segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

MINHA ESCOLHA PARA TERMINAR O ANO DE 2019



Pyotr Ilyich Tchaikovsky - The Violin Concerto in D major, op. 35 (1878)
1. Allegro moderato - 00:04 2. Canzonetta: Andante - 19:24 3. Finale: Allegro vivacissimo - 26:08 The Salzburg Festival 2018 Lisa Batiashvili - violin The West-Eastern Divan Orchestra Daniel Barenboim - musical direction

domingo, 29 de dezembro de 2019

[Comissão No Guerra No Nato] VOTOS DE FELIZ 2020?


                     


Sessenta e duas (62) pessoas detêm a riqueza correspondente à de 3.5 BILIÕES de pessoas.

Queremos desejar-lhes os nossos votos de Bom Natal e Feliz Ano Novo?

Os Estados Unidos da América declararam publicamente que têm uma missão no mundo e que, por esse motivo, nenhum outro país deve pensar apenas em afrontar esse destino manifesto e divino que se traduz:

a) na presença de bases militares dos EUA em todo o mundo (mais de 800, com ou sem o consentimento dos respectivos povos, ver Guantánamo);

b) na presença permanente de frotas militares, incluindo porta-aviões, submarinos, bombardeiros e drones em cada uma das seis áreas de controlo nas quais os Estados Unidos dividiram o mundo inteiro (incluindo o gelo dos pólos e a atmosfera que cerca e protege a Terra);

c) de longe, a maior despesa militar (700 biliões de dólares por ano – 35 biliões a Rússia e 49.5 biliões a China). A notícia de hoje é que também excederam esta cifra.

Queremos desejar um Feliz Ano Novo a todos aqueles que criaram esse mecanismo de guerra e de destruição dos recursos da Terra?

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, os governos italianos que se sucederam, abriram mão de cada vez mais partes da soberania e da riqueza do nosso país a outros - com a adesão, cada vez mais convencida e não debatida, à NATO - que levaram a cabo, de facto, a ocupação do nosso país (113 bases), a participação da Itália em actos de guerra que nada tinham a ver com a defesa do nosso território e a exposição desnecessária a represálias nucleares devido à presença de 70 bombas nucleares, violando os tratados internacionais assinados pelo nosso país e, sobretudo, violaram a nossa Lei Fundamental da Constituição que não se limita a condenar as guerras, mas que as REPUDIA, como meio de solucionar conflitos internacionais.

Também queremos desejar um Feliz Ano Novo a todos os parlamentares actuais que continuam a apoiar essa escolha política, económica e militar, suicida?

Os mercados considerados lei natural, absoluta e indiscutível para a regulação das actividades económicas, na realidade o que é que produziram? Tomando o exemplo do golpe no Chile, de 11 de Setembro de 1973, considerado o baptismo de fogo do neoliberalismo que prevalece agora universalmente, descobrimos que o mundo foi verdadeiramente unificado na economia, na informação e no tipo de consumo, mas que, simultaneamente, viu o crescimento das desigualdades entre os seres humanos como nunca na História: não apenas entre os países pobres e ricos, mas também dentro dos países mais ricos. Quais são então esses mercados? São presenças automáticas, autónomas, extraterrestres ou são governados por pessoas físicas e jurídicas bem definidas e bem delimitadas? São aquelas famosas 62 pessoas que, através de empresas multinacionais e instituições financeiras estritamente privadas e opacas, controlam uma economia que não tem nada a ver com as necessidades básicas dos 7.5 biliões de pessoas que, actualmente, habitam o nosso pequeno e circunscrito planeta? Seguramente, eles não nos consideram seus “iguais”.

Também queremos desejar a esses indivíduos um Feliz Ano Novo?

Confesso que não me importo nem um pouco; os melhores votos desejo a todos vós, que nos seguem há algum tempo e que compreendem a seriedade e consistência com que agimos; desejamos votos de felicidades aos 6 biliões de seres humanos que vivem no planeta, mas não contam com um acidente (independentemente de viverem nos chamados países democráticos ou não, pois os que decidem fazem-no noutro lugar, sem o controlo de ninguém). As condições sociais, culturais, técnicas e científicas da actualidade, podem garantir a todos uma vida decente e digna, não precisamos mais de lutar contra feras ou matar para conseguir comida, mas, sim e tumultuosamente, contra aqueles que estão indiscriminadamente a destruir os recursos disponíveis para produzir o supérfluo.
Por isso, desejo tudo de melhor, não às pessoas, mas aos objectivos de que, como pessoas, nos devemos empenhar para realmente defender a sobrevivência do género humano e da justiça, na sua existência conjunta.

Primeiro objectivo: esperamos evitar definitivamente o risco de uma guerra nuclear, não vejo a Rússia, o Irão e a China como inimigos que nos estão a ameaçar e dos quais nos devemos defender; no nosso país, isto significa sair de qualquer aliança militar, para uma neutralidade activa com todos os povos do mundo; significa devolver as bombas nucleares, que estão instaladas, ilegal e ilegitimamente, no nosso território, ao seu “legítimo” proprietário; significa trabalhar para garantir que a Itália respeite o Tratado de Não Proliferação e ratifique o novo Tratado ONU proposto por 113 países às Nações Unidas para proibir completamente as armas nucleares. O nosso país, através da sua Constituição, nascida no final de uma guerra mundial devastadora, não se limita a rejeitar a guerra, mas REPUDIÁ-LA como instrumento para regular as relações internacionais.

