar tensão com potências rivais dos EUA (Rússia e China, principalmente), duvido que não estejam agora a preparar algo. Eles (Estado profundo, oligarquia...) precisam da tensão e do medo permanente duma guerra, para manter o seu poderio.  

sábado, 3 de março de 2018

GUERRAS ECONÓMICAS IMPERIAIS

A absurda decisão de Trump em iniciar uma guerra comercial com os países (nomeadamente a China, mas não só) que têm fornecido matérias-primas e produtos industriais revela a enorme fragilidade económica do Império. Dá a impressão que o próprio Trump está desesperado em criar as condições de uma crise. 
Alguns analistas pensam que só assim - ou com uma monstruosa «falsa bandeira»- pensam justificar o «reset», a transformação do sistema financeiro mundial. A oligarquia dos EUA está convencida que somente assim poderá controlar a transição.


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O QUE IMPLICA A VOLATILIDADE DAS CRIPTOMOEDAS

As criptomoedas, desde o seu nascimento, sobretudo o bitcoin, mas depois, outras também (ethereum, riple, etc.) estão sujeitas a enorme volatilidade. Os dados mais recentes, apontam para uma descida vertiginosa, apenas comparável a recentes subidas, também elas, vertiginosas. 

Para se ter uma ideia dos riscos que o investidor pode correr ao decidir investir em bitcoin ou outras criptomoedas, basta dar uma olhadela ao mapa abaixo:

                             Foto de Manuel Baptista.

 Note-se que, os países que aderem ao sistema «dólar» são os mesmos onde o bitcoin e seus análogos são legais. Os países onde é ilegal ou muito desaconselhável possuir, são justamente os países que têm acumulado reservas de ouro (não apenas os bancos centrais, mas também a população).

A entrevista seguinte pode ajudar-nos a compreender como as coisas são vistas nos meios financeiros bem informados: 


Existem sinais de que as pessoas da classe média dos países afluentes, mas também dos restantes países, estão a entrar na bolha especulativa do mercado das criptomoedas, tal como no mercado imobiliário e nas bolsas. 
Recebi informação de que o aumento de endividamento dos americanos através dos cartões de crédito, não é devido a um aumento do consumo propriamente dito, mas a usarem os seus cartões de crédito para comprar criptomoedas. 
A confirmar-se a  sua veracidade, isto significa que a bolha especulativa com as criptomoedas atingiu a fase de mania, a fase em que quase todas as pessoas desejam estar investidas num determinado mercado.
Como tenho explicado, esta inflação monetária, por enquanto confinada  a certos ativos, vai espalhar-se pela economia em geral. 

Recentemente, foi publicada a National Security Strategy, uma «declaração de guerra» do presidente Trump, em relação à China e Rússia, ao definir em documento oficial que os seus passos para criarem um mercado de petróleo e de divisas que marginalizasse o dólar era uma ameaça direta à «segurança» (leia-se hegemonia) dos EUA. Mas, entretanto, a imprensa e media distraem o público com um livro de mexericos sobre a vida dentro da Casa Branca... Quanto ao documento acima citado, no fundo, todo o mundo já sabia isso, mas agora é oficial e assumido como razão maior de conflito entre super potências.

Temos  os ingredientes todos para uma crise que acompanha o abandono do petrodólar, a passagem para outra moeda padrão nas trocas internacionais.

A conclusão lógica do que precede é que o ano de 2018 vai ser - no mínimo - um ano de muitas surpresas, de muita instabilidade nos mercados, com consequências na economia real, do dia a dia. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Milhões de vidas estão em jogo, diz a organização «Veteranos Pela Paz»


                                                        

Veteranos pela Paz é uma organização que agrupa membros das forças armadas dos EUA que lutaram em várias guerras. 
São uma voz incómoda para o poder de Washington. 
Para nós, pessoas comuns quer sejam ou não de nacionalidade americana, eles deveriam ser escutados com imensa atenção. 
- Quem melhor do que os que passaram pelos horrores da guerra pode compreender a injustiça que qualquer guerra constitui quando se abate sobre um povo, seja ele qual for? 
- Quem sofreu, sabe que as guerras deixam marcas muito profundas, arrasam famílias e destroem a felicidade dos sobreviventes para todo o sempre. 
É sintomática a elevada taxa de suicídios nos veteranos. É que muitos sofrem de stress pós-traumático, que não é sempre diagnosticado a tempo.  


