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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

J.P. RAMEAU: obras para cravo

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Jean-Philippe Rameau (1683 - 1764)

Um jovem provincial desembarca em Paris no início do século XVIII, com um rolo de partituras debaixo do braço, uma ambição de fama e glória, mas também uma forte formação de organista pela sua tradição familiar. 


O prelúdio da primeira série de peças para cravo tem o mérito de mostrar um exemplo de peça típica da escola francesa para cravo: 


Trata-se de uma peça com latitude para o intérprete, num estilo improvisado, razão pela qual não existem barras de compasso, «prélude non-mesuré». Logo nesta peça de juventude, Jean-Philippe Rameau anuncia quem é e ao que vem. Mais tarde, ficará conhecido como teórico polémico e popular autor de óperas. Irá polemizar com celebridades da Enciclopédia, nomeadamente, J.-J. Rousseau e D'Alembert.  
A força da sua personalidade e a sua subtileza transparecem nas peças seleccionadas por Scott Ross, no vídeo abaixo...

                 

 Estas permitem-nos «sentir» o século XVIII francês: um discurso aparentando frivolidade, às vezes... mas capaz de se mostrar subtil, irónico, terno, ou enfático, em resumo: um teatro de sentimentos. 
É que este discurso musical banha na mesma atmosfera que os debates dos filósofos nos «salons», ou que os diálogos das comédias de Marivaux.  
A linguagem da escola francesa construiu-se numa sucessão ininterrupta de grandes cravistas do século XVII, uma grande tradição de que Rameau é ponto cimeiro. 
Depois dele, houve grandes músicos de talento ímpar; mas Rameau continua sendo o mais célebre músico francês do século XVIII, nos dias de hoje. 

domingo, 24 de junho de 2018

«ORLANDO FURIOSO» DE VIVALDI

«NEL PROFONDO», ÁRIA DO 1º ACTO


(Nel profondo cieco mondo si precipiti la sorte già spietata a questo cor. Vincerà l'amor più forte con l'aiuta del valor.)
                                                   
                                     [SOLISTA: MARIE-NICOLE LEMIEUX]


                                                          INTEGRAL DA ÓPERA


DISTRIBUTION





  • Date17 avril 2018
  • Durée3h 30min
  • ProductionOxymore - Fondazione Teatro La Fenice - Mezzo avec la participation de France Télévisions
  • RéalisationStephane Verite
  • AuteurGrazio Braccioli
  • CompositeurAntonio Vivaldi
  • Metteur en scèneFabio Ceresa



    • Acteurs (+rôles)
    • Orlando : Sonia Prina / Angelica : Francesca Aspromonte / Alcina : Lucia Cirillo / Bradamante : Loriana Castellano / Medoro : Raffaele Pe / Ruggiero : Carlo Vistoli / Astolfo : Riccardo Novaro



  • Chef d'orchestreDiego Fasolis
  • OrchestreOrchestra del Teatro La Fenice
  • CostumesGiuseppe Palella
  • LumièreFabio Barettin
  • DécorsMassimo Checchetto
  • ChoeurCoro del Teatro La Fenice
  • Chef des choeursUlisse Trabacchin
















O libreto, baseado num poema de Ariosto, poeta do Renascimento, tem todos os ingredientes para exprimir as paixões humanas. Nomeadamente, a tensão emocional que acompanha o desenrolar do drama em música. As paixões foram sempre matéria-prima da ópera: aqui, a paixão amorosa insatisfeita leva Orlando à loucura. 
Aqui, nesta encenação, são exprimidas as emoções humanas, com talento e criatividade, motivo pelo qual prefiro esta versão a muitas outras. A qualidade musical dos interpretes serve perfeitamente a excelente partitura.
Esta ópera «Orlando Furioso» é uma das mais célebres de Vivaldi. Na nossa época, foi representada em palco e gravada em disco, com bastante frequência. Creio ser uma das óperas barrocas que mais facilmente se podem acomodar ao gosto do público contemporâneo. 
Algumas das suas árias tornaram-se célebres e são regularmente incluídas em recitais, por vários intérpretes. 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

IGOR KIPNIS - A ARTE DE BEM TANGER O CRAVO

Este disco contém peças de numerosos compositores do renascimento tardio, ou maneirismo, e do barroco: 
- um reportório bem conhecido dos amadores de música antiga*, que pode ajudar-nos a apreciar melhor as subtilezas interpretativas e as sonoridades ricas em harmónicos de um cravo bem temperado.



*várias peças deste reportório podem ser interpretadas noutros instrumentos de tecla, como a espineta ou mesmo o órgão positivo.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

MARIN MARAIS - TOMBEAU DE MONSIEUR DE STE. COLOMBE


Escrito após a morte de seu mestre, Monsieur de Ste Colombe, o jovem Marin Marais (Paris 1656- Paris 1728) mostra a sua capacidade de extrair um máximo de expressividade da viola de gamba.