A nossa Comissão (Comitato No Guerra No Nato) e a nossa associação sem fins lucrativos “Per um Mondo Senza Guerre” estão em acção em todo o país e há dois anos também na Europa para informar, documentar, organizar reuniões, promover iniciativas conjuntas contra a guerra, contra o tráfico de armas, contra a participação da Itália na presença agressiva da NATO, agora em todo o mundo.

Finalmente, desejamos felicidades a nós mesmos (o nosso apelo original e, portanto, as actualizações semanais que fazemos aos signatários do mesmo, hoje são assinadas por cerca de 40 mil pessoas) pelo nosso trabalho totalmente voluntário, absolutamente desligado de qualquer objectivo eleitoral - ou directa ou indirectamente, de qualquer partido. Não temos nenhum financiamento ou apoio institucional, podemos contar exclusivamente com o vosso apoio operacional (organizem, sempre que possível, momentos de reuniões de discussão para debater os nossos problemas e dar-vos-emos todo o apoio e suporte possível); mas, acima de tudo, precisamos do vosso apoio financeiro (fundamental para continuar).

Os melhores votos possíveis seriam desfrutar a plataforma que construímos recentemente NATOEXIT.IT, para utilizar a avalanche de documentos, artigos, vídeos, informações que encontrarão (todos facilmente acessíveis para download) e usando o botão DOAÇÕES - na página principal e sem cobranças - permite, por meio do PayPal, oferecer doações mínimas, inclusive mensais, como o valor de um 'cappuccino' e um bolo, de vez em quando; ou doações únicas ainda mais substanciais (à espera do mecanismo gratuito de 5 por mil), que podemos certificar como associação (basta ter o vosso endereço de email) para que possam integrar na vossa declaração de impostos. Nota curta: o dinheiro que vocês pagam no Change.org para a nossa campanha vai inteiramente para o Change e não para nós. Todo o dinheiro proveniente das doações será usado na íntegra para organizar eventos e produzir documentos; não temos funcionários ou trabalhadores, mas temos de pagar serviços como o site, conferências ou reuniões via zoom, cartazes, folhetos, etc. A defesa da nossa sobrevivência pode ser uma boa motivação.


FELIZ NATAL E BOAS FESTAS EM SERENIDADE
UM ANO 2020 DE ATAQUE À GUERRA E À NATO

Giuseppe Padovano
Presidente da APS “Per un mondo senza guerre"
Coordenador do Comitato No Guerra No Nato
Mobile/Telemóvel: 3939983462
Email: giuseppepadovano.gp@gmail.com


http://www.natoexit.it/en/home-en/

http://www.natoexit.it/

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

sábado, 28 de dezembro de 2019

MOZART REQUIEM [Laurence Equilbey, Insula Orchestra]

Perante o génio mozartiano e a perfeição desta gravação, tenho de me curvar (mentalmente) e ouvir com a máxima atenção e respeito! 
O que distingue a qualidade de grandes interpretes de obras clássicas é a sua fidelidade à partitura e ao espírito de uma obra-prima. 
Laurence Equilbey, os solistas, o coro e a orquestra desta gravação, de certeza, estão neste nível de excelência. 
Outras interpretações existem, algumas de grande nível: o gosto pessoal jogou aqui para decidir a escolha. 


                                         

Introitus

Requiem aeternam dona ets, Domine,
et lux perpetua luceat ets.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
et tibi reddetur votum in Jerusalem.
Exaudi orationem meam,
ad te omnis caro veniet.
Requiem aeternam dona ets, Domine,
et lux perpetua luceat ets.

Grant them eternal rest, O Lord,
and may perpetual light shine on them.
Thou, O God, art praised in Sion,
and unto Thee shall the vow
be performed in Jerusalem.
Hear my prayer, unto Thee shall all flesh come.
Grant them eternal rest, 0 Lord,
and may perpetual light shine on them.

Kyrie

Kyrie eleison.
Christe eleison.
Kyrie eleison.

Lord have mercy upon us.
Christ have mercy upon us.
Lord have mercy upon us.


