quinta-feira, 13 de abril de 2017

A BOLHA IMOBILIÁRIA MUNDIAL ATINGIU O PONTO DE DESTRUÍÇÃO DA VIDA URBANA

A impossibilidade presente das classes médias em vários países (Portugal é apenas um exemplo) poderem adquirir habitação própria em zona urbana, ou até mesmo alugar um apartamento a um preço razoável, causa preocupação, mas não tem havido esclarecimento suficiente sobre as CAUSAS PROFUNDAS E GERAIS  do fenómeno.

Aquilo que está a acontecer nos países do Sul é consequência do programa de compra de activos do BCE. O efeito dessa compra é baixar artificialmente os juros, principalmente da dívida soberana. Emprestar dinheiro deixou de ser uma maneira cómoda e segura de extrair lucro, visto os juros estarem ridiculamente baixos. Logo, o capital vai se investir muito mais nos activos que garantem essa rentabilidade; a bolsa e o imobiliário. Sobre o tema, consultei com proveito um artigo muito esclarecedor de Philipe Herlin.



A «turistificação» que se observa nas zonas históricas de Lisboa, Porto e noutros centros urbanos do Sul europeu e mediterrâneo é uma modalidade de destruição da vida urbana com a agravante do turismo ser um fenómeno essencialmente volúvel. Toda a economia urbana acaba por ficar refém do afluxo turístico. Este afluxo pode deixar de existir, a qualquer momento, por variadísssimas razões. Todas as infraestruturas, todo o comércio, hotelaria e imobiliário adaptados a essa procura ficarão em falência pois é inerente ao fenómeno «indústria turística» ser sujeita a modas. 

A ausência de um verdadeiro debate nacional sobre este fenómeno torna difícil a tarefa de certos grupos, com uma certa consciência cidadã, que tentam furar o muro de chumbo do silêncio mediático, aproveitando a pré-campanha eleitoral para as autárquicas em Portugal. 
De novo, verifica-se que a media faz o jogo dos grandes interesses instalados, o imobiliário, a indústria turística, etc. Ficam sempre de fora os «sem voz»: os desalojados, os excluídos, os jovens sem hipótese de acederem a habitação (própria ou alugada), etc.