Este estilo peculiar de peças lentas e plangentes, a meu ver, anuncia uma era mais centrada no indivíduo, mais interiorizada, pois tem ressonâncias profundas na psique. A música deixa de ser apenas representação, para ser uma forma idealizada de descrever estados de alma.

A qualidade subtil desta música apenas pode ser perceptível a pessoas que conservaram intactas as «cordas» da sensibilidade, o que - infelizmente - não é o caso hoje de muitas pessoas, nesta época de hedonismo desenfreado.

Num certo sentido, aqui transparece o lado intensamente humano deste compositor, pois a sinceridade da sua lamentação pela morte de seu mestre, não pode ser posta em causa por quem ouve atentamente e mesmo que não saiba quais os códigos musicais em vigor naquela época.

O modo menor, o andamento adagio ou lento, os cromatismos, a intensidade expressiva, são «artifícios» no sentido etimológico, ou seja técnicas da arte de compor... porém, resultam muito sinceros.
A arte tem de ser veiculada dentro de uma tradição e dentro de um conjunto de códigos, para que seja entendida pelo auditor. O auditor (da época, entenda-se), estava plenamente consciente do que constitui uma peça solene, grave, cheia de elevação.
Mas as nossas sensibilidades contemporâneas podem ainda assim usufruir destes momentos de êxtase e reflexão pura, devido ao facto da arte dos sons ser capaz de penetrar nos âmbitos mais profundos do ser.

Um hipotético auditor, que nunca tenha tido contacto com música barroca e mesmo que seja ignorante da arte dos sons, captará o essencial da mensagem da peça. Tal significa que a arte dos sons recorre a «constantes antropológicas», especialmente quando atinge um cume, em termos estéticos.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

DIXIT DOMINUS - HAENDEL


Esta obra de juventude de Haendel (tinha apenas 21 anos) ganhou merecida fama. Corresponde ao seu período romano, na cidade do Papa. 
Quando a compôs para o rito católico - ele, protestante luterano - as autoridades, que presidiam aos ritos da Igreja Católica, não viram nisso qualquer inconveniente. 
No início do século XVIII, havia muito maior tolerância religiosa do que nos dois séculos anteriores, pelo menos, nas figuras de proa da sociedade e no alto clero. 
As épocas de tolerância são, geralmente, épocas de paz e de progresso em todos os planos. São - porém - momentos frágeis, sempre suscetíveis de sucumbirem às paixões fanáticas de uns e outros. 
Com esta obra, merecidamente ressuscitada e frequentemente executada nos últimos anos, pode ver-se que «o Saxão», como era conhecido Haendel em Itália, tinha um domínio magistral das várias técnicas de composição que floresceram no barroco. 

A secção inicial, o grande coro sobre «Dixit Dominus», é um monumento, como poucas peças de carácter sacro: neste grande fresco inicial, a tensão entre as notas de valor longo e as frases curtas, incisivas, confere à peça uma energia irresistível.

Quanto às árias para vozes solistas, acompanhadas pela secção de arcos da orquestra, pontuadas por discretas intervenções do coro, são das mais expressivas do reportório sacro. 

O grande fresco final do «Gloria Patri» é um outro grande monumento de contraponto «fugato», com um brilhantismo inultrapassável.

Vivaldi, no mesmo período - princípios do século XVIII - também compôs «Dixit Dominus» dos quais sobreviveram dois. Parece-me muito interessante confrontar o tratamento que estes dois mestres, Haendel e Vivaldi, lhe deram. Cada um soube imprimir o seu cunho pessoal, mas em plena conformidade com o espírito do texto.

A ideia de que J. S. Bach seria o «mestre do contraponto e da fuga», enquanto Haendel seria antes o «autor de peças para solistas e para a ópera», fica completamente posta de rastos, aqui. 
Basta ouvir com atenção as grandes obras vocais de Bach e de Haendel, para se reconhecer que ambos dominavam todas as técnicas de composição e  as utilizavam como mestres.

A repetição (como extra) da ária «De Torrente» para solistas, coro e orquestra, foi muito bem escolhida por Elliot Gardiner, outro mestre do barroco, como gosto de chamá-lo: ele eleva a interpretação desta e de muitas outras peças a cumes inexcedíveis. 



terça-feira, 17 de outubro de 2017

HAENDEL - ária da ópera Ariodante

«Scherza, infida in grembo al drudo»
(Ariodante)- Handel
Rolando Villazón com Paul Mac Creesh e Gabrieli Players - 2008




