quinta-feira, 20 de junho de 2019

DESFAVORÁVEL PARA A ECONOMIA / FAVORÁVEL PARA O OURO

                              


Numa situação política e estratégica internacional de grande tensão, com os preços do petróleo a dispararem, com a  guerra comercial aberta dos EUA com a China a atingir o comércio internacional e não apenas as trocas bilaterais, com a aposta cada vez mais clara dos bancos centrais em comprar ouro e despejar o dólar o mais depressa possível, e com a Reserva Federal (Banco Central dos EUA) a dar sinais claros de inversão para breve da sua política de subida das taxas de juro... todos estes  factores fazem com que a subida do ouro seja muito acelerada e esteja a atingir um novo máximo.
A noção clara de que a situação da dívida, mesmo nos países afluentes, está num ponto crítico e de que - a todo o momento - se pode desencadear um «crack» nas acções e nas obrigações, sem outro possível refúgio senão os metais preciosos, é agora lugar comum nos meios financeiros. 
A crise económica continuou pós 2008, até hoje, apenas disfarçada por medidas cosméticas, mas estas estão a desfazer-se claramente. 
Porém, as pessoas comuns são mantidas no escuro por uma média vendida aos poderes, pois só assim é que conseguem evitar, por enquanto, corridas aos bancos para levantamento dos depósitos. A confiança do público é mantida através da ilusão sobre o estado verdadeiro da economia.
Os poderes - estatais e outros - estão a jogar na ilusão de que possuem o controlo da situação, quando a verdade é que ninguém a pode controlar. 
O melhor que se pode fazer, ao nível individual, é seguir a estratégia dos bancos centrais; estes compram ouro em quantidades significativas. São toneladas de ouro que são adicionadas mensalmente aos cofres de bancos centrais, em quase todo o mundo. Este sector do mercado é responsável pela subida espectacular: em Setembro de 2018 o ouro estava a cerca de 33 euros/grama. Agora (Junho de 2019), está praticamente a 40, em dez meses subiu 21%.

Quando as coisas na economia real vão mal, o ouro e os outros metais preciosos sobem espectacularmente: é sinal de que os investidores (sobretudo, os grandes) estão descrentes da economia real e se refugiam nos metais preciosos, como salvaguarda num contexto de crise. 
Muitas pessoas comuns são apanhadas de surpresa e ficam arruinadas: muitas, estão a comprar casa, ou outros bens, a crédito. Ficam com uma sobrecarga de dívida no pior momento, no pressuposto - errado - de que tudo irá correr normalmente.

Vejam no link seguinte:

quarta-feira, 19 de junho de 2019

TRABALHOS DOS NEANDERTAIS NA GRUTA DE BRUNIQUEL


O estado a ciência permite descobrir quando as estalagmites foram retiradas e dispostas pelos Homens de Neandertal. Não existem vestígios orgânicos, à parte de um fragmento de osso de urso das cavernas, calcinado, que deu a datação carbono de cerca de 47 mil anos. Mas, os resultados das datações de estalagmites deram o resultado de 175 mil anos! É sensacional e muda completamente a perspectiva sobre o paleolítico e o Homem de Neandertal mais antigo.

Um templo, com vários centros de fogueiras, que se podem reconstituir, mostram que estes homens tinham grande controlo do fogo, nesta época de glaciação.

João Zilhão - que intervém no documentário - mostrou que existem provas de capacidade simbólica no Homem de Neandertal a partir de conchas perfuradas e com pigmentos de ocre.

Não se vai construir uma estrutura que implica a remoção de 2,3 toneladas de estalagmites a 300 metros de profundidade, senão com objectivos rituais. Portanto, estamos perante uma prova  evidente de espiritualidade no Homem de Neandertal de há 180 mil anos.
Estamos bem longe da imagem estereotipada de uma espécie (Homo neanderthalensis) «inferior» à dos homens anatomicamente modernos (o Homo sapiens).

terça-feira, 18 de junho de 2019

SANÇÕES DOS EUA: SABOTAGEM ECONÓMICA MORTÍFERA, ILEGAL E INEFICAZ


Enquanto o mistério de quem é responsável pela sabotagem dos dois petroleiros no golfo de Omã permanece por resolver, tem sido bem claro que a administração Trump levou a cabo a sabotagem das encomendas de petróleo iranianas desde 2 de Maio, quando anunciou a sua intenção de causar uma redução das exportações de petróleo do Irão até zero, negando ao regime a sua principal fonte de rendimento.” A medida estava destinada à China, Índia, Japão, Coreia do Sul e Turquia, países que compram petróleo iraniano e agora têm de enfrentar ameaças dos EUA se continuarem a fazê-lo. Pode não ter sido uma força militar dos EUA a danificar os navios transportando petróleo iraniano, mas as suas acções têm o mesmo efeito e deveriam ser consideradas acções de terrorismo económico. A administração Trump também está a realizar um roubo massivo ao apoderar-se de 7 biliões de dólares da venda de petróleo da Venezuela impedindo o governo Maduro de acesso ao seu próprio dinheiro. De acordo com John Bolton, as sanções sobre a Venezuela têm efeito sobre um valor de 11 biliões de dólares de exportações de petróleo em 2019. A administração Trump também ameaça as companhias de navegação que transportam o petróleo venezuelano. Duas companhias, uma baseada na Libéria e outra na Grécia, foram já atingidas com multas por transportar petróleo venezuelano para Cuba. Não abriu buracos nos navios mas trata-se igualmente de sabotagem. Quer no Irão, Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte ou ainda numa das 20 nações debaixo das sanções dos EUA, a administração Trump tem usado o seu peso económico para tentar impor mudança de regime ou mudanças importantes de políticas, em todo o globo.




