terça-feira, 5 de julho de 2016

[NO PAÍS DOS SONHOS] BILLIE HOLIDAY - I'LL GET BY




Eram 4 horas da manhã. Estava a chuviscar aquela chuvinha que nos molha lentamente até aos ossos. Entrei num bar, com luzes vermelhas, onde algumas prostitutas conversavam, ao balcão, com dois ou três clientes…
Sentei-me numa mesa, não sabendo muito bem o que escolher. Veio uma moça muito vistosa, pedir-me para se sentar. Eu acedi, já sabendo que isso significava, no mínimo pagar o dobro do «consumo obrigatório». Pedi uma garrafa de tinto, argumentando que o champagne me fazia azia (o champanhe surrado, com certeza…)!
A partir daí, as minhas memórias começam a ficar confusas; as luzes muito fracas, davam um halo de «mistério» àquilo que não o tinha. Quanto à conversa, não retive nem um pouco do seu conteúdo; a moça tinha jeito em me fazer sentir bem-disposto, isto ainda me lembro.  
Após uma pausa na música, iluminou-se uma zona do fundo, que afinal era um pequeno palco, onde se desenrolou o espetáculo de striptease: uma falsa loira, que imitava Marilyn Monroe com alguma verosimilhança… a meus olhos.

Posso ter sonhado tudo o que descrevi acima, pois no dia seguinte, acordei na minha cama, sem mais do que uma persistente dor de cabeça. Não me recordo como acabou a noitada e como vim para casa. Com certeza, vim no meu próprio carro; as chaves estavam pousadas ao lado da mesinha de cabeceira. Mas mais do que isso não sei.
Estranhamente, não sentia cansaço nenhum. Levantei-me, tomei um duche; engoli o pequeno-almoço e fui para o trabalho. Tudo sem pensar, num automatismo bem rodado.

Nunca mais fui àquele bar; nem sei se realmente ainda existe, nem se as personagens que encontrei ainda aí trabalham. Tudo se passou como se fosse «noutra vida». Mas tal não pode ser; pois eu sei, até certo momento no tempo, o que fiz.