Uma das mais belas árias do barroco, aqui interpretada magistralmente.
No espectáculo total da ópera desse tempo, não apenas deviam revelar-se os talentos dos cantores, como também devia ser ocasião dos compositores traduzirem em música toda a gama das paixões humanas.
Haendel, como ninguém, conseguiu transpor para música os sentimentos complexos de ciúme e dum amor ainda vibrante, que experimenta o protagonista desta ópera Ariodante.
Outras árias das suas óperas e oratórias possuem intensidade dramática e beleza semelhantes a esta peça.
Como genial pintor de sons, em dois traços ele consegue traduzir o indizível. Com alguns sons apenas, magistralmente colocados sobre palavras, acompanhados do discreto fundo sonoro da orquestra, consegue este prodígio.
O mais estranho é que, segundo várias biografias, Haendel não foi homem de grandes paixões: soube porém exprimir na música os mais arrebatados estados de alma.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

[NO PAÍS DOS SONHOS] VARIAÇÕES GOLDBERG


                              



Dentro de duas horas vão soar as matinas, mas estou ainda acordado. 

- Será que a minha filha conseguiu chegar a São Petersburgo? Porque é que as comunicações são tão demoradas? Não estamos no século XVIII, o chamado «Século das Luzes»? 

- Ainda continuo a pensar no que vou fazer com o despacho do barão de Z, o meu «ouvido especial» junto da corte de Berlim. O relato da conversa entre o barão de Z e o conde de L, poderá ser da mais alta importância para os interesses de sua Alteza a Czarina de todas as Rússias, mas tenho de encontrar maneira de confirmar os dados por outros meios, sem o que apenas entra na categoria de boatos.

- Aquele médico que me trouxe as medicações para a gota tinha uma conversa bem amável; também é apreciador de boa música, entusiasmado com o novo estilo, cultivado por Carl Philip Emmanuel, filho do velho Bach, que obteve o cargo de Kappelmeister na corte de sua Majestade Frederico da Prússia. Não é pequeno feito, obter tal nomeação, pois o rei-músico tem um nível de exigência quase tão grande com seus músicos, quanto com seus oficiais do exército!

- Neste continente as guerras sucedem-se após pequenos intervalos de paz, negociados penosamente pelas chancelarias das potências. Mas o nosso trabalho de diplomatas é logo desfeito pela ambição de monarcas e pelas intrigas de corte. Já estou velho e cansado de tantos anos a servir sua Alteza a Czarina, neste papel sem qualquer esperança de que os homens ganhem juízo.

Agora, o dia já está a clarear e ouve-se o chilrear das aves matinais. Vou traçando a custo estas palavras; estou quase a adormecer. Só me vem o sono pela ação conjunta de substâncias soporíferas e da música... 
Vou pedir ao rapaz, que está executando a minha peça preferida, uma composição do velho mestre de Eisenach, para se retirar para os seus aposentos.  


(A história extraordinária desta ária com variações pode ser ouvida aqui,  em francês antecedendo uma bela interpretação de Pierre Hantai)



quarta-feira, 27 de setembro de 2017

LA STRAVAGANZA DE VIVALDI


Em momentos de júbilo, de angústia, de fastio, de concentração... oiço Vivaldi.
Espero que gostem desta coletânea «La Stravanganza», os 12 concertos para violino e orquestra de arcos. 
Vivaldi faz respirar - como se tivesse vida - a melodia do violino solista e extrai o máximo efeito possível da orquestra.

Estes concertos para violino (e outras coletâneas) foram realmente célebres no seu tempo, a julgar pelas variadas cópias e pelas transcrições para cravo solo.


terça-feira, 27 de junho de 2017

MÚSICA JOYA - CONCERTO PARA ÓRGÃO, J. S. BACH



Uma alegria, exuberante de vida, este concerto para órgão, baseado num concerto para violino e cordas pelo seu ilustre aluno Johann Ernst, Duque de Saxe-Weimar
Aqui, interpretado por Simon Preston aos órgãos da Catedral de Luebeck, a melhor versão que consegui captar no youtube.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CANTATA DO CAFÉ - J.S.BACH

                             
Este divertimento põe em cena o pai e a filha: 
- Aquele está desesperado pela filha não lhe obedecer e ela visivelmente só se interessa por beber café! 
- A filha canta as delícias do café: Sabe melhor do que «mil beijos», diz ela!
...
                                                                 

                                

"Coffee Cantata" BWV 211 - Ei! wie schmeckt der Coffee süße 

Solista: Sumi Jo 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

DIXIT DOMINUS (RV 594) DE VIVALDI



Vivaldi foi e é um grande músico injustiçado. 
A sua fama, junto do grande público, resume-se apenas às «Quatro Estações» que, de tanto interpretadas e gravadas, perderam todo o impacto no auditor; um efeito de saturação. 
Pelo contrário, a sua música sacra, assim como um grande número de árias de ópera, são de uma beleza inultrapassável mas, lamentavelmente, até há poucos anos, raramente ouvidas em concertos ou gravadas em disco*

O «Dixit Dominus» é um salmo tradicionalmente usado no ofício de Vésperas, mas também na cerimónia de ordenação de um sacerdote (tu es sacerdos in aeternum secundum ordinem Melchisedech**), na Igreja Católica

Esta versão, com a sua longa introdução «Cantat in Prato» é muito bela. Tem a pompa toda associada ao rito católico. 