Mortíferas

As sanções dos EUA contra o Irão são particularmente brutais. Embora tenham falhado totalmente obter as mudanças de regime desejadas pelos EUA, têm causado tensões crescentes com parceiros comerciais dos EUA pelo mundo fora e têm causado um sofrimento terrível ao povo comum no Irão. Embora os alimentos e os medicamentos estejam tecnicamente isentos das sanções, as sanções dos EUA contra os bancos iranianos  como o Parsian Bank, o maior banco não estatal do Irão, tornam quase impossível processar pagamentos para bens importados e isso inclui alimentos e medicamentos. A escassez resultante em medicamentos é responsável por ter causado milhares de mortes no Irão e as vítimas são normalmente pessoas comuns, não os Aiatolas nem os ministros do governo. A media corporativa nos EUA tem sido cúmplice com a pretensão de que as sanções dos EUA são um meio não violento para criar pressão sobre os governos visados com vista a forçá-los a uma determinada mudança de regime democrática. As notícias dos EUA raramente mencionam o seu impacto mortífero sobre as pessoas comuns, antes culpando as crises económicas resultantes apenas nos governos que estão sendo sancionados. O impacto mortífero das sanções é evidente na Venezuela, em que as sanções económicas severas atingiram a economia que já se ressentia da baixa dos preços do petróleo, da sabotagem pela oposição, pela corrupção e pelas más políticas governamentais. Um relatório conjunto anual por três universidades venezuelanas em 2018 mostrou que as sanções dos EUA eram em grande parte responsáveis por pelo menos umas 40 mil mortes adicionais nesse ano. A Associação Venezuelana Farmacêutica noticiou que havia uma carência de 85% dos medicamentos essenciais em 2018. Na ausência de sanções dos EUA, a retoma do nível global dos preços do petróleo em 2018 teria trazido pelo menos uma ligeira subida a economia na Venezuela e mais adequadas importações de comida e de medicamentos. Em vez disso, as sanções financeiras dos EUA impediram a Venezuela de rolar as suas dívidas e privaram a indústria petrolífera de dinheiro fresco para compra de peças, para reparações e para novos investimentos, causando ainda mais dramática quebra na produção de petróleo, relativamente a outros anos em que havia baixos preços de petróleo e depressão económica. A indústria petrolífera fornece 95% das receitas externas da Venezuela, portanto, ao se estrangular a sua indústria de petróleo e cortando a Venezuela do crédito internacional, as sanções previsível e intencionalmente capturaram a população venezuelana numa espiral descendente mortal. Um estudo por Jeffrey Sachs e Mark Weisbrot para o Centro de Investigação de Economia e Política intitulado “Sanctions as Collective Punishment: the Case of Venezuela,” [Sanções como Punição Colectiva; o Caso da Venezuela] relataram que o efeito combinado das sanções de 2017 e de 2019, têm a consequência de um impressionante declínio de 37,4% no PIB real da Venezuela em 2019, no seguimento de um declínio de 16,7% em 2018 e somando-se a uma quebra para lá de 60% nos preços do petróleo em 2012 e em 2016.
Na Coreia do Norte, muitas décadas de sanções, junto com extensos períodos de secas, deixaram milhões desta nação com 25 milhões de habitantes sofrendo de malnutrição e empobrecidos. As zonas rurais em particular, carecem de medicamentos e de água potável. As sanções ainda mais severas impostas em 2018 impediram a maior parte das exportações do país, diminuindo a capacidade do governo conseguir pagar as importações de comida para aliviar a escassez.