Redigiram uma carta aberta aos presidentes dos EUA e da Coreia do Norte. Porém, ela também é dirigida a todas as pessoas que desejam a paz e que estão conscientes da gravidade do momento:

Dear President Trump and Supreme Leader Kim Jong-un,
You have both made your point.The world has seen that neither of you will back down before the threats of the other.  For the sake of the world’s people, it is now time for good faith negotiations.
President Trump, you have engaged in reckless rhetoric and threatened to “totally destroy” North Korea with “fire and fury like world has never seen.”  We can tell you right now that you do not speak for millions of veterans in this country.  We know firsthand the horrors of war, and we don’t want to see them again, not even from a distance. 
Supreme Leader Kim Jong-un, your threats to target Guam and the United States with nuclear weapons are deeply disturbing. We understand that you must defend your nation from threats of U.S. intervention.  However, your words and actions, like President Trump’s, are causing a very unstable and dangerous situation.
You both have shown the other, and the world, that you have the capability of causing calamitous destruction in a distant country.  You have also shown that through the strategy of “deterrence,” which holds millions of people hostage to the threat of nuclear war, you have so far been able to fend off an attack by the other.
The point has been made.  Now is the time to start backing off.
It is time for each side to clearly state its conditions for negotiations. Not conditions that are deliberately designed to be impossible for the other side to accept.  But conditions that are “negotiable.”  There should be no unilateral “pre-conditions” for talks to begin.  The people of the world are demanding peace.
The name-calling and bluffing game must stop, before someone, somewhere, makes a tragic mistake, a mistake that could never be undone.  Millions of people would die a horrible death, not only in Korea, the U.S. and Japan, but also in Okinawa, Guam, China, Russia - and who knows where else.
Millions of lives are in the balance, as is the future of the human species. For the sake of our mutual survival, it is time for diplomacy.  It is time to negotiate.  It is time for peace.  As veterans of too many wars, we beg you to start talking now.
Please let us know if we might be of assistance.  We will help in any way we can.
Peace for All Koreans!  Peace for All the People of the World!

Most sincerely,
Veterans For Peace

segunda-feira, 24 de julho de 2017

ONDE ESTÁ O VERDADEIRO PODER, NOS EUA?

The Reign of Propaganda

Para evitar o holocausto nuclear, o mundo tem de deixar de estar hipnotizado, sujeito a lavagem ao cérebro pela média ocidental.


Ela própria é propriedade e agente directa dos grandes interesses que estão realmente a governar o mundo, por detrás da cena. Não, não se trata de mais uma «teoria da conspiração»! Não se pode realmente compreender nada do que se passa, se tomarmos como certo e seguro tudo o que os governos e a média regurgitam diariamente como «verdades», para consumo das massas.
Infelizmente, as pessoas estão inconscientes da manipulação. Esta só pode ter efeito, se as massas estiverem completamente inconscientes de que são manipuladas, nos seus sentimentos, nas suas opções, nas suas escolhas... É condição para a manipulação existir e continuar.
Outra condição, é a enorme catadupa de futilidades, de falsas notícias, de intrigas e coscuvilhices das «stars», satisfazendo a humana mas vã curiosidade das pessoas pela vida privada das celebridades. Esta catadupa implica que a mente das pessoas é constantemente distraída, desviada dos assuntos com real impacto nas suas vidas, desviada de se interessar por aquilo que verdadeiramente importa. A ignorância gera a indiferença, a qual, por sua vez, gera a impotência.
Outra tática que resulta é o efeito de familiaridade, que joga ao nível das estruturas profundas: um tipo que brinca, que goza com a sua própria imagem, «não pode ser mau tipo»... todos conhecemos as palhaçadas do Obama, por exemplo. É assim que se tornam «próximos», é assim que os vemos, como nossos conhecidos, vizinhos,  colegas... Este truque, ou ilusão de estarmos próximos destes personagens, de que temos uma certa intimidade com eles, induz as pessoas, não apenas a aceitar, mas a amar quem esteja no poder.  


A segunda coisa que o mundo tem de compreender, para evitar o holocausto nuclear, é de que não é uma estrutura simples e visível, a pirâmide do poder em Washington.