Sequentia

Dies irae, dies illa
Solvet saeclum in favilla,
Teste David cum Sibylla.
Quantus tremor est futurus
Quando judex est venturus
Cuncta stricte discussurus.
Tuba mirum spargens sonum
Per sepulcra regionum
Coget omnes ante thronum.
Mors slopebit et natora
Cum resurget creatura
Judicanti responsura.
Liber scriptus proferetur
In quo totum continetur,
Unde mundus judicetur.
Judex ergo cum sedebit
Quidquid latet apparebit,
Nil inultum remanebit.
Quid sum miser tunc dicturus,
Quem patronum togaturus,
Cum vix justus sit securus?
Rex tremendae majestatis,
Qui salvandos salvas gratis,
Salve me, fons pietatis.
Recordare, Jesu pie,
Quod sum causa tuae viae,
Ne me perdas ilia die.
Quaerens me sedisti lassus,
Redemisti crucem passus,
Tamus labor non sit cassus.
Juste judex ultionis
Donum fac remissionis
Ante diem rationis.
lngemisco tamquam reus,
Culpa rubet vultus meus,
Supplicanti parce, Deus.
Qui Mariam absolvisti
Et latronem exaudisti,
Mihi quoque spem dedisti.
Preces meae non sum dignae,
Sed tu bonus fac benigne,
Ne perenni cremet igne.
Inter oves locurn praesta,
Et ab haedis me sequestra,
Statuens in parle dextra.
Confutatis maledictis
Flammis acribus addictis,
Voca me cum benedictis.
Oro supplex et acclinis,
Cor contritum quasi cinis,
Gere curam mei finis.
Lacrimosa dies ilia
Qua resurget ex favilla
Judicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus,
Pie Jesu Domine,
Dona els requiem.

Day of wrath, that day
Will dissolve the earth in ashes
As David and the Sibyl bear witness.

What dread there will be
When the Judge shall come
To judge all things strictly.

A trumpet, spreading a wondrous sound
Through the graves of all lands,
Will drive mankind before the throne.

Death and Nature shall be astonished
When all creation rises again
To answer to the Judge.

A book, written in, will be brought forth
In which is contained everything that is,
Out of which the world shall be judged.

When therefore the Judge takes His seat
Whatever is hidden will reveal itself.
Nothing will remain unavenged.

What then shall 1 say, wretch that I am,
What advocate entreat to speak for me,
When even the righteous may hardly be secure?

King of awful majesty,
Who freely savest the redeemed,
Save me, O fount of goodness.

Remember, blessed Jesu,
That I am the cause of Thy pilgrimage,
Do not forsake me on that day.

Seeking me Thou didst sit down weary,
Thou didst redeem me, suffering death on the cross.
Let not such toil be in vain.

Just and avenging Judge,
Grant remission
Before the day of reckoning.

I groan like a guilty man.
Guilt reddens my face.
Spare a suppliant, O God.

Thou who didst absolve Mary Magdalene
And didst hearken to the thief,
To me also hast Thou given hope.

My prayers are not worthy,
But Thou in Thy merciful goodness grant
That I burn not in everlasting fire.

Place me among Thy sheep
And separate me from the goats,
Setting me on Thy right hand.

When the accursed have been confounded
And given over to the bitter flames,
Call me with the blessed.

I pray in supplication on my knees.
My heart contrite as the dust,
Safeguard my fate.

Mournful that day
When from the dust shall rise
Guilty man to be judged.
Therefore spare him, O God.
Merciful Jesu,
Lord Grant them rest.


Offertorium

Domine, Jesu Christe, Rex gloriae,
libera animas omniurn fidelium defunctorum
de poenis inferni, et de prof undo lacu:
libera cas de ore leonis,
ne absorbeat eas tartarus, ne cadant in obscurum,

sed signifer sanctus Michael
repraesentet eas in lucem sanctam,
quam olim Abrahae promisisti
et semini ejus.

Hostias et preces, tibi, Domine,
laudis offerimus:
tu suscipe pro animabus illis,
quarum hodie memoriam facimus:
fac eas, Domine, de morte Iransire ad vitam,
quam olim Abrahae promisisti
et semini ejus.


Lord Jesus Christ, King of glory,
deliver the souls of all the faithful
departed from the pains of hell and from the bottomless pit.
Deliver them from the lion's mouth.
Neither let them fall into darkness
nor the black abyss swallow them up.
And let St. Michael, Thy standard-bearer,
lead them into the holy light
which once Thou didst promise
to Abraham and his seed.

We offer unto Thee this sacrifice
of prayer and praise.
Receive it for those souls
whom today we commemorate.
Allow them, O Lord, to cross
from death into the life
which once Thou didst promise 

to Abraham and his seed.

Sanctus

Sanctus. Sanctus, Sanctus,
Dominus Deus Sabaoth!
Pleni suni coeli et terra gloria tua.
Osanna in excelsis.

Holy, holy, holy,
Lord God of Sabaoth.
Heaven and earth are full of Thy glory.
Hosanna in the highest.


Benedictus

Benedictus qui venit in nomine Domini.
Osanna in excelsis.

Blessed is He who cometh in the name of the Lord.
Hosanna in the highest.


Agnus Dei

Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
dona eis requiem.
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
dona eis requiem sempiternam.

Lamb of God, who takest away the sins of the world,
grant them rest.
Lamb of God, who takest away the sins of the world,
grant them everlasting rest.


Communio

Lux aeterna luceat eis, Domine,
cum sanctis mis in aeternum,
quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis,
cum sanetis tuis in aeternum,
quia plus es.

May eternal light shine on them, O Lord.
with Thy saints for ever, because
Thou art merciful.
Grant the dead eternal rest, O Lord,
and may perpetual light shine on them,
with Thy saints for ever,
because Thou are merciful.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

BEM-VINDO À ERA DO CAOS E DAS NOVAS ARMAS ALIMENTANDO CONFLITOS

O vídeo acima é o segundo de uma série de três. 
O primeiro deles pode ser visionado aqui
O terceiro, sairá em Janeiro do próximo ano.