Ilegal 

Uma das características mais destacadas das sanções dos EUA é seu alcance extraterritorial Os EUA castiga os negócios de terceiras partes com penalidades por «violar» as sanções americanas. Quando os EUA abandonaram unilateralmente o acordo nuclear e impuseram sanções, o Departamento do Tesouro vangloriou-se de que, apenas num dia, a 5 de Novembro de 2018 sancionou mais de 700 indivíduos, entidades, companhias aéreas e marítimas fazendo negócios com o Irão. No que respeita à Venezuela  foi noticiado pela Reuters que, em Março de 2019 o Departamento de Estado deu “instruções a empresas e refinarias ao nível mundial para cortar os fornecimentos de petróleo venezuelano ou serem elas próprias a sofrer sanções, mesmo no caso das compras efectuadas não serem proibidas pela lista publicada de sanções dos EUA.” Uma empresa de petróleo queixou-se à Reuters, “Este é o modo de operar dos EUA nos dias de hoje e depois telefonam-nos para dizer que também existem regras que eles também querem que nós observemos.” Os membros do governo dos EUA dizem que as sanções irão ser benéficas para os povos da Venezuela e do Irão, ao empurrá-los a insurgirem-se e a derrubar os seus governos. Visto que o recurso à força militar, os golpes e operações encobertas para derrubar governos estrangeiros têm sido comprovadamente  catastróficas no Afeganistão, no Iraque, no Haiti, na Somália, nas Honduras, na Líbia, na Síria, na Ucrânia e no Iémene, a ideia de usar a posição dominante dos EUA e o dólar nos mercados financeiros internacionais como forma de «soft power» e assim conseguir mudanças de regimes, pode ser uma tentação de políticos dos EUA como forma mais fácil de coerção e mais fácil de convencer um público doméstico cansado de guerras e aliados hesitantes. Mas mudar do «choque e medo» do bombardeio aéreo e da ocupação militar para os silenciosos meios causadores de mortes por doenças curáveis, por desnutrição e por pobreza extrema está longe de ser uma opção humanitária e não é mais legítima do que o uso da força militar à luz do direito internacional. Denis Halliday era um auxiliar do Secretário Geral da ONU, que serviu como coordenador humanitário no Iraque e demitiu-se da ONU, em protesto pelas sanções brutais contra o Iraque em 1998. “Sanções pontuais, quando impostas pelo Conselho de Segurança, ou por um Estado, sobre um país soberano são uma forma de guerra, um instrumento grosseiro que inevitavelmente pune cidadãos inocentes” segundo Denis Halliday. “Mas, se estas são deliberadamente alargadas, sendo o seu resultado mortífero conhecido, neste caso as sanções podem ser consideradas genocídio." Quando a embaixadora dos EUA Madeleine Albright disse, no programa da CBS ‘Sixty Minutes’ em 1996, que a morte de 500.000 crianças iraquianas para tentar derrubar Saddam Hussein «se justificava» a continuação das sanções da ONU, contra o Iraque, estas estavam de acordo com a definição de genocídio. 
Nos dias de hoje, dois Relatores Especiais da ONU, nomeados pelo Conselho da ONU dos Direitos Humanos, entidades sérias e independentes, avaliam o impacto das sanções dos EUA sobre a Venezuela e as suas conclusões gerais aplicam-se igualmente ao caso do Irão. Alfred De Zayas visitou a Venezuela pouco depois dos EUA terem imposto sanções financeiras em 2017 e redigiu um relatório extenso sobre o que viu aí. Detectou impactos significativos devido à dependência de longo prazo da Venezuela em relação às exportações de petróleo, à fraca eficácia governativa e à corrupção, mas também condenou fortemente os EUA pelas suas sanções e «guerra económica». «As sanções económicas e os bloqueios, nos dias de hoje, são comparáveis com os cercos de cidades na idade-média» escreveu De Zayas «As sanções do século vinte e um, tentam por de joelhos não apenas uma cidade, mas países inteiros» O relatório de De Zayas recomendava que o Tribunal Penal Internacional deveria investigar as sanções dos EUA contra a Venezuela, como um crime contra a humanidade. 
Um segundo Relator Especial da ONU, Idriss Jazairy, produziu uma declaração vinculativa em resposta ao golpe falhado de Janeiro, apoiado pelos EUA, na Venezuela. Condenou a «coerção» por poderes externos como uma «violação das normas do direito internacional». «Sanções que podem levar à fome em massa e a carências de meios médicos não são a resposta à crise na Venezuela,” disse Jazairy, “…provocar uma crise económica e humanitária … não é um ponto de partida para solução pacífica de disputas.” As sanções também violam o Artigo 19 da Carta dos Estados Americanos, a qual é explícita na proibição de intervenções “seja por que motivo for, nos assuntos internos ou externos de qualquer outro Estado.”  Acrescenta que “proíbe não só a intervenção armada mas também qualquer outra forma de interferência ou ameaça tentada contra o Estado ou contra os seus elementos políticos, económicos e culturais.” O Artigo 20 da Carta da OEA é igualmente pertinente: “Nenhum Estado pode usar ou encorajar o uso de medidas coercivas de carácter económico ou político em ordem a forçar a vontade soberana de outro Estado e obter assim quaisquer tipo de vantagens” Nos termos da lei dos EUA, tanto as sanções de 2017 como 2019 contra a Venezuela são baseados em declarações presidenciais não substanciadas de que a situação na Venezuela criou uma «emergência nacional» nos Estados Unidos. Se os tribunais federais dos EUA não tivessem tanto medo de chamar à responsabilidade o ramo executivo em matérias de política externa, tal poderia ser desafiado e posto em causa, muito provavelmente, com ainda mais rapidez do que caso semelhante, o caso da «emergência nacional» na fronteira do México, pelo menos neste caso, estava geograficamente conectado ao território dos EUA.



Ineficaz

Existe ainda mais uma razão importante para poupar as pessoas do Irão, Venezuela e outros países seleccionados a este impacto mortífero e ilegal das sanções económicas dos EUA: não funcionam.
Há vinte anos, enquanto as sanções económicas retiravam 48% do PIB do Iraque durante 5 anos e os estudos sérios documentavam o seu efeito genocida, tais sanções não removeram Saddam Hussein do poder. Dois Assistentes dos Secretário Geral da ONU, Denis Halliday e Hans Von Sponeck, demitiram-se em protesto, das suas posições altamente colocadas na ONU, para não terem de por em prática estas sanções mortíferas. Em 1997, Robert Pape, então professor no Colégio de Dartmouth, tentou resolver as questões mais básicas no que respeita ao uso de sanções económicas para conseguir mudanças políticas noutros países, tendo para tal coligido e analisado dados históricos de 115 casos em que tal fora tentado, entre 1914 e 1990. O seu estudo intitulado “Why Economic Sanctions Do Not Work,”[Porque é que as Sanções Económicas Não Funcionam] concluiu que as sanções só tinham sido bem sucedidas em 5 de 115 casos. Pape colocou também uma questão importante e desafiadora: “Se as sanções económicas são raramente eficazes, porque é que os Estados continuam a usá-las?” Ele sugeriu três possíveis respostas: “Os responsáveis políticos que impõem as sanções sobrestimam sistematicamente a sua eficácia como meio coercivo.” “Os líderes que estão inclinados, em último recurso, a usar a força armada esperam que as sanções prévias tenham o efeito de aumentar a credibilidade das ameaças militares subsequentes.” “A imposição de sanções confere aos líderes vantagens domésticas maiores quer do que negar os apelos a sanções, quer do que o recurso à força.” Pensamos que a resposta possa ser uma combinação de todas as opções anteriores. Mas estamos convictos firmemente que nenhuma combinação das razões acima ou outro raciocínio possam jamais justificar o custo humano genocida das sanções económicas no Iraque, na Coreia do Norte, no Irão, na Venezuela ou em qualquer outro lugar. 
Enquanto o mundo condena os recentes ataques contra os petroleiros e tenta identificar os responsáveis, as condenações globais deveriam também incidir sobre a nação responsável pela guerra económica mortífera, ilegal e ineficaz, que está no cerne desta crise: Os Estados Unidos da América.