O poder político do presidente dos EUA esteve sempre fortemente condicionado pelo chamado «Estado profundo». Uma medida, seja ela qual for, para ser implementada (ou não), não depende em exclusivo da vontade presidencial ou do Congresso, mas da boa ou má vontade, daquilo que for compreendido como «o interesse nacional» pelos milhares de altos funcionários não-eleitos, da CIA e do Pentágono, até às múltiplas agências do Governo Federal.
Tem sido muito revelador, neste contexto, o que se tem passado desde a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA. Tem havido uma guerra surda contra ele, do «Estado profundo», fazendo obstáculo e distorcendo todos os aspectos da sua política. O objectivo - mais ou menos confesso - é o do seu derrube, porque ele não está de alma e coração alinhado e cúmplice com os interesses da «elite» política que tem dirigido os destinos do país mais poderoso do planeta.
Por sua vez, esta mesma «elite» política e mediática é serventuária da «elite» das corporações. Aquela é beneficiada pela generosa contribuição dos lóbis constituídos pelos grandes interesses corporativos. São eles que determinam se um político é eleito ou não. Muito antes de se contarem os votos, contam-se os (milhões de) dólares. É quase certo que, quem conseguiu arrecadar a maior quantidade de dólares em fundos de campanha, será o candidato eleito.


Se não tivermos em conta este conjunto complexo e obscuro de relações, formando uma teia inextricável, não conseguiremos contextualizar as notícias da media, ignorando tudo do jogo que se desenrola por detrás do pano de cena.
Mas podemos deixar instantaneamente de ser manipulados, se compreendermos processos dessa manipulação.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

«ESTADO PROFUNDO» NOS EUA, POLÍTICA EXTERNA E GUERRA

               Ever Closer to War
Desde há alguns dias, vimos a assistir a uma escalada; as provocações sucedem-se. 
Primeiro, o abate de um avião da força aérea síria, por avião dos EUA no espaço aéreo sírio e com o fim de impedir (em vão) que caísse um bastião dos terroristas islâmicos do ISIS. 
Nas últimas horas, uma série de incidentes nas proximidades da fronteira russo-báltica... incluindo uma aproximação de um avião da NATO, próximo de avião transportando um ministro russo e que obrigou a que caças russos interviessem para afastar os intrusos.
O Estado profundo, nos EUA, dominado pelos neocons continua as fazer das suas. 
Admitindo que Trump não fosse o candidato preferido dessa perigosa fação, quererá isso dizer afinal que ele não tem verdadeiramente mão neles, está à mercê de todas as sabotagens dos seus esforços de apaziguamento com a Rússia? 
Alternativamente, pode-se imaginar que o presidente, vendo que eles eram demasiado poderosos e que as ameaças contra ele eram para tomar a sério, acobardou-se e decidiu jogar o seu jogo. 
Penso que ambos os cenários são de uma gravidade extrema, pois -pelos seus efeitos - nos colocam à beira da IIIª Guerra Mundial, a qual inevitavelmente, se transformará em guerra nuclear TOTAL. 
É essa a aposta louca dos neocons, mas parece que muito poucos vejam os perigos... a media ocidental, os próprios governos da NATO «aliados» dos EUA parecem jogar o jogo letal, sem consciência de que é um risco demasiado alto para se tomar, seja qual for o prémio. 
Os gregos designavam pelo termo HUBRIS a cegueira e inebriamento do poder vitorioso dos chefes. Porém,  o povo não poderá senão sofrer caso continue adormecido. Aliás, nem mesmo essa oligarquia, que terá bunkers anti-nucleares para aguentar durante algum tempo (6 meses, um ano?) poderá viver numa Terra onde todas as formas de vida que os poderiam sustentar ficaram extintas. 
É esse o grau de loucura dos neo-cons
Tenho acompanhado a brilhante carreira de ensaísta político de Dmitri Orlov. Na entrevista dada a Chris Marteson ele explica com meridiana clareza os riscos que corremos todos. A transcrição da mesma pode ser lida aqui.

quarta-feira, 1 de março de 2017

UMA INEVITÁVEL ASCENÇÃO E UMA PREVISÍVEL QUEDA


Inevitável? Refiro-me à ascenção do FN e de Marine Le Pen. 

