sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

«REFORMA»... E OUTROS TERMOS MANIPULADOS ...

REFORMA, REFORMISMO

A direita (e a esquerda também, a seu modo) apropria-se das palavras, torce-lhe o sentido e põe-nas a dizer o contrário do que o «comum dos mortais» entende por essas mesmas expressões. 
Literalmente, reformar pode querer dizer «mudar algo»; o sentido em que se muda não está implícito na palavra «reforma». 
Mas, historicamente, os sociais-democratas, também designados reformistas pelas tendências revolucionárias no movimento operário, tinham essencialmente um programa de reformas do Estado, da economia e da sociedade... daí que «reforma» tenha (ainda) a conotação desse tempo distante em que o socialismo «reformista» era uma componente da classe trabalhadora, dos oprimidos... ou - pelo menos - arvorava sê-lo!

OLIGARQUIA, OLIGARCA

Agora, um «opinador» de direita, muito conhecido, decidiu aplicar o termo «oligarquia» contra os seus inimigos políticos, não para designar o pequeno grupo dos muito ricos, que controlam grandes negócios, etc.! 
Assim, as pessoas têm de «descodificar» o discurso do Sr. A ou da Srª. B, para perceberem o que ele ou ela querem dizer! 

É fácil de desmontar esta demagogia, se tivermos olhares críticos sobre os discursos de uns e de outros (sobretudo, sobre a sua prática).
 É de sublinhar o ridículo de querer fazer passar por inovador algo, só e apenas mudando os significados das palavras que se usa... eu continuarei a chamar um boi, um boi!

 A ESQUERDA


Eu hesito em relação à classificação de «esquerda». No vocabulário político de quando eu tinha vinte anos (em 74!) isso queria dizer ser pela emancipação dos trabalhadores, pelo socialismo, podia-se discordar em relação ao que era o socialismo e qual o caminho para ele, mas era clara opção de alguém que era de «esquerda» pelos destituídos. 

Hoje, não vejo nada disso; vejo uma esquerda enquistada em mordomias, em rendas de privilégio. 
Mesmo a que se auto-designa de anti-capitalista (normalmente, pessoas do -ou próximas do- PC ou BE) não o será: são pessoas que estão como membros da «classe coordenadora» (no melhor dos casos), não estão dentro da classe trabalhadora; estão «acima e à direita», enquanto a esquerda sem aspas deve estar abaixo e à esquerda...
Por isso, nestes últimos tempos, costumo dizer que num regime capitalista (mesmo no capitalismo de estado) a «esquerda» é somente a «esquerda do capital». 
Não me importam as proclamações, os discursos, mas sim a prática, só isso conta para eu saber se sou aliado ou inimigo. 
A prática de classe é fundamental, ela deve ser transversal às nações e deve permitir que as lutas parciais tomem o seu sentido revolucionário, pela consciência de que a abolição do patriarcado, do sexismo, racismo, homofobia... apenas será plena, ou mesmo possível, numa sociedade igualitária, numa sociedade socialista.