Medea Benjamin é uma activista política dos EUA, co-fundadora do Code Pink https://www.codepink.org

segunda-feira, 17 de junho de 2019

A INDIFERENÇA COMO ARMA


Num mundo zombificado pelas maquinetas electrónicas, os poderes podem manipular à vontade os desejos, as aspirações, e mesmo os sonhos, de um bilião de utilizadores. 
O tempo tornou-se a matéria-prima principal para fazer dinheiro. Se algo tem capacidade para reter, nem que seja por um segundo, o tempo do consumidor médio, então essa 'coisa' (seja visual, seja sonora, seja conceptual...) tem potencial para interessar os novos capitalistas, os quais constroem o seu poder e património sobre o capital-tempo
Assim, o mundo mais tradicional do poder, encarnado nos governos e nas máquinas dos Estados, incluindo, não esqueçamos, os exércitos, armadas e forças aéreas,  pode dispor de um conhecimento praticamente infinito sobre os seus súbditos (cidadãos, pressuporia vontade em participar activamente na coisa pública). Para que lhes serve esse conhecimento? 
- Como matéria-prima para suas «psi-ops» ou seja, operações psicológicas. Note-se que, hoje em dia, tudo é psi-op, mesmo aquilo que à partida não parece ser. 
A manipulação das mentes pode implicar a saturação com coisas triviais, a satisfação dos desejos hedónicos, a adição compulsiva a comunicar com a sua rede de amigos e conhecidos, a manipulação do medo e da angústia (que é um medo indefinido, não objectivável) e de muitas outras formas mais subtis ou mais grosseiras. 
Com efeito, a propaganda, rebaptizada de «fake news» e cuja utilização massiva se verifica sobretudo na informação «mainstream», é apenas um mecanismo entre outros, aliás a sua eficácia depende exclusivamente do prévio abaixamento das defesas dos seus alvos (nós), através das diversas técnicas de manipulação. 
Os cientistas do cérebro, da psicologia, da sociologia, estão fornecendo - muitas vezes sem o saberem - elementos preciosos para que outros, menos «puros», se esmerem em refinar as técnicas de condicionamento psicológico e de controlo das massas.  
Não existe nenhuma grande potência mundial que esteja fora deste jogo, de capturar não apenas a atenção, mas mesmo a vontade do seu público e, se possível, de neutralizar as mensagens dos seus inimigos internos e externos. 
É risível ver-se a oligarquia dos regimes ocidentais gritar indignada com as violações dos direitos humanos que ocorrem na China e noutros países de que eles não gostam. Risível, não por essas violações não existirem, elas existem de facto. Mas, porque eles estão a denunciar aquilo que eles próprios fazem «em casa», com os seus aparelhos de vigilância em massa. 
Aliás, porque pensam que estão eles tão assanhados contra Julian Assange? Seria bastante incoerente que fosse pelas razões que eles invocam; mas, pelo contrário, a sua raiva e ódio são devidas ao facto de Wikileaks ter demonstrado - a todo o mundo - o cinismo e crueldade do poder, o que ele temia ver revelado, porque isso o desautoriza e desmascara todos os seus discursos de «direitos humanos».
Existe uma resistência a todo esse desenrolar de estratégias de controle do comportamento? - Sim, existe, como no romance «1984» de Orwell também existia.  Mas essa resistência é desproporcionada ao poderio dos Estados e suas armas tecnológicas sofisticadas. 
A única hipótese de algo se transformar em proveito dos cidadãos e em desfavor dos que controlam as alavancas dos Estados, seria os próprios zombificados se sentirem demasiado cansados de serem manipulados, de seus instintos serem usados... em suma, uma revolta geral dos escravos. Não acredito que essa revolta ocorra enquanto forem dadas as doses diárias de «soma» (ver romance da Aldous Huxley, «O Melhor dos Mundos»).  Algo terá de correr terrivelmente mal, rupturas no aparelho da ilusão perfeita, no suporte básico da vida, a um ponto tal que a fabricação de uma realidade ilusória deixe de ser possível... 
Isso é verificável hoje em dia, na região de Chernobyl e na região de Fokushima: uma natureza que se reconstitui parcialmente, mas onde a ingestão de alimento contamina os animais, impossibilitando uma vida humana «normal» por muitos séculos, nos solos e aquíferos contaminados pela radioactividade. Os habitantes dessas zonas sabem; mas a sua experiência traumática não é passada, antes ocultada, aos restantes cidadãos... 
A ignorância da monstruosa corrida aos armamentos, que está agora ocorrendo é em parte devida ao efeito de ocultação dos media, mas isto não explica tudo.  A psicologia social explica como é que as pessoas se colocam numa postura de «denegação»: 
- Elas sentem medo, mas julgam que suas tentativas de evitar esses perigos são inúteis; então, no seu «Eu profundo» ocorre uma transformação, que consiste em «anular» todos os sinais de perigo que vêm de tal fonte. Concentrando-se nas suas tarefas, na sua gestão do dia-a-dia, elas pensam que poderão evitar o sofrimento ou que, pelo menos, não irão acrescentar sofrimento inútil no presente, aos sofrimentos que irão ter num futuro indefinido...
A fabricação da indiferença e não somente do consentimento (Chomsky) é que é o grande instrumento de subjugação da elite plutocrática sobre a massa amorfa. Se tal não fosse assim, mesmo com uma superioridade de material técnico (incluindo o armamento...) não seria possível tão poucos controlarem tantos. 