                               

Sim, inevitável, porque tudo o que se passa nos meandros da política francesa vai no mesmo sentido: isto é, cada vez mais os erros dos políticos do establishment, quer sejam da direita ou da esquerda, empurram os eleitores para os braços da extrema-direita. Até mesmo a diabolização de Trump pela média mainstream, com o falso paralelo entre o fenómeno Trump e o fenómeno Marine Le Pen, vêm dar mais lustro à «alternativa», que afinal joga apenas na superfície.
Escrevo-a entre aspas pois é uma «alternativa» entre facções da oligocracia, como expliquei em devido tempo neste blog, a propósito da contenda entre a Hillary e o Donald.  
Igualmente, tudo está sendo feito no sentido de dar força à extrema-direita, revestida das cores da defesa da nação, do povo, etc. 
Porém, é a oligarquia do dinheiro que decide as eleições de um lado e do outro do Atlântico. Foi ela que permitiu que Trump vencesse: preferiu alimentar a ilusão dos eleitores - descontentes com o sistema - mas incapazes de ver, para além dos discursos e slogans de campanha, a «real realidade» do poder político nos EUA. 
Do mesmo modo, a cleptocracia eurocrática prefere que «vão para a fogueira» alguns dos seus pares da política mainstream, como François Fillon, para dar contento às massas, fazê-las crer que elas mandam qualquer coisa. 
Tudo parece conjugar-se para que Marine Le Pen obtenha um bom score na primeira volta das presidenciais, que se distancie os candidatos mais próximos, nomeadamente, de Macron
- Estará a oligarquia pensando que uma «união sagrada» de todos os outros candidatos em apoio ao delfim do regime, Macron, será uma boa coisa?
Este mecanismo operou nas eleições presidenciais de 2002 que levaram o Presidente Chirac a confrontar-se com Jean-Marie Le Pen (o pai de Marine). Toda a «classe política mainstream» e grande parte do eleitorado esperam uma repetição do cenário.

A surpresa (o cisne preto) será algo que sai fora no quadro acima traçado, mas cuja eventualidade não foi prevista por ninguém ou quase. 
Pode acontecer o «impensável», pela simples razão de que o público em geral não é informado, mas submetido a doses constantes de propaganda. 
A forma mais insidiosa de propaganda é a que se disfarça de sondagens à opinião dos eleitores. Estas sondagens são falsificadas de mil e uma maneiras, para satisfazer os que encomendam a sondagem. Isto passou-se com a recente campanha eleitoral americana. Foi com isso que se tornou «impossibilidade», no espírito de muita gente, a eleição de Trump.
Muitas situações inesperadas podem, no entanto, ocorrer: A diferença nas sondagens, entre o candidato mainstream dado como favorito (Macron) e Marine Le Pen, tem vindo a diminuir semana após semana. Pode dar-se o caso de, na realidade, ser muito menor do que a media e as sondagens fazem crer. 
Na segunda volta, uma percentagem significativa de eleitores poderia não estar disponível para apoiar Macron, um peão saído do banco Rothchild. Ou um número significativo de abstencionistas da primeira volta, mobilizarem-se para votar «Marine» na segunda volta... ou outra mudança qualquer, não prevista nas sondagens. 

Estou interessado em compreender a política a um nível profundo, não em fazer vaticínios ou distribuir sanções e/ou prémios morais aos candidatos. 
Certamente, existe uma rede de interesses por detrás de cada candidato à presidência. No momento da segunda volta, não apenas os eleitores se polarizam, também os grupos de interesses fazem alianças ou - pelo contrário - rompem pactos, por detrás da cortina. Para mim, é um dado adquirido que a grande finança está apostada em reduzir a expressão política da classe trabalhadora, por muito reformista e inócua que ela seja. 
Os oligarcas sabem que se aproximam tempos difíceis. Na sua perspectiva, é preciso uma mão pesada que possa intimidar, ou mesmo calar, os explorados demasiado incómodos. 
Já sabemos, de múltiplos exemplos passados, que os regimes de democracia liberal são fascismos encapotados, porém a oligarquia tem necessidade da extrema-direita para fazer o trabalho sujo.  

No contexto, já não apenas francês, mas europeu, o grande capital financeiro e industrial sabe que é preciso sair do imbróglio de políticas contraditórias em que a casta política eurocrática se meteu e meteu o projeto europeu... O contexto de estagnação da zona euro, a crise larvar institucional, não podem durar muito mais. Será que eles querem «fazer rebentar o furúnculo»? 
Talvez... Neste caso, o esvaziamento controlado da União Europeia, permitiria o retomar das rédeas e, sobretudo, moldaria a paisagem política a contento dos poderosos. 



