domingo, 22 de julho de 2018

DIDERICH BUXTEHUDE E O «STYLUS FANTASTICUS»

                                             PRELÚDIO E FUGA EM FÁ# MENOR

A liberdade simulando o improviso é característica desta peça, composta de tal modo que variados temas são expostos em sucessivos momentos. Seria portanto mais exacto falar-se de um políptico musical, cada secção com sonoridades e discursos bem contrastantes. 

No Norte da Europa dos finais do séc. XVII princípios do séc. XVIII, Buxtehude é um grande mestre, mas não está só. Encontram-se perto dele grandes organistas e compositores, tais como Lübeck, N. Bruhns e outros, filiados na grande escola do holandês Sweelinck, que deixou uma profusão de discípulos, tanto nos Países Baixos, como na Alemanha do Norte.  
Na Península Ibérica (Manuel Rodrigues Coelho, Pedro Araújo, Francisco Corrêa de Axaúxo, Joan Cabanilles, etc), na mesma época, o Tento e a Fantasia desempenham o mesmo papel de peças brilhantes e cheias de contrastes. Na Itália (Frescobaldi, Pasquini etc), as peças com esse carácter, costumam designar-se por Fantasia ou Toccata. 
Note-se que existe muito em comum na escrita organística dessa época, porém podem claramente distinguir-se diversas escolas. A factura dos órgãos era completamente distinta nas várias zonas europeias: soavam diferentes, o órgão ibérico, o itálico, o francês, o da Alemanha do Sul ou ainda o da Europa do Norte (incluindo Holanda, Norte da Alemanha e países escandinavos). 
A composição para órgão, além da organaria, reflectia o gosto e temperamento da sociedade e a tradição musical de cada região.