A raiz do totalitarismo reside nisso, como analisou Hannah Arendt em relação aos fenómenos da sua época, que foram a ascensão dos totalitarismos, soviético e nazi... 

sábado, 15 de junho de 2019

ENTREVISTA A MICHEL CHOSSUDOVSKY: «Sem desinformação, a NATO desmoronar-se-ia»


Michel Chossudovsky fala sobre as conclusões do colóquio internacional na ocasião do aniversário da NATO, salientando como a opinião publica ignora a natureza desta aliança fictícia, os seus verdadeiros objectivos, o seu funcionamento e os seus crimes.

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Da esquerda para a direita: General Fabio Mini, intérprete, Michel Chossudovsky (de pé), Vladimir Kozyn, intérprete, Giulietto Chiesa, Manlio Dinucci (de pé).
Q:Qual foi o resultado da Conferência de Florença?
Michel Chossudovsky : Foi um acontecimento de máximo sucesso, com a participação de oradores qualificados dos Estados Unidos, Europa e Rússia. Foi apresentada a história da NATO. Os crimes contra a Humanidade foram identificados e cuidadosamente documentados. No final da Conferência, a foi apresentada a “Declaração de Florença” para sair do sistema de guerra.
Q : Na sua introdução, afirmou que a Aliança Atlântica não é uma aliança…
Michel Chossudovsky : Pelo contrário, sob o disfarce de uma aliança militar multinacional, o Pentágono domina o mecanismo da tomada de decisões da NATO. Os EUA controlam as estruturas de comando da NATO, que estão incorporadas nas dos EUA. O Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR) é sempre um general americano, nomeado por Washington. O Secretário Geral, actualmente, Jens Stoltenberg, é essencialmente um burocrata encarregado das relações públicas. Não tem nenhum papel decisivo.
Q : Outro tema salientado por si é o das bases militares dos EUA, em Itália e em outros países europeus, mesmo no Leste, apesar do Pacto de Varsóvia ter deixado de existir desde 1991 e apesar da promessa feita a Gorbachov de que não haveria expansão para Leste. Para que é que elas servem?
Michel Chossudovsky : O objectivo tácito da NATO - um tema relevante no nosso debate em Florença - foi instalar, sob uma designação diferente, uma “ocupação militar” de facto, na Europa Ocidental. Os Estados Unidos não só continuam a “ocupar” os antigos “países do Eixo” da Segunda Guerra Mundial (Itália, Alemanha), mas usaram o emblema da NATO para instalar bases militares dos EUA em toda a Europa Ocidental e, posteriormente, na Europa Oriental, no prosseguimento da Guerra Fria e nos Balcãs, na continuação da guerra da NATO contra a Jugoslávia (Sérvia e Montenegro).
Q : O que mudou sobre um possível uso de armas nucleares?
Michel Chossudovsky : Logo após a Guerra Fria, foi formulada uma nova doutrina nuclear, focada no uso preventivo de armas nucleares, isto é 'first strike’ (primeiro ataque) nuclear como meio de autodefesa. No âmbito das intervenções USA/NATO, apresentadas como acções de manutenção da paz, foi criada uma nova geração de armas nucleares de “baixa potência” e “mais utilizáveis”, descritas como “inofensivas para os civis”. Os políticos americanos consideram-na “bombas para a pacificação”. Os acordos da Guerra Fria, que estabeleciam algumas salvaguardas, foram cancelados. O conceito de “Destruição Mútua Assegurada”, relativo ao uso de armas nucleares, foi substituído pela doutrina da guerra nuclear preventiva.
Q : A NATO estava “obsoleta” na primeira metade da presidência de Trump, mas agora é reactivada pela Casa Branca. Qual é a relação entre a corrida armamentista e a crise económica?
Michel Chossudovsky : A guerra e globalização andam de mãos dadas. A militarização apoia a imposição da reestruturação macroeconómica nos países-alvo. Impõe a despesa militares para apoiar a economia de guerra em detrimento da economia civil. Leva à desestabilização económica e à perda de poder das instituições nacionais. Um exemplo: recentemente, o Presidente Trump propôs grandes cortes na saúde, na educação e na infraestrutura social, enquanto exigiu um grande aumento no orçamento do Pentágono. No início da sua administração, o Presidente Trump confirmou o aumento da despesa para o programa nuclear militar, lançado por Obama, de 1.000 a 1.200 biliões de dólares, alegando que isso serve para manter o mundo mais seguro. Em toda a União Europeia, o aumento da despesa militar, juntamente com medidas de austeridade, está a levar ao fim o que foi designado como “Welfare State” = “Estado Providência ou de bem-estar social”. Agora, a NATO está sob pressão dos EUA para aumentar as despesas militares e o Secretário Geral, Jens Stoltenberg, declara que essa é a coisa certa a fazer para “manter a segurança da nossa população”. As intervenções militares são combinadas com actos simultâneos de sabotagem económica e manipulação financeira. O objectivo final é a conquista dos recursos humanos e materiais e das instituições políticas. Os actos de guerra sustentam um processo de conquista económica completa. O projecto hegemónico dos Estados Unidos é transformar os países soberanos e as instituições internacionais em territórios abertos à sua penetração. Um dos instrumentos é a imposição de fortes restrições aos países endividados. Para empobrecer vastos sectores da população mundial contribui a imposição de reformas macroeconómicas prejudiciais.
Q : Qual é e qual deveria ser o papel da comunicação mediática?
Michel Chossudovsky : Sem a desinformação distribuída, na generalidade, por quase toda a comunicação mediática, a agenda militar dos USA/NATO desabava como um castelo de cartas. Os perigos iminentes de uma nova guerra com as armas mais modernas e com o perigo atómico não são notícia de primeira página. A guerra é representada como uma acção de pacificação. Os criminosos de guerra são descritos como pacificadores. A guerra torna-se paz. A realidade está deturpada. Quando a mentira se torna verdade, não se pode voltar atrás.
Tradução 
Fonte 