Gordon T Long e Charles Hugh Smith debatem e analisam neste segundo vídeo as circunstâncias que enfrenta o nosso mundo. 
Uma audição e visionamento muito educativos pois importa saber quais os factores de conflito e o nível de insegurança que os sistemas actuais potenciam.
Quem desconhece esta informação poderá duvidar que o mundo «esteja em cima dum barril de pólvora», mas ao tomar conhecimento dos dados aqui resumidos, já não poderá duvidar disso.

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

[Sabine Hossenfelder] A BALADA DA GALÁXIA...


Sabine Hossenfelder presenteia-nos com a sua variante da «Galaxy Song» dos Monthy Python!


Ela tem o talento de uma cantora-autora, mas...além disso, a Sabine é uma excelente física e divulgadora das difíceis subtilezas da sua ciência. Ela torna-as muito fáceis, para um leigo como eu, o que prova que ela é - de facto - genial!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

[Manlio Dinucci] Estratégias e Custos na Guerra dos Gasodutos

                 


Enquanto se atacam num confronto inflexível sobre o ‘impeachment’ do Presidente Trump, Republicanos e Democratas depõem as armas para votar no Senado, quase por unanimidade, a imposição de sanções pesadas contra as empresas que participam na construção do North Stream 2, a duplicação do gasoduto que, através do Báltico, leva o gás russo para a Alemanha. As empresas europeias a ser atingidas e que participam do projecto de 11 biliões de dólares, agora realizado em cerca de 80%, juntamente com a Gazprom russa são: a austríaca OMV, a anglo-holandesa Royal Dutch Shell, a francesa Engie, as empresas alemãs Uniper e Wintershall, a italiana Saipem e a suíça Allseas, que comparticipam na colocação das condutas.


A duplicação da North Stream aumenta a dependência da Europa do gás russo, advertem os Estados Unidos. Estão preocupados, sobretudo, pelo facto do gasoduto - atravessando o Mar Báltico em águas russas, finlandesas, suecas e alemãs - contornar os países Visegard (República Checa, Eslováquia, Polónia, Hungria), os Estados Bálticos e a Ucrânia, ou seja, os países Europeus mais ligados a Washington através da NATO (aos quis se junta a Itália).


A aposta em jogo para os Estados Unidos, mais do que económica, é estratégica. Confirma-o o facto de que as sanções sobre o North Stream 2 fazem parte da National Defense Authorization Act/Lei de Autorização da Defesa Nacional, o Decreto-Lei que, para o ano fiscal de 2020, fornece ao Pentágono, para novas guerras e novas armas (incluindo armas espaciais), o valor colossal de 738 biliões de dólares, ao qual se acrescentam outros elementos que elevam a despesa militar dos EUA a cerca de 1 trilião de dólares. As sanções económicas em relação ao North Stream 2 fazem parte da escalada político-militar contra a Rússia.


Uma confirmação adicional vem do facto de que o Congresso dos EUA estabeleceu sanções não só contra o North Stream 2, mas também contra o TurkStream que, em fase final de construção, levará o gás russo pelo Mar Negro à Trácia Oriental, a pequena parte europeia da Turquia. A partir daqui, através de outro gasoduto, o gás russo deve chegar à Bulgária, à Sérvia e a outros países europeus. É a contrapartida russa às medidas dos Estados Unidos que, em 2014, conseguiram bloquear o gasoduto South Stream. Deveria ligar a Rússia à Itália através do Mar Negro e por terra até Tarvisio (Udine). A Itália ter-se-ia tornado, assim, um centro de distribuição de gás na União Europeia, com vantagens económicas significativas. A Administração Obama conseguiu afundar o projecto, em 2014, com a colaboração da própria Comissão Europeia.


A Saipem (Grupo Eni), atingida novamente pelas sanções dos EUA relativas ao North Stream 2, já foi fortemente atingida pelo bloqueio do South Stream: perdeu contratos no valor de 2.4 biliões de euros, em 2014, aos quais outros contratos teriam sido adicionados se o projecto fosse adiante. No entanto, nem em Itália, nem na UE, ninguém protestou contra a extinção do projecto pelos Estados Unidos. Agora, que estão em jogo os interesses alemães, erguem-se na Alemanha e na UE, vozes críticas sobre as sanções dos EUA ao North Stream 2.


Calam-se, no entanto, sobre o facto de que a União Europeia se comprometeu a importar gás natural liquefeito (GNL) dos EUA, extraído de xistos betuminosos com a técnica destrutiva de esmagamento hidráulico. Washington, para atingir a Rússia, procura reduzir as exportações de gás russo para a UE, fazendo com que os consumidores europeus paguem os custos. Quando o Presidente Trump e o Presidente da Comissão Europeia, Juncker, assinaram, em Washington, a “Declaração Conjunta sobre cooperação estratégica EUA-UE, incluindo o sector da energia”, a UE duplicou a importação de GNL dos EUA, co-financiando as infraestruturas, com uma despesa inicial de 656 milhões de euros. No entanto, esse facto não livrou as empresas europeias das sanções americanas.
il manifesto, 22 de Dezembro 2019







DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO


Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Webpage: NO WAR NO NATO

[INÊS PEREIRA:] AS CONSEQUÊNCIAS AMBIENTAIS DA GUERRA

(DE «AbrilAbril», 20-12-2019)
As cimeiras da NATO, em Londres, e do clima, em Madrid, que decorreram quase em paralelo, passaram pelas consequências da guerra no meio ambiente «como cão por vinha vindimada».