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* Esta gravação, dirigida por Angelo Ephrikian, é estreia mundial, datada de 1967.

** Thou art a priest for ever after the order of Melchizedek


sexta-feira, 28 de abril de 2017

O BARROCO SUBLIME -



                                                    Nicola Antonio Porpora (1686-1768)
                                                    Alto Giove, from the Opera "Polifemo"
                                                    do album de Jaroussky: "Farinelli, Porpora Arias"



O sublime da ária barroca é que não se consegue definir aquilo que nos atrai. Se isolarmos um elemento, ele parece-nos pouco significativo, por si próprio. O vocal e o instrumental, o desenho melódico, a atmosfera de encanto, o equilíbrio entre a expressão poética do texto e a sua tradução musical, tudo isso parece formar um conjunto indissociável, uma combinação única e efémera, mas por isso tanto mais pungente.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Lamento d'Arianna - MONTEVERDI



                                     
                                           

Consta que esta ária foi composta sob o efeito do profundo desespero de Monteverdi pela morte da sua esposa. 
Quer isso seja verdade ou lenda, esta melodia impressionou até às lágrimas os que ouviram o «Lamento de Arianna», da ópera Orfeo, em Mântua, quando esta foi criada, em 1608. 

O estilo consistindo em traduzir os movimentos da alma pelo recitativo expressivo, o mais próximo da fala humana, recebeu o título de «stilo nuovo» (final do séc. XVI- início do séc. XVII). É uma característica distintiva do barroco nascente. É também particularmente adequado à Ópera, o novo género musical e teatral que, a partir dessa época, passou a ter a relevância que se sabe. 

terça-feira, 28 de março de 2017

ALBINONI - CONCERTO Nº2 PARA OBOÉ, OP. 9


                                       

Solista Han de Vries
 Orquestra: «Alma Musica Amsterdam»


É uma enorme injustiça, que o nome de Albinoni esteja exclusivamente associado ao famoso (mas apócrifo) «Adagio». Para estimular o conhecimento sobre este excelente músico do barroco da Veneza no incío do séc. XVIII, eis aqui o concerto para oboé e cordas em Ré menor, digno de maior celebridade. 
Tal como Alessandro Marcello, Albinoni foi dos primeiros compositores a escrever e editar em vida concertos tendo o oboé como instrumento solista. 
Foi um caso bastante ímpar, o deste músico, criativo, prolixo, mas que nunca procurou obter um posto numa capela principesca ou da Igreja. Tinha meios para se manter independente e optou por compor música sem recurso a patronos.

segunda-feira, 20 de março de 2017

GAVOTTE E VARIAÇÕES DE RAMEAU

             

Aviso: este vídeo não deverá ser ouvido por pessoas apressadas, mas antes por aquelas que se deixam penetrar pela música de Rameau, fruindo cada nota, cada silêncio, como a essência da volúpia. 

Que importa que o compositor tenha escrito isto há mais de 250 anos!? Importa-me que a Natacha Kudritskaya restitua o esplendor e a subtileza desta sequência de variações para usufruto das gerações presentes. O rigoroso fraseado ao piano, na peça composta originalmente para cravo, não desfigura a estética barroca, mas torna as suas belezas mais sensíveis ao ouvido contemporâneo . 

segunda-feira, 13 de março de 2017

NO PAÍS DOS SONHOS. Lamento de Dido (H. Purcell)


Vogava num universo enfumado, onde se evaporavam os rostos dos companheiros da véspera, como se os fantasmas se confundissem com os vivos, dando a estes uma consistência fantasmagórica, enquanto aqueles se faziam passar por viventes.
Em cima de uma mesa comprida, apenas iluminada por um candelabro, jazia um corpo. Estava ainda revestido da aparência do que fora, uma jovem e alegre criatura. 
No escuro, ouviam-se murmúrios de preces, entrecortados de suspiros e silêncios. 
Lá fora, o sol de Junho resplandecia e as aves cantavam, em contraste insólito com a cena de desolação que se apresentava no interior.
O espectáculo deste palácio do renascimento parecia-me real. 
Sentia-me oprimido e só desejava sair, mas não sabia como. Foi um pequeno pagem que me indicou, com um gesto tímido, um cortinado, recobrindo uma porta. Avancei para lá, levantei o cortinado e abri a porta. 
Foi então que abri os olhos, vendo a realidade do meu quarto, banhado em luz natural. 
Suspirei e fiquei deitado, a tentar relembrar-me dos pormenores do que acabara de sonhar.