DYLAN 1975 : SIMPLE TWIST OF FATE / LOVE MINUS ZERO


Simple Twist of Fate (Live at Harvard Square Theatre, Cambridge, MA - November 1975)



They sat together in the park
As the evening sky grew dark
She looked at him and he felt a spark
Tingle to his bones
'Twas then he felt alone
And wished that he'd gone straight
And watched out for a simple twist of fate
They walked along by the old canal
A little confused, I remember well
And stopped into a strange hotel
With a neon burnin' bright
He felt the heat of the night
Hit him like a freight train
Moving with a simple twist of fate
A saxophone someplace far-off played
As she was walkin' on by the arcade
As the light bust through a beat-up shade
Where he was waking up
She dropped a coin into the cup
Of a blind man at the gate
And forgot about a simple twist of fate
He woke up, the room was bare
He didn't see her anywhere
He told himself he didn't care
Pushed the window open wide
Felt an emptiness inside
To which he just could not relate
Brought on by a simple twist of fate
He hears the ticking of the clocks
And walks along with a parrot that talks
Hunts her down by the waterfront docks
Where the sailors all come in
Maybe she'll pick him out again
How long must he wait?
One more time, for a simple twist of fate
People tell me it's a sin
To know and feel too much within
I still believe she was my twin
But I lost the ring
She was born in spring
But I was born too late
Blame it on a simple twist of fate
Songwriters: Bob Dylan
Simple Twist of Fate lyrics © Sony/ATV Music Publishing LLC, Audiam, Inc




Love Minus Zero / No Limit (Live at Montreal Forum, Montreal, Quebec - December 1975)




My love, she speaks like silence
Without ideals or violence
She doesn't have to say she's faithful
Yet she's true like ice, like fire
People carry roses
And make promises by the hour
My love she laughs like the flowers
Valentines can't buy her
In the dime stores and bus stations
People talk of situations
Read books, repeat quotations
Draw conclusions on the wall
Some speak of the future
My love, she speaks softly
She knows there's no success like failure
And that failure's no success at all
The cloak and dagger dangles
Madams light the candles
In ceremonies of the horsemen
Even the pawn must hold a grudge
Statues made of matchsticks
Crumble into one another
My love winks she does not bother
She knows too much to argue or to judge
The bridge at midnight trembles
The country doctor rambles
Bankers' nieces seek perfection
Expecting all the gifts that wise men bring
The wind howls like a hammer
The night wind blows cold n' rainy
My love, she's like some raven
At my window with a broken wing

Songwriters: Bob Dylan
Love Minus Zero/No Limit lyrics © Sony/ATV Music Publishing LLC, Audiam, Inc


As duas canções aqui registadas são, talvez, das melhores que Bob Dylan jamais compôs. 

As letras fazem parte do desiderato ideológico-emotivo dos anos sessenta... mas são imediatamente inteligíveis pelas gerações posteriores! 


sexta-feira, 14 de junho de 2019

OS ATAQUES AOS PETROLEIROS NO GOLFO DE OMAN SÃO UM CASO DE «FALSA BANDEIRA»

Kim Iversen descreve a construção de falsas evidências, usando os dados de que se dispõe sobre este caso e evocando o caso do incidente do golfo de Tonkin em 1964 como escalada da guerra do Vietname e os pseudo-ataques químicos dos sírios no ano passado.


Veja também como é que Pompeo apresenta o caso, no sentido de encontrar uma «justificação» para o endurecimento das sanções contra o Irão e tentativa de aumentar o seu isolamento:

http://www.informationclearinghouse.info/51764.htm



quinta-feira, 13 de junho de 2019

AURORA DA HUMANIDADE


Um vídeo-documentário excelente, da «National Geographic Studios» em associação com a cadeia «Arte», dá-nos conta dos avanços, espectaculares e recentes, do conhecimento sobre a origem da espécie humana, expostos de modo pedagógico e sedutor. 
As próprias descobertas de Homo naledi ou de Australopithecus sediba também foram aventuras. No filme, as narrativas fascinantes do trabalho de cientistas e exploradores, são contadas na primeira pessoa.

terça-feira, 11 de junho de 2019

ARRAIAL EM ALGÉS - 12/06/2019 - 20H.

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Integrado na campanha de recolha de fundos para ajudar nas obras necessárias à nossa nova sede, a Fábrica de Alternativas convida todos a participarem no Arraial de Santo António no próximo dia 12, a partir das 20 horas, na Escola Sofia de Carvalho em Algés (confluência da Av. da República e Rua Sofia de Carvalho).