                           
A vietnamita Nguyen Thi Thuy, nascida em 1961, cuida do seu filho Tran Thi Hong desde que este nasceu, paralisado, em 1993. São duas das mais de três milhões de vítimas, distribuídas por quatro gerações, do agente laranja, desfolhante lançado pelas tropas norte-americanas durante a Guerra do Vietname, entre 1955 e 1975. CréditosKhairul Anwar / South China Morning Post

Se o ambiente é a vítima silenciosa da guerra, a luta pela paz e contra a guerra é o elefante silencioso nas salas onde hoje tanto se fala de defesa do ambiente ou de emergência climática.
Nos ecrãs continuam a surgir novos protagonistas pseudo-ambientalistas ou pseudo-ecologistas, como é o caso dos líderes da União Europeia (UE). Apresentam-se como grandes defensores do ambiente, ao mesmo tempo que investem milhões e milhões de euros em Defesa e Segurança, protagonizam políticas militaristas, promovem a corrida aos armamentos e deixam para as calendas gregas a proibição das armas nucleares.

São terríveis as consequências ambientais da guerra, como a história do século XX tem demonstrado, e permanecem por anos os efeitos da mesma quer nas populações, quer nos ecossistemas. O sistema capitalista, da Primeira Guerra Mundial às guerras que hoje se travam no Médio Oriente, tem sérias responsabilidades na degradação do ambiente, na contaminação da terra e dos recursos aquíferos, na extinção de espécies de animais, na destruição das florestas e na pilhagem de recursos naturais.

                               
A porta de um templo mantém-se ainda erguida, à frente do Hospital de Nagasaqui, após a 9 de Agosto de 1945 uma segunda bomba atómica lançada pelos EUA ter explodido sobre aquela cidade do Japão. A cidade contava nesse dia com 195 mil habitantes e desapareceu em segundos, sumida na explosão e na tempestade de fogo que se lhe seguiu. 39 mil pessoas morreram e outras ficaram feridas. A fotografia foi tirada pelo repórter George Weller, que chegou à cidade um mès depois e contou: «homens, mulheres e crianças sem marcas exteriores morriam diariamente nos hospitais», sem que os médicos pudessem fazer nada para evitá-lo. As fotografias e os despachos de Weller foram censurados e impedidos de chegar ao público norte-americano, para evitar que este conhecesse o crime cometido. CréditosGeorge Weller /

No final da Segunda Guerra Mundial, em Agosto de 1945, quando o Japão já estava derrotado, os EUA decidiram bombardear as cidades de Hiroxima e Nagasaki com bombas nucleares. Além de ambas as cidades terem sido arrasadas e de centenas de milhar dos seus habitantes terem morrido aquando do bombardeamento e nos meses que se seguiram, sob o efeito letal da radioactividade, ainda hoje os descendentes dos sobreviventes à tragédia – a quem o sistema de saúde japonês continua a ter de priorizar na assistência médica – carregam consigo as duras consequências da exposição à radiação nuclear.

Na Guerra do Vietname é bem conhecida a utilização, pelo exército norte-americano, de bombas de napalm e de herbicidas – em particular do desfolhante agente laranja. Esta actuação deliberada causou uma forte desflorestação, a extinção de espécies animais, a contaminação de habitats, e a proliferação de doenças irreversíveis como malformações congénitas, cancro e síndromes neurológicos, por milhões de vietnamitas. Cinquenta anos depois, há ainda no Vietname locais onde a pesca em rios e lagos continua proibida e o agente laranja ainda chega aos humanos a partir de sedimentos de rios e lagos, acabando este por entrar na cadeia alimentar1.

                                
Crianças vietnamitas fogem perto de Trảng Bàng, depois de um ataque com napalm executado pela força aérea do regime pró-americano de Saigão, Vietname do Sul, a 8 de Junho de 1972 CréditosNick Ut / The Associated Press
Durante a primeira Guerra do Golfo (1990-1991), os EUA bombardearam o Iraque com 340 toneladas de mísseis contendo urânio empobrecido. Investigações denunciaram, desde 19982, que a radiação dessas armas envenenou o solo e a água do Iraque, tornando o ambiente cancerígeno e contribuindo para o aumento dos casos de cancro entre os iraquianos no pós-guerra, nomeadamente entre as crianças. A destruição da infra-estrutura iraquiana pelo exército dos EUA e os seus aliados da NATO, em bombardeamentos sucessivos, teve como consequência o vazamento dos esgotos para as ruas e para os rios, bem como o despejo de óleos das refinarias e oleodutos no solo e, consequentemente, o envenenamento de terras e cidades3.