Alternativamente, não haveria senão a revolução. Porém, o perigo (para o grande capital) de uma insurreição não está na agenda. 
Para tal, tem contribuído o completo fracasso das forças sociais e políticas (partidos e sindicatos) que se têm atribuído a representação dos  trabalhadores na Europa. A oligarquia está bem ciente disso.
Coloco como hipótese, a ser confirmada ou não no futuro próximo, o seguinte:
A oligarquia pretende que a UE seja desmontada. Os chamados populismos farão o papel de «engenheiros em demolições».








terça-feira, 17 de janeiro de 2017

CHELSEA MANNING - COMUTADA PARTE DA SUA PENA






Soube-se hoje que Chelsea Manning iria ser libertada em breve devido ao perdão parcial pelo ainda presidente Obama. 

Manning é o corajoso soldado que desvendou as práticas criminosas de guerra do exército USA no Iraque. Foi condenada a 35 anos de prisão. Durante o processo está provado ter sofrido tortura (o confinamento prolongado em isolamento é considerado tortura pela ONU) e posteriormente sujeita condições péssimas, na origem das suas duas tentativas de suicídio, na prisão.


               

Muito contribuíu a campanha internacional pedindo a sua imediata libertação, assim como Julius Assange ter prometido que - caso  Obama indultasse Manning - ele próprio se entregaria e aceitaria ser sujeito a processo nos EUA. 

A sua postura é nobre e  corajosa, pois implica a possibilidade dele ser condenado a longos anos de prisão (na prática, para a vida inteira). 
Os advogados de Assange vão apelar para o presidente Trump, para ele encerrar o caso contra o seu constituinte. 
Não esqueçamos que um recente inquérito nos EUA mostra que as informações de Wikileaks são consideradas como merecendo 87% de confiança contra 13% da CIA e outros serviços de segurança dos EUA.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

HISTERIA ANTI-RUSSA - COM QUE FINS?

Estamos perante um novo acesso de ataques histéricos dos media ocidentais, que se fazem câmara de ressonância da propaganda governamental dos EUA, como analisa brilhantemente Charles Hugh Smith
Agora, que a guerra na Síria está completamente perdida para os terroristas «moderados» ou seja, a soldo das potências ocidentais, desencadeiam uma campanha de histeria destinada a desacreditar Donald Trump e inviabilizar a sua eleição pelo colégio eleitoral, num autêntico golpe, com colaboração de elementos da CIA... por um lado.  
Por outro lado, estão a criar mais e mais pretextos para fricção com as potências que disputam a hegemonia dos USA; nomeadamente a Rússia, China, Irão... Eric Zuesse põe a nu esta deriva num excelente artigo de «Strategic Culture»: A mentalidade de guerra-fria apenas desapareceu de um dos lados (o dos ex-soviéticos) sendo que a mentalidade dos militares e diplomatas de topo nos EUA e nos seus países vassalos da NATO é exatamente a mesma, a que corresponde á pior fase da guerra-fria. 
Eu acho que existem razões suficientes para estarmos preocupados e levarmos a sério estes arrufos de mentalidade «MacCartista» por parte de facções no poder. Compreendamos também que isso corresponde a um desespero deles, vendo que a sua estratégia geral falhou redondamente. Encobrir os fracassos com toneladas de propaganda e desinformação pode servir os seus objetivos num curtíssimo prazo, mas não creio que as pessoas sejam indefinidamente iludíveis pela propaganda. O resultado, no longo prazo, é a sua total perda de credibilidade. 
Oxalá fiquem desmascarados muito depressa: as guerras de propaganda costumam ser uma espécie de «barragem» que antecede uma guerra «a quente», tal como no passado foram as «barragens» de artilharia, no inicío das batalhas e que antecediam as ofensivas da infantaria.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