Haverá sardinhas, bifanas, caldo-verde, chouriço, vinho, cerveja e música. 

Apareçam, que todos são bem-vindos

segunda-feira, 10 de junho de 2019

PRIMEIRO-MINISTRO DA MALÁSIA ABRE «CAIXA DE PANDORA» POLÍTICA DA UCRÂNIA




O primeiro-ministro da Malásia, Mahatir Mohamad, enviou ondas de choque num discurso público em que descartou o relatório «oficial» holandês que dava como responsáveis os russos pelo disparo contra o avião da companhia aérea Malaysia Air, voo 17 em Julho de 2014, semanas depois de um golpe orientado pela CIA que derrubou o presidente eleito da Ucrânia. 
Apesar da media ocidental ter silenciado os comentários do líder da Malásia, este está a criar um sério embaraço para o ex-vice presidente Joe Biden e seus colaboradores na Ucrânia, tais como Igor Kolomoisky, nos seus esforços patéticos para condenarem a Rússia pelos seus próprios crimes.

Durante um diálogo no Clube Japonês de Correspondentes Estrangeiros, no dia 30 de Maio, Mahatir desafiou o governo holandês a providenciar provas da sua afirmação de que o avião da Malaysian Airlines FH17 que se despenhou na Ucrânia tinha sido alvejado por um míssil BUK de fabrico russo, disparado de um regimento russo estacionado em território russo (Kursk). O primeiro-ministro malaio disse aos media japoneses: «Eles acusam a Rússia, mas onde estão as provas? Nós sabemos que o míssil que deitou abaixo o avião é de modelo russo, mas ele poderia também ter sido fabricado na Ucrânia.” Sem hesitações, Mahatir acrescentou, “É precisa uma prova sólida para mostrar que foi disparado pelos russos; poderia ter sido pelos rebeldes na Ucrânia, poderia ter sido pelas tropas governamentais da Ucrânia, porque eles também têm o mesmo míssil.”
Continuou, fazendo a exigência de que o governo da Malásia possa ser autorizado a inspeccionar a caixa negra do avião despenhado, afirmando o óbvio, sendo o avião malaio, com um piloto malaio e onde uma parte dos passageiros eram malaios: “Pode ser que não tenhamos a capacidade de peritagem mas podemos comprar os serviços de tal peritagem. Por algum motivo, a Malásia não foi autorizada a inspeccionar a caixa negra para ver o que se passou.”
Afirmou ainda, “não sabemos porque fomos excluídos do inquérito, mas desde o princípio, vemos demasiada política nisso e a ideia parece ter sido, não de descobrir como é que isso aconteceu, mas de tentar colar as culpas nos  russos.”
O voo da Malaysian Air MH17 estava no caminho de Amsterdam para Kuala Lumpur quando foi abatido acima de uma zona de conflito no leste da Ucrânia a 17 de Julho de 2014. Somente em Maio de 2018 o grupo de investigação, liderado pelos holandeses, produziu o seu relatório alegando que um míssil BUK foi usado para abater o avião da Malaysia Airlines, indicando que ele fora disparado a partir da 53ª brigada antiaérea da Federação Russa, estacionada em Kursk próximo da fronteira ucraniana. O Grupo de Investigação Holandês (Joint Investigation Team – JIT) declarou que “chegou à conclusão de que o BUK-TELAR que abateu o MH17 veio da 53ª brigada de mísseis antiaéreos estacionada em Kursk na Rússia,” segundo o investigador-chefe holandês, Wilbert Paulissen. Paulissen acrescentou, “Estamos convictos que o que encontrámos justifica as  conclusões…”
O grupo liderado por holandeses não apresentou uma prova forense concreta e Moscovo tem repetidas vezes desmentido envolvimento num tal ato, que não faria sentido em termos militares ou políticos para os russos. Em 2018 o ministro da defesa russo providenciou provas de que o míssil BUK que alvejou o avião de passageiros malaio foi manufacturado numa fábrica da Rússia em 1986 e depois despachado para a Ucrânia. A sua última localização registada era uma base militar ucraniana.
Ao levantar de novo dúvidas sobre as conclusões dos investigadores holandeses, Mahatir abriu potencialmente uma caixa de Pandora, que poderia afectar membros do governo ucraniano da época, nomeadamente Igor Kolomoisky , o bilionário apoiante de Volodymyr Zelensky, o recém-eleito presidente da Ucrânia. Potencialmente, também, poderia implicar o então vice-presidente dos EUA, Joe Biden, e muitos outros.

Questões em Aberto

Os investigadores independentes da destruição do MH17 sublinham o facto de que a equipa de inquérito liderada por holandeses deliberadamente excluiu a Malásia, assim como a Rússia, do seu grupo, mas incluiu os representantes ucranianos do regime resultante do golpe de Estado apoiado pela CIA, que dificilmente se pode considerar uma parte desinteressada. Além disso todas as escutas apresentadas como prova da culpa dos russos vieram dos serviços secretos ucranianos, SBU. Desde o golpe apoiado pela CIA na Ucrânia em 2014, o SBU tem estado envolvido em repetidas acusações fabricadas contra a Rússia, até mesmo simulando o assassínio de um jornalista, que depois se revelou estar bem  vivo.
Um dos problemas que o grupo holandês JIT nunca abordou é porquê, quando se estava numa zona de guerra e os voos comerciais internacionais eram aconselhados a evitar o espaço aéreo da Ucrânia do Leste, o voo MH17 recebeu a ordem, comprovadamente, pelas autoridades de controlo aéreo em Dnepropetrovsk, a mudar o seu itinerário e voar directamente por cima da zona de guerra. Segundo um sítio Internet holandês, Post Online, o Eurocontrol, a organização europeia para a segurança da navegação aérea, informou o parlamento holandês sobre o estatuto dos radares da Ucrânia, em 2016, informando que a organização ucraniana de controlo de tráfego aéreo UkSATSE falhou informar o Eurocontrol, no Verão de 2014, sobre a situação não-operacional de três sistemas de radar no Leste da Ucrânia, uma violação grave da lei. Um dos três radares tinha sido tomado na sequência do golpe apoiado pela CIA, em Abril, por um bando usando capuz, que destruiu as instalações.

