sábado, 7 de maio de 2016

AVISO AO LEITOR

                                                


Sou um passeante da vida. Vou entretendo-me calcorreando as sendas próximas de minha casa, como o faria se tivesse um cão. Mas não tenho cão nenhum; então, o que eu vou passear são as minhas ideias.
Não sei escrever o que sinto, sem primeiro exercitar os meus músculos das pernas. Julgo que seja isso o que chamam de «filósofo peripatético». 
Mas o meu destino não se escreve com palavras, nem se diz em discursos mais ou menos eruditos ou xistosos! 
Ou seja, estou bem para além da autopromoção da minha pessoa. O mundo não é algo que eu tenha de cativar e usufruir! 
Não, o mundo é o espetáculo sempre renovado, sempre surpreendente da Natureza e da Sociedade. Eu estou para ele como o observador para a coisa observada. Não procuro fazer valer nenhum direito sobre o mundo. Tenho aquilo que tenho. 
Os meus amigos estão sempre seguros de que eu estou disponível para os acolher, para os ouvir. Não os vou importunar, nem impor as minhas fantasias e devaneios. 
Se eles quiserem ler as minhas elucubrações, não deixo de ficar grato. Mas se eles não tiverem paciência, ou estiverem tomados por algo bem mais urgente na vida deles... então, que amigo serei eu de empatá-los com coisas que a eles não os afeta? 

Decidi portanto reunir a minha obra literária num blogue; mas não vou alimentá-lo com coisa qualquer. Vou somente aí colocar algo, senão depois de ter passado através dum certo crivo, o crivo do meu juízo crítico: se tivesse que decidir sobre a inclusão ou não de um determinado texto de prosa ou de verso, num livro, fá-lo-ia mesmo? Se esse hipotético texto se basta a si próprio, se possui uma certa beleza formal e se seu conteúdo  é não-inócuo, não -trivial... em resumo, se ele sustenta-se por si próprio, então sim, publicarei. Mas, caso não satisfaça esses critérios, não o farei. 

Quanto à produção passada, terei outra abordagem...na medida em que, as coisas que fiz, mesmo não as repudiando, serão obra de «outro» Manuel Banet, que já foi, que já não é: não preciso de justificação para isso, senão a de arquivar o meu próprio espólio. Este blogue será um arquivo. Ficarão aí consignadas as procuras e as tentativas de aperfeiçoamento de uma língua, de uma expressão das coisas pela palavra, pela escrita, pelo som e pela vibração. 


Minha imoderada e estulta ambição é a de que o poema, o texto de reflexão possam ressoar no coração e mente do meu hipotético leitor, o de agora, assim como o daqui a uns anos a esta parte.