ADENDA PÓS-ELEITORAL


Como eu estava consciente desde há vários meses, que a vitória de Trump seria inevitável (*), caso não houvesse uma e descarada manipulação dos votos eletrónicos por parte do establishment pró-Hillary, não me espantei com a vitória do Donald. 
Mas fiquei bastante entristecido por verificar a «cegueira voluntária» de pessoas, geralmente de esquerda, ou mesmo da esquerda radical, que pintaram esse acontecimento como sendo o «fim do mundo» quando, na verdade, apenas é uma derrota de uma fação da oligarquia, que aceitou que a outra fação, mais capaz de mobilizar a «turba», os eleitores-carneiros, fosse render a guarda, para garantir a perenidade do reino do grande capital. 
Estranho a cegueira seletiva das pessoas, que logo esqueceram os crimes de guerra, crimes contra a humanidade, perpetrados pela administração Obama, sobretudo quando a Hillary foi secretária de Estado: como é possível terem esquecido isso, sobretudo os europeus? 
- A única resposta que encontro é que são realmente muito manipulados por uma média sem escrúpulos, que consegue perversamente «vender» seja o que for, desde que isso seja, ao fim e ao cabo, a «narrativa» de que os seus patrões precisam para continuar o seu jogo mortífero e lucrativo. 

Mas eu não os inocento, pois se eles – os que se dizem de esquerda, os anticapitalistas, antifascistas, etc. – tivessem um mínimo de coerência, perceberiam desde o princípio da administração de Obama, que estávamos perante o «reino do Big Brother», onde guerra é paz, onde liberdade é escravidão, etc…  
Perante esta falência, não apenas intelectual como também moral, eu penso que as pessoas de esquerda sinceras, deveriam fazer uma grande autocrítica e compreender como têm sido instrumentalizadas pelos sequiosos de poder a qualquer preço. 
Com efeito, as Hillarys e os Obamas, mas também os seus «ídolos» locais, fazem sempre o mesmo jogo: dizer às massas aquilo que elas querem ouvir, para depois de eleitas fazerem aquilo que é o seu verdadeiro e único programa: servir a oligarquia para assegurar os fundos para a reeleição!

QUANTO AO IMEDIATO PÓS-ELEIÇÕES: Toda a indignação de uns, que se aproveitam da confusão para fazer motins – atiçados pelos zelotas da média corporativa – a que assistimos no presente, nestes dias que sucederam ao histórico 8 de Novembro, para que serve isso?
- Permite reforçar a convicção de que as eleições, de que este processo é realmente a coluna vertebral da democracia. Como dizia uma manifestante anti-Trump: «tem de haver mortos», ou seja, esta situação merece que haja violência extrema, guerra civil.

É assim que a oligarquia vai aproveitando a divisão entre o povo «miúdo», enquanto eles já se posicionaram há muito para as mudanças que vão chegar. 

A vitória de Trump não será nunca uma vitória do povo miúdo, indignado pelas elites que lhes roubaram tudo, desde a crise de 2008, da qual elas – as elites – são claramente culpadas! 

A ascensão de Trump, vai permitir que essa mesma elite deixe cair a encenação que mantinha dos mercados a «pairar» na estratosfera. Como prova disso, apenas uma série de indicações: 
- Primeiro, não houve nenhum «Armagedão» nos mercados, face à vitória do candidato republicano
- Segundo, houve uma deslocação estratégica do capital para o que serão os setores da indústria mais favorecidos pelas medidas económicas anunciadas no programa do Trump. O facto é que o índice «Dow Jones», sofreu apenas uma breve quebra, seguida de recuperação espetacular: explica-se o fenómeno por ser uma redistribuição do capital, não uma retirada.
- Terceiro, a subida de taxas de juro, programada para Dezembro, irá desencadear uma quebra brutal nos mercados, pois a economia não está em recuperação, mas sim em depressão. A narrativa de uma economia em «ligeira recuperação» já se tornara insustentável. 
Agora, com a programada subida das taxas de juro, ela vai agravar-se e vão atribuir isso ao Trump, claro. 
Tanto pior para as pessoas da classe média, que pensavam que podiam «jogar» com os mercados, mas que -na realidade - vão ser jogados «debaixo do camião»!

Tudo o que eu sei sobre a atualidade da economia e finanças, de política internacional, etc. decorre de uma leitura atenta a sites, vídeos e blogs. Simplesmente, eles não são homogéneos, são fontes geralmente credíveis, mas com perspetivas contrastantes, que me permitem ler várias versões, ponderando sobre cada uma delas: fujo ao «pensamento único» e mesmo ao chamado «alternativo». Que estes veículos de informação apresentem as suas versões dos factos, claro, é inevitável, mas não ocultam montanhas de factos importantes, não seguem aquilo que a grande média ao serviço da oligarquia globalista diz sobre determinadas coisas.
Tenho feito desde há uns anos este exercício, tanto por curiosidade como para ficar alertado, com alguma antecedência e com um certo rigor, sobre coisas importantes, que apenas chegam à superfície (quando chegam) muitos dias ou meses depois…
Sigo o método científico: emito uma hipótese explicativa do fenómeno e vou seguindo os desenvolvimentos: se eles reforçam a hipótese, eu irei ter maior confiança na minha hipótese, mas nunca 100%; serei sempre o maior crítico de meu próprio pensamento.