                   
Soldados executam um bombardeamento de artilharia no Norte do Iraque, a 14 de Agosto de 2016. As munições de fósforo branco estão visíveis no canto inferior direito CréditosDaniel Johnson / Exército dos EUA

E em 1999 as munições de urânio empobrecido foram pela primeira vez utilizadas na Europa, durante a guerra desencadeada pela NATO contra a Jugoslávia, na que foi a primeira agressão militar a um país soberano no continente europeu, após a Segunda Guerra Mundial. As mesmas causas comprovaram as mesmas consequências: a substância tóxica, usada para dotar os projécteis de um mais elevado poder de penetração, é vista como estando na origem do aumento de cancros entre a população civil. Têm sido detectados cancros, em crianças sérvias com menos de 15 anos de idade, com uma frequência três vezes mais elevada do que em qualquer país europeu.
Entretanto, nas cimeiras da NATO em Londres e do clima em Madrid, que decorreram quase em paralelo, responsáveis políticos e ambientalistas, nomeadamente as novas figuras mediaticamente emergentes, passaram pelas consequências da guerra no meio ambiente «como cão por vinha vindimada»!
Uns e outros parecem mais preocupados em taxar cápsulas de café e a roupa que vestimos, ou fazer-nos regressar aos tempos do transporte por barco a remos e por burro, do que em dar combate ao todo-poderoso complexo militar-industrial e denunciar as consequências ambientais da utilização, por exemplo, de porta-aviões, submarinos, tanques e outros veículos de guerra ou os efeitos de testes nucleares em diversos pontos do globo.
A defesa da paz está fora das prioridades dos dirigentes da UE, ao mesmo tempo que os media tendem a esconder e a silenciar a luta contra a guerra. O investimento na guerra terá duras consequências para o Homem e para a Natureza. Por isso, o reforço da luta anti-imperialista e pela Paz é cada vez mais uma emergência. Também climática.


1.Segundo cálculos efectuados por ambientalistas, «seis a doze gerações» de vietnamitas serão afectadas por doenças e malformações congénitas causadas pelo agente laranja. Ver «Vietnam war: 44 years on, birth defects from America’s Agent Orange are increasing», no South China Morning Post, em 8 de Junho de 2019.
2.Ver «The evidence is there - we caused cancer in the Gulf», de Robert Fisk, no The Independent, em 16 de Outubro de 1998, e «Depleted Uranium and the “Liberation” of Iraq: A Report from Hiroshima», de Christian Scherrer, investigador do Instituto da Paz de Hiroxima, na revista The Asia-Pacific Journal, volume 2, número 2, de 28 de Fevereiro de 2004. Um «estudo conclusivo» sobre o tema, segundo o Global Research Network, foi publicado em 22 de Agosto de 2017 pelo Prof. Souad N. Al-Azzawi, ver «Depleted Uranium and Radioactive Contamination in Iraq: An Overview», em 25 de Novembro de 2019.
3.Ver mais em «What's the environmental impact of modern war?», de Karl Mathiesen, no The Guardian, em 6 de Novembro de 2014.

sábado, 21 de dezembro de 2019

FRANÇA: O PIOR GOLPE NAS PENSÕES DE REFORMA - VEJA PORQUÊ

- A isenção de cotização dos quadros superiores, vai custar 72 mil milhões, sendo o sistema geral (ou seja, nós) a pagar o diferencial
- Um meio perverso de «garantir» a insolvência do sistema!
- Uma «prenda de Natal» generosa, para as grandes empresas!
- Se  a «reforma Macron» for avante, é muito provável que seja copiada em Portugal e noutros países.

Não deixem de ver, analisar e passar o video junto!

Apesar de tudo, boas Festas, para vós e vossas famílias!
Manuel Baptista




quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

«CANÇÃO FRIA» (COLD SONG) DE PURCELL

                              Aksel Rykkvin | The Trondheim Soloists


What power art thou Who from below Hast made me rise Unwillingly and slow From beds of everlasting snow See'st thou not how stiff And wondrous old Far unfit to bear the bitter cold I can scarcely move Or draw my breath I can scarcely move Or draw my breath Let me, let me, Let me freeze again Let me, let me Freeze again to death Let me, let me, let me Freeze again to death...

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

GOMA DE BÉTULA COM 5700 ANOS E O QUE REVELA

                                         The entire genome of a female human who lived in Denmark 5,700 years ago was mapped from a piece of birch pitch that she chewed.

Num sítio arqueológico da Dinamarca com 5700 anos, uma «pastilha elástica» descartada encerrava muita informação sobre quem a mascou: 
Foi sequenciado o genoma completo da mastigadora de goma de bétula. Esse ADN corresponde a uma mulher ou uma criança do sexo feminino, com traços fisionómicos mais próximos dos caçadores-recoletores da Europa do Oeste, do que dos agricultores que se tinham instalado recentemente (nessa época) na região. 

