segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

INQUIETUDE

Seja-me permitido, num blogue pessoal, dar vazão aos meus sentimentos pessoais, subjetivos. 

Sinto inquietude pelo que vejo à minha volta.
Sinto um certo grau de angústia pela observação de comportamentos estranhos, segundo a minha maneira de ver as coisas. 

Tento compreender porque pessoas amigas, infelizmente demasiadas, estão sempre a postar no facebook coisas totalmente pessoais e irrelevantes mas como se outros devêssem estar ao corrente... 
O efeito é insólito, assemelha-se ao célebre « espiar pelo buraco da fechadura» só que ao contrário: aqui, quem convida a ver «através do buraco» é o próprio observado... estranho! 
Outros, fazem questão de fotografar ou filmar as poses e brincadeiras dos seus animais de companhia. Assim, pensam eles, serão assimilados às «coisas fôfinhas» que vemos nessas fotos, nesses vídeos? 
Outros ainda, esmeram-se a repoduzir pratos de suculenta cozinha feitos em casa ou comidos no restaurante... para fazer inveja???
 Enfim, a grande maioria usa a Internet para cultivar o seu ego, o seu narcisismo...sem qualquer disfarce, sequer. 

O narcisismo sem disfarce, egolâtrico, é provavelmente o traço que eu menos aprecio e mais me afasta quando o vejo em alguém. Serei um bicho esquisito? Provavelmente, sim... 

Gostava de contactar com pessoas que têm curiosidade e vontade de aprender todos os aspetos da vida humana, da natureza, do universo. Será assim tão difícil encontrar indivíduos que sejam genuinamente interessados? 

A revolução da Internet, veio banalisar o acesso aos saberes, mas não fez com que as pessoas se tornassem mais desejosas de obter esses saberes. 
Pelo contrário, as pessoas fecharam-se dentro dos seus mundos virtuais ou dos seus pseudo-relacionamentos sociais, que não trazem - aparentemente- mais do que um reforço do seu narcisismo. 

O narcisismo é típico de pessoas com  estrutura pouco sólida, mas não é vulgar - pelo menos não se manifesta abertamente - naqueles que têm forte personalidade. 

As pessoas boas estão «contaminadas» pela visão ingénua de notícias chocantes, nacionais ou internacionais, que lhes fazem «pintar» o mundo com certas cores, exatamente as cores que convém aos corporatistas e globalistas! 

Neste momento em que o mundo está à beira da catástrofe, ou seja, que se dirige a passos largos para uma IIIª guerra mundial, é muito difícil debater com alguém, mesmo pessoas com uma certa formação de base, que se julgam informadas: na verdade, estão adormecidas ou iludidas, porque estão (estamos todos) sujeitas a doses maciças de propaganda disfarçada de informação.

As pessoas não ficaram melhores, nem mais informadas, pelo facto de possuírem virtualmente um acesso ilimitado a toda a espécie de «informação». 
A propaganda constante, fez com que grande parte das pessoas se retraísse, deixasse de tomar qualquer parte ativa na cidadania, na sociedade: ficam-se por círculos mais ou menos herméticos, sobretudo muito confortáveis, pois aí, cada pessoa só encontra reforço positivo, não encontra pessoas com uma visão contrastante do real; mesmo que esses círculos não sejam seitas, têm um pouco a sua postura, as chamadas «capelinhas».

 Não consigo ter a frieza de alguns, que dizem: «pois têm aquilo que merecem!» -  O que vem aí, ou já está aí, é uma espécie de autoritarismo ou fascismo «soft». 

Muita gente vê esse monstro cada vez mais perto e depara-se com uma indiferença, denegação e/ou cobardia de seus concidadãos. De certeza essas, pelo menos, não o «merecem». Também os povos dos países do Terceiro Mundo, na sua imensidão, não têm responsabilidade na corrida aos armamentos, na deriva para uma guerra cada vez menos fria e para a escolha ou passiva aceitação de líderes demagógicos, agressivos, corruptos.

Mas quem tem um mínimo de formação, quem vive nos países ricos e goza de um certo grau de liberdade de opinião (ainda)... não terá obrigação de acordar e de alertar sobre o que se está a passar? 

Parece que sou eu que estou louco e que todos os outros são equilibrados. A ver vamos, como reagirão eles nas circunstâncias do colapso de um mundo que davam como «certo e seguro».