(*) The bottom line is, Trump is on the way to the White House because the elites WANT HIM THERE.  Now, many liberty proponents, currently in a state of elation, will either ignore or dismiss the primary reason why I was able to predict the Brexit and a Trump win.  These will probably be some of the same people that were arguing with me only weeks ago that the elites would NEVER allow Trump in office.

So, to clarify:

Trump may or may not be aware that he and his conservative followers have been positioned into a a trap.  We will have to wait and see how he behaves in office (and he WILL be in office, despite the claims of some that the elites will try to “stop him” before January).  My primary point is THAT IT DOES NOT MATTER, at least not at this stage.  The elites will initiate a final collapse of the global economy under Trump’s watch (this will probably escalate over the course of the next six months), and they WILL blame him and conservatives in general.  This IS going to happen.  The elites play the long game, and so must we.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

TUDO E O SEU REVERSO

«TUDO E O SEU REVERSO»
- É COMO CLASSIFICO A VERBORREIA DA MÉDIA CORPORATIVA E DOS QUE LHE DÃO CRÉDITO

Não! O mundo não acaba hoje, nem amanhã! A eleição de Trump, por mim esperada, mas não desejada nem temida, desencadeia em muitos dos meus amigos uma onda de pânico. 
 - Será real esse pânico ou será induzido por uma média que se esmerou em manipular as pessoas pelo medo e pelos sentimentos, nunca em dar informação factual e objectiva?
- Uma média que seguiu até ao fim o guião de uma Hillary abraçando «causas progressistas», mas que era obstinadamente amnésica da política genocida promovida por ela própria enquanto foi membro do governo de Obama ... 
- Muitas pessoas boas estão completamente manipuladas, por isso engolem tudo o que se lhes diz, vêem só as aparências, não percebem a guerra de propaganda, que faz delas as vítimas principais.
- De facto, o campo da guerra, da oligarquia, levou um sério revez. Mas ele não foi surpreendido; teve demasiado tempo para encenar uma retirada estratégica. Com efeito, eles sabiam quais os verdadeiros números das sondagens. 
- Mas houve um momento de viragem nesta campanha. Graças ao Wikileaks, incriminatórios e-mails da Hillary e de seus colaboradores, vieram à superfície. Foi nessa altura que a oligarquia compreendeu que era melhor a vitória de Trump. 

- Foi a oligarquia que deixou cair Hillary, depois de ver que ela não era sustentável, caso fosse «eleita», não apenas perante demasiadas suspeitas de fraude eleitoral, sobretudo devido ao demasiado lixo, do seu  passado e do seu Bill e atividades criminosas da Fundação Clinton. Assim, decidiu nada fazer para impedir o triunfo do Donald. 

Escolheu o menor dos males para ela própria...
- Tive receio que ela escolhesse provocar um ataque de falsa bandeira para anular o escrutínio no último momento, sobretudo depois de termos visto a miserável campanha acusando a  Rússia, sem base nenhuma, de querer interferir através de hackers, no próprio ato eleitoral.

- Nos próximos dois meses até à investidura vão condicionar o futuro presidente Trump, de tal maneira que seja impossível da sua parte afastar-se -no essencial- da defesa dos interesses do grande capital, do complexo militar-industrial, da grande banca! - A escolha dos futuros membros do governo e dos colaboradores é muito mais decisiva do que a personalidade «exuberante» de Trump. 

Em suma, nada muda! 
- Apenas a crise profunda do capitalismo vai avançando na sua obra de destruição massiça do próprio capital, fagocitando as energias produtivas que possam existir dentro do sistema e que ainda poderiam, teoricamente, regenerá-lo.

- Com outras «surpresas» em perspectiva para 2017, não esperem momentos fáceis, mas também não se deixem iludir pelos propagandistas, disfarçados de analistas: eles não têm escrúpulos e apenas querem influenciar as pessoas para aparecerem como «os salvadores», dos males criados por eles próprios, afinal!