                 


Além do ADN da menina, a goma de bétula também revelou a composição de micro-organismos presentes na cavidade oral: tinha o vírus de Epstein-Barr e deve ter sofrido de mononucleose. 
Outra equipa de cientistas tinha descoberto, no ano anterior, também na Escandinávia, goma de bétula mascada, ainda mais antiga. 
É muito raro obterem-se em escavações, ossos fossilizados do Mesolítico e do início do Neolítico na Escandinávia. Por isso, a técnica genómica aplicada a goma de bétula permite identificar muitos traços das populações desse período que - de outro modo - seriam difíceis de obter.
É fantástica a quantidade de dados que a genómica aplicada à arqueologia tem revelado, sem dúvida, incluindo novos e surpreendentes aspectos da vida humana.

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

[Manlio Dinucci] 3 triliões de dólares no poço sem fundo afegão

                             
A Arte da guerra: 
Três Triliões de Dólares no Poço Sem Fundo Afegão
Manlio Dinucci


Na Declaração de Londres (3 de Dezembro de 2019), os 29 países da NATO reafirmaram “o empenho na segurança e na estabilidade, a longo prazo, do Afeganistão”. Uma semana depois, de acordo com a “Lei da Liberdade de Informação” (usada para esvaziar, depois de vários anos, alguns esqueletos dos armários, de acordo com a conveniência política), o Washington Post tornou públicas 2.000 páginas de documentos que “revelam que as autoridades americanas enganaram o público sobre a guerra do Afeganistão”. Essencialmente, ocultaram os efeitos desastrosos e também as implicações económicas, de uma guerra em curso há 18 anos.

Os dados mais interessantes que surgem são os dos custos económicos:

Ø Para as operações militares, foram desembolsados 1.5 triliões de dólares, cifra que “permanece opaca” - por outras palavras, subestimada - ninguém sabe quanto despenderam na guerra os serviços secretos ou quanto custaram, realmente, as empresas militares privadas, os mercenários recrutados para a guerra (actualmente, cerca de 6 mil).

Ø Visto que “a guerra foi financiada com dinheiro tomado de empréstimo”, os juros atingiram 500 biliões, o que eleva a despesa para 2 triliões de dólares.

Ø Acrescentam-se a esta verba, outros custos: 87 biliões para treinar as Forças afegãs e 54 biliões para a “reconstrução”, grande parte dos quais “foram perdidos devido à corrupção e aos projectos fracassados”.

Ø Pelo menos, outros 10 biliões foram gastos na “luta contra o tráfico de drogas”, com o bom resultado de que a produção de ópio aumentou fortemente: hoje o Afeganistão fornece 80% da heroína aos traficantes de drogas do mundo.

Ø Com os juros que continuam a acumular-se (em 2023, chegarão a 600 biliões) e o custo das operações em curso, a despesa supera, amplamente, os 2 triliões.

Ø Também é preciso considerar o custo da assistência médica aos veteranos, saídos da guerra com ferimentos graves ou inválidos. Até agora, para os que combateram no Afeganistão e no Iraque, foram despendidos 350 biliões que, nos próximos 40 anos, subirão para 1.4 triliões de dólares.

Visto que mais da metade dessa verba, é gasta com os veteranos do Afeganistão, o custo da guerra, para os EUA, sobe para cerca de 3 triliões de dólares.

Após 18 anos de guerra e um número não quantificável de vítimas entre os civis, ao nível militar, o resultado é que “os Taliban controlam grande parte do país e o Afeganistão permanece uma das principais áreas de proveniência de refugiados e migrantes”.

Portanto, o Washington Post conclui que, dos documentos vindos a público, surge “a dura realidade dos passos falsos e dos fracassos do esforço americano em pacificar e reconstruir o Afeganistão”. Desta maneira, o prestigioso jornal, que demonstra como as autoridades americanas “enganaram o público”, por sua vez engana o público, ao apresentar a guerra como “um esforço americano para pacificar e reconstruir o Afeganistão”.

O verdadeiro objectivo da guerra conduzida pelos EUA no Afeganistão, na qual a NATO participa, desde 2003, é o controlo dessa área de importância estratégica fundamental na encruzilhada entre o Médio Oriente, a Ásia Central, Meridional e Oriental, sobretudo, na periferia da Rússia e da China.

Nesta guerra participa a Itália, sob o comando USA, desde que o Parlamento autorizou, em Outubro de 2002, o envio do primeiro contingente militar, a partir de Março de 2003. A despesa italiana, subtraída ao erário público, tal como a dos EUA, é estimada em cerca de 8 biliões de euros, à qual se junta vários custos indirectos.

Para convencer os cidadãos, atingidos pelos cortes nas despesas sociais, de que são necessários outros fundos para o Afeganistão, diz-se que eles servem para trazer melhores condições de vida ao povo afegão. E os Frades do Sagrado Convento de Assis deram ao Presidente Mattarella, a “Lâmpada da Paz, de São Francisco”, reconhecendo assim, que “a Itália, com as missões dos seus militares, colabora activamente para promover a paz em todas as partes do mundo.”

il manifesto, 17 de Dezembro de 2019

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DECLARAÇÃO DE FLORENÇA
Para uma frente internacional NATO EXIT, 
em todos os países europeus da NATO


Manlio DinucciGeógrafo e geopolitólogo. Livros mais recentes: Laboratorio di geografia, Zanichelli 2014 ; Diario di viaggio, Zanichelli 2017 ; L’arte della guerra / Annali della strategia Usa/Nato 1990-2016, Zambon 2016, Guerra Nucleare. Il Giorno Prima 2017; Diario di guerra Asterios Editores 2018; Premio internazionale per l'analisi geostrategica assegnato il 7 giugno 2019 dal Club dei giornalisti del Messico, A.C.