Além disso, noutra falha, o serviço ucraniano UkSATSE recusou autorização para que o seu controlador aéreo em Dnepropetrovsk, responsável pelo controlo do voo MH17, fosse questionado. Segundo reportagens russas, o indivíduo «foi de férias» e nunca mais reapareceu.

O Factor Kolomoisky

Na altura do abate do MH17, o governador ucraniano da província de Dnepropetrovsk, era Igor Kolomoisky. Kolomoisky, que é classificado como o terceiro mais rico da Ucrânia, com um império que se estende pelo petróleo, carvão, metais e banca, também está referenciado como directamente ligado, via entidades off-shore, à Burisma, uma companhia ucraniana de gás, que tem o filho do Vice-presidente Joe Biden no seu quadro de directores.
Kolomoisky, que é bem conhecido por contratar bandidos e neonazis para espancar os seus oponentes na Ucrânia, assegurou um posto lucrativo na Burisma para Hunter Biden, apesar da inexperiência deste em algo relacionado com a Ucrânia ou com petróleo e gás, como agradecimento a Joe Biden, por este ter anulado a proibição de visto de viagem aos EUA a Kolomoisky. Joe Biden era a pessoa mais responsável da administração Obama, encarregue do golpe da Praça Maidan em 2014, orquestrado pela CIA, para derrubar o presidente eleito, Viktor Yanukovych.
As observações de Mahatir chamaram a atenção de novo para as circunstâncias misteriosas envolvendo o avião da Malaysian Air MH17 em 2014 e o papel que – potencialmente – Kolomoisky e outros teriam nisto. O papel de altos funcionários da Ucrânia, corruptos e apoiados pela administração Obama, está agora a ser examinado.
O novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, é largamente mencionado como protegido de Igor Kolomoisky. Zelensky tornou-se um nome conhecido como comediante numa estação de TV de Kolomoisky, o qual forneceu fundos e pessoal para a campanha vitoriosa do comediante, em Maio de 2019, em que o derrotado foi o presidente cessante, Petro Poroshenko, inimigo declarado de Kolomoisky. Após a vitória eleitoral de Zelensky, Kolomoisky regressou à Ucrânia, após um exílio na Suíça, no seguimento de um azedo conflito e ruptura com Poroshenko em 2015.
Estas peças todas formam um puzzle geopolítico muito obscuro, que mostram o papel sujo que a Ucrânia e a administração Obama jogaram ao demonizar a Rússia, assim como a Administração Trump. Recentemente, verifica-se que o Conselheiro Especial Mueller e seu pessoal, confiaram no testemunho do empresário ucraniano Konstantin Kilimnik, que trabalhava para o presidente da campanha de Trump, Paul Manafort, a figura chave supostamente ligada aos serviços secretos russos, como peça-chave para construir o caso de conivência com a Rússia ou das interferências nas eleições presidenciais de 2016.
Porém, longe de ser um agente de Putin, novas provas mostram que Kilimnik, pelo menos desde 2013, era um informador confidencial do Departamento de Estado dos EUA, de acordo com o jornalista dos EUA, John Solomon. Solomon cita documentos do Departamento de Estado, incluindo e-mails que ele viu, onde Kilimnik é descrito como «importante fonte» de informação para o Departamento de Estado dos EUA. O relatório de Mueller deixou de fora este detalhe embaraçoso, por algum motivo. Kilimnik trabalhou para Paul Manafort o qual, antes do golpe de 2014 na Ucrânia, tinha servido como «lobbyist» para o presidente eleito Viktor Yanukovych e seu Partido das Regiões.
Os actos sombrios de certas personagens na Ucrânia podem vir, em breve, recair sobre elas próprias, quer figuras da Ucrânia tais como Kolomoisky, ou pessoas como Joe Biden e família. Quanto à autoria verdadeira do disparo contra o avião MH17, existem investigadores holandeses e outros, que acreditam estar ligado a agentes ao serviço de Kolomoisky, aos negócios ucranianos de Hunter Biden e aos factos reais nas investigações ao «Russiagate» de Mueller. Todos esses aspectos poderiam ser mais reveladores para o inquérito do departamento de Justiça dos EUA, do que o inquérito de Mueller tem sido. Cada vez mais, se verifica que parece ter sido a Ucrânia e não a Rússia que foi a fonte de interferência na eleição de 2016 e não aquilo que nos têm dito a media do poder, como a CNN.


F. William Engdahl é um consultor de risco e um conferencista, possui uma licenciatura em política pela Universidade de Princeton e é um autor de «best-sellers» sobre petróleo e geopolítica. Escreve em exclusivo para o magazine on-line “New Eastern Outlook.”

[Traduzido por Manuel Banet Baptista para https://ogmfp.wordpress.com/ ]