Tradutora: Maria Luísa de Vasconcellos 
Email: luisavasconcellos2012@gmail.com
Webpage: NO WAR NO NATO

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

OLHANDO O MUNDO DA MINHA JANELA (PARTE V)

Olhando o mundo da minha janela:   partes IIIIIIIV                                     
                  

As «eternas» previsões para o próximo ano, são quase sempre um exercício de futilidade, que apenas pretende reforçar preconceitos, isto é, a «visão» daquele que as emite. 
Vou fugir ao ritual associado à proximidade da passagem do ano, tanto quanto possível. A minha preocupação essencial é de manter a lucidez e o espírito positivo.

Oiço, vejo e leio imensos avisos sobre a crise vindoura, monstruosa, capaz de arrasar a economia mundial, portanto também as sociedades e a civilização. 
Estamos a presenciar uma moda de cataclismos, depois de mergulhados numa moda de contentamento seráfico, beatífico, perante o crescimento «imparável» das cotações bolsistas, em todo o mundo. 
O mundo, pelo menos o dos negócios e da finança, é constantemente agitado por notícias, falsas ou exageradas, e pseudo-análises devidas a pseudo-peritos. 
A repetição constante destas previsões e alertas evocam-me, irresistivelmente, a história do menino da aldeia que, de vez em quando, se punha a gritar: vêm aí os lobos!

Neste site, ao longo do corrente ano de 2019, temos tentado fazer uma selecção criteriosa, ponderando as notícias, não tanto pela sua origem, mas sobretudo, pela sua credibilidade. 
É muito importante, neste aspecto, o critério da coerência. 
Consideremos um quadro duma paisagem: Se essa tela pretende representar a realidade de uma paisagem natural, obviamente não será coerente a presença dum animal tropical - um macaco, um tucano, ou um crocodilo - numa paisagem boreal (próxima do Ártico), nem de um abeto ou dum urso polar, por exemplo, numa paisagem tropical. Analogamente, a descrição dos factos económicos e das relações de poder internacionais, deve possuir coerência  com os factos históricos e outros, para ter alguma verosimilhança.

Assim, quando se nos depara um fim de era, tem ele de possuir alguns traços que também se observaram no passado, noutros períodos históricos  equivalentes. 
Sem dúvida, existem alguns sinais alarmantes:

- As guerras incessantes, a impossibilidade da super-potência dominante as ganhar (sacrificando dinheiro, material bélico e, sobretudo, pessoas), para manter sua presença em locais remotos, cuja relevância para a «segurança nacional» dessa superpotência, é tudo menos inquestionável.

- Um fluxo ininterrupto de dinheiro sem contrapartida («fiat»), derramado nos grandes bancos sistémicos, pelos bancos centrais ocidentais, supostamente para «estimular» a economia, mas que apenas estimulam a especulação e as bolhas, em todas as categorias de activos (acções, obrigações, imobiliário, derivados...). 
Por outro lado, os bancos sistémicos apresentam-se insolventes, na prática. A FED e outros bancos centrais ocidentais, estão desesperadamente a tentar conter a derrocada.  

- A crescente perseguição do que não é «politicamente correcto», dos «dadores de alerta»; a marginalização - por uma media ao serviço de grandes grupos financeiros - de todas as correntes de opinião, sejam quais forem os seus posicionamentos, que estejam fora do que eles, jornalistas do «mainstream» e seus patrões, consideram aceitável. 

- Ainda por cima, a agudização da campanha histérica sobre as alterações climáticas, com os interesses corporativos mais notórios a lançarem-se na «nova economia», «sustentável» (que afinal não o é), dos «amigos do ambiente» (à custa da desgraça dos povos do Sul, dos pobres); a aliança entre os principais bancos mundiais, os governos, a ONU e as organizações do mundialismo (OMC; FMI; etc...), para impor uma taxa carbono global. 

- Por fim, a perda da privacidade: Uma realidade - não já uma mera possibilidade - as pessoas serem escrutinadas, durante 24 horas todos os dias do ano sem sequer suspeitarem, ao ponto de se tornarem ultrapassadas as distopias imaginadas por Aldous Huxley, George Orwell, e outros.    

Desenha-se assim um quadro geral, que pode significar, a termo, uma involução, ou seja, uma ruptura com regressão nos padrões de vida e de civilização. Tem uma probabilidade não tão baixa como isso, pois existem elementos para se considerar que essa involução já está em curso
Todos estes problemas e disfunções existem; vê-los como sinais de fim de uma época, talvez seja - ao fim e ao cabo - bastante acertado.

Pois mais vale prevenir com um ano de antecedência, um colapso anunciado, do que o tentarmos remediar, um segundo depois dele ter acontecido. Tomo a sério, embora não com alarmismo, os sinais de tempestade. Para aumentar a nossa resiliência, para estarmos aptos a enfrentar os tempos difíceis que se anunciam, temos de saber como